Receita
caseira para casais em conflito - Após a mudança para a
outra cidade, o casal entrou em conflito. Vinte e cinco
anos de casados, dois filhos na fase da universidade. O
período inicial de carinhos e convivência pacífica
gradativamente foi trocado por discussões, acusações,
gritos, incompreensões...
Na nova cidade há menos de um ano, a esposa apegou-se
demasiadamente à própria família, indo trabalhar com o
irmão. Aliás, o motivo da mudança foi mesmo para estar
mais próxima dos pais e irmãos. Contudo, trabalhando com
o irmão, afastou-se de casa: saía diariamente, bem de
manhãzinha, só retornando após o início da noite.
O marido desgastou-se. Começou a sentir-se sem família.
O vazio interior, causado pela ausência quase permanente
da esposa, perturbou-o de maneira expressiva. Ele e as
filhas sentiam, o que é natural, muita falta da presença
da mulher e da mãe.
Ambiente pesado. Na chegada, a cada noite, na volta do
trabalho, os quatro integrantes da família não se
sentiam a vontade. Perderam o gosto do diálogo, o
ressentimento ganhou campo e o conflito familiar
instalou-se, além, é óbvio, do conflito interior de cada
um.
Ele buscou ajuda. Abriu o coração com um amigo de
confiança. Sentia-se desnorteado, não conseguia entender
onde havia errado, não conseguia discernir quem estava
certo ou errado. A perda do diálogo, o afastamento
conjugal, o mal estar em família, tudo isso fazia dele
um homem infeliz.
No desabafo, a tentativa de busca de solução...
O amigo sugeriu, entretanto, que ele mudasse o tom da
convivência. Que ele mudasse o comportamento. Sugeriu
que a surpreendesse, gradativamente, com gestos,
atitudes, presentes, bilhetes colocados na gaveta,
convites para passear ou almoçar fora. Sem exageros, mas
surpreendendo-a gradativamente.
Sugeriu que a elogiasse nos momentos certos, também sem
exageros, sob pena de efeito contrário. Que tentasse
dialogar sem agressão, que fosse natural, procurando
compreender o comportamento que tanto o desagradava.
Afinal, disse o amigo, ela também tem lá suas
dificuldades, suas lutas e conflitos interiores.
Igualmente que lhe enviasse flores, que levasse em conta
os 25 anos de casamento, das experiências comuns que
viveram e que fosse gentil no relacionamento.
Dentre as várias iniciativas que tomou, uma foi bem
interessante, pois saiu do lugar comum. Ele a
presenteou, a elogiou, a levou para passear, jantaram
juntos, etc... etc. Mas, num dia, ao voltar para casa e
passar defronte uma loja de CDs, lembrou-se de um estilo
musical que ela muito gostava. Comprou o CD.
Quando ela chegou ele estava com o karaokê e música que
ela tanto gostava. Ele estava cantando. Ela achou demais
aquilo e somou vozes com ele, para também cantar...
O foco das atenções foi trocado. Externamente tudo
continuou igual, mas interiormente perceberam que quando
mudamos o pensamento, a vida toma outro rumo.
Somos nós mesmos que nos escravizamos nos pontos de
vistas fechados e circunscritos de situações e
circunstâncias que nos sufocam.
No casamento, percebamos a pérola que é aquele, ou
aquela, que convive conosco. E deixemos de lado os
condicionamentos, que muitas vezes nos permitimos, e que
destroem a nossa paz interior.
Mudando a postura interior, a depressão desaparece, a
tristeza vai embora e um universo de perspectivas e
possibilidades ressurge, convidando-nos à felicidade.
Se você vive uma crise conjugal, experimente usar o
elogio, o carinho, a atenção. Em breve tempo você
reconquista o amor que construiu. Todos, mas todos
mesmo, precisamos de estímulo, de atenção, de carinho...
Quem valoriza o ciúme, quem guarda mágoas, destrói-se a
si mesmo. É melhor compreender que somos criaturas
individuais, com experiências, vontades, tendências e
preocupações diferentes...
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