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"A empresa
sorriso" (São Paulo: Butterfly Editora), de Floriano Serra. |
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A missão de todos nós |
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Uma
vez que comportamento é sempre uma decisão pessoal, cabe a cada
um descobrir sua missão e decidir se vai realizá-la ou não.
Floriano Serra
A certa altura do famoso livro de Antoine de Saint-Exupéry, o
Pequeno Príncipe diz:
- “Eu conheço um planeta onde há um sujeito vermelho, quase
roxo. Nunca cheirou uma flor. Nunca olhou uma estrela. Nunca
amou ninguém. Nunca fez outra coisa se não somas. E o dia todo
repete como tu: “Eu sou um homem sério”! Eu sou um homem sério!"
E isso o faz inchar-se de orgulho. Mas ele não é um homem; é um
cogumelo!”
Pegando carona nessa analogia, acredito que há apenas duas
maneiras de você encarar sua passagem aqui na Terra: ou você é
um cogumelo ou acredita que tem uma nobre missão a cumprir.
Isto é: ou você é daqueles que, de forma insensível e obsessiva,
só reverencia o ganho material ou você aceita que sua existência
tem um sentido maior do que o de apenas ocupar um espaço físico
– e, nessa condição, contribui para que coisas boas aconteçam.
Isso faz toda a diferença do mundo para torná-lo um vencedor,
porque essa é a base do comprometimento, da auto-motivação e do
compromisso com a qualidade.
Se um profissional, de qualquer segmento, tem essa visão
transcendente de vida, então ele não levanta da cama e se veste
todo dia para ir ao trabalho apenas cumprir seu horário para
ganhar o salário no final do mês. Isso seria absoluta falta de
consciência de uma missão e, pior ainda, seria reduzir sua
capacidade criativa e produtiva a uma mera troca por remuneração
e transformar seu trabalho numa relação somente contratual, tipo
toma-lá-dá-cá. Será muito difícil para essa pessoa amar o que
faz. E é muito provável que ela passe o dia acompanhando ansiosa
os ponteiros do relógio aguardando a hora de ir embora.
Cadê a felicidade nesse trabalho que consome pelo menos dez
horas de cada dia da sua vida? Não podemos esquecer que, dentre
outras coisas, a felicidade vem da consciência de que sua missão
está a se cumprir.
Faça um teste: reflita sobre seus afazeres diários, não importa
em que segmento do mercado você atue. Tente descobrir de que
maneira e com que grau de importância você, com seu trabalho,
afeta a vida de outras pessoas, seus clientes internos e
externos.
Viu como é importante o que você faz? E, por conseqüência, viu
como você é importante? Dependendo da sua profissão, com o seu
trabalho você pode afetar, de forma positiva ou não, o bem
estar, a saúde, o humor, o tempo, a segurança, a alimentação, o
visual, o comportamento - e tantas coisas mais – de muitas
pessoas, a maioria das quais você talvez nem conheça e
provavelmente nunca virá a conhecer. Sua participação nisso tudo
pode ser direta ou indireta, pode ser explícita ou anônima, pode
ser de inúmeras maneiras, mas nem por isso alguma delas deixará
de ser importante.
Não há funções inferiores, desde que o desempenho delas esteja
revestido de comprometimento, competência, ética, solidariedade
e boa vontade.
Lembra de como você se sente quanto busca um serviço e é mal
atendido ou quando adquire um mau produto? Essas coisas
acontecem porque há quem preste serviços ou produza bens sem
levar em conta a importância do seu trabalho, sem considerá-lo
uma missão. E assim, mesmo que não tenha consciência disso, está
provocando em outras pessoas o aborrecimento, a tristeza ou até
a doença.
O que quero dizer é o seguinte: em tudo que é feito ou oferecido
por um profissional, há um sentido maior e mais digno do que
simplesmente a busca do lucro. Além do ganho financeiro, há
também aquele que gosto de chamar de “ganho espiritual”, aquele
que necessariamente não é o que satisfaz ao bolso, mas
certamente alegra a alma e o coração.
É isso que molda os vencedores, entendendo-se como tais não
aqueles que têm a conta-corrente mais recheada, mas aqueles que
estão em paz consigo e com os demais, pela consciência do
cumprimento permanente de sua missão.
É por causa dessa missão que há empresários que não esquecem do
coração na hora de administrar seu lucro com a razão.
Empresários que, com o mesmo interesse e empenho com que
investem na expansão dos seus negócios, também investem na
expansão da arte, da cultura, na saúde física e emocional dos
seus Colaboradores. Retorno? Ganho espiritual. Dessa maneira,
são felizes e distribuem felicidade.
É por causa dessa missão que há funcionários que também não
esquecem do coração na hora de cumprir suas tarefas diárias,
ainda que elas pareçam rotineiras e sem importância. Eles sabem
que o todo é feito de pequenas partes. Estes são colaboradores
alegres, dispostos, éticos e comprometidos com a qualidade do
que fazem porque, pela consciência da missão, sabem que seu
serviço ou produto destina-se a fazer melhor a vida ou o
trabalho de alguém.
Enfim, uma vez que comportamento é sempre uma decisão pessoal,
cabe a cada um descobrir sua missão e decidir se vai realizá-la
ou não. Quando dava meus primeiros passos em teorias de
liderança e administração, li em algum lugar que "não há funções
nem seres inferiores; inferior é cumprir mal sua missão".
Acredito nisso até hoje, mais de trinta anos depois. 
Ler outro artigo de Floriano
Serra:
A missão de todos
nós...
De que é feito o
coração do líder?...
Deus trabalha em
sua empresa?...
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Floriano
Serra
é
psicólogo,
autor dos livros
“A
Empresa sorriso”
e "A
Terceira Inteligência" (São Paulo: Editora Butterfly). É diretor de
RH e Qualidade de Vida da APSEN Farmacêutica, eleita em 2006, pelo terceiro
ano consecutivo "uma das Melhores Empresas para Trabalhar" e
"uma das Melhores Empresas para a Mulher Trabalhar" (revista
Exame, Fia e Época - Great place to work), e a segunda "Melhor
Empresa para Estagiar" (CIEE/ABRH/IBOPE).
É um dos 25 autores
brasileiros incluídos no livro “Gigantes da Motivação” (Editora
Landscape). |
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