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A praga do segundo casamento

VLADIMIR POLÍZIO

Como exercer e conciliar a fraternidade, ou agrupar os excluídos, se a própria organizadora desses eventos se utiliza de paradoxos que colidem com essas propostas?
A Igreja, através de seu líder Bento 16, ao que parece, está disposta a contribuir com o esvaziamento dos Templos católicos ou o enfraquecimento da crença, em razão dessas posições conflitantes com o segundo mandamento deixado por Jesus. E o Mestre afirmou que, tanto num como noutro, estaria toda a lei e os profetas, o que equivale dizer que tudo está resumido ali, quando afirmou: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. O que se nota é que   há relutância severa e rigorosa em assegurar que essas pessoas possam de fato pertencer ao círculo religioso a que se propõem e participar de todos os ritos e formalidades oferecidos aos fiéis respectivos.
É temerário afirmar que o casamento em segundas núpcias é uma praga da sociedade.
Igualmente, também é temerário afastar aqueles que querem aproximar-se dos ensinamentos do Cristo, sob a justificativa de hereges. Claro que este termo, embora não tenha sido citado pela grande imprensa, o caso em questão enquadra-se perfeitamente como heresia, pois que esse assunto (o casamento em segundas núpcias), nega a idéia, a prática e contraria a doutrina estabelecida pela própria ‘Santa Sé’.
Lamentamos profundamente esse grave equívoco da indissolubilidade do casamento.
Ninguém na Terra, e isso podemos afirmar com toda a convicção, está habilitado, ou autorizado a representar o Criador, tanto nas questões do matrimônio como em qualquer outro ato que tenha relação com o braço religioso.
A Doutrina dos Espíritos nunca foi favorável às separações, aos rompimentos afetivos, independente dos filhos que possam ou não ter o casal.
Os compromissos assumidos devem ser levados com seriedade e respeito, até às instâncias possíveis, mesmo porquê, o ônus advindo do rompimento de qualquer ato que denote ausência de responsabilidade, sem que se leve em conta as sanções legais terrenas, aquele que deu causa terá as implicações pertinentes na esfera espiritual, dentro, sempre, da implacável lei de ação e reação. E isso vale para qualquer outra situação.
Porém, compreender que essa uniões primeiras tenham sido motivadas pelos laços eternos dos compromissos, equivale dizer que ninguém na Terra deixou de corresponder aos tratados anteriormente efetivados ou às determinações previamente convencionadas no plano espiritual.
Mas abominar simplesmente o novo estado conjugal ou mesmo restringir sua participação nos rituais litúrgicos é, no mínimo, um ato contrário à fraternidade, ao amor, ao respeito às pessoas.
Alianças não são algemas. São meros símbolos.
Os verdadeiros elos serão conhecidos somente quando os interessados aportarem na eternidade. Lá sim, saberão o que deveriam ter feito na existência finda.
Enquanto isso não acontece, todos têm direito ao livre-arbítrio e à felicidade, mesmo que passageira. Cada qual faz ou deixa de fazer aquilo que compreende como melhor lhe pareça aos seus sentimentos.
E os outros? Bem, os outros terão que se conformar com a realidade vivida e praticada desde todos os tempos. 


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VLADIMIR POLÍZIO, militar da reserva, membro da Diretoria do Centro Espírita João Batista e Lar Creche Wilsom de Oliveira, em Jundiaí, integrante da área de ensino e articulista em assuntos doutrinários, e-mail polizio@terra.com.br


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