A Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o medicamento
vareniclina (Champix) para ajudar fumantes que
querem abandonar o vício. O remédio já é vendido nos
Estados Unidos e no Brasil deve estar disponível em
farmácias e drogarias no primeiro semestre do ano
que vem. O preço ainda não foi definido, de acordo
com a Pfizer, fabricante. Em trâmites normais, a
discussão do preço acontece depois que um
medicamento obtém aprovação pela Anvisa.
A vareniclina ativa parcialmente o receptor da
nicotina, reduzindo a intensidade do desejo pelo o
cigarro e, ao mesmo tempo, diminuindo os sintomas
relacionados à abstinência. A droga também tem ação
de remover a sensação de prazer associada ao fumo.
Este efeito ajuda pacientes que têm recaída durante
o tratamento.
"Esta é a primeira droga com ação específica, que
age no receptor de nicotina no cérebro. Ao tomar o
medicamento, a pessoa não tem a sensação prazerosa
de fumar. A vareniclina bloqueia esta ação", explica
a cardiologista Jaqueline Issa, diretora do
Ambulatório do Tratamento de Tabagismo do Instituto
do Coração (Incor) de São Paulo.
Ao acender o cigarro e inalar sua fumaça, a nicotina
sobe ao cérebro e se prende a estruturas chamadas
receptores, da mesma forma que uma chave se encaixa
a sua fechadura. Ao destrancar a fechadura, a
nicotina desencadeia uma série de ações responsáveis
por acionar o circuito do prazer. Esse efeito dura
poucos segundos. E logo o fumante está sedento por
mais nicotina. Então, vem outra tragada. E depois
outra e novos cigarros. E o efeito de prazer se
repete. A falta de nicotina causa fissura pela
substância, podendo provocar uma síndrome de
abstinência. Considera síndrome de abstinência
quando, ao ficar sem fumar, a pessoa sente
ansiedade, tontura, dor de cabeça, irritação,
insônia. desânimo. dificuldade de concentração e
também um aumento do apetite.
Doze semanas
Segundo Jaqueline Issa, o tratamento é
recomendado para fumantes acima de 18 anos de idade.
"Tratamento para tabagista deve ser levado a sério.
Não deve ser automedicação. Para fazer uso de uma
medicação o paciente precisa de orientação e
acompanhamento médicos", alerta Jaqueline Issa.
O medicamento deve ser utilizado por doze semanas de
abstinência de cigarro. Mas pode ser prolongado até
vinte e quatro semanas.
"O abandono de cigarro não precisa ocorrer de
maneira abrupta, mas depois que o tabagista deixa de
fumar são doze semanas de medicamento", diz a
cardiologista. Entre os efeitos colaterais mais
comuns da vareniclina estão náuseas e alterações nos
sonhos. Desde 1981, a Organização Mundial de Saúde (OMS)
estabeleceu o tabagismo como doença. O cigarro é
responsável pela morte de quatro milhões de pessoas
a cada ano. No Brasil, estima-se que 24% da
população seja fumante, segundo o Instituto Nacional
do Câncer (Inca).
Fim do vício
Anvisa aprova novo remédio contra tabagismo - Ao
acender o cigarro e inalar a fumaça, a nicotina sobe
ao cérebro e se prende a estruturas chamadas
receptores. O mecanismo é semelhante ao do encaixe
de uma chave na fechadura. Ao destrancar a
fechadura, a nicotina desencadeia uma série de ações
responsáveis por acionar o circuito do prazer. Esse
efeito dura alguns segundos. E logo o fumante sente
a necessidade de mais nicotina. E por isso, acende
outros cigarros.
Como age a vareniclina: ativa parcialmente o
receptor da nicotina, reduzindo a intensidade do
desejo pelo cigarro e, ao mesmo tempo, diminuindo os
sintomas relacionados à abstinência. A droga também
tem ação de remover a sensação de prazer associada
ao fumo, caso a pessoa tenha recaída durante o
tratamento.
A falta da nicotina provoca a chamada síndrome de
abstinência.
Largue o vício
Livre-se de tudo que esteja relacionado ao hábito de
fumar, com isqueiros, fósforos e cinzeiros.
- Lembre-se de que um único cigarro pode fracassar o
tratamento.
- Evite bebidas alcoólicas.
- A prática de atividades físicas e uma alimentação
equilibrada ajuda e evitar o ganho de peso, comum
nos fumantes.
- Nunca se esqueça dos malefícios do cigarro.
Sintomas da Abstinência:
- ansiedade
- tontura
- dor de cabeça
- irritação
- insônia
- mau humor
- depressão
- desânimo
- dificuldade de concentração
- aumento do apetite
- vontade incontrolável de fumar
Médicos precisam de orientação
Levantamento feito em 16 países, com aproximadamente
2.800 médicos - fumantes e não fumantes - revelou
que a maioria desses profissionais sente que precisa
de orientação para tratar pacientes tabagistas.
Embora quase 90% recomendem o abandono do cigarro,
apenas 47% elaboram com seus pacientes um plano
efetivo para atingir essa meta. Em média, um médico
passa seis minutos da consulta conversando com seus
pacientes fumantes.
Os resultados fazem parte do estudo STOP (Smoking:
The Opinion of Physicans), feito pela Pfizer, que
avaliou a opinião dos médicos sobre tabagismo em
dezesseis países - não incluiu o Brasil. Foram
entrevistados clínicos gerais e médicos de família.
De acordo com o estudo, metade alegou não ter tempo,
46% priorizam outra condição médica e 38% afirmaram
não ter o treinamento adequado para ajudar os
pacientes a parar de fumar. Apesar de reconhecer o
forte grau de dependência da nicotina, 92% dos
médicos concordam que o abandono do cigarro depende
principalmente da força de vontade dos tabagistas. A
pesquisa apontou ainda que mais de 80% dos médicos
consideram o fumo uma condição médica. E cerca de
20% consideram que fumar não é um problema de saúde,
mas uma opção.
Saiba mais
Estudos com o Champix, que serviram de base
para sua aprovação tanto nos Estados Unidos como no
Brasil, envolveram mais de dois mil tabagistas que
fumavam em média vinte e um cigarros por dia durante
durante vinte e cinco anos. Pacientes que receberam
o remédio por doze semanas quadruplicaram a chance
de parar de fumar, quando comparados aos que usaram
placebo, e dobraram a possibilidade de largar o
vício quando comparados aos que usaram cloridrato de
bupropiona. Após um ano, um em cada cinco pacientes
que receberam Champix estava livre do cigarro. Para
os demais, um tratamento adicional por mais doze
semanas aumentou a chance de sucesso a longo prazo.

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