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"A ética
espírita sem misticismo" (São Paulo: Correio Fraterno do
ABC), de Nazareno Tourinho. |
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O pensamento
mágico e a ciência |
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Ao
que tudo indica o pensar científico está em crise, perante a cultura
em geral, conquanto o fazer científico, deslizando nas rodas de
sofisticada tecnologia, continue a avançar celeremente para o
domínio cada vez maior das forças naturais. Esse fenômeno dos tempos
modernos, marcado por sérias rupturas paradigmáticas, tem suma
gravidade porque propicia o ressurgimento de velhas teorias
epistemológicas que só serviram para entravar o progresso, em todos
os sentidos. É impressionante como, hoje, em nome de um novo e mais
lúcido pensar científico, pessoas tituladas por centros de saber
oficial exploram idéias medievais, ficcionistas, quase delirantes, e
com isso chegam ao sucesso! Umas simplesmente editando livros,
outras vendendo terapias milagrosas baseadas em inverificáveis
poderes dos cristais e das cores, ou comercializando palavrosas
interpretações de signos grafológicos e astrais, quando não
inventando expedientes mais bizarros - todas reivindicando
respeitabilidade para suas teses, a cada dia menos contestadas pelas
elites intelectuais.
Tais produtos do pensamento mágico, travestido de científico,
antigamente provinham de gente ignorante e tinham consumo restrito a
determinadas parcelas da sociedade; agora são oferecidos, por
doutores disso e daquilo, para a comunidade, através dos melhores
veículos de comunicação de massa. Trata-se da famosa crise de
fragmentação da cultura...
E como ficamos nós, espíritas, nesta questão?
Bem, nossa posição, coerente com a Doutrina, deve ser a de sempre:
equilibrada, razoável, dirigida pelo bom senso, ora para um lado,
ora para outro, porque o problema em tela, infelizmente, tem dois
lados, ambos dignos de cuidadosa consideração. No primeiro deles
vemos a inteligência humana, esbarrando em seus limites, perplexa e
desorientada, correr o risco de mergulhar no descrédito de si mesma,
por não poder descobrir as verdades fundamentais da vida, depois de
desvendar tantas verdades menores; ela construiu com o raciocínio
objetivo e binário, com uma visão analítica lógico-causal, essa
coisa maravilhosa chamada ciência, que lhe revelou o modelo
mecanicista, reducionista e determinista de um mundo inteiramente
físico, com o qual se encantou, menosprezando a existência de Deus,
e de repente o dito mundo começou a se esvanecer em ondas e
partículas crescentemente sutis, intocáveis, entrelaçadas numa teia
dinâmica, auto-consistente, sem termo nas interconexões do
espaço-tempo... No segundo deles vemos o coração humano, também
esbarrando nos limites das suas esperanças, correr o risco de
afundar em superstições por não ter tido resposta para os anseios
milenares de ventura...
Não podendo contribuir para o descrédito da inteligência, nem para o
fanatismo do coração, resta-nos adotar a postura recomendada na obra
de Kardec, qual seja a de trabalhar para que a Ciência encontre
afinal o caminho da religiosidade, e o sentimento do homem se
liberte de vez das ilusões místicas.
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nAZARENO TOURINHO
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na literatura espírita comparece de modo
significativo. Algumas de suas obras: "Edson Queiroz, o Novo
Arigó dos Espíritos"; "A Dramaturgia Espírita"; "Carlos
Imbassahy, o Homem e a Obra". É membro da Academia Paranaense de Letras, tendo
recebido vários prêmios. |
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