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Poeta e médium-curador?
E por que não?
A Doutrina Espírita, em seu campo religioso, filosófico e
científico, abriga estudiosos vinculados a todos os segmentos
profissionais ou envolvidos em atividades das mais diversas áreas.
São pessoas que, interessadas no conhecimento ou aprimoramento do
que se refere às contingências da vida, ou seja, sobre tudo aquilo
que o homem encarnado não é capaz de controlar, procuraram um dia
aproximar-se dessa fonte de conhecimento, verdadeiro manancial
cristalino, para absorver o que não encontraram em outras paragens.
Por isso mesmo, nada pode surpreender, especialmente quando são
encontrados personagens de certa forma históricos, em razão dos
feitos notáveis de que tiveram participação e que, por razões que a
própria razão às vezes desconhece, não são divulgados na altura em
que deveria. É evidente que quando se fala em divulgação, fala-se
dos valores que essa pessoas amealharam para si, e que, em razão
mesmo do tempo que modifica, abranda ou tudo apaga, resultam em ter
esses registros arquivados nas estantes, sem que sejam eles
apresentados às várias gerações que aí estão, em busca
de aprendizado.
Sabe-se que a Doutrina não guarda em seio pessoas idolatradas na
condição de ‘santo’, mesmo porque, esse título não está afeto à
classificação por parte dos encarnados, por fugir-lhes a
competência. Mas, nada impede, contudo, que as figuras consideradas
como baluartes, tenham seus nomes amplamente divulgados. Se
contribuíram para que a Doutrina dos Espíritos alcançasse posição
que lhe permitisse respirar comodamente, facilitando o acesso às
suas orientações, da parte de pessoas de todas as classes econômicas
e intelectuais, é no mínimo louvável que essas pessoas todas sejam
lembradas, pois desbravaram caminhos onde não havia espaço para
isso.
Pelo ano de 1834, a 1º de fevereiro, nascia na cidade de
Laranjeiras, em Sergipe, aquele que seria uma dessas colunas
basilares que se conhece no Espiritismo: Francisco Leite Bittencourt
Sampaio*. Viveu 61 anos e desencarnou no Rio de Janeiro, em 10 de
outubro de 1895.
Bacharelou-se pela Academia de Direito do Estado de São Paulo, em
1859, voltando à sua terra natal, onde exerceu a Promotoria Pública.
Posteriormente assumiu a Inspetoria Literária na Comarca de
Itabaiana até o ano de 1861, quando transferiu residência para o Rio
de Janeiro, exercendo a advocacia por muitos anos.
Foi jurisconsulto, magistrado, político, funcionário público,
jornalista, literato e poeta. Como jornalista colaborou
eficientemente na Imprensa Paulista, em diversos jornais e revistas.
Ainda como estudante, celebrizou-se pela composição do Hino “A
Mocidade Acadêmica”, cuja partitura musical coube ao imortal maestro
Carlos Gomes (1).
E foi, aliás, com Carlos Gomes, desencarnado em 1896, que a figura
que nos referimos, Bittencourt Sampaio, poeta de um lirismo
incomparável, soube expressar todo o sentimento e a grandeza de seu
coração adamantino.
É dele um poema que muitos pais e avós cantarolavam.
“Tão longe/ De mim distante/ Onde irá/ Onde irá/ Teu pensamento...”.
Essa música, “Quem Sabe”, composta por Carlos Gomes com letra de
Bittencourt Sampaio, tem nada menos que 150 anos, já que foi
composta em 1859.
Em uma de suas mensagens transmitidas mediunicamente a Francisco
Cândido Xavier, ao final da reunião levada a efeito em 2 de junho de
1955, como se fazia todas as quintas-feiras, na Sede do Centro
Espírita ‘Luiz Gonzaga’, em Pedro Leopoldo, Bittencourt Sampaio
assim se expressou: ‘Não ignorais que a civilização de hoje é um
grande barco sob a tempestade... Mas, enquanto mastros tombam
oscilantes e estalam vigas mestras, aos gritos da equipagem
desarvorada, ante a metralha que incendeia a noite moral do mundo, o
Cristo está no leme! Servindo-o, infatigavelmente, repitamos,
confortados e felizes: Cristo ontem, Cristo hoje, Cristo amanhã!...
Louvado seja o Cristo de Deus!’ (2).

(*) Francisco Leite Bittencourt Sampaio era médium receitista.
Relação
de artigos de Vladimir Polízio...
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