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ALCEU COSTA FILHO (1947-2004)
responsável pela psicografia dos livros “O tempo de cada
um”, “Ao entardecer de uma existência” e “Histórias
divertidas do Vô Simplício” de autoria do Espírito Cornélio
Pires.
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Entrevista
com o Além |
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Espírito Cornélio
Pires responde as perguntas do J.E. |
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AFONSO MOREIRA JR. |
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Alceu Costa Filho (1944-2004), responsável pela psicografia dos
livros “O tempo de cada um”, “Ao entardecer de uma existência” e
“Histórias divertidas do Vô Simplício” de autoria do Espírito
Cornélio Pires, foi o intermediário desta original entrevista,
realizada no ano de 2002. Psicografada em sessão realizada no
Cenáculo Espírita Fraternidade, em Belo Horizonte, Minas Gerais,
nela Cornélio Pires (1884-1958) manifestou-se com o mesmo bom humor
dos tempos de encarnado. Reconhecido pelo seu talento, respeitado
pelos críticos da época – entre eles Sylvio Romero – Cornélio
identificou-se com a Doutrina Espírita quando sentiu de perto a
autenticidade das manifestações mediúnicas, durante suas viagens
pelo interior do estado de São Paulo.
Como foi sua passagem para o mundo espiritual?
Nasci como Cornélio “Pires”
Buscando ser um homem de fato
Voltei para a pátria de origem
Sem poder assinar Cornélio “Prato”.
Quem encontrou do lado de lá?
Encontrei muitos amigos
Preferencialmente os credores
Todos esperando sua vez
De beneficiar-se de meus favores.
Em que local da espiritualidade se encontra hoje?
Neste grande universo de Deus
Não tenho endereço confirmado
Mas garanto aos amigos
Bem escutar quando sou chamado.
Gostaríamos de ouvi-lo sobre seu trabalho no cinema.
Cinema, como sonho de muitos
Deste “Brasil Pitoresco de Norte a Sul”
Não era meu maior compromisso
Nas terras do Cruzeiro do Sul
Nem “O Sacy” foi tão bom assim
“Conversa firme” e “Retratos da vida”
“Coisas deste mundo” e “Baú de casos”
Tiveram melhor sucesso, sem exigir tanta lida.
Qual o segredo do seu grande sucesso como humorista?
Não existe segredo algum
Com as contas a pagar
Aquele que muitos fez sofrer
Só lhe resta uma saída, alegrar.
O Teatro Ambulante Gratuito Cornélio Pires percorreu o Brasil.
Como foi possível mantê-lo sem cobrar ingressos?
O Brasil não é assim tão pequeno
Que pudéssemos todo percorrê-lo
Quem, com fé, tenta construir um sonho
Sempre encontra meios de fazê-lo.
Seu humor foi sempre considerado sadio, sem apelações para a
vulgaridade. Qual é sua opinião sobre o humorismo de hoje?
Se meu humor foi considerado sadio
Sem apelos a vulgaridade
É porque não o fazia só por prazer
Mas muito mais pela necessidade.
Jornalismo, literatura, poesia e humorismo. Onde viveu sua maior
alegria?
Jornalismo, literatura, poesia e humorismo
Foram ferramentas que Deus me ofereceu
Para me beneficiar da alegria de servir
Alegrando adultos, crianças, rico e plebeu.
E sua maior tristeza, sua grande decepção?
A minha maior tristeza
É não ter levado mais amor
Aos muitos corações tristes
Em aprendizado pela dor
A minha grande decepção
Foi quando constatei
Ao findar minha existência
O quão pouco realizei.
Sente saudade dos palcos, das apresentações e dos aplausos?
O amigo me perdoe a franqueza
Mas saudades não tenho não
Pois me lembra Jesus Cristo:
Junto ao tesouro, está o coração
Minha profissão, como as demais
Foi uma oportunidade de redenção
Se me satisfizesse com os aplausos
Já teria recebido meu quinhão.
E saudade das redações dos jornais? O Estado de S. Paulo
progrediu muito... Já esteve lá nos últimos tempos?
Dar a César o que é de César
A Deus o que é de Deus
Todos têm seus problemas
Eu também tenho os meus.
No mundo espiritual existem também as confrarias dos poetas, dos
jornalistas e dos humoristas?
Confrarias de todos os afins
Atraídos pelo que sente o coração
Alguns sintonizados pelo amor
Outros pela ausência do perdão.
Como foi seu encontro espiritual com o médium Alceu Costa Filho?
Levei um susto bem grande
Quando descobri no passado
Que junto ao médium de hoje
Eu estava tão compromissado.
Seu trabalho literário com o médium Alceu vai continuar?
Muita coisa ainda a ser feita
Para minhas contas resgatar
Se Deus assim o permitir
Espero muito ainda realizar.
Sua atividade como editor foi gratificante?
Todo e qualquer trabalho
Realizado com amor
É retorno gratificante
Para o seu executor.
Sua vivência entre nós alcançou duas grandes guerras. Qual é a
sua impressão sobre o momento que estamos passando na Terra?
A impressão ainda é das melhores
Afinal, já estamos em dois mil e dois
Como sempre, todos fazendo sua parte
Conscientes ou não, do que vem depois.
No mundo espiritual qual é a importância do humorismo?
Tanto aqui como na Terra
Fala-se o que vai no coração
Temos humoristas frente à dor
Como no exercício do perdão.
Nosso querido Chico Xavier retornou ao mundo espiritual. Os
espíritos que se comunicavam por seu intermédio continuarão se
manifestando?
Existem compromissos e compromissos
Aquele que deve, compromissado deve estar
Quem sou eu, esse pequeno Cornélio
Para neste assunto atrever opinar.
É possível adiantar alguma informação sobre a presença de Chico
Xavier no mundo espiritual? Já esteve com ele?
Chegar aqui ele chegou
Posso lhe garantir a informação
O universo é muito grande
E todos têm muita obrigação
É certo que a oportunidade virá
logo
Para este amigo poder abraçar
Hoje, deve estar ele muito ocupado
Com novas tarefas a programar.
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Alceu Costa Filho
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O médium Alceu Costa Filho,
fundador do Cenáculo Espírita Fraternidade, de Belo Horizonte,
Minas Gerais, desencarnou no dia 15 de fevereiro de 2004.
Responsável por várias obras psicografadas, Alceu dedicava-se,
todas as manhãs, às sessões de psicografia. Desde o período da
infância, que viveu na cidade de Bicas, Estado de Minas Gerais,
onde nasceu em 2 de junho de 1947, Alceu convivia com os
espíritos. “Visões e amigos supostamente imaginários sempre
fizeram parte da minha vida”. Metalúrgico e comerciário
aposentado, dedicou-se, nos últimos anos de sua vida, em tempo
integral à Doutrina Espírita. Aos quinze anos de idade entrou
pela primeira vez num centro espírita – aos dezesseis, foi
incorporado aos trabalhos mediúnicos.
Influências – Dois médiuns marcaram sua vida:
Chico Xavier e José Arigó. Seu primeiro contato com Francisco
Cândido Xavier aconteceu quando ainda bem jovem. Buscando
respostas para as manifestações que o envolviam, foi em busca da
palavra de Chico, que já residia em Uberaba mas vez por outra
visitava Pedro Leopoldo, cidade onde nasceu em Minas Gerais. Lá
foi atendido carinhosamente pelo médium de Emmanuel, que o
incentivou a continuar. Ainda jovem, também encontrou-se com o
médium José Arigó que, incorporando o doutor Fritz, dirigiu-se
severamente a ele: “Médium que não estuda não progride... Vê se
trata de estudar, meu filho”. Na fila dos assistidos, aguardando
a vez de ser atendido, Alceu não hesitou. Desistiu imediatamente
da consulta, afastando-se depressa e muito preocupado...
Materializações –
“Adolescente, eu já era médium. Graças a Deus, não me faltou o
apoio da minha família, que sempre me amparou nessa questão”.
Depois de vivenciar inúmeras experiências em mais de quarenta
anos de exercício mediúnico, incluindo a materialização de
espíritos por seu intermédio – entre eles José Grosso, Palminha,
Joseph, Nina Arueira, Filipe e Xisto Vinheiros – considerava-se
longe de sentir-se realizado: “Sou apenas um médium e aprendiz,
saldando as dívidas do passado”. Alceu era mantido numa cabine,
doando ectoplasma, alheio ao que ocorria no desenrolar dos
trabalhos mediúnicos. Vinte anos atrás, por recomendação dos
espíritos mentores, interrompeu seus trabalhos de
materialização. Mesmo assim, muitos fenômenos continuaram a se
manifestar, espontaneamente, à sua volta.
Dedicação – Nos últimos anos de sua vida, Alceu
era encontrado todas as manhãs, de segunda-feira a sábado,
psicografando no Cenáculo Espírita Fraternidade. A sessão
iniciava-se por volta das 6h30, quando o médium recebia, além de
mensagens dirigidas aos assistidos da casa, diversas
comunicações dos espíritos e literatura mediúnica – contos,
romances, poesias etc. Personalidade cativante, sempre alegre,
bem-humorado, Alceu ouvia todos aqueles que se aproximavam dele
com igual atenção e respeito. Referindo-se às atividades
mediúnicas, dizia que “minha maior felicidade é servir ao
próximo, levando esperança, conforto espiritual, ajudando a
enxugar as lágrimas de sofrimento”. Suas atividades no centro
espírita não se resumiam às sessões mediúnicas. Empenhado na
tarefa de levar alimentos, vestuário e medicamento à comunidade
carente da região onde se encontrava, sentia “uma grande
satisfação nessa tarefa”.
Psicografia – De posse de algumas obras
psicografadas, Alceu procurou a Petit Editora, inspirado por
seus mentores espirituais. Segundo o editor e diretor da Petit,
Flávio Machado, “naquele instante iniciou-se uma grande
amizade”. Emocionado, Machado recorda a figura do médium: “Alceu
era um homem simples e desprendido. Devemos a ele a oportunidade
de conhecer de perto espíritos que nos ensinaram a viver melhor
– Cornélio Pires, por exemplo, foi um deles. Na Bienal
Internacional do Livro, realizada em São Paulo no ano de 2002,
Alceu cativou a todos nós. Sempre à disposição dos leitores,
gentil, atencioso e bem-humorado, revelou-se um espírita de
verdade”.
Militando no Espiritismo desde a juventude, Alceu participou de
vários grupos que deram origem a instituições, entre elas o
Cenáculo Espírita Aba Josepho, o Cenáculo Espírita Camilo
Chaves, Grupo de Estudos e Práticas Espíritas e o Grupo Espírita
Fraternidade. Essa experiência o credenciou a fundar o Cenáculo
Espírita Fraternidade, em Belo Horizonte, no qual trabalhava na
assistência espiritual e social. A Petit Editora já publicou
diversas obras psicografadas por Alceu Costa Filho. Outros
originais ainda inéditos encontram-se em mãos de seu editor e
diretor, Flávio Machado, aguardando a oportunidade de
publicação.

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