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O problema do destino

VLADIMIR POLÍZIO

No próximo 18 de abril,  será comemorado o sesquicentenário do lança-mento de "O Livro dos Espíritos" (São Paulo: Petit Editora), de Allan Kardec. Se vão cento e cinqüenta anos de aprendizado.
E o Codificador deixou inúmeros discípulos que abraçaram os maiores ensinamentos expostos à Humanidade, depois da presença daquele que Governa os destinos da Terra.
O Mestre dos mestres, como podemos chamar o Divino Amigo de todas as horas, nos mostrou que a vida prossegue além das fronteiras da morte física; que acima de tudo há um Criador, Onipotente e Onipresente; que a caridade é a base de todos os atos da existência terrena e que o amor deve estar presente em qualquer ocasião.
A Doutrina Espírita, com sua clareza de exposição, veio facilitar o obscuro entendimento que se fazia até então, a respeito dos valores que se acham além deste mundo que conhecemos. Ela não só afirma que a morte realmente não existe, pois, como Espíritos, somos imortais, bem como enfatiza a presença, em nosso meio, dos que nos antecederam na jornada de volta ao mundo espiritual, em todos os lances do cotidiano, através da comunicação com esses mesmos seres que um dia repartiram conosco o espaço terreno.
Dentre os fervorosos estudiosos, vamos citar Léon Denis, conterrâneo de Kardec, que por ocasião da partida do precursor da Doutrina dos Espíritos tinha 23 anos.
Deixou-nos inúmeras obras de estudo.
Nunca se cansou de repetir a respeito das vidas sucessivas e da necessidade da reencarnação, bem como sobre as Leis que regem o cosmos, dentro da temática de que toda ação exige uma reação.
Citava que “a Lei dos renascimentos explica e completa o princípio da imortalidade. A evolução do ser indica um plano e um fim. Esse fim, que é a perfeição, não pode realizar-se em uma existência só, por mais longa que seja.
Devemos ver na pluralidade das vidas da alma a condição necessária à sua educação e seus progressos. É à custa dos próprios esforços, de suas lutas, de seus sofrimentos, que ela se redime de seu estado de ignorância e de inferioridade e se eleva, de degrau em degrau, na Terra primeiramente, e, depois,  através das inumeráveis estâncias do céu estrelado.”
São pensamentos racionais, lógicos.
Vemos claramente que a única explicação convincente para os problemas que a vida oferece para cada ser vivente, na forma pessoal ou naquelas situações em que os dramas são vividos de maneira coletiva, é através da Lei de causa e efeito, ou da Lei de ação e reação, sempre vinculadas com a reencarnação, ou seja, o retorno à vida física para o pagamento das dívidas contraídas. Uma vez resgatada a sua condição moral, nada impede sua elevação.
Léon Denis afirma que “a hereditariedade não é tudo; na maior parte dos casos, essas aflições não podem ser consideradas como o resultado de causas atuais. Por que também as crianças mortas antes de nascer e as que são condenadas a sofrer desde o berço? Certas existências acabam em poucos anos, em poucos dias; outras duram quase um século! Donde vêm, também, os jovens-prodígios – músicos, pintores, poetas, todos aqueles que, desde a meninice, mostram disposições extraordinárias para as artes ou para as ciências, ao passo que tantos outros ficam na mediocridade toda a vida, apesar de um labor insano? E, igualmente, donde vêm os instintos precoces, os sentimentos inatos de dignidade ou baixeza contrastando, às vezes, tão estranhamente com o meio em que se manifestam?”
Não há nenhuma dúvida disso.  Vemos diariamente, ao nosso lado, pessoas conhecidas ou não, que se mostram opostas aos valores da dignidade, da moral e do respeito, quer contra membros da família ou em relação a estranhos ou mesmo contra a própria sociedade, como um todo.
Numa instrução clara, André Luiz nos ensina que: “A morte é a continuação da vida, e na vida, que é eterna, possuímos o que buscamos”.
O que não podemos esquecer, contudo, é que enquanto na Terra, plantamos as mais diversas sementes, para cuja colheita, um dia, irremediavelmente seremos  chamados, queiramos ou não.
Com isso, somos forçados a reconhecer que muitos dos que se aproximam da Doutrina dos Espíritos, ao tomar contato com a Lei de causa e efeito, fogem dela, como o diabo da cruz.


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VLADIMIR POLÍZIO, militar da reserva, membro da Diretoria do Centro Espírita João Batista e Lar Creche Wilsom de Oliveira, em Jundiaí, integrante da área de ensino e articulista em assuntos doutrinários, e-mail polizio@terra.com.br


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