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Desastres e
resgates coletivos: sinal dos tempos ou de futuro promissor?
Quando olhamos para o mundo à nossa volta, parece-nos que se
multiplicam as catástrofes, os desastres, os cataclismos. Em um
momento como este, em que todas as atenções estão voltadas para
o acidente com dois aviões, ocorrido em 29 de setembro último e
que levou 154 pessoas à morte, a atenção fica mais desperta, e
os questionamentos são vários, e envolvem até a Justiça (ou para
alguns, a injustiça) Divina. O Espiritismo, enquanto doutrina libertadora, progressista e
evolutiva, e por isso mesmo considerada consoladora, objetiva
auxiliar-nos a entender o porquê dos acontecimentos de nosso
dia-a-dia, inclusive dos mais trágicos. Assim, via entendimento
da Lei Natural e da Justiça Divina, obtêm-se a conseqüente
aplicação desses princípios no cotidiano, favorecendo sua
vivência, promovendo a coerência entre o crer e o agir.
Resumindo os fatos recentes, que respondem desde sexta-feira,
dia 29 de setembro, por uma situação de comoção nacional, temos
como fato que um Boeing novo, com 148 passageiros e seis
tripulantes, foi abalroado por uma outra aeronave, de pequeno
porte, em fase de testes. A aeronave de pequeno porte conseguiu
um pouso de emergência e todos os seis ocupantes saíram ilesos.
O Boeing espedaçou-se, caiu em meio à mata fechada, em área de
difícil acesso no norte do Mato Grosso, próximo à divisa com o
Estado do Pará, matando todos os passageiros e tripulantes.
Equipes de especialistas se mobilizaram e começaram o resgate
dos corpos, que continuará por ainda alguns dias. Até um grupo
de 11 indígenas caiapós (índios guerreiros) percorreram uma
distância de cerca de 40 km e se uniram aos esforços de
militares. Para isso, os índios enfrentaram um percurso de sete
horas em uma lancha e uma caminhada por uma área de floresta
densa até chegar ao local onde caiu a aeronave. Frente a situações como essa, alguns questionamentos são usuais,
como, por exemplo: Por que acontece esse tipo de coisas? Qual
a finalidade desses acidentes que causam a morte conjunta de
várias pessoas? Como a Justiça Divina pode ser percebida nessas
situações? Por que algumas pessoas escapam? Naturalmente, as respostas exigem reflexão aprofundada com base
em princípios fundamentais do Espiritismo, como a multiplicidade
das encarnações e a anterioridade do Espírito. Esses pontos
somam-se ao fato de que nós, enquanto Espíritos em processo
evolutivo, temos um passado de descumprimento da lei divina que
precisa ter seu rumo corrigido não apenas para equacionar nossos
problemas de consciência, mas também para nos harmonizar com
nossos semelhantes, afetados pelas nossas ações de
desvirtuamento da Lei. Ao entendermos o que a Doutrina Espírita tem a dizer sobre o
assunto, começamos a perceber a profundidade da reflexão que
deve ser adotada por cada um de nós em nosso dia-a-dia e o papel
a ser assumido de observadores da Sociedade, em substituição à
postura usual de críticos e questionadores. Começamos, assim, a conhecer o caminho para aplicação dinâmica e
prática em nosso dia-a-dia da Doutrina que abraçamos, pela
análise do mundo e sua transformação, percebendo a profundidade
de conceitos como fatalidade, resgate coletivo, regeneração do
planeta, além de favorecer o entendimento de ensinamentos de
Jesus relacionados àquilo que alguns chamam de sinais dos
tempos. Fatalidade como causa? Fatalidade, destino, azar são palavras sempre lembradas em
situações como essa. Mas que conceitos estão por trás dessas
palavras? Em "O Livro dos Espíritos", as questões de 851 a 867
tratam de fatalidade, e, entre outras informações, destaca-se o
fato de que “a fatalidade só existe no tocante à escolha feita
pelo Espírito, ao se encarnar, de sofrer esta ou aquela prova;
ao escolhê-la ele traça para si mesmo uma espécie de destino,
que é a própria conseqüência da posição em que se encontra”
(questão 851). Mais à frente (questão 853), está dito que “fatal, no verdadeiro
sentido da palavra, só o instante da morte. Chegado esse
momento, de uma forma ou de outra, a ele não podeis
furtar-vos”. A questão seguinte ("O Livro dos Espíritos",
questão 853a) melhor explica esse ponto, frisando que quando é
chegado o momento de retorno para o Plano Espiritual, nada “te
livrará” e freqüentemente o Espírito também sabe o gênero de
morte por que partirás daqui, “pois isso lhe foi revelado quando
fez a escolha desta ou daquela existência”. Não esquecer,
jamais, que “somente os acontecimentos importantes e capazes de
influir na tua evolução moral são previstos por Deus, porque são
úteis à tua purificação e à tua instrução” (questão 859a). Como vemos, a fatalidade só existe como algo temporário frente à
nossa condição de imortais com a finalidade de realinhamento de
rumo. No entanto, essa situação não é engessada. Graças à Lei
de Ação e Reação e ao Livre-Arbítrio, o homem pode evitar
acontecimentos que deveriam realizar-se, como também permitir
outros que não estavam previstos (questão 860). Fatalidade, destino, azar são palavras que não combinam com a
Doutrina Espírita, da mesma forma que a sorte daqueles que
escapam desse tipo de situação – e em acidentes como esse do dia
29 de setembro, sempre há os relatos daqueles que desejavam
pegar o avião e não conseguiram.
Então, para a Doutrina Espírita, como se explicam casos como
esse? A resposta está no resgate coletivo, conceito que envolve
a correção de rumo de um grupo de espíritos que em alguma outra
encarnação cometeu atos semelhantes – e muitas vezes em conjunto
– de descumprimento da lei divina e que, portanto, para
individualmente terem a consciência tranqüilizada, precisam
sanar o débito. Toda a problemática, nesse caso, está no
trabalho dos mentores na reunião desses Espíritos de modo a que
juntos possam se reajustar frente à Lei Divina. Impulsionar o progresso: a meta O resgate de nossas ações contrárias à Lei Divina, ao
bem e ao
amor pode ocorrer de várias formas, inclusive coletivamente. O
objetivo, segundo "O Livro dos Espíritos", questão 737, é
“fazê-lo avançar mais depressa” e as calamidades “são
freqüentemente necessárias para fazerem com que as coisas
cheguem mais prontamente a uma ordem melhor, realizando-se em
alguns anos o que necessitaria de muitos séculos”. Além disso
(questão 740), “são provas que proporcionam ao homem a ocasião
de exercitar a inteligência, de mostrar sua paciência e sua
resignação ante a vontade de Deus, ao mesmo tempo em que lhe
permitem desenvolver os sentimentos de abnegação, de
desinteresse próprio e de amor ao próximo”. E assim, entendemos o sentimento de solidariedade que essas
calamidades despertam, auxiliando todos a desenvolver o amor. O
importante para os mais diretamente envolvidos, para que tenham
o progresso devido, como está dito em "O Evangelho Segundo o
Espiritismo", capítulo 14, item 9, é “não falir pela murmuração”,
pois “as grandes provas são quase sempre um indício de um fim de
sofrimento e de aperfeiçoamento do Espírito, desde que sejam
aceitas por amor a Deus”. Nesta frase selecionada no "O Evangelho Segundo o Espiritismo",
está uma informação de cabal importância: indício de
aperfeiçoamento do espírito. E qual seria o objetivo prático de
tudo isso e como esses fatos atuam em nosso progresso, com que
finalidade? A resposta está na Lei do Progresso, que determina ao homem o
progresso incessante, sem retrocesso, no campo intelectual e
moral; cada um há seu tempo, seguindo seu ritmo próprio, sendo
que “se um povo não avança bastante rápido, Deus lhe provoca, de
tempo em tempos, um abalo físico ou moral que o transforma” ("O
Livro dos Espíritos", questão 783). Como vemos, o progresso se faz, sempre, e quando estamos
atravancando-o, Deus, em sua infinita bondade e justiça, lança
mão de instrumentos que nos impulsionem à frente. O objetivo é
nos levar a cumprir a escala evolutiva, saindo de nossa condição
de Espíritos imperfeitos moralmente para a de espíritos
regenerados, até atingirmos a condição de Espíritos puros. Essa transposição de imperfeito moralmente para regenerado marca
a atual fase de transição que vivenciamos, plena de flagelos
destruidores, de calamidades, de acidentes com grande número de
mortos. Nos evangelhos segundo Mateus, Marcos e João, há várias
referências aos sinais precursores de uma transformação no
estado moral do Planeta, caracterizada pelo anúncio de
calamidades diversas que atingirão a humanidade e dizimarão
grande número de pessoas, para que, na seqüência, ocorra o
reinado do bem, sejam instituídas a paz e a fraternidade
universal, confirmando a predição de que após os dias de aflição
virão os dias de alegria. O que é anunciado nessas passagens evangélicas não é o fim do
mundo de forma absoluta e real, mas o fim deste mundo que
conhecemos, em que o mal aparentemente se sobrepõem ao bem, e,
como afirma Allan Kardec em "A Gênese", capítulo 17, item 58, “o
fim do velho mundo, do mundo governado pela incredulidade, pela
cupidez e por todas as más paixões a que o Cristo alude”. Para que esse novo mundo se instale ("A Gênese", capítulo 18), é
fundamental que a população seja preparada para habitá-lo. Para
tanto, teremos, todos nós, de equacionar alguns problemas de
nosso passado, construindo nosso progresso moral. Não há
transformação sem crise, e catástrofes e cataclismos são crises
que agitam a humanidade, despertando-a para a solidariedade, a
fraternidade, o bem. Temos, então, de ver a humanidade como “um ser coletivo no qual
se operam as mesmas revoluções morais que em cada ser
individual” ("A Gênese", capítulo 18 item 12). Nesse contexto, a fraternidade será a pedra angular da nova
ordem social, com o progresso moral, secundado pelo progresso da
inteligência assegurando a felicidade dos homens sobre a Terra. Para que possamos habitar esse novo mundo, não temos de nos
renovar integralmente. Segundo Kardec ("A Gênese", capítulo 18
item 33), “basta uma modificação nas disposições morais”, e,
para isso, temos de equacionar débitos do passado e nos
conscientizarmos de nossa condição de espíritos imortais
perfectíveis, em fase de desenvolvimento de nossas
potencialidades. Como forma de acelerar esse processo de modificação da
disposição moral, a presente fase é marcada pela multiplicidade
das causas de destruição, até como forma de estimular em nós o
desenvolvimento de nossas potencialidades no bem, pois “o mal de
hoje há de ser o bem de amanhã. Somente a educação do Espírito
poderá libertá-lo do mal, dando-lhe condições de alçar os mais
altos vôos no plano infinito da vida. O importante em tudo isso
é mantermos a serenidade, olharmos para a frente, divisarmos o
futuro, pois “a marcha do Espírito é sempre crescente e
ascendente. É preciso descobrir quanto bem se é capaz de fazer
agora para que o próprio crescimento não se detenha” (Portásio). Em todo ser humano, como ressalta o Espírito Clelie Duplantier,
em "Obras Póstumas", “há três caracteres: o do indivíduo ou do
ente em si mesmo, o do membro da família e o do cidadão. Sob
cada uma dessas três fases, pode ele ser criminoso ou virtuoso;
isto é, pode ser virtuoso como pai de família e criminoso como
cidadão, e vice-versa”. Além disso, pode-se admitir como regra geral que todos os que se
ligam numa existência por empenhos comuns, já viveram juntos,
trabalhando para o mesmo fim e se encontrarão no futuro, até
expiarem o passado ou cumprirem a missão que aceitaram. O papel de cada um Essas calamidades – se olharmos para elas sob o ponto de vista
espiritual, fundamentando nossa reflexão nos princípios da
Doutrina Espírita – têm, portanto, objetivos saneadores que,
conforme Joanna de Ângelis, removem as pesadas cargas psíquicas
existentes na atmosfera e significam a realização da justiça
integral, pois a Justiça Divina, para nosso reequilíbrio,
recorre a métodos purificadores e liberativos, de que não nos
podemos furtar. Assim, tocados pelas dores gerais, ajudemo-nos e oremos,
formando a corrente da fraternidade e estaremos construindo a
coletividade harmônica, sempre lembrando a advertência do
Espírito Hammed:
“a função da dor é ampliar horizontes para realmente
vislumbrarmos os concretos caminhos amorosos do equilíbrio.
Como o golpe ao objeto pode ser modificado, repensa e muda
também tuas ações, diminuindo intensidades e freqüências e
recriando novos roteiros em sua existência”. Desse modo,
estaremos utilizando nossos problemas como ferramenta evolutiva,
não nos perdendo em murmurações, mas utilizando nosso
livre-arbítrio como patrimônio. O progresso de todos os seres da criação é o objetivo de tudo
que acontece. Tenhamos a consciência desperta e procuremos
entender o mundo à nossa volta, cientes de que a solidariedade é
o verdadeiro laço social, não só para o presente, mas, como está
em "Obras Póstumas", “estende-se ao passado e ao futuro, pois
que os mesmos indivíduos se encontram e se encontrarão para
juntos seguirem as vias do progresso, prestando mútuo concurso.
Eis o que faz compreender o Espiritismo pela eqüitativa lei da
reencarnação e da continuidade das relações entre os mesmos
seres”. E mais: Graças ao Espiritismo, compreende-se hoje a justiça das
provações desde que as consideremos uma amortização de débitos
do passado. As faltas coletivas devem ser expiadas
coletivamente pelos que juntos as praticaram, e os mentores
estão sempre trabalhando, ajudando a todos nós, reunindo-nos em
grupos de forma a favorecer a correção de rumo, amparando-nos e
nos fortalecendo para darmos conta daquilo a que nos propomos,
além de nos equilibrarem para podermos auxiliar o outro com
nossos pensamentos positivos, nossos melhores sentimentos e
vibrações. 
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