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Deus cria sem cessar!
Dentre todas as sublimes criações divinas, destaca-se a da nossa
criação, concedendo cada um de nós um figurativo reinado, no qual
somos soberanos absolutos.
Nesse reinado, o rei é o Espírito e o reino, o do pensamento.
Na origem, cada rei tem a mesma constituição, características
e meios de todos os demais incontáveis reis criados por Deus,
aos quais invariavelmente a todos dá idênticas, intransferíveis e
inexoráveis condições de progresso e alcance da felicidade,
destinação essa pela qual respondem de forma integral.
Assim, em cada reino, tudo de bom ou de mau que existiu, existe ou
existirá, tem como responsável único o rei, o qual, num efeito que
promana do escalão superior, também cria sem cessar,
utilizando os seguintes instrumentos:
a mente:
age qual dínamo gerador, proporcionando força criativa;
a vontade:
é uma usina, cuja função é armazenar e distribuir a força gerada por
aquele dínamo (a mente);
o cérebro:
instrumento que traduz a mente e gerencia não só a formação dos
pensamentos, como também sua ação, física ou extrafísica;
os
sentimentos: são os consultores e indutores na criação dos
pensamentos;
as
emoções: resultam da expedição ou recepção dos pensamentos, próprios
ou captados;
as idéias:
são as elaborações originais do pensamento.
Características das criações do rei:
utilizando
a fonte inesgotável do fluido cósmico universal, o rei cria súditos
até mesmo quando está dormindo... tais súditos são chamados de
pensamentos, os quais estão em contato ininterrupto com o pensamento
de Deus;
sem forçar
uma definição, talvez nos seja permitido ao menos depreender que os
pensamentos podem ser considerados como subprodutos do fluido
cósmico universal, que emana de Deus
(1);
no mesmo instante em que nascem, os pensamentos se tornam algo
palpáveis (passam a ter vida própria), podendo ser bons ou maus,
dependendo da disposição do rei no momento que os criou
(2);
dentro
desses dois parâmetros - bem e mal - os pensamentos agem quais
súditos extremamente fiéis e podem durar um segundo ou ir para a
eternidade;
todos os
pensamentos são fotografados no nascedouro
(3)
e em seguida recebem uma ficha individual que é guardada num arquivo
perpétuo, chamado memória;
alguns
desses súditos permanecem no reino, outros são remetidos a um reino
com endereço declarado, mas quase sempre, a maioria deles é
arremessada coletivamente em todas as direções;
como no
mundo existem bilhões de Espíritos, a emitirem trilhões de
pensamentos, é inexorável que pela força invencível de atração
(sintonia) todos aqueles que trafegam em ondas de igual vibração se
ajuntem, passando a perambular pela psicosfera;
assim, ao
léu, acoplados, formam torrentes vibratórias poderosíssimas, não
raro se tornando autônomas e desobedientes;
os
pensamentos que permanecem no interior do reino são aqueles que
gravitam apenas em torno do próprio rei; quase sempre saem de cena e
dão lugar a novos colegas; se ao contrário, permanecerem ativos e em
período integral, muito além de um período razoável, transformam-se
em idéias fixas;
quando as
idéias fixas são de boa natureza, podem gerar boas realizações;
contudo, se forem de natureza perturbada - e é isso que geralmente
ocorre -, geram obsessão;
se um
pensamento em particular passa a gravitar na mente do rei, repetindo
sua elaboração, além de se tornar uma idéia fixa assumirá a
forma de criatura viva, daí ser chamado de forma-pensamento
(4);
quanto aos
pensamentos que são enviados para um determinado reino,
depois de terem se tornado idéia fixa e de terem assumido
forma, estarão animados de grande força, quase invencível, além de
possuírem a incrível capacidade de se deslocar e chegar ao destino
com velocidade muito superior à da luz
(5);
forçoso
será admiti-lo: todos os pensamentos enviados a determinado destino
(outro Espírito), independentemente de serem ou não recebidos
pelo destinatário, tornam-se reverberantes, isto é, retornam como
recibos infalíveis à fonte emissora, nela produzindo as
sensações de que se equipavam
(6);
as
formas-pensamento que se transformam em figuras vivas propagam-se e
se adaptam à emoção de quem as capta. Exemplos: um católico
ajoelhado diante de uma imagem de Nossa Senhora emite uma vibração,
cuja onda, ao alcançar um espírita, poderá induzi-lo a mentalizar
Jesus; num mulçumano, Alá; no hindu, Krishna; no oriental, Buda, e
assim por diante;
os
pensamentos têm peso no campo da mente, conforme a sua natureza,
para o bem ou para o mal (7);
todos os
deslocamentos se dão por ondas vibratórias e têm livre trânsito,
tanto no plano físico como no extrafísico; quando os pensamentos são
benignos, levam bem-estar, alegria; saúde; ao contrário, carreiam
angústias, tristeza, doenças
(8);
com
referência aos deslocamentos físicos ou extrafísicos dos
pensamentos, sabe-se que a única barreira que pode impedir de
alcançarem o destino é a falta de sintonia, por parte do
destinatário, cuja vibração mental seja inversa à que tenta
visitar-lhe;
havendo
sintonia, o pensamento é contagioso, tanto quanto uma nota musical
tocada no piano ou o som de um violino ressoarão em instrumentos
semelhantes, desde que tenham a mesma afinação;
citada
sintonia se dá pela lei das atrações, unindo vibrações similares, as
quais se fixam numa ou mais de uma das infinitas hastes
(reencarnações) que compõem o leque moral do destinatário;
é dessa
forma que nascem todas as construções, de amor ou de ódio, do perdão
ou da vingança;
o maior
cuidado que nos assiste na criação de formas-pensamento reside no
perigo delas se transformarem em verdadeiros carcinomas, monstruosos
seres automatizados e atuantes capazes, em certos casos, de
subsistir até por milênios inteiros de tempo terrestre
(9).
Viagens do
rei:
o rei
(Espírito) faz permanentes viagens de ida e volta, seja ao plano
físico, seja ao espiritual, para estágios de aperfeiçoamento, em
períodos nem sempre iguais;
quando
viaja para uma ou outra dimensão o rei leva consigo todos os
cidadãos do seu reino (os pensamentos); a única diferença nesses
estágios alternados é que quando estão no plano espiritual esses
cidadãos ficam nus... Dizendo de outra forma: desvestem-se da
roupagem terrena que os encobria e ficam expostos à visão dos demais
transeuntes daquele plano... É por esse pequeno detalhe que quando a
comitiva real chega àquele plano, é imediatamente
identificada, quanto à sua condição moral...(10)
quando o
rei retorna à dimensão física traz os súditos, adormecidos; aos
poucos, vai despertando e reconhecendo-os e logo trata de vesti-los
com trajes fornecidos não só pelas chamadas convenções sociais,
mas principalmente pelo gosto, enraizado...
Utilizando a bênção de poder pensar:
de posse
dos conhecimentos acima, o Espírito poderá utilizar a dádiva divina
que é a capacidade de elaborar pensamentos, não necessitando de
grande esforço para integrar-se à grande obra de Deus, que visa o
bem de toda a Humanidade;
um
exercício que se mostrará de grande utilidade é criar o hábito da
auto-análise, imaginando que a consciência é um espelho,
perguntando-lhe - e estando preparado para as respostas:
de onde me veio esse pensamento?
o que estou pensando é bom?
(11)
Havendo
sinceridade, logo o diagnóstico surgirá...
durante o
sono o Espírito poderá no plano astral empregar seus
conhecimentos e sua boa-vontade a benefício próprio e do próximo:
para si, freqüentando cursos de conteúdo moral elevado e para o
próximo, integrando-se como doador voluntário do seu potencial
energético (ectoplasmático) às caravanas socorristas que atuam
caridosamente nos dois planos;
ninguém
jamais está só: antes da presente existência, cada Espírito teve
muitas vidas, muitas famílias... Assim, em algum lugar, Espíritos
encarnados ou desencarnados seus conhecidos estarão também
caminhando rumo à evolução; se forem deixadas abertas as portas da
casa mental, é certo que esses amigos o visitarão, seja na vigília,
ou principalmente durante o desdobramento do sono;
o espírita
compreende que discussões estéreis e sonhos quiméricos constituem
tremendos exaustores de energia mental e por isso os evita;
tudo o que
tiver que ser feito deverá buscar a melhor maneira possível e isso
só será conseguido quando o agente estiver concentrado apenas
naquilo que faz;
na Terra,
a Natureza faz com que o Sol brilhe todos os dias e as estrelas
surjam todas as noites na tela celeste (isso, há mais de quatro
bilhões de anos); raciocinando nisso não fica difícil desenvolver o
sentimento da fé em Deus;
jamais
permitir que na casa mental se hospedem a cólera, a impaciência, a
irritabilidade, a ironia ou o ciúme: sabe-os inquilinos arruaceiros
da boa ordem espiritual;
o minuto
caridoso - material (doação), oral (palavra) ou mental (prece em
favor do necessitado) -, é chance imperdível;
os tigres
adormecidos do atavismo (germens psíquicos do mal) não devem ser
acordados pelas revivescências no presente: pelo exaustivo
treinamento da reforma moral devem ser considerados proveitosas
lições do passado, para jamais repeti-las;
ao
pensarmos em alguém, elejamos apenas suas boas qualidades (se não as
tem, vamos criá-las e endereçá-las a ele, onde formarão alicerce na
casa mental).
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