Tenho medo de sair de
casa e sinto vontade de me isolar: O que eu faço?
O medo de sair de casa pode representar um
comportamento isolado e responsivo a alguma situação
vivencial traumática. Não necessariamente significa
um sintoma de algum transtorno mental. É importante
a investigação do tempo de duração de tal medo,
fatores desencadeantes possíveis, nível de
incapacitação gerado, além da origem do mesmo e
contexto que ocorre. É preciso se analisar, com
cuidado, o grau de desajuste psicossocial causado
por tal medo, além da observação se tal medo é
circunscrito ou generalizado.
Alguns transtornos mentais podem ter o medo como um
sintoma. Quando ele é persistente e incapacitante,
uma avaliação psiquiátrica bem feita é necessária.
O Transtorno do Pânico é o "medo de ter medo", ou
seja, as pessoas costumam evitar os locais ou
situações onde as crises do pânico (taquicardia,
formigamentos, sudorese, tontura, sensação de
sufocamento, além do medo de morrer ou perder
controle), foram desencadeados. Embora as crises de
pânico possam ocorrer em quaisquer locais ou
situações, as pessoas costumam associá-las aos
locais onde tais eventos ocorreram, evitando os
mesmos a ponto extremo de se isolarem e não saírem
de casa.
A Fobia Social, conhecida também como ansiedade
social, leva os pacientes a evitarem situações de
exposição social. É um vergonha ou timidez extrema,
patológica, impedindo a pessoa de executar tarefas
pelo grande medo que elas têm de serem julgadas ou
avaliadas pelos outros. Têm o sentimento de que
serão julgados severamente e até humilhadas em tais
contextos sociais. Por exemplo, na apresentação oral
de um trabalho, apresentam tremores, palpitações,
gaguejam, ficam com rubor facial e apresentam suores
intensos ou mãos frias.
Podem, portanto, também se isolar em casa a ponto de
recusarem convites para atividades até de lazer ou
familiares onde haverá exposição a um grupo social.
A depressão possui um amplo espectro de sintomas
como tristeza, humor deprimido, perda do interesse
ou prazer em atividades habituais, alterações do
sono e apetite, pensamentos de conteúdo negativo
dificuldades de atenção e concentração, lentificação
ou agitação psicomotora entre tantos outros
sintomas. Pode levar a pessoa, dependendo do nível
de gravidade, a ter medo de sair de casa, levando-a,
portanto, a um isolamento.
Há também situações outras como pode ocorrer nos
"surtos psicóticos", nos quais as pessoas têm uma
alteração de juízo e crítica-avaliando de forma
distorcida, incoerente e implausível a realidade que
as permeiam. Podem ter pensamentos delirantes de
cunho persecutório e, em conseqüência, se isolarem
(sente-se perseguidas por alguém imaginário ou
irreal). Tais surtos psicóticos podem ocorrer devido
a um transtorno psiquiátrico como a esquizofrenia e
também após o uso de álcool e outras drogas.
Portanto, o medo, em si, é um sintoma que deve ser
analisado com muito critério. Só mesmo uma anamnese
psiquiátrica completa para definir se precisa de
tratamento apenas psicoterápico, medicamentoso ou de
ambos.

Leia outro artigo sobre o tema:
A escola em pânico
1ª e 2ª parte,
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Pânico à
luz do Espiritismo, do doutor Américo Canhoto
Síndrome
do pânico, da doutora Valdeniza Sire Savino
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