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HABITANTES DAS ESTRELAS

"HABITANTES DAS ESTRELAS" (São Paulo: Bani Design Graphic's), de Randolf Horst Sperling. A venda na livraria do Grupo Espírita Geam, Rua Força Pública, 24 (Santana), São Paulo/SP, CEP 02012-080, telefone (11) 6221-1464 de 2ª a 6ª feira das 14 às 18h, grupoespiritageam@terra.com.br

 

Aprendizado com alegria

RANDOLF HORST SPERLING

Os cientistas céticos pretendem que a ciência seja ensinada de uma forma rigorosa, austera, onde todos reverenciem sua majestade e digam amém aos seus resultados, ainda que espúrios, não os vejo falar em alegria, estudar de uma forma descontraída, onde o aprendizado seja um prazer, um ato de descoberta, que muitas vezes é frustrante, pois nos mostra uma realidade diferente daquela em que pensamos, e nos conduz ao raciocínio, para que analisemos a experiência feita e possamos então repeti-la com mais discernimento, sem desistirmos, como é o exemplo já citado de Thomas Edson: vale a pena olharmos de novo, mil vezes ele tentou inventar a lâmpada, como será que ele lidava com sua sensação de frustração, de luto que vem da perda de naquele momento não ter obtido sucesso, o que o fez tentar mil vezes, até conseguir, quantas vezes nós tentamos algo antes de desistir, quantas vezes, só de pensar já desistimos.
É assim que temos ensinado nossas crianças, no mundo inteiro. Onde deve começar o ensino científico de análise da vida, para que elas aprendam a lidar desde pequenas, com as perdas e as frustrações, o que temos ensinado a elas além de preconceitos e impormos formas mais fáceis de subir na vida, ser alguém e em último caso dar um jeitinho? Nem sequer respeitamos seus desejos e não deixamos que elas tenham contato com a realidade, pois poderiam se chocar e ficarem deprimidas.
A proposta de Pestalozzi para que a criança tenha um aprendizado mais lento, mais gradual iniciando a alfabetização propriamente dita na puberdade, encontra ao longo de todo este tempo detratores que dizem que temos que aprender logo, de uma forma histérica para que aos vinte anos de idade sejamos doutores e solucionemos os problemas do mundo, quando o que está acontecendo na realidade, é que os homens estão tendo enfarte à partir dos trinta anos de idade e as mulheres que não faziam parte do grupo de risco já correm perigo. Já passou da hora de revermos nosso modelo educacional, oferecendo algo que evite a evasão escolar, que não ocorre somente porque a criança precise trabalhar, mas principalmente, porque o ensino de uma forma geral é enfadonho, maçante, com um professor que foi dar aula por estar desempregado e não por vontade, por ideal. É lógico que principalmente no Brasil, com o baixo nível salarial fica meio complicado o tema ideal, e o que acaba acontecendo é que, com o alto nível de desemprego as pessoas que são honestas e não querem roubar, vão dar aulas, o que mostra a boa índole dessas pessoas, mas que infelizmente, não garante a qualidade do ensino. Fato curioso nos dias de hoje é que ouvimos falar em dois curriculum, um para empresas e outro para professor, e então, como fica? Fica que, as escolas aproveitam o número crescente de profissionais de curso superior à disposição no mercado, para diminuir os salários dos que já estão empregados, criam cooperativas para burlar o fisco, o INSS e outras coisas mais, o governo autoriza cursos relâmpagos, instantâneos, é ótimo, pois o desempregado superior tem seu ego, mais ou menos, mantido; se sabe dar aula ou não, bem, isto é outra história e independe do nível de conhecimento da pessoa, saber é uma coisa, transmitir este saber de forma inteligível é outra, e também o que importa, se os alunos só querem mesmo é o diploma, do que, não interessa, desde que seja de nível superior; é assim que encontramos programadores de computador com nível universitário de educação física. Passei um ano e meio em um curso desses novos de dois anos com nível superior e olha, foi frustrante, pois a idéia do funcionamento do curso é ótima, mas, é sempre tem um mas e este mas é que para não criar tumultos e desavenças, a direção do curso resolveu que, embora o MEC determinasse que deveria ter aulas aos sábados, a freqüência não seria obrigatória, tendo todos os alunos presença automática, sendo o sábado usado para tirar dúvidas e comparecimento opcional, não podendo ser dada matéria nova, foi a maior festa entre os alunos, que acharam maravilhoso e ficaram realmente muito felizes, até que... aí vem o outro lado da moeda: perceberam que a carga horária corria da mesma maneira, ou seja, uma matéria com duzentas horas, que fosse dada às terças, quintas e sábados, perderia em média 30% (as aulas de sábado, lembra-se?), ficando em torno de cento e quarenta horas, bom não é? E agora, como reclamar e para quem ?
Tudo isto acontece, porque lá na base, na pré-escola, não houve o devido tratamento do ensino à criança, ainda dentro da proposta de Pestalozzi, que a criança teria um ensino lúdico em contato com a natureza, desenvolvendo de uma forma natural sua capacidade de análise, raciocinando a natureza, entendo como se formam as coisas, para depois partir com ânimo, buscando nas ciências exatas, humanas e biológicas entender mais profundamente aquilo que até o momento ela só analisou de uma forma simples, tornando-se então um ser humano analítico, nem crédulo, tornando-se vítima da ignorância, nem cético, tornando-se vítima da arrogância.
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RANDOLF HORST SPERLING é colaborador da área de assistência espiritual da Federação Espírita do Estado de São Paulo, autor do livro "Habitantes das Estrelas".


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