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O ensino e a sementeira |
ELIOMAR RODRIGUES PEREIRA
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Certo fazendeiro, muito rico,
chamou o filho de quinze anos e disse-lhe:
- Filho meu, todo homem apenas colherá daquilo que plante. Cuida
de fazer o bem a todos, para que sejas feliz.
O rapaz ouviu o conselho e, no dia imediato, muito
carinhosamente alojou minúsculo cajueiro em local não distante
da estrada que ligava o vilarejo próximo à propriedade paternal.
Decorrida uma semana, tendo recebido das mãos paternas um
presente em dinheiro, foi a vila e protegeu pequena fonte
natural, construindo-lhe pequeno abrigo com a cooperação de
alguns poucos trabalhadores, aos quais recompensou
generosamente.
Reparando que vários mendigos por ali passavam, ao relento,
acumulou as dádivas que recebia dos familiares e, quando
completou vinte anos, edificou reconfortante albergue para
asilar viajores sem recursos.
Logo após, a vida lhe impôs amargurosas surpresas.
Sua mãezinha morreu num desastre e o pai, em virtude das
perseguições de poderosos inimigos na luta comercial, empobreceu
rapidamente, falecendo em seguida.
O rapaz, agora sozinho, embora jamais esquecesse os conselhos
paternos, revoltou-se contra as idéias nobres e partiu mundo a
fora.
Trabalhou, ganhou enorme fortuna e gastou-a, gozando os prazeres
inúteis.
Nunca mais cogitou de semear o bem.
Os anos se desdobraram uns sobre os outros.
Entregue a idade madura, dera-se ao vício de jogar e beber.
Muita vez, o Espírito de seu pai se aproximava, rogando-lhe
cuidado e arrependimento. O filho registrava-lhe os apelos em
forma de pensamentos, mas negava-se a atender. Queria somente
comer a vontade e beber nas casas ruidosas, até à madrugada.
Acontece, porém, que o equilíbrio do corpo tem limites e sua
saúde se alterou de maneira lamentável. Apareceram-lhe feridas
por todo o corpo. Não podia alimentar-se regularmente. Perdeu a
fortuna que possuía, através de viagens e tratamentos caros.
Como não fizera afeições, foi relegado ao abandono.
Branquejaram-se-lhe os cabelos. Os amigos das noitadas alegres
fugiram dele; envergonhado, ausentou-se da cidade a que se
acolhera e transformou-se em mendigo.
Peregrinou por muitos lugares e por muitos climas, até que, um
dia, sentiu imensas saudades do antigo lar e voltou ao pequeno
burgo que o vira crescer.
Fez longa excursão a pé. Transcorridos muitos dias, chegou,
extenuado, ao sítio de outro tempo.
O cajueiro que plantara convertera-se em árvore dadivosa.
Encantado, viu-lhe os frutos tentadores. Aproveitou-os para
matar a própria fome seguiu para a vila. Tinha sede e buscou a
fonte. A corrente cristalina, bem protegida, afagou-lhe a boca
ressequida.
Ninguém o reconheceu, tão abatido estava.
Em breve, desceu a noite e sentiu frio. Dois homens caridosos
ofereceram-lhe os braços e conduziram-no ao velho asilo que ele
mesmo construíra. Quando entrou no recinto, derramou muitas
lágrimas, porque seu nome estava gravado na parede com palavras
de louvor e bênção.
Deitou-se, constrangido, e dormiu.
Em sonho, viu o Espírito do pai, junto a ele exclamando:
- Aprendeste a lição, meu filho? Sentiste fome e o cajueiro te
alimentou; tiveste sede e a fonte te saciou; necessitavas de
asilo e te acolheste ao lar que edificaste em favor dos que
passam com destino incerto...
Abraçando-o, com ternura, acrescentou:
- Por que deixaste de semear o bem?
O interpelado nada pode responder. As lágrimas embargavam-lhe a
voz, na garganta.
Acordou, muito tempo depois, com o rosto lavado em pranto, e,
quando o encarregado do abrigo lhe perguntou o que desejava,
informou simplesmente:
- Preciso tão-somente de uma enxada... Preciso recomeçar a ser
útil, de qualquer modo.
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Bibliografia
"Alvorada
Cristã", do Espírito Néio Lúcio, psicografado por
Francisco C. Xavier.
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ELIOMAR RODRIGUES PEREIRA
é consultor educacional e organizacional no Ins-tituto Brasil
Educador, educador há 25 anos, com formação em Licenciatura
Plena de Matemática e Pedagogia, é colunista em diversos
jornais. |
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