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Gestação SOROPOSITIVA

Tratamento reduz a 3% a contaminação do bebê

DA REDAÇÃO DO NEU-FUNDÃO

Destacamos duas notícias por suas implicações no tempo e no espaço. A primeira, embora rápida, é muito triste. O aborto é sempre algo muito doloroso em todos os sentidos. A segunda é a esperança e a alegria de ver o resultado da assistência-ensino-pesquisa.
Na home-page do Núcleo Espírita Universitário do Fundão - RJ http://zap.to/neurj encontramos em Campanhas, valorização da vida intra-uterina, uma questão para introduzir o documento “Antes de votar pergunte ao candidato sobre o aborto”: - Você aceitaria o aborto de uma jovem, gestante HIV-positiva, grávida pelo estupro?
Com o título de “Aborto legal”, na coluna de Ricardo Boechat, em O Globo, sexta-feira, 16 de junho de 2000, lemos que o deputado Alexandre Santo apresentou projeto na Câmara, no dia 15, ampliando os casos legais de aborto. Quer que o Congresso permita interromper a gestação de bebês contaminados com o vírus da AIDS. A proposta trata a doença como “um problema de segurança nacional”.
No artigo “As Ciências Biomédicas, os doutores,  o Espiritismo  e os cegos de nascença”, publicado na Revista Internacional de Espiritismo, maio de 2000, encontramos que um aluno questionou a apresentação que fora feita de determinado orador espírita dizendo: “Informar que o palestrante é professor e doutor não é ferir sua humildade e tentar passar verniz no seu ego?“ O autor respondeu que acreditava que aquela era uma boa oportunidade de, confirmando a veracidade das informações, passar por esta prova e oportunidade de, com seu testemunho, demonstrar que não há incompatibilidade entre a atividade científica e o sentimento de religiosidade (Ciência + Consciência). Estamos recordando este momento do artigo porque o Núcleo Espírita Universitário do Fundão possui nos seus quadros pessoas nesta condição.
Na história do NEU-Fundão encontramos que a primeira reunião ocorreu no DIP/HU por interferência da professora doutora Susie A. Nogueira, em 29 de outubro de 1992. Naquele dia foi acesa em diversos corações uma chama, a chama do desejo de servir. Era quase utópico: uma "cabeça de ponte" espírita dentro do Hospital Universitário!
A doutora Susie ainda hoje, dentro da escassez de seu tempo, participa das reuniões, do NEU-Fundão, de Estudo do Evangelho Segundo o Espiritismo, sexta-feira, 12 horas, na Capela Ecumênica do Hospital Universitário.
Coordenadora de Comunicação e Assistência, na primeira diretoria do NEU, foi pessoa importante na abertura deste espaço para o estudo semanal de "O Evangelho Segundo o Espiritismo" na Capela, no quinto andar.
A segunda notícia é uma entrevista dada pela professora Susie e que demonstra a luta em favor da vida, no Jornal quinzenal da Seção Sindical dos Docentes da UFRJ/Andes-SN, Ano VII 5 de Junho de 2000.

Reportagem com a entrevista da doutora  Susie A. Nogueira
O Programa de Assistência Integral à Gestante HIV Positiva foi criado no segundo semestre de 1995 com uma estrutura tipicamente multidisciplinar integrando, entre outras unidades, o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), o Instituto de Pediatria e Puericultura Martagão Gesteira (IPPMG), a Maternidade Escola, a Escola de Serviço Social e a Faculdade de Nutrição. Após cinco anos de trabalho, a equipe do programa se caracterizou como um primeiro local de assistência em medicina multiprofissional da universidade, acumulando na bagagem índice invejável - só encontrado em países como os EUA, França e Bélgica - de até 96% da taxa de redução de transmissão vertical (mãe-filho). Segundo a coordenadora, Susie Nogueira, o projeto foi definido pela necessidade de direcionar aspectos especiais que se relacionam às mulheres com HIV e AIDS. De acordo com a professora e doutora do HUCFF, atualmente, a Assistência Integral na UFRJ atende 254 gestantes, sendo que 120 delas já ultrapassaram o 6º mês de gravidez, período a partir do qual é possível detectar a presença do vírus no bebê. Somente em quatro gestantes foi detectada a contaminação vertical. Isto significa que 116 bebês nascerão não portadores do vírus, salvo qualquer problema no momento do parto.
Segundo Susie Nogueira, o programa recebe todo apoio ‘logístico’ da UFRJ e dos dirigentes das unidades envolvidas. Mas é só. Os recursos financeiros e técnicos para sustentar o programa são mantidos basicamente por organizações internacionais não governamentais.
Instituições como a World AIDS Foundation e a Fogarty Internacional Training Program, da Universidade de Maryland, já financiaram algumas versões dos manuais educativos produzidos pela equipe do programa. “Os manuais são voltados para médicos e profissionais da saúde que lidam com as mulheres infectadas e as gestantes HIV positivas”, explica. A Fundação José Bonifácio (FUJB) também colaborou, imprimindo metade da 2ª edição do “Manual para o Acompanhamento Clínico da Mulher Infectada pelo HIV”, com tiragem de mil exemplares, e produziu um vídeo. Segundo a professora, o Ministério da Saúde entra com a medicação, “sem o que seria impossível manter o atendimento, já que a esmagadora maioria das gestantes que chegam ao pré-natal, e são testadas, são de baixa renda”.
Na ocasião, a professora-doutora Susie Nogueira fez questão de apresentar a equipe (na UFRJ) que está à frente do Programa de Assistência Integral à Gestante HIV Positiva: Tomáz Pinheiro da Costa – IPPMG; Thalita Fernandes de Abreu –IPPMG;  Ricardo Hugo de Oliveira – IPPMG; Márcia Bondarowisk – Maternidade Escola; Rita Bósnia - Maternidade Escola; Mírian Peres Andrade – Maternidade Escola Elizabeth Machado – HUCFF; Maria de Fátima Lago Garcia – Psicóloga; Iraina Fernandes – Enfermeira Regina Mercadantes – Enfermeira Vale lembrar que nenhum dos membros da equipe, docentes ou funcionários, recebem qualquer  remuneração extra por sua participação no programa.
Além deste tipo de material mais técnico, o programa investe na Jornada de Prevenção Vertical do HIV. Docentes e pesquisadores realizam palestras nas várias universidades e unidades de atendimento espalhadas pelo país. Levam material didático que inclui os manuais, um vídeo e um kit de slides. A Jornada já percorreu a grande maioria dos estados brasileiros. Aborda a questão do acompanhamento clínico de gestantes HIV positivas e apresenta as propostas para um atendimento global que visa à conseqüente redução da contaminação no período da gravidez e durante o parto. O programa também produz material informativo para as mulheres gestantes e seus familiares. “O trabalho da equipe médica é decisivo na redução da contaminação vertical e o treinamento dos profissionais de saúde e médicos é realizado através destes manuais, vídeos, seminários e palestras”.

Assistência, ensino e pesquisa, juntos
De acordo com Susie, primeiramente, o programa atendeu a uma necessidade assistencial das unidades hospitalares da universidade, mas a partir do trabalho multidisciplinar com as gestantes, as mães e seus filhos o programa fortaleceu seu caráter de ensino e pesquisa. “Já percorremos diversos estados, cobrimos boa parte das principais cidades do país, do norte ao sul e, com certeza, mudamos a cultura dos profissionais de saúde em relação ao atendimento às gestantes soro positivas. Na área da pesquisa, estamos verificando - como parte de um programa multidisciplinar internacional vinculado a universidades americanas - a receptividade nas pacientes do uso de mais um componente, a Niverapina, além do AZT tradicional.”
Mesmo reconhecendo o apoio das direções das unidades envolvidas, a professora comenta que até hoje o programa não conta com o apoio institucional da própria UFRJ. “Temos dois projetos com a Universidade de Maryland em pesquisa e educação, seria bom o apoio mais direto da nossa universidade para programas deste tipo”. A UERJ e a Federal Fluminense também participam do programa, mas a coordenação é da Federal do Rio.

Estudantes
De acordo com Susie, do ponto de vista do ensino, o programa é voltado para a pós-graduação. “São poucos os alunos que se envolvem, mas os residentes participam das atividades, sempre em nível de especialização ou mestrado”.

Envolvimento
O aspecto humanitário do projeto sobressai quando a professora se refere aos filhos já nascidos das gestantes soro positivas. “A maioria das mulheres que são encaminhadas ao programa não sabiam da existência da infecção antes dos exames do pré-natal realizados nas unidades públicas. Dessas, 94% contraíram o vírus de seus maridos ou companheiros regulares. Mas dói quando pedimos que a gestante infectada traga seus outros filhos para uma testagem. De dois ou três, pelo menos um, geralmente, já apresenta o vírus”.
Segundo Susie, o município do Rio de Janeiro é o campeão em número de testagem de HIV no estado. Na rede pública, são realizados cem mil partos por ano e 1% das gestantes é soro positivo. “Destas mil mulheres, somente cerca de 40% ou 50% são identificadas como soro positivas durante o pré-natal. Ou seja, recebemos de 40 a 50 gestantes por ano para atendimento no programa, o que é pouco se comparado ao universo de infectadas”.

O futuro
Para a professora, este tipo de ação contribui para a redução da contaminação de crianças durante a gravidez a níveis bastante otimistas em todo o país. Ela lembra que o caráter epidêmico da AIDS no Brasil mudou muito nos últimos anos. Em contraposição à conjuntura das primeiras fases de pesquisas sobre o vírus - quando os homens, principalmente os homossexuais, eram maioria na relação de infectados - a transmissão heterossexual do HIV é, atualmente, a mais importante, com uma conseqüente e progressiva contaminação das mulheres e seus filhos. “Por volta de 1985, a relação de infectados era de 35 homens para uma mulher; hoje, são apenas 2 homens para cada mulher infectada, na grande maioria das cidades brasileiras, na faixa dos 20 a 40 anos, justamente na fase reprodutiva da mulher”.
Destaca que a esperança para os que participam do programa é que, a partir deste trabalho de educação, assistência e pesquisa integrados, mais mulheres sejam identificadas em tempo hábil pelo teste anti-HIV nas unidades de saúde que oferecem atendimento pré-natal, maternidades e clínicas ginecológicas e de doenças sexualmente transmissíveis. Assim, os filhos ainda não nascidos poderão ser tratados com terapêuticas eficazes para que nunca desenvolvam o vírus. Na Introdução de um dos manuais, assinado pelo doutor John Lambert, do Institute of Human Virology da Universidade de Maryland, constata-se que o programa de atenção integral à gestante HIV positiva é a “prevenção da infecção pelo HIV na criança pelo tratamento de suas mães na gravidez e a supressão a longo prazo do HIV nos outros membros infectados da família (...) para que mães, pais e crianças possam ter uma convivência mais duradoura e o termo 'órfãos da AIDS' seja uma coisa do passado”.

Solidariedade
As mães soro positivas não podem amamentar seus bebês, já que podem transmitir o vírus a partir do aleitamento. Segundo Susie, os recursos destinados para o programa não cobrem a nutrição dos filhos das mães infectadas, em sua maioria de baixa, baixíssima renda. Para resolver o problema, a equipe e alguns voluntários criaram a Associação dos Amigos do programa de Assistência Integral à Gestante HIV Positiva, uma ONG destinada a levantar fundos para a distribuição de leite em pó para os lactentes expostos.
O artigo da Revista Internacional de Espiritismo, acima mencionado, que fala de doutores e de cegos de nascença, termina dizendo que  o verdadeiro espírita não se envaidece da sua riqueza, nem de suas vantagens pessoais. Usa, mas não abusa de seus títulos acadêmicos ou “dos bens que lhe são concedidos, porque sabe que é  um depósito de que terá de prestar contas e que o mais prejudicial emprego que lhe pode dar é o de aplicá-lo à satisfação de suas paixões”. O leitor deverá nos entender e perdoar, mas o NEU-Fundão não pode deixar de registrar que se sente feliz em ter a Dra Susie Nogueira no nosso “Culto do Evangelho no Hospital”.
Que Deus a proteja!


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Passos para uma gestação tranqüila e um bebê saudável

1- Quando uma gestante recebe o resultado de seu teste confirmando sua soropositividade para o HIV, deve ser encaminhada para uma unidade de saúde onde há o Programa de DST/Aids.
2- Nesses locais, a grávida pode fazer seu pré-natal e ter acesso aos medicamentos necessários para controlar o HIV e evitar a contaminação do seu bebê.
3- O parto também deve seguir orientações especiais, com a administração de AZT venoso na mãe. O médico deve avaliar, segundo o estado de saúde da mulher, se ela terá um parto normal ou se precisará de uma cesariana.
4- A amamentação não é indicada, pois o HIV pode ser transmitido através do leite.
5- O recém-nascido deve tomar o AZT oral até completar seis semanas e aos dois meses de idade fará seu primeiro exame para averiguar o nível de carga viral em seu sangue.
6- Aos quatro meses, o bebê fará um novo exame que vai confirmar se sua carga viral está indetectável. Se tudo foi feito de acordo com as recomendações médicas, muito provavelmente o bebê não estará contaminado pelo HIV.
7- O teste que verifica a sorologia do HIV, no entanto, pode negativar mais tarde, até que o bebê complete um ano e meio. Isso significa apenas que ele ainda está com os anticorpos da mãe, mas não com o vírus.


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