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SAÚDE OU DOENÇA, A ESCOLHA É SUA

SAÚDE OU DOENÇA, A ESCOLHA É SUA - Acredite, é surpreendente: saúde não se compra na farmácia! Isso mesmo! Descubra neste livro as causas espirituais das doenças, a influência do passado nas enfermidades, a origem psicossomática das moléstias e ainda os pequenos descuidos que geram grandes problemas de saúde – explicações e sugestões práticas para prevenir o sofrimento e garantir uma vida verdadeiramente saudável! E mais: conheça os efeitos negativos dos desejos e frustrações, da busca da felicidade em outras pessoas, das fixações mentais, da alimentação compulsiva, da vida sedentária, das crises existenciais e de outros fatores causadores de doenças e perturbações. Experiente médico da família, sempre sugerindo soluções, Américo Canhoto aponta na direção da saúde do corpo e da alma. Leitura fácil, derruba mitos e preconceitos, um guia excelente para quem deseja viver mais e muito melhor. "Saúde ou doença, a escolha é sua" (São Paulo: Petit Editora) 

 

Espírita de porco

AMÉRICO CANHOTO

Tenho um amigo de “peladas de fim de semana” no Clube Monte Líbano de São José do Rio Preto, o Renatão que não vejo há muito tempo, desde que deixei de jogá-las por problemas nas costas e no ciático. Bons tempos aqueles, sinto saudades por um lado, mas por outro, acho que estou em outra, tudo tem seu momento (mas, que saudades de você cara! e de todos os outros).
Naquela época de descoberta da Doutrina dos Espíritos, em tudo eu via ensinamentos lindos, aprendizados maravilhosos, muita teoria e pouca, quase nada de prática.
Quando eu “ainda competia” não gostava de perder (confesso que nunca gostei, de jeito nenhum) e, na hora de dividir e escolher os dois times, para que desse um “racha legal”, bem animado e competitivo, manipulava a quase todos, de forma mais ou menos consciente. Como criei a falsa imagem de um cara equilibrado e justo era o responsável pela divisão dos times, mesmo com muito esforço e ajuda espiritual, na maioria das vezes, não conseguia deixar de manipular aquela turma, era inevitável, pois minha condição espiritual ditava isso. Usava e abusava de todos os tipos de subterfúgios dentre eles, mesmo sendo bom de bola (modéstia a parte), me desvalorizava para atingir meus inconfessáveis intentos: não perder; daí, antes de distribuir as camisas, dava uma de cansado, machucado, e ajeitava os times para que pudesse ganhar com certa facilidade, mas sem dar na vista, quando a coisa estava muito fácil o outro time estava sendo goleado, puxava o breque de mão, pedia para sair, fingia estar machucado (raras vezes), isso me causou muitos infernos de consciência (refletia muito sobre tudo isso, tinha relativa; não: total consciência do que fazia). Confesso que esses rachas, essas peladas me punham nu comigo mesmo e eu me envergonhava. Mas, no outro fim de semana repetia tudo de novo e de novo.
Nessa época o auxílio do Renatão foi fundamental, para mim ele era como aquele grilo da consciência do desenho animado buzinando na minha orelha, quantas vezes ele me chamava em off e, dizia: seu “espírita de porco”.  Seu espírita de porco, seu, seu...
Seu “espírita de porco”!
Dia desses, sonhando acordado ou depois de um sonho, sei lá, fui ao dicionário e pesquei muitos ensinamentos que quero dividir com os amigos. Analisemos o significado das palavras: espírito de contradição. Espírito de porco - ser alguém que contraria sistematicamente, ser irritável. Espirituoso – Engraçado, vivaz, alegre, - Conceituoso, engenhoso, conciso.
Nesta minha existência ou aventura pelos “Caminhos do Senhor”, além de olhar todos os dias no espelho e ainda de me defrontar com a imagem de um “espírita de porco” cada vez mais bonitinho, engraçadinho e benevolente com seus colegas “espíritas de porco” de certa forma, ainda o continuo sendo.
Apenas para um tributo ao meu amigo Renatão (baseado em mim mesmo), fiz um breve apanhado das características dos “espíritas de porco” que lotam os Centros Espíritas  como tarefeiros, professores e estudantes da Doutrina e principalmente dos Aprendizes do Evangelho, dava para escrever um belo romance pseudo-mediúnico (a maior parte deles), pois do lado de lá há mais espíritas de porco do que do lado de cá. Mas, decepções de um “espírita de porco” á parte, vamos lá: Quem são eles? Como podemos identificá-los? Melhor ainda como nos identificarmos como eles?
São estudiosos, leitores vorazes.
Maus praticantes, pensam uma coisa, falam outra e, agem de forma diferente (nem todos tem um amoroso Renatão para ajudar). A maioria precisa de uma sogra ou de uma esposa controladora, de um marido preguiçoso, de um aluno chato ao extremo nos estudos espíritas – e - principalmente de um dirigente de tarefa espírita metido a sábio.
Eles, estão, ou sonham estar, em posição de mando ou em evidência em todos os lugares e, principalmente na casa ou no movimento espírita (esses são os mais perigosos adversários do Cristo), que Jesus, o Espírito da Verdade, Kardec e muitos outros tentaram nos avisar sobre sua presença e, necessária, influência para que, aprendamos a discernir. Pois ás vezes, durante dezenas de anos, essas figuras são cobras mandadas do lado de lá; são “coisas” a serviço da turma do mal, fingem-se de bonzinhos e de sofredores, não maltratam nem atormentam: apenas cumprem com sua maligna tarefa: tornam-se censores, decidem o que é bom ou ruim para suas ovelhas...
Adoram os dogmas e as purezas doutrinárias; pois são biombos onde se escondem para se maquiarem de si mesmos, ou, para aliviarem seus “calos espirituais", e, para se renovarem nas energias do anti-cristo para simplesmente fingirem que podem ou não jogar o jogo da vida: “a partida do eterno evoluir”.
São alérgicos a idéias novas. E tentam vacinar os da sua convivência contra elas.
Críticos mordazes de tudo que os possa incomodar ou tirar da posição de expoentes, pois possuem muitas “feridas espirituais”, e se, algo ou alguém feito moscas varejeiras, sem querer, pousarem neles, perdem a compostura e mostram sua verdadeira cara; pena que, nem todos terão um espírito como o Renatão para ajudá-los de forma amorosa e simples a limparem suas “feridas purulentas da alma”.
Adoram frequentar consultórios médicos e, amam andar com seus exames debaixo do braço para mostrar para todo mundo que, suas deficiências são físicas e não espirituais (principalmente as mulheres que lidam mal com a sexualidade e que colocam a culpa desse lidar mal, nos hormônios e na menos ou na mais - pausa).
Vigilantes quanto aos seus interesses e justificativas, quando devem se posicionar sobre algo ou algum assunto tiram seu caderninho de anotações, para “vomitar” em cima do ouvinte suas desculpas – alívo das culpas.
O que nos falta para deixarmos de ser “espíritas de porco”?
Sugerimos ao amigo leitor que, crie focos de discussão em todos os lugares possíveis. Seja na casa espírita, na vida em família, enfim em todos os lugares onde possa criar oportunidades de livrar-se de suas “porquices espirituais”. Esse é um assunto legal, mas como todos nós temos um limite de..., terminamos por hora nosso bate papo com uma dica do Renatão: antes de tudo, cuide de seu chiqueiro; faça sua limpeza íntima. Reforme-se...
Pena que esta singela lição seja lida apenas por quem não precisava dela. Os “espiritas de porco” não criaram oportunidades para refletir. Será? Quem disse, seu espírita de porco?
Muita Paz.
Renatão, alma simples e boa, onde estiveres, minha eterna gratidão.
Do reconhecido amigo de ontem e de sempre.
Desculpe, em algumas coisas ainda continuo sendo um “espírita de porco”.
Prometo que continuo me esforçando...
Amériquinho (como carinhosamente me chamas).

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Américo Marques Canhoto - Casado, pai de quatro filhos. Nasceu em Castelo de Mação, distrito de Santarém, em Portugal. Médico da família, clinica desde o ano de 1978. Hoje, atende em São Bernardo do Campo e São José do Rio Preto, Estado de São Paulo. Conheceu o Espiritismo em 1988. Recebia pacientes indicados pelo doutor Eduardo Monteiro. Depois descobriu que esse médico era um espírito.


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