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Esperanto: ótimo investimento

JOEL MOREIRA AUGUSTO

Por que os espíritas devem aprender o Esperanto quando encarnados? Temos observado no movimento espírita, através de seus dirigentes, pequeno interesse (ou quase nenhum) pelo aprendizado ou implantação de cursos de Esperanto em suas casas para os seus membros e freqüentadores.
Freqüentemente ouvimos por parte deles que seus membros, dirigentes e participantes das reuniões espíritas não tem tempo para se dedicarem ao estudo de uma língua neutra (Esperanto), visto que as atividades relativas a Doutrina tomam-lhes muito tempo, não sobrando espaço desse tempo para outras atividades qual não seja o Doutrinário.
Ouvimos até um companheiro que se interessava em aprender referido idioma, mas não se preocupava muito com isso, uma vez que, segundo suas próprias palavras, não necessitaríamos de uma língua Universal ou outro idioma qualquer, quando desencarnarmos uma vez que como Espírito não mais usaremos a palavra articulada, pois o meio de comunicação dos espíritos é o pensamento.
Com certeza esse companheiro tinha razão em pensar dessa maneira, mas cabe ressaltar a esse amigo e outros que pensam da mesma forma, que somente os espíritos mais evoluídos ou superiores tem essa capacidade de comunicação pelo pensamento. Nós, espíritos inferiores e em evolução, ligados a um planeta de expiação e provas, ainda por muito tempo vamos necessitar de uma comunicação articulada mesmo estando no mundo dos Espíritos.
Para melhor compreender esse assunto, vamos transcrever aos interessados pequenos trechos de relatos descritos nas obras “Violetas na Janela” e “A Casa do Escritor” ditado pelo Espírito Patrícia, psicografado pela médium Vera Lucia Marinzeck de Carvalho, publicado pela Petit Editora.
Do livro "Violetas na Janela", capítulo 24, “Natal” (página187): “... Um grupo de jovens estrangeiros, da Itália, veio visitar-nos. Apresentaram-se na praça, presenteando-nos com lindas canções em Italiano...” - pensei – disse a Lenita – que iria entender tudo o que cantassem.
- Entender pelo pensamento é para espíritos que sabem. Os que se afinam perfeitamente entre si conseguem transmitir pensamentos. Com a mente fazemos muito, mas necessitamos saber. O pensamento tem uma só forma, mas são poucos os desencarnados que sabem usar esse modo de comunicação. A maioria tem de conhecer o idioma. Todas as Colônias têm cursos de Esperanto, na tentativa de melhorar a comunicação entre todos...
...O Esperanto é bastante divulgado no plano espiritual, todas as escolas têm esse curso, como também há muitos livros e intercâmbio desse idioma entre as Colônias, por toda a Terra”.
Do livro "A Casa do Escritor", capítulo 6, “A reunião”: “...Conheci todas as Colônias que se dedicam à Literatura, como a Casa do Escritor, por diversos países da Terra. De fato, são parecidas, só que cada uma tem um toque especial da arquitetura do seu país. Todas falam o Esperanto. É um idioma usado para a comunicação com visitantes de outros países...”
Capítulo 11, “Excursões”: “Fizemos muitas excursões a muitas Colônias... Em todas estas Colônias, como também nas de estudo, fala-se muito o Esperanto. É muito agradável, o som das palavras é suave e harmonioso. Aqui se incentiva muito a aprendizagem desta fabulosa língua...”
Capítulo 12, “Fatos interessantes”: “...Numa tarde, estudava no pátio embaixo de uma árvore...
- Bom dia! Cumprimentou-me um senhor em Esperanto...
...Sorri ao meu companheiro dando-lhe as boas-vindas, respondi também em Esperanto, gostamos de conversar neste idioma...
...Eu, disse ele... Estou lendo a Literatura Brasileira, principalmente a Espírita e aprendo a Língua portuguesa. Venho de um país da Europa. Vivi lá na última encarnação...”
Em resposta a pergunta do título desta matéria cabe-nos informar aos espíritas que conforme se pode constatar nos trechos das obras acima citados, o aprendizado do Esperanto, ainda encarnado, com certeza vai nos facilitar a comunicação com os irmãos desencarnados, quando “lá aportarmos” mesmo estando em péssimas condições espirituais (o que não é um exagero), pois nossa conduta como encarnado é que vai determinar “onde despertar” após o nosso desencarne ou até mesmo “despertar” em um meio onde nossa língua é desconhecida ou pouco falada, o que é possível ocorrer, haja vista os desastres aéreos que ocorrem freqüentemente no Planeta.
Mas por que o título da matéria sugere aos espíritas o aprendizado do Esperanto?
Exatamente porque são os espíritas quem mais recebem informações sobre o Esperanto, seja através da literatura espírita, seja através da imprensa ou até mesmo dos confrades esperantistas que militam na Doutrina, privilegio que nenhuma outra religião ou meio social recebe. Também porque poderemos receber comunicações, via mediúnica, de espíritos estrangeiros que ainda não dominam a linguagem do pensamento e querem se comunicar conosco, encontrando a barreira lingüística, visto que nós, encarnados, pouco nos interessamos em outros meios de intercâmbio com a espiritualidade.


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JOEL MOREIRA AUGUSTO é professor da língua Esperanto.


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