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Por que comigo?

Explicações das causas da síndrome de Down

AFONSO MOREIRA JR.

“Se há males dos quais o homem é a principal causa nesta vida, há outros que, pelo menos na aparência, lhe são completamente estranhos e parecem atingi-lo como que por fatalidade” – “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, quinto capítulo “Bem-aventurados os aflitos” (São Paulo: Petit Editora), de Allan Kardec.
Rodrigo, um dos personagens do romance “Por que comigo” (São Paulo: Petit Editora), psicografado por Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho, é uma criança portadora da síndrome de Down. Nesse livro, o Espírito Antônio Carlos explica as causas da deficiência e responde – à luz do Espiritismo – por que Deus permite que crianças nessa condição venham ao mundo.
Diversidade - Para muitos estudiosos do comportamento humano, o grande desafio que o século 21 nos reserva é conviver com a diversidade. No instante em que o planeta se prepara para ser promovido a mundo de regeneração, espíritos de índoles e comprometimentos os mais diversos reencarnam para vivenciar experiências compatíveis com seu grau de evolução, entre eles, aqueles que, por necessidade inadiável, ocupam um corpo deficiente. São justamente essas criaturas, de comportamento, atitudes e reações frontalmente diferentes das nossas, que renascem muitas vezes entre nossos familiares. Exigindo cuidados especiais, os deficientes despertaram, nos últimos anos, a atenção de educadores e profissionais da área da saúde, que se movimentam para ampará-los. Instituições dedicadas a eles foram fundadas ou ampliadas e métodos e tecnologias voltadas para suas necessidades desenvolvidos. Na mídia, são o tema de novelas, debates e artigos científicos.
Sofrimento - História verídica, “Por que comigo?” é narrada no mesmo estilo despojado de “Reconciliação” (São Paulo: Petit Editora), primeiro livro psicografado em 1990 por Vera Lúcia Marinzeck. Antônio Carlos, seu autor espiritual, é fiel ao seu estilo, comprometido com a temática que abraçou – revelar as causas das aflições e o remédio para curar tantos sofrimentos. O livro é considerado um dos seus romances mais cativantes. Nele, sentindo-se injustiçado por Deus, Mário, o pai de Rodrigo – uma criança portadora da síndrome de Down – não encontra justificativa para o seu sofrimento. Revoltado, volta-se contra Deus. O sonho de uma vida – ser pai de um menino que tivesse o seu nome, que o acompanhasse aos jogos de futebol – caiu por terra. O mundo desabou sobre sua cabeça, seus sonhos estão desfeitos... O amor que sentia por Lúcia, sua esposa, tão irresistível nos primeiros tempos de namoro, se desvaneceu na maternidade. “Nada disso está acontecendo. Meu filho não nasceu, estou sonhando”, diz para si mesmo. Dias depois, ainda inconformado, Mário vai até uma igreja, ouve a explicação de um padre que, demonstrando boa vontade, procura consolá-lo dentro dos limites de seu conhecimento. “A ciência pode até explicar, mas não é Deus que nos cria? E Ele criou meu filho num instante de mau humor? Deu errado sua criação, não teve a humildade de reconhecer seu erro e o jogou para ser meu filho? Quero saber a causa!”, grita Mário ao sacerdote, que, desconcertado, pede que se acalme e aceite a vontade de Deus. Recusando-se a atendê-lo, Mário abandona a igreja e se afasta de Deus. Não encontrando respostas na religião, Mário decide investigar, por conta própria, o que poderia ter causado o nascimento daquela criança deficiente. Certo de que nada havia feito para merecer tal sofrimento, vê na esposa a causadora daquela dor: “Lúcia, você fez algo de muito errado? Traiu-me? Esse filho é meu?”
Revolta - “Mas se Deus existe, tem de haver explicações para esse nenê ter nascido deficiente. E se tem uma causa, é porque alguém pecou. Não fui eu! Sempre fui uma criança obediente, trabalhei desde pequeno. Aos dez anos já ajudava minha mãe vendendo balas nas ruas e toalhas que ela bordava. Por duas vezes até fui agredido, me roubaram as balas e ainda apanhei de mamãe. Nunca reclamei, não pedia nada a ela. Aprendi sozinho a profissão de mecânico, quando fiquei órfão, fui morar numa pensão. Meu dinheiro era contado. Alimentava-me pouco  e saía menos ainda. Não fui farrista, sempre fui respeitador e religioso”, pensava Mário, relembrando o passado, onde não encontrava pistas para o seu sofrimento. “Não fui eu que pequei!”, dizia para si mesmo, angustiado. Atordoada pelas acusações do marido, Lúcia não sabe o que fazer, dividida entre dois amores. Se Mário é o eleito de seu coração, o filho recém-nascido depende inteiramente dos seus cuidados. Demonstrando a grandeza do seu coração, Lúcia não se deixa abater pela deficiência do filho, disposta a levar adiante seus deveres de mãe. Mário, por sua vez, não pensa da mesma forma: “Éramos muito felizes antes de o nenê nascer. Se agora estamos sofrendo, ele é o culpado. O certo então é nos livrarmos dele. Devemos ir para longe, mudar de casa, de emprego, ir para um lugar onde ninguém nos conheça e saiba que tivemos um filho deficiente. Lúcia pode não concordar, devo pressioná-la para que aceite minha sugestão. É isso, vou forçar a situação. Ela não terá escolha”. Lúcia recusava-se a abandoná-lo. Por mais que amasse Mário, não poderia fazer sua vontade. Nunca abandonaria seu filhinho. Entregá-lo à própria sorte apenas porque não era uma criança como as demais? Não, nunca poderia agir com tanta indiferença.
Síndrome de Down - Segundo Américo Canhoto, médico de família e autor dos livros “Saúde ou doença: a escolha é sua” e “Chegando à casa espírita” (São Paulo: Petit Editora), “A síndrome de Down recebeu o nome do médico britânico John Langdon Haydon Down, que a identificou. Consiste num conjunto de alterações genéticas. Sua incidência situa-se entre um para cada 660 nascimentos, o que a torna de nível genético mais comum. Estudos mostram que a idade da mãe influencia muito no aumento das possibilidades de conceber um bebê com esta síndrome. As chances de uma mulher com idade entre 20 e 24 anos gerar uma criança com a síndrome de Down é de 1/1490, enquanto que, aos 40 anos, essa possibilidade cresce para 1/106. Aos 49 anos, o risco é ainda maior: 1/11”. Quais são as características físicas dessas crianças? Canhoto responde: “Até 1961, a síndrome de Down era conhecida como mongolismo, pela semelhança observada por Down na expressão facial de alguns pacientes com os nativos da Mongólia. Esse termo foi banido do meio científico por que passou a ser usado num sentido pejorativo e, muitas vezes, até ofensivo. A estatura dos portadores da síndrome de Down é geralmente menor que a maioria das pessoas. Seu desenvolvimento físico e mental é lento. Aprendem a andar entre 15 e 36 meses, quando as demais crianças dão seus primeiros passos entre 12 e 14 meses. O desenvolvimento de sua linguagem também é demorado. Observamos uma grande variação na capacidade mental e no desenvolvimento motor dessas crianças. A maior parte apresenta retardo mental de leve a moderado, algumas nas faixas limítrofes e outras um severo retardo”. Algumas características dessas crianças, segundo Canhoto: “Achatamento da parte de trás da cabeça; pele na nuca em excesso; inclinação das fendas palpebrais; pequenas dobras de pele no canto interno dos olhos; língua proeminente; boca pequena; ponte nasal achatada; orelhas ligeiramente menores; ligamentos soltos; tônus muscular diminuído e mãos e pés pequenos”.
Cuidados médicos - Os portadores da síndrome de Down exigem cuidados médicos especiais em função das malformações que apresentam, segundo Canhoto: “As principais malformações dessas crianças, presentes em cerca de 30 a 40% delas, são do coração, do trato gastrointestinal. Alguns tipos de leucemias também se apresentam 10 a 20 vezes mais do que os índices normais. Cerca de 80 a 90% tem algum tipo de perda auditiva. Desenvolvem precocemente a doença de Alzheimer. Pais de uma criança com Down têm um risco aumentado de ter outra: 1/100”. Em conseqüência dessas malformações, exigem cuidados médicos especiais. “Às vezes precisam de cirurgia corretiva para os problemas do coração e longo acompanhamento cardiológico. Os problemas do aparelho digestivo exigem, muitas vezes, correção imediata. Com freqüência apresentam catarata precoce, estrabismo e miopia, que exigem acompanhamento oftalmológico especializado. Além disso, dificuldades para ganhar peso ou mesmo obesidade, problemas imunológicos, leucemia, convulsões, apnéia do sono, problemas respiratórios e da pele também exigem cuidados especiais”.
Dificuldades - A todas essas necessidades médicas, acrescentam-se outras, de ordem educacional. A criança portadora da síndrome de Down precisa ser educada segundo parâmetros diferenciados. Essa educação exige profissionais preparados, equipamentos adequados e uma pedagogia diferenciada. Em São Paulo, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais, a Apae, atende gratuitamente os deficientes, amparando-os de acordo com sua faixa etária e condição física. No romance “Por que comigo?”, do Espírito Antônio Carlos, escrito a partir de uma história verídica, essa entidade filantrópica é mencionada: “Gostava muito de ir à Apae, onde conseguia aprender muitas coisas. E Lúcia sempre exclamava agradecida: – Como existem pessoas bondosas! Que instituição maravilhosa é essa Apae. Benditas sejam essas pessoas que ajudam outras com deficiências”.
História da Apae/SP - A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de São Paulo, a Apae, foi fundada em quatro de abril de 1961, por iniciativa de um grupo de pais de crianças com deficiências mentais. A primeira sede da entidade foi um sobrado localizado na Zona Sul da capital paulista. No início de suas atividades, os próprios pais e voluntários visitavam os postos de saúde para cadastrar pessoas que possuíam familiares com deficiência mental. Hoje, a Apae de São Paulo é uma organização social que atua no atendimento à deficiência mental e a outras deficiências relacionadas, do nascimento ao envelhecimento do seu portador. Desenvolve ações de triagem neonatal, atendimento ambulatorial, estimulação precoce, educação especial, apoio à inclusão escolar, capacitação para o mercado escolar, para o mercado de trabalho, arte e cultura e atividades sócio-ocupacionais. Atende 1,6 mil famílias e realiza anualmente um milhão de exames de triagem neonatal, conhecido por “Teste do Pezinho”. O laboratório da Apae de São Paulo recebeu recentemente a certificação ISO 9001. Esse certificado garante a qualidade do serviço prestado e confiabilidade no processo de realização de exames, reconhecidos internacionalmente. “Prevenir a deficiência, facilitar o bem-estar e a inclusão social da pessoa com deficiência mental” é a missão da Apae, que expande, a cada dia, o número de beneficiados pela instituição.
Casas André Luiz/SP - Em São Paulo, outra instituição filantrópica de grande porte também dedica-se a atender os deficientes. O Centro Espírita Nosso Lar – Casas André Luiz foi fundado em 28 de janeiro de 1949 por José Castardelli (1920-1943), que viveu apenas durante 23 anos. Um ano depois de retornar ao mundo espiritual, Castardelli – militante espírita dedicado, que promovia reuniões e incentivava o estudo do “Evangelho” no lar – revelou que  aquela casa espírita um dia desempenharia uma grande missão no campo da assistência espiritual e social. A princípio restrita a familiares e amigos, a reunião na casa de Castardelli – que deu origem ao Centro Espírita Nosso Lar Casas André Luiz – ampliou-se até ganhar, muitos anos depois, sede própria à Rua Duarte de Azevedo, 691, no bairro de Santana, Zona Norte da cidade de São Paulo. Em 1957, a instituição passou a atender portadores de deficiência mental. A vocação da instituição para esse tipo de assistência garantiu sua expansão. Em 1959, o Centro Espírita Nosso Lar Casas André Luiz passou a ocupar também uma área de mais de 70 mil metros quadrados no bairro do Picanço, em Guarulhos. Nesse local, hoje encontram-se modernamente instalados o complexo administrativo da instituição, refeitório, lavanderia, anfiteatro, playground, piscina, quadras de esporte, estacionamento e necrotério. Prestando atendimento a 1,4 mil pacientes com deficiência mental, as Casas André Luiz – que receberam esse nome para homenagear o espírito que se manifestava por intermédio de Francisco Cândido Xavier e que em sua última encarnação foi um médico de destaque no Rio de Janeiro –, por intermédio de sua Unidade de Longa Permanência, atende ainda 630 deficientes em regime de internato. Contando com especialistas que atuam na área de educação física, fisioterapia neuromotora, fisioterapia cardio-respiratória, fonoaudiologia, pedagogia, psicologia, serviço social da pessoa portadora de deficiência e terapia ocupacional, integrados a profissionais da área clínica (enfermeiros, dentistas, médicos das mais diversas especialidades) a instituição garante a qualidade de vida e o desenvolvimento integral de seus assistidos.
Acompanhamento - Segundo Frederico Carmelo Leão, médico especializado em administração hospitalar, diretor técnico e clínico do Centro Espírita Nosso Lar Casas André Luiz, desde o ano de 1986 trabalhando com deficientes, “além do acompanhamento médico, o deficiente têm as mesmas necessidades de qualquer ser humano: amor, compreensão e a oportunidade de desenvolver seus potenciais como pessoa e cidadão”. Professor universitário, membro de grupo de estudos da Faculdade de Medicina da Universidade São Paulo (USP), conselheiro do Hospital João Evangelista (SP), atuando na área da psiquiatria, Leão focaliza seu trabalho nas áreas de comunicação, deficiência mental, espiritualidade, religiosidade e semiótica. Para o médico, a deficiência “é uma experiência necessária para o espírito e podemos ajudá-lo reconhecendo-o como enviado por Deus para compartilhar nossa jornada evolutiva, dando a ele o melhor de nós mesmos”. A possibilidade de nascimento de uma criança deficiente é de cerca de 1% dos nascimentos, de acordo com o médico, “podendo ser maior ou menor de acordo com a exposição a fatores de risco”. Quais são esses fatores de risco? Leão entende que “evidentemente estão associados às escolhas do espírito, são acidentes pré e pós-natais, de origem química, mecânica ou riscos genéticos”. Em alguns casos, segundo o clínico, “a malformação, ou seja, a condição de deficiente, pode ser prevista pela medicina”. Nesse caso, o profissional da área da saúde “deve alertar pais e familiares para que se preparem materialmente, psicologicamente e espiritualmente para viver essa experiência”. Aqueles que estão aguardando o nascimento de uma criança deficiente devem “seguir a lei de amor, partir para a busca de conhecimentos e associar-se a uma rede de apoio físico, psicológico e espiritual”, recomenda Leão, há mais de vinte anos atuando junto a deficientes de todas as idades.
Casa da Criança Betinho - Na Zona Leste de São Paulo, a Casa da Criança Betinho – Lar Espírita para Excepcionais, atende, em tempo integral, 89 crianças e adolescentes. A instituição é filantrópica, mantida por doações e por colaboradores voluntários. Sua estrutura permite assistir crianças com necessidades especiais, incentivando seu desenvolvimento biológico, psíquico e social. De acordo com Cremilda dos Santos Minúcio,  neuropsicóloga, coordenadora clínica da instituição, da qual faz parte desde o ano de 1982, “cerca de 80% das crianças internadas na casa foi abandonada”. Na sua maioria, apresentam paralisia cerebral grave. Entre voluntários e funcionários, a Casa Betinho dispõe de mais de cem trabalhadores, incluindo profissionais da área da saúde e professores de fisioterapia. Betinho, que emprestou seu nome para a casa, foi um deficiente que desencarnou antes de completar oito anos. Para ampará-lo, Job Teixeira da Silva, seu pai, na década de 1940 precisou desfazer-se de parte de seus bens. Criança inteligente, Betinho convivia bem com suas limitações e era um exemplo de alegria e resignação. Algum tempo depois de seu retorno ao mundo espiritual, manifestou-se durante uma sessão espírita e sugeriu ao pai que fundasse uma casa de apoio aos deficientes. Preocupava-se, do outro lado da vida, com aqueles que, não dispondo de arrimo ou de recursos materiais, eram abandonados à própria sorte. No ano de 1952, sensibilizado com o pedido do filho, o pai de Betinho encontrou no amigo Paulo Aldo da Graça o parceiro com quem dividiu a responsabilidade de fundar a entidade. A idéia ganhou corpo e a construção do prédio foi iniciada em 1964. Finalmente, em 6 de outubro de 1977, a instituição foi inaugurada. Recebeu, naquele ano, em regime de internato, cerca de 50 menores deficientes. Jocileine Teixeira Costa, irmã de Betinho, a atual presidente da entidade, planeja ampliar os setores existentes, bem como instalar um ambulatório médico próprio. Essas providências visam ampliar o número de atendidos e melhorar, ainda mais, a qualidade da assistência prestada gratuitamente.
Rejeição familiar - Para Valdeniza Sire Savino, psicóloga clínica licenciada em pedagogia, diretora da área de assistência psicológica do Grupo Espírita Geam (SP), o romance “Por que comigo?”, psicografado por Vera Lúcia Marinzeck, reflete uma realidade que ela mesma vivenciou no consultório. Entre outros casos em que atuou junto a deficientes, recorda o exemplo de um garoto de 13 anos, portador da síndrome de Down, que acompanhou até os 18 anos. Procurada pela mãe do menino, a psicóloga ajudou a criança a integrar-se na família e na sociedade. Segundo Valdeniza, “apresentava-se como um deficiente bem estimulado, alegre, interessado no trabalho terapêutico, sensível, muito observador, teimoso, falante e repetitivo, devido à própria natureza, mas sonhador e com muita vontade de imitar os garotos de sua idade”. A mãe  dessa criança depois dos 30 anos teve uma filha, que nasceu saudável. Anos depois, quando o filho deficiente nasceu, aceitou-o sem restrições. Com o marido – um estrangeiro de outra cultura e religião, que se casou contrariando a vontade da família – aconteceu o contrário. Afastou-se do filho, acusou a esposa, a quem atribuiu toda a responsabilidade por aquela fatalidade. Com o passar do tempo, sua rejeição aumentou ainda mais. Escondia o filho, que sofria calado, dando mostras de entender os sentimentos contrariados do pai. Direcionou toda sua atenção para a filha, obrigando-a a seguir sua profissão, com a intenção de que herdasse as instalações e a clientela de seu consultório odontológico. “Conjugando a psicologia com o Espiritismo, ferramenta indissociável do meu trabalho, foi possível ajudar a criança a suportar e superar a rejeição do pai. A solução foi buscar, em outras pessoas e no trabalho adequado à sua condição, a afetividade e a realização que tanto necessitava. Em conseqüência desse esforço – muito significativo para alguém com tantas limitações – sentiu uma inesperada reação do pai”. De acordo com a psicóloga, depois de observar melhor o progresso do filho deficiente, o pai passou a respeitá-lo e a conviver com ele. Para Valdeniza, “esse é um caso com final feliz, mas, infelizmente, não tão freqüente quanto nós desejaríamos”.
Reencarnação - Durante o desenrolar da trama de “Por que comigo?”, Lúcia, a mãe de Rodrigo, o menino portador da síndrome de Down, conversa com uma vizinha. Cecília era sua amiga espírita, que a esclarecia, na medida de suas possibilidades: “Somos livres para praticar boas ou más ações e as conseqüências dessas ações voltam para nós. Quando imprudentemente agirmos errado, não há castigos sem fim, a reação pode ser de sofrimento, mas é passageira, dura de acordo com a necessidade de cada um. Deus nos dá oportunidade de reparar nossos erros, de aprender com o sofrimento para progredirmos”. Essa reparação, a que Cecília se refere, é a reencarnação, tão bem explicada na questão 171 de “O Livro dos Espíritos”: “A doutrina da reencarnação, que consiste em admitir para o homem diversas existências sucessivas, é a única que responde à idéia que fazemos da justiça de Deus em relação aos homens que se acham numa condição moral inferior; a única que pode nos explicar o futuro e firmar nossas esperanças, porque nos oferece o meio de resgatar nossos erros por provações. A razão nos demonstra essa doutrina e os Espíritos as ensinam”. Para Eurípedes Kühl, conforme consta de seu livro “150 anos de Allan Kardec” (São Paulo: Petit Editora), no qual resume e comenta as principais questões de “O Livro dos Espíritos”: “Longe de espelhar natureza inferior, a alma dos seres com deficiências cérebro-mentais até evidenciam espírito de grande inteligência, em provável resgate de mau emprego dela. Podem ser comparados a um excelente músico que, irresponsável, só dispõe de um instrumento defeituoso – permanece músico excelente, mas não produzirá música... Essas expiações lhes são benéficas por imporem temporário impedimento de novas quedas, ao tempo que proporcionam ocasiões para novas disposições, visando progredir”.
Se ainda somos imperfeitos, portadores dos mais diversos aleijões morais, por que segregar o deficiente, negar a ele a solidariedade que ele tanto precisa para soerguer-se e vencer os erros? De uma certa forma não estamos no mesmo pé de igualdade? Se ainda considerarmos que a deficiência não é necessariamente um resgate, uma expiação, mas pode ser também uma prova solicitada pelo espírito desejoso de exemplificar a fé e a perseverança, motivos ainda maiores teremos para aceitá-lo entre nós, conviver com essa diversidade que, graças a Deus, é transitória.

SERVIÇO
Américo Canhoto
americocanhoto@yahoo.com.br

Butterfly Editora
www.flyed.com.br

Casa da Criança Betinho Lar Espírita para Excepcionais
Rua Vacanga, 300 (Vila Carrão)
São Paulo/SP CEP 03433-025
Tel.: (11) 6781-7366
casabetinho@uol.com.br

Centro Espírita Nosso Lar Casas André Luiz
www.andreluiz.org.br

Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de São Paulo (Apae)
atendimento@apaesp.org.br

www.apaesp.org.br

Relação de artigos de Afonso Moreira Jr...

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AFONSO MOREIRA JR. é expositor e colaborador na "Federação Espírita do Estado de São Paulo", diretor responsável pelo "Grupo Espírita Geam", Rua Força Pública, 24 (Santana), São Paulo, SP. Telefone (11) 6221-1464, autor de obras paradidáticas e editor do Jornal dos Espíritos, e-mail afonsomoreirajr@jornaldosespiritos.com


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