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O problema do destino |
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No próximo
18 de abril, será comemorado o sesquicentenário do
lança-mento de "O Livro dos Espíritos" (São Paulo: Petit
Editora), de Allan Kardec. Se vão cento e cinqüenta anos
de aprendizado.
E o Codificador deixou inúmeros discípulos que abraçaram
os maiores ensinamentos expostos à Humanidade, depois da
presença daquele que Governa os destinos da Terra.
O Mestre dos mestres, como podemos chamar o Divino Amigo
de todas as horas, nos mostrou que a vida prossegue além
das fronteiras da morte física; que acima de tudo há um
Criador, Onipotente e Onipresente; que a caridade é a
base de todos os atos da existência terrena e que o amor
deve estar presente em qualquer ocasião.
A Doutrina Espírita, com sua clareza de exposição, veio
facilitar o obscuro entendimento que se fazia até então,
a respeito dos valores que se acham além deste mundo que
conhecemos. Ela não só afirma que a morte realmente não
existe, pois, como Espíritos, somos imortais, bem como
enfatiza a presença, em nosso meio, dos que nos
antecederam na jornada de volta ao mundo espiritual, em
todos os lances do cotidiano, através da comunicação com
esses mesmos seres que um dia repartiram conosco o
espaço terreno.
Dentre os fervorosos estudiosos, vamos citar Léon Denis,
conterrâneo de Kardec, que por ocasião da partida do
precursor da Doutrina dos Espíritos tinha 23 anos.
Deixou-nos inúmeras obras de estudo.
Nunca se cansou de repetir a respeito das vidas
sucessivas e da necessidade da reencarnação, bem como
sobre as Leis que regem o cosmos, dentro da temática de
que toda ação exige uma reação.
Citava que “a Lei dos renascimentos explica e completa o
princípio da imortalidade. A evolução do ser indica um
plano e um fim. Esse fim, que é a perfeição, não pode
realizar-se em uma existência só, por mais longa que
seja.
Devemos ver na pluralidade das vidas da alma a condição
necessária à sua educação e seus progressos. É à custa
dos próprios esforços, de suas lutas, de seus
sofrimentos, que ela se redime de seu estado de
ignorância e de inferioridade e se eleva, de degrau em
degrau, na Terra primeiramente, e, depois, através das
inumeráveis estâncias do céu estrelado.”
São pensamentos racionais, lógicos.
Vemos claramente que a única explicação convincente para
os problemas que a vida oferece para cada ser vivente,
na forma pessoal ou naquelas situações em que os dramas
são vividos de maneira coletiva, é através da Lei de
causa e efeito, ou da Lei de ação e reação, sempre
vinculadas com a reencarnação, ou seja, o retorno à vida
física para o pagamento das dívidas contraídas. Uma vez
resgatada a sua condição moral, nada impede sua
elevação.
Léon Denis afirma que “a hereditariedade não é tudo; na
maior parte dos casos, essas aflições não podem ser
consideradas como o resultado de causas atuais. Por que
também as crianças mortas antes de nascer e as que são
condenadas a sofrer desde o berço? Certas existências
acabam em poucos anos, em poucos dias; outras duram
quase um século! Donde vêm, também, os jovens-prodígios
– músicos, pintores, poetas, todos aqueles que, desde a
meninice, mostram disposições extraordinárias para as
artes ou para as ciências, ao passo que tantos outros
ficam na mediocridade toda a vida, apesar de um labor
insano? E, igualmente, donde vêm os instintos precoces,
os sentimentos inatos de dignidade ou baixeza
contrastando, às vezes, tão estranhamente com o meio em
que se manifestam?”
Não há nenhuma dúvida disso. Vemos diariamente, ao
nosso lado, pessoas conhecidas ou não, que se mostram
opostas aos valores da dignidade, da moral e do
respeito, quer contra membros da família ou em relação a
estranhos ou mesmo contra a própria sociedade, como um
todo.
Numa instrução clara, André Luiz nos ensina que: “A
morte é a continuação da vida, e na vida, que é eterna,
possuímos o que buscamos”.
O que não podemos esquecer, contudo, é que enquanto na
Terra, plantamos as mais diversas sementes, para cuja
colheita, um dia, irremediavelmente seremos chamados,
queiramos ou não.
Com isso, somos forçados a reconhecer que muitos dos que
se aproximam da Doutrina dos Espíritos, ao tomar contato
com a Lei de causa e efeito, fogem dela, como o diabo da
cruz.

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VLADIMIR POLÍZIO,
militar da reserva, membro da Diretoria do Centro Espírita
João Batista e Lar Creche Wilsom de Oliveira, em Jundiaí,
integrante da área de ensino e articulista em assuntos
doutrinários, e-mail polizio@terra.com.br |
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