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Consultório sentimental |
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Histórias encantadas
- Tia Helena, o que eu faço? Recebi
um e-mail dizendo que sou uma ogra, que eu estou tendo um caso
com uma amiga minha, que sou sargentona, que meu namorado é um
ogro e que eu afasto todo mundo do caminho dele. O pior é que eu
sei quem escreveu. É outra amiga minha - pelo menos eu pensava
assim. Ela assinou o e-mail como "Maria, Maria, Maria". Não sei
o que fazer, estou constrangida de olhar para ela, eu gosto
dela. Somos espíritas. M. A., São Paulo - SP.
Com o que você está mais
preocupada? Em ser a Fiona, a ogra que é princesa e mulher do
Shrek? Em ser acusada de ser sargentona, homossexual? Ou está
melindrada porque seu querido é um ogro?
Vamos por partes. Quem manda um e-mail desses, não está
bem. Cartas anônimas acusando quem quer que seja revelam a
fraqueza de quem as escreve. No seu relato, você diz que é
espírita, que trabalha num centro espírita. Muito bem. O
espírita sabe que deve perdoar setenta vezes sete. No caso,
perdoe essa jovem, ela não sabe o mal que está fazendo a si
mesma. Se ela também é espírita - e você disse que é - devia
saber que não devemos julgar ninguém, muito menos dessa forma.
Tenha paciência - os sãos não precisam de médico. Ajude-a, ainda
que indiretamente, a entender o que é e como funciona a Lei de
Ação e Reação.
Quanto à amizade com a colega, que deu origem ao comentário
malicioso, não permita que a mesma seja abalada. Quem não deve
não teme. E esse me parece, sinceramente, o seu caso. A atitude
da autora do torpedo, parece esconder um sentimento doentio: o
ciúme. Ou ela está com um terrível ciúme de você ou de sua amiga
e não entende que a amizade não tem limites ou restrições em
número, gênero e grau. Tomara Deus tivéssemos muitos amigos
verdadeiros, com os quais pudéssemos contar nas horas difíceis.
Dá a impressão de que, por qualquer razão, você - talvez
impensadamente, sem querer - foi áspera com ela em algum momento
(quem sabe a outra moça presenciou a cena?) e ela desejou
vingar-se (Meu Deus!) jogando sujeira na web, como se não
bastasse a que já enfeia esse meio de comunicação tão útil.
Analisando os arquétipos que ela usou (ogra, ogro, Maria) dá
para perceber um pouquinho o que se passa na cabeça da menina.
Os ogros são criaturas estranhas, bizarras (e não existem). Para
ela, vocês são do outro mundo, a incomodam. Atraída por vocês,
na verdade ela luta, interiormente, por aceitá-los. De uma certa
forma, está projetando em você e no seu namorado as figuras do
pai e da mãe, com os quais ela provavelmente tem muitas
dificuldades de relacionamento. Freud explica. Por outro lado
não admite dividir uma amizade, o que significa insegurança e
egoísmo em alto grau. O pseudônimo que usou (Maria, Maria,
Maria), nos remete à mãe de Jesus, um espírito de ordem elevada.
Ela, inconscientemente, se julga mártir, vítima do mundo, melhor
do que os demais. A repetição do pseudônimo, na verdade, é um
grito de afirmação e, ao mesmo tempo, um pedido de socorro... De
Maria ela não tem nada ("santas" não escrevem cartas anônimas),
a considero mais parecida com a bruxa que envenenou a Branca de
Neve, fazendo-se passar por uma doce criatura... Mas, tudo bem,
faz parte da nossa caminhada enfrentar esse tipo de percalços.
O que tenho a dizer a você, querida ogrinha - quero dizer,
querida sobrinha - é que procure "pegar mais leve" com suas
amigas. Às vezes, a sensibilidade do próximo é maior do que
imaginamos. Deixe o seu ogro em paz, preocupe-se mais com o seu
"contorno". Seja amiga de suas amigas, ajude-as a vencer o mal
que ainda existe nelas que é, em essência, o mesmo que habita os
nossos corações.
Vamos
aguardar o próximo capítulo da novela. Quem sabe a bruxinha
resolver escrever e contar sua versão da história? E, por falar
nisso, ainda faltam o dragão, o príncipe e os sete anõezinhos...

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Se é por falta de adeus,
sayonara
- Passei um mês na
Inglaterra, participando de
um programa de intercâmbio. Não sei o que aconteceu, ele
me incentivou, me ajudou muito, mas quando voltei, ele me
pareceu muito estranho. Não parece a mesma pessoa, está frio
comigo. Eu desconfiei que alguma coisa estava errada, mas
imaginei que era apenas um ciúme passageiro. Eu gosto dele, ele
parece descontente, sinto que está pensando alguma coisa contra
mim. Não imagino o que seja, não quero brigar, mas estou
irritada. L. B., São Paulo - SP.
Querida
sobrinha, fez muito bem em aproveitar essa oportunidade para
estudar no exterior. Não sei qual é sua profissão, mas imagino
que foi estudar inglês, idioma universal dos nossos dias. Não se
culpe pelo que aconteceu, esse estudo vai contribuir para o seu
sucesso profissional, não tenha dúvidas disso.
Se ele apoiou sua viagem, a ajudou financeiramente, é porque
concordou e confiou em você. Você se refere ao seu retorno, mas
não diz o que aconteceu durante sua estadia na Inglaterra. Como
foi a troca de e-mails entre vocês? Falaram pelo telefone? Se
desentenderam?
Seja sincera, você andou pelos "pubs" de Londres - ou na cidade
onde se instalou - em busca de novidades e aventura? Deixou
escorregar alguma notícia comentando alguma festinha a que foi
convidada e compareceu, "por obrigação"? Em algum momento
aproveitou para estreitar as relações entre o Brasil e a
Grã-Bretanha?
Nós, mulheres, temos a chamada "intuição feminina", que o
Espiritismo explica direitinho do que se trata. Os homens também
tem suas percepções. Será que ele não sentiu que o trem saiu do
trilho nesses trinta dias de seu sightseing cultural? Os homens
não perdoam esse tipo de coisa. Você e eu sabemos muito bem
disso, do que estamos falando. Se você cedeu a essa tentação -
incursionar pela vida noturna londrina - ainda que uma única
vez, pronto. Queimou o filme.
Outra coisa, você voltou muito mudada? Está esbanjando cultura,
toda esnobe? Está mais "soltinha"? Por acaso tomou um "banho de
loja", mudou a cor do cabelo, seu estilo, seu modo de ser? Está
usando um piercing ou uma tatoo? Isso é comum entre os jovens.
Sempre voltam "aculturados" do estrangeiro... Nesse caso, ele
não está reconhecendo a mulher amada. Está estranhando seu modo
de se apresentar, de falar, de se vestir, de se comportar...
Considere essa possibilidade.
Converse com ele o mais breve possível. Seja sincera, pergunte o
que aconteceu. Procure descobrir o que ele não está gostando:
roupa, cabelo, pintura das unhas, maquiagem, modo de falar... Se
você gosta muito dele, prometa que vai mudar seja lá o que for
que o estiver desagradando.
Prepara-se, também, para a eventual possibilidade de ele "se
abrir" e revelar que há uma outra mulher em sua vida, alguém que
conheceu nesses trinta dias de solidão. Nesse caso, tudo vai
depender do quanto você o ama. Vale à pena entrar nessa disputa?
Nesse caso, não se exalte, não chute o balde. Vá com calma,
ninguém é obrigado a nos amar eternamente. Se ele fez sua opção,
vá com Deus. Eu já disse uma vez para alguém: "Se é por falta de
adeus, sayonara".
Não
pergunte "quem é ela". Isso é demais. Saia de cena em grande
estilo, com dignidade. Quer uma sugestão? Agradeça os bons
momentos que passaram juntos, diga que nunca vai se esquecer das
alegrias que partilharam e deseje felicidades ao casal. Não caia
no ridículo de dizer "se precisar, me liga". Palavras como essa
sinalizam seu desespero. Vá para casa, abra "O Evangelho Segundo
o Espiritismo", de Allan Kardec, leia em voz alta um trecho da
página que abrir ao acaso e seja feliz. O melhor está por
acontecer. All right?

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Ele
se mandou para a Bahia
-
Depois de quatro anos, meu namorado disse que era melhor não
continuar. Na semana passada, descobri que ele vai passar o
Carnaval na Bahia com uma colega de trabalho, que começou a
trabalhar faz pouco tempo na loja. Depois de tudo que eu fiz por
ele acontece isso. Trabalhamos juntos, em andares diferentes.
Estou pensando em convidar um amigo dele e fazer a mesma coisa,
nem que eu precise pagar tudo. Ontem ele disse que, mesmo não
namorando, se eu quisesse podíamos ficar de vez em quando. A. M.
C., São Paulo - SP.
O que
aconteceu antes disso, querida sobrinha? Ninguém muda de idéia
assim, do dia para a noite. Das duas uma, ou essa colega "nova"
é alguma coisa assim do outro mundo e seduziu seu namorado com
algum "filtro do amor" (nem me pergunte o que é isso) ou a
relação de vocês chegou ao fim, ele pediu demissão e resolveu
fazer um "free-lancer", com essa menina. Em sua carta você
resumiu a questão, não dando maiores informações, o que não
ajuda muito. Em casos assim, costumo recomendar às minhas
sobrinhas um exame completo, um "check-up" das atitudes, do
comportamento, do seu modo de se relacionar com as pessoas em
geral. Nesse "raio x" da sua personalidade, algumas coisas virão
à tona. À partir daí, você mesma vai tirar suas próprias
conclusões. Para ajudá-la, vamos levantar algumas considerações.
Você é possessiva? Daquelas que perseguem o namorado pelo
telefone, que não suportam "caixa-postal" e que, quando a alma
gêmea atende o telefone sua primeira pergunta é "onde você
está?"
Você costuma lembrá-lo de seus defeitos na frente de outras
pessoas? Tipo assim, numa roda de amigos, deixa escapar "ele
também é assim, não ouve ninguém, não presta atenção, só dá
atenção para as outras" - e por aí vai...
Você vive reclamando da vida, dos seus problemas de saúde?
Ninguém agüenta quatro anos ao lado de uma mulher desse tipo, "replicante"...
Você se sente injustiçada? Este é o caso daquelas mulheres que
se apresentam como mártires, maltratadas pelo mundo. Só elas tem
razão. O mundo está errado. Alimentam uma falsidade que repetem
tanto a ponto de a considerar verdadeira. Freud explica... Não
dá para agüentar.
Você é daquelas que não cozinha, não passa, não sabe pregar um
botão, tem dificuldade para escrever até bilhete de geladeira,
faz um carnaval (a época é oportuna para isso), escandaliza meio
mundo e pede socorro só por causa dos ortópteros da família dos
blatídeos que aparecem de vez em quando na cozinha? Mulher
assim, é difícil. A concorrência está aumentando... Beleza
ajuda, é claro, mas não é tudo. Para segurar alguém, a mulher
precisa ter mil e uma utilidades.
Você é do tipo "blasé", enjoada? Vive torcendo o narizinho para
tudo e para todos, como se nada prestasse, não gosta disso nem
daquilo, não admite ser tocada aqui ou ali - e vamos parar por
aqui. Esse tipinho enjoativo de mulher já foi muito comum. Hoje
parece que é mais uma espécie em extinção...
Você é daquelas que costumam responder "se é bom para você é bom
para mim", "para mim tanto faz", "pede você", "você que sabe",
"eu não sei, escolhe você"? Se Evas desse tipo agradam em
primeira instância - dando margem para que "eles" façam tudo do
jeito deles - em um segundo momento, a coisa inverte. Os homens
se cansam dessas mulheres que não tem opinião própria.
Você é personalista? Tem opinião formada (e fechada) à respeito
de tudo? Não se atemoriza diante de opiniões contrárias e
defende suas idéias com unhas e dentes? Se é assim, o caso é
sério. Mulheres assim são atraentes - à distância. Eles até
apreciam sua companhia, uma vez ou outra, para quebrar a
monotonia. Mas ficar... É difícil.
Você é sovina? É mesquinha? Nunca põe a mão no bolso? Todos os
gastos são por conta dele? Você não paga nem uma empadinha na
padaria? No dia do aniversário dele manda só um cartãozinho de
parabéns, daqueles de quatro reais? Quando foi a última vez que
o presenteou - nessa encarnação? Geralmente relações se acabam
quando "ele" conhece uma mulher que, durante um almoço, jantar
ou lanche, diz aquelas palavrinhas mágicas: "Hoje é minha vez.
Na próxima, é por sua conta". Pronto! Caiu a Bastilha (sobre a
sua cabeça). Ele foi fisgado. Mulheres assim, descoladas, que
metem a mão no bolso (estão investindo, é claro...) são muito
atraentes para a maioria dos homens. O golpe final é no dia do
aniversário do seu querido. Ao lado do seu cartãozinho barato,
uma linda carteira de couro, presente "dela". Seus dias estão
contados. Se cuida.
Você fala demais? Sem comentários. Até a Radio Boa Nova está
intercalando seus programas com música. Por melhor que seja o
seu "papo", controle-se. Aprenda a ouvir. Outra coisa, não
precisa gritar.
Você é "burrinha"? Costuma até fazer um charminho a respeito de
sua pouca cultura? Para algumas mulheres, isso até pode dar
certo. Mas, no geral, não sei não... Se você dá umas derrapadas
em público, tipo "quero ir para a Europa conhecer as pirâmides
do Egito", cuidado. Relacionamentos assim não vão longe. É só
olhar a vida amorosa das apresentadoras de televisão...
Quando ele começa a falar sobre alguma coisa, você interrompe e
despeja toda sua sabedoria? Faz questão de lembrá-lo que estudou
esse assunto na universidade, no pós-graduação, no MBA?
Lembre-se, querida sobrinha, homem humilhado pula fora. Cuidado
com excessivas demonstrações de sabedoria. Vá com mais calma,
sem excessos.
Você é ciumenta? É daquelas que fecham a cara porque ele beijou
- no rosto - uma mulher na sua frente? Considera infidelidade os
abraços apertados que ele dá nas primas? Pior do que uma mulher
ciumenta, só duas... Mulher ciumenta é praga na lavoura, quer
dizer, na vida de um homem. No comecinho da relação, serve como
termômetro para medir a intensidade do amor. Depois... É doença.
Para com isso, larga dessa vida. Ou confia ou não confia. Ou
confia desconfiando. Outra alternativa é desconfiar, confiando.
Faça sua escolha, mas não seja ciumenta. Meus sobrinhos vivem me
procurando para reclamar: "Não agüento mais, Tia Helena, ela é
muito ciumenta". O fim da mulher dessas é aquele mesmo: ser
trocada por outra, que fecha um pouco os olhos. O verdadeiro
amor pede liberdade. Burro amarrado, quer dizer, homem amarrado
quer fugir. Não sabe para onde, mas quer...
Você não liga para ele? Ele fica dois dias sem ligar e você
nada, nem se preocupa, naquela certeza de que não existe nesse
mundo mulher como você? Isso até me lembra um filme, "Gilda",
cujo apelo publicitário era "nunca houve uma mulher como Gilda".
Cuidado. Cabrito solto no pasto vai longe...
Você é agradável demais? Aquela mulher "docinho", compreensiva,
maternal, carinhosa sem limites? Cuidado, muito cuidado minha
sobrinha. Relações como essa, edulcoradas, não vão longe. Com o
passar do tempo, até dinheiro demais enjoa. Se alguns homens
enxergam na companheira a mãe, a irmã, não a desejam o tempo
todo ao seu lado. Nem vou comentar porquê...
Você é insaciável? É ninfomaníaca? Sem chance. Essas mulheres
mais afugentam os homens que os atraem. Dominando a relação,
exigindo mais e mais, expondo seus instintos sem pudores -
acreditando que se tornam assim mais atraentes - as mulheres
classificadas nessa categoria só agradam no cinema ou na
telinha. Só de pensar em falhar na hora "h", diante de uma
mulher dessa, eles fogem apavorados. Se pavoneiam, fazem charme,
até desejam uma "aproximação", mas ficar, nem pensar...
Você só pensa em trabalhar? Meninas, cuidado. O trabalho
dignifica, mas não se vive só para trabalhar. Mulher que só fala
em trabalho, que leva para casa os problemas profissionais, está
condenada a ser despedida. Ou, pior, arrisca-se a ganhar uma
suplente... Modere esse entusiasmo. Pense em outras coisas, em
amor, por exemplo.
Você é bruxinha? De vez em quando arrisca umas profecias, tipo
"alguma coisa me diz que isso não vai dar certo", ou "eu sei que
você não está falando a verdade", ou - durante o relacionamento
amoroso - "quem é essa mulher em quem você está pensando?"
Quando suas suspeitas de confirmam - para sua própria surpresa -
você dá o golpe final: "Eu não disse?", "Eu não avisei?"...
Quando as bruxas são jovens, ainda têm chance. Depois dos 30
anos...
Eu gostaria de continuar, mas não agüento. Se alguma de vocês se
interessar, posso prosseguir outro dia, é só escrever pedindo.
Aliás, se algum editor quiser comprar a idéia, eu até gostaria
de escrever um livro sobre esse tema. Mas - de volta ao futuro -
está mais calma, sobrinha? Não me leve a mal, brincando com
nossos defeitos, amenizamos as nossas desilusões. No seu lugar,
eu não gastaria nenhum centavo nesse projeto de vingança que nem
sequer é original, já que imita o que o seu ex-namorado está
fazendo. Esquece esse homem, querida. Eu até gostaria de dizer
que "ele não merece você", mas não esperem frases feitas da tia
Helena.
Quanto ao carnaval, nem em Veneza, onde essa tradição é muito
antiga, eu recomendo a festa. "Carnaval, desengano, deixei a dor
em casa me esperando", "quarta-feira sempre desce o pano"... Que
saudade desse eterno menino de olhos verdes, o nosso Chico
Buarque. Nessa vida, de verdade mesmo, eu só amei dois homens,
além falecido, é claro. O Chico Xavier e o Chico Buarque. O
Carnaval é uma festa pagã, de antigas tradições. Há registros
dessa festa em Veneza, na época em que era uma cidade-estado (um
país), em documentos de 1268. Durante esses festejos, os homens
davam vazão aos seus instintos, satisfaziam suas necessidades
sem eira nem beira. As pessoas saiam pelas ruas usando máscaras
feitas de um tipo de papel machê e gesso, e capas que escondiam
todo o corpo. Assim, não se identificavam, nem denunciavam o
sexo ou a condição social... Em resumo, era uma festa onde
anonimamente transgrediam-se todas as regras sociais. Davam-se
vazão aos recalques, descarregavam-se instintos libidinosos. O
Carnaval é uma celebração a Baco, o deus do vinho e das orgias.
O que esperar de uma festa dessas? Doença, obsessão, tristeza -
desengano.
Aproveite esses dias, querida sobrinha, para ler um bom livro.
Vou recomendar "Conforto espiritual" (São Paulo: Petit Editora),
da nossa querida Vera Lúcia Marinzeck. Nesse livro você vai
descobrir que não têm problemas, que as dificuldades são
oportunidades de crescimento espiritual. Não perca seu tempo com
a vingança. Esqueça tudo isso e abra seu coração para novas
alegrias que estão no ar - mas não se esqueça de melhorar um
pouquinho seu modo de ser, sempre ajuda...

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A obsessão começa assim... Há alguns
dias minha filha fez um “Orkut” para mim para que eu me
distraísse. Hoje acordei sem a menor vontade de qualquer coisa,
embora tenha um outro tanto para fazer, principalmente as
atividades da faculdade. Espiritismo é algo que me fascina
embora tenha muito medo devido a algumas experiências
desagradáveis. Acho fascinante, sei que tenho muita
"sensibilidade", mas não consigo passar daí. Sinto que não estou
só. Meu relacionamento com meu pai sempre foi muito conturbado.
Sou filha única no meio de cinco irmãos. Tenho duas filhas
maravilhosas que me enchem de orgulho, de prazer e me rodeiam de
carinho. Tenho um marido apaixonado e dedicado. Tem seus
defeitos, mas quem não os tem? É muito ciumento e nem vinte anos
de casados aplacou isso. Mas é um ser humano maravilhoso. As
pessoas invejam demais a minha família. Sinto como se meu tempo
estivesse se esgotando e eu ainda não descobri o que vim fazer
aqui. Anos atrás uma médium amiga nossa disse que me acompanha
alguém que não aceita meu relacionamento com meu marido porque
quer se vingar dele pelo que ele fez a ela. Apesar de todo o
amor dele e de todas as suas qualidades é verdade que não
vivemos bem. Voltei a estudar para fazer novos amigos, mas até
agora tenho conseguido coleguismo, amizade não. E para falar a
verdade, nem sei porque estou lhe escrevendo. Acho que estou com
um gostinho lá longe de conforto, de luz. Será que você pode me
dar alguma? Ivana, São Paulo – SP.
Querida
sobrinha, agradeço sua confiança. Você não mencionou sua idade,
mas acredito que já passou dos quarenta anos e essa informação
vai nos ajudar a entender melhor o que está se passando com você
e, quem sabe, com outras leitoras que estão enfrentando o mesmo
problema – uma inexplicável sensação de desânimo que vai se
avolumando...
Seu passado indica alguns problemas de relacionamento não
resolvidos com seus pais. Casada, você se diz “orgulhosa” mãe de
duas filhas, que a acumulam de carinho e atenção. Pelo jeito, se
dá bem com ambas, tratando-as de igual para igual, de mulher
para mulher, quem sabe desejando evitar os mesmos erros de que
foi vítima na juventude – a superproteção asfixiante de seus
familiares, que talvez a perturbe até hoje.
Por outro lado, se diz casada com um homem apaixonado que não
“esfriou” mesmo depois de vinte anos de casado, o que, cá entre
nós, amiga, é um feito da sua parte... Para reforçar esse amor
cinematográfico, ele é terrivelmente ciumento, o que dá a
entender que você é bonita e se cuida, despertando olhares
masculinos por onde passa. “Mas ele é um ser humano
maravilhoso”, arremata você, como se fosse uma deusa do Olimpo
perdoando um reles mortal... Seus desentendimentos conjugais não
estão pedindo um diálogo aberto, num momento de tranqüilidade?
Quais são as origens desses desentendimentos?
“Olho para trás e sinto como se nada tivesse construído”, diz
você. Meu Deus! Um lar, filhas maravilhosas, um marido
apaixonado, você na faculdade, todos vivendo sob o mesmo teto e
você, mesmo assim, se sente frustrada e vazia...
Em relação ao Espiritismo, que “experiências desagradáveis”
foram essas a que você se referiu? Onde é que você foi, minha
sobrinha? Vai me desculpar, mas não foi numa casa espírita, onde
se pratica o único Espiritismo que existe, aquele que se iniciou
à partir da publicação de “O Livro dos Espíritos”, em 1857 e das
demais obras codificadas por Allan Kardec... Com todo respeito
que nos merecem, as seitas afro-brasileiras não são o
Espiritismo. No Espiritismo não existem rituais, sacramentos,
batizados, sacerdotes etc. Não se utilizam bebidas alcoólicas,
tabaco, incensos, velas, oferecimentos, estátuas, paramentos...
A diferença é muito grande, não dá para confundir. Procure
informar-se melhor à respeito disso lendo as obras de Allan
Kardec. Você bateu na porta errada, querida, tente de novo,
agora melhor direcionada.
Essa “sensibilidade” da qual se diz portadora, é uma insinuação
de que você é médium? Todos somos, de alguma maneira, e isso não
é motivo para se vangloriar, muito pelo contrário... A
mediunidade, quando se manifesta com intensidade, é, geralmente,
uma oportunidade de resgatar dividas contraídas em outras
existências.
“Sinto que não estou só”, arrisca você. Não está mesmo, querida,
acredite. Deus é tão misericordioso que designa, para cada um de
nós um mentor espiritual – anjo da guarda, anjo guardião,
espírito protetor, como queira chamar – que nos acompanha, nos
inspirando no caminho do bem.
Essa “médium” citada por você não merece confiança. Não perca
tempo com esse tipo de “mediunidade”. Não se deixe impressionar
por essa criatura – ela mesma necessitada, com urgência, de
orientação e assistência espiritual para entender o mal que está
causando a si mesma agindo dessa maneira, semeando a dúvida em
corações alheios.
“Voltei a estudar para fazer novos amigos”, diz você. Isso me
surpreende. Sempre achei que os bancos de faculdade serviam para
se conquistar o saber de uma profissão, o progresso intelectual,
moral etc. Não é à toa que você não faz amigos. Seus colegas de
classe estão quebrando a cabeça para aprender alguma coisa e
progredir na vida e você lá, forçando a barra... Nem se usa mais
fazer faculdade atrás de marido, quanto mais amigos...
Amizade é uma conseqüência, não um objetivo. As amizades são
construídas na convivência diária, na sintonia de objetivos, nas
intempéries do destino... Reflita um pouco sobre tudo isso. Suas
filhas – me parece – já entenderam essa realidade e indicaram,
para você, um bom caminho, um site de relacionamento, o Orkut,
onde as pessoas se conhecem melhor e se reúnem em “comunidades”,
grupamentos construídos à partir de preferências pessoais, onde
se conhecem melhor e trocam opiniões.
Essa sensação de que falta alguma coisa na sua vida pode ser
facilmente preenchida. Imagine-se trabalhando algumas horas, uma
vez por semana, voluntariamente, numa instituição beneficente...
Seja numa creche, hospital, igreja, orfanato, centro espírita,
abrigo para idosos, existem inúmeras oportunidades gratificantes
de servir ao próximo. Pense nisso.
Depois dos quarenta anos de idade, mudanças hormonais
influenciam o nosso comportamento, causando, por vezes, desânimo
ou tristeza em nós mulheres. É conveniente procurar o médico de
sua confiança e – por que não? – se estiver ao seu alcance, um
aconselhamento psicológico. Não podemos mudar um fato consumado:
nossa idade. A idade é um estado de espírito, não se esqueça
disso: cada fase da vida encerra uma nova alegria...
Procure também um centro espírita, exponha suas dúvidas e siga
as orientações recomendadas. A assistência espiritual, que é
gratuita e prestada segundo os ensinamentos de Jesus, a ajudará
a libertar-se desses medos infundados. Processos obsessivos –
influências espirituais negativas – começam geralmente assim,
sutilmente, sem que nos apercebamos...
Não
há motivos reais para você se sentir isolada ou deprimida.
Lembre-se, “a quem muito foi dado, muito será pedido”. Agradeça
a família que Deus confiou em suas mãos, a saúde do corpo e siga
em frente. O melhor ainda está por acontecer, como diz um amigo
meu – “se você quiser”. Por favor, risque de seu dicionário a
palavra “orgulho”, que de acordo com o sétimo capítulo de “O
Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, “é o terrível
adversário da humildade”, “o orgulho, eis a fonte de todos os
vossos males”. Beijos da tia.

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Planejei um suicídio...
Estou completamente perdida.
Sou casada há 22 anos, tenho dois filhos maravilhosos, de 15 e
18 anos. Meu casamento já não é bom há uns 12 anos. Acho que
ficamos juntos para criar os meninos, nem sexo existe entre nós.
Há quatro tive uma paquera sem conseqüências na academia de
ginástica, com uma pessoa que só agora soube que é muito
complicada. Acho que grampearam meu telefone. Não sei até hoje o
que realmente houve, mas comecei a ser perseguida por
familiares, empregados e amigos dessa pessoa e da namorada dele.
As coisas foram piorando. Chamei minha família, contei o que
estava acontecendo. Ninguém acreditou em mim. Eu ainda me via
perseguida, agora era pior: no trabalho, na faculdade, na rua,
ao redor da minha casa. Enlouqueci, comecei a fazer um bando de
besteiras, a confundir sentimentos, quase tive um caso com um
parente próximo e casado (seria uma tragédia). Planejei um
suicídio, que só não deu certo porque fui interrompida por um de
meus filhos que me chamou insistentemente para abrir a porta do
meu quarto. Agora me sinto envergonhada, suja, sem saída. Viajei
e estou fora de minha casa há quase um mês sem saber o que
fazer. Voltei a freqüentar um centro espírita, tem me feito bem,
mas estou longe de estar bem. Agradeço qualquer ajuda." C.
M., São Paulo – SP.
Eu gostaria de abraçá-la
e cumprimentá-la pelo esforço que está fazendo para vencer a
depressão. Seu relato é uma prova de sua determinação. Senti, em
suas palavras, que você abriu seu coração, foi sincera e passou,
realmente, o que sentiu e o que imaginou ameaçá-la. Quero
ajudá-la não apenas com palavras, mas com tudo aquilo que
estiver mais necessitada neste momento.
Gostaria de começar pedindo que não se afaste, de jeito nenhum,
do centro espírita onde está recebendo assistência espiritual.
Aconteça o que acontecer, não deixe de comparecer às sessões.
Nas entrevistas periódicas com o orientador, exponha suas
dúvidas, explique suas necessidades. Não fique constrangida.
Essa pessoa foi preparada para atendê-la e saberá como
auxiliá-la. Se estiver enfrentando alguma dificuldade de ordem
material, peça ajuda. A casa espírita também atua na área de
assistência social.
Quando você afirma que “seu casamento não é bom há 12” anos, dá
a entender que ainda está casada e que sua união continua
problemática. Nessa direção é que se encontra, acredito, a raiz
de seus problemas. A “paquera sem conseqüências”, na verdade uma
busca por afetividade, quase afundou sua vida. Graças a Deus,
você superou essa fase, mas ainda se sente “completamente
perdida”. Uma questão não esclarecida: e o seu marido? Você
conversou com ele, antes, durante ou depois de tudo isso que
aconteceu? Colocar a vida em ordem exige que volte para a casa
que, afinal, também é sua. Não jogue fora vinte anos de
casamento assim, sem mais nem menos... Comunique-se com seu
marido, marque um encontro. Nessa oportunidade, defina o que
pretende fazer. Antes de reunir-se com ele, faça uma prece, peça
ajuda ao seu anjo da guarda.
Defina seus planos: voltar para o convívio da família ou
separar-se de vez, definindo quem fica com o quê, inevitável
providência de quem se divorcia. Converse, depois, em separado,
com seus filhos. Conte a eles tudo o que aconteceu nos últimos
anos, sem, no entanto, empurrar a culpa para o pai deles.
O casamento é uma sociedade. Quando tudo vai bem, o mérito é do
casal. Quando afunda, a culpa é dos dois. É claro que um pode
colaborar mais para o sucesso ou para o naufrágio, mas os dois
são responsáveis pelas alegrias e infortúnios.
Do jeito que a coisa está, não há muito espaço para você acusar
seu marido. O melhor é assumir sua parte e ir em frente. Quanto
a seus filhos, peça o apoio deles, seja qual for sua opção de
vida – continuar a relação conjugal ou recorrer ao divórcio.
Eles a entenderão se expressar seus sentimentos com sinceridade.
À partir dessas decisões, sua vida vai recomeçar: estou certa
disso. Quando assumimos nossos erros e nos retratamos diante
daqueles a quem eventualmente prejudicamos ou perturbamos,
corrigimos nossa rota e redirecionamos nossa vida. Tudo começa a
mudar.
Por favor, deixe o passado para trás.
A paquera que não deu certo já passou, não há que ficar remoendo
o leite derramado. Graças a Deus que foi inconseqüente e durou
pouco. Já pensou manter um relacionamento com uma criatura tão
complicada?
Quanto a essa perseguição que você diz ter sofrido, cessada a
causa – o envolvimento amoroso –, não há que recear outras
retaliações. Evite relembrar esses episódios. Para que se
castigar com essas lembranças?
No Espiritismo aprendemos a valorizar a vida.
Entendemos que a vida é uma dádiva que Deus nos oferece e que a
Ele, somente a Ele, compete extinguí-la. Nosso “passamento” para
o outro lado da vida deve ser, portanto, o mais natural
possível. Não devemos “acelerar” a morte consumindo bebidas
alcoólicas, cigarros, drogas etc.
Os espíritos que cometeram o suicídio sofrem horrores onde se
encontram – alguns falam de um tal de “Vale dos Suicidas”, que
mais me parece uma imagem mitológica do que propriamente uma
região circunscrita. Na verdade, essas almas encontram-se em “looping”,
num turbilhão sem fim, no qual a dor da partida provocada se
repete indefinidamente em sua consciência... O suicídio é mil
vezes pior do que a pior das existências. A primeira grande
decepção de quem se mata é descobrir que matou apenas um corpo.
A alma continua viva, e, ainda mais viva, a lembrança daquilo
que causou o gesto desesperado. Leia, querida sobrinha, “O céu e
o inferno” (Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira), de
Allan Kardec. Nesse livro, os próprios espíritos que se
suicidaram contam o que aconteceu com eles. Na primeira leitura
de “O céu e o inferno”, entendi que a vida é para ser vivida.
Nossos problemas e aflições foram causados por nós mesmos. Não
há, em hipótese alguma, razão para nos sentirmos injustiçados.
No quinto capítulo de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” (São
Paulo: Petit Editora), de Allan Kardec, descobrimos as causas
atuais e as causas anteriores de nossas aflições. As atuais, as
besteiras que nós aprontamos nessa encarnação. As anteriores se
resumem no título daquele célebre filme: “Meu passado me
condena”.
Não há o que se lamentar, sobrinha.
Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima.
Maior vencedora é aquele que vence a si mesma.
Há muitas alegrias na sua caminhada. Estou certa disso. Jogar
essa possibilidade para o alto é cometer um ato do qual você irá
se arrepender terrivelmente.
O casamento não deu certo? Não têm mais chance? Paciência,
encerre esse capítulo de sua vida. Vai doer? Claro que vai. Mas
vai doer somente por algum tempo. Logo a ferida estará
cicatrizada e você pronta para recomeçar.
Não se entregue. Não desanime. Além do centro espírita, procure
ajuda psicológica – você está precisando dela. Se não dispuser
de recursos e residir em São Paulo, vamos ajudá-la.
Você não está suja. Aqueles que deliberadamente a prejudicaram
ou perseguiram é que estão manchados por esse gesto.
Volte para sua família, não perca mais tempo. A cada dia que
passa, a tristeza e a ansiedade de seus familiares aumenta. Se
precisar de alguma coisa, peça, por favor. Quero ajudá-la. Que
Deus ilumine seu coração. Beijos da tia que aguarda,
esperançosa, suas notícias.

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"COMO" É O AMOR? - Olá tia
Helena!! Estou escrevendo novamente para lhe agradecer pelo
conselho que me deu e pelas palavras... Procurei um centro como
a senhora recomendou, falei sobre minha angustia e estou
passando por um tratamento... Existem horas que me sinto muito
angustiada ainda, mas estou sendo aconselhada pelos amigos do
centro... Quanto ao meu trabalho, não vou deixar de lecionar mas
vou voltar a estudar ano que vem, um curso fora da área da
educação... Quanto ao filme que citou na resposta que me deu, a
senhora deve responder inúmeras cartas aqui e não sei se
lembrará, o filme "Mágico de Oz", com a Judy Garland, apesar de
ter quase três décadas completadas...risos... eu assisti sim...
Estou com essa depressão atualmente por ter perdido minha irmã
mais velha, ela tinha leucemia e cuidei dela todo o tempo
enquanto estava no hospital ou em casa... Tive problemas numa
escola que trabalhava e disso desencadeou tudo... A pessoa que
gosto perdeu o pai quando tinha cinco anos de idade, outros
assuntos como trabalhar e estudar ele enfrenta normalmente sem
medo algum mas quanto a relacionar-se com alguém a história
muda... Queria fazer uma pergunta para a senhora, não sei se já
amei alguém, as vezes achamos que é amor mas é apenas uma paixão
ou atração física, como a gente descobre que ama uma pessoa?
"Como" é amor? Muito obrigada de coração pela atenção que me
dedicou. Beijos. K.M., São Paulo – SP.
Querida sobrinha, que alegria receber suas boas notícias. Estou
imensamente feliz em saber que minhas palavras serviram para
ajudá-la. Continue freqüentando o centro espírita, é muito
importante perseverar no atendimento e seguir todas as
orientações recebidas. A eficiência da assistência espiritual
depende, em grande parte, da fé e do interesse do assistido.
Menina, lembro-me bem de ter indicado o filme “O mágico de Oz”
quando respondi sua primeira carta. Há muitos anos atrás, quando
o assisti pela primeira vez, acompanhada por mamãe, naquelas
saudosas matinês do cine Ipiranga, no centro de São Paulo, me
senti a própria Judy Garland. Incompreendida num mundo de
injustiças, habitado por adultos preocupados apenas e tão
somente com seus afazeres, meu companheirinho de todas as horas
era o Lassie, um cãozinho da raça Tenerife que me acompanhou
desde o berço até os doze anos de idade, quando se despediu da
vida. Para quem não assistiu o filme, o caõzinho de Dorothy
(Judy Garland) é o pivô de toda a trama que se desenrola à
partir da terrível ameaça que paira sobre o animalzinho.
Sentindo-se ameaçada pelo cachorro, a vizinha da família de
Dorothy consegue uma ordem judicial para executá-lo.
Desesperada, a menina clama em vão pela ajuda dos pais – “Não
podemos fazer nada, não podemos ir contra a lei”. Encerrada em
seu quarto, Dorothy está desesperada. Mas a aflição dura pouco:
o cãozinho consegue escapar e retorna ao lar, saltando a janela
de seu quarto na direção de seus braços. Desesperada com a
possibilidade da perseguição, a menina toma o animal em seus
braços e resolve fugir de casa. No caminho, encontra-se com um
ilusionista – um homem idoso, bem-humorado e sábio – que
consegue dissuadi-la da fuga, às custas de argumentos bem
emocionais... De volta ao lar, Dorothy é surpreendida por um
furacão. Uma linda fábula, “O mágico de Oz” me ajudou a entender
melhor o amor, a coragem e a inteligência.
O amor que Dorothy sente pelo seu animalzinho de estimação é
muito puro e singelo. A personagem do filme está disposta a tudo
para salvá-lo da morte, inclusive a arriscar a própria vida
nessa empreitada. Esse amor, eu acredito, é o sentimento mais
próximo da maternidade. O amor de mãe é a essência de todo o
amor. É o verdadeiro amor, que desconhece os desvarios do
coração. A mãe ama seu filho sempre, onde quer que ele esteja.
Esteja o filho no palácio ou na prisão, ela o ama do mesmo
jeito. Jorge Ohnet, a famosa romancista sueca, disse que “em
todo amor feminino há uma ternura maternal”. Ela estava
certíssima.
Você me pergunta o que é o amor, “como” se descobre que se ama
uma pessoa. O amor não se descobre, querida. Ele se descobre
sozinho em nosso coração. O amor é imprevisível, intangível e –
para muitas pessoas – altamente volátil, se me permite a
comparação. Atração sexual não é amor, é instinto – os animais
sentem-se atraídos na época do cio, mas desconhecem o que seja o
amor que é manifestação da alma sensível. Infelizmente, muitos
homens ainda estão nessa condição. Relacionam-se sexualmente,
mas não amam. Para Anatole France, “a vida humana tem duas
palavras: a fome e o amor”. Eu estou certa de que o alimento
sustenta o corpo e que o amor alimenta a alma. Sem amor, não dá.
“O amor é como uma flecha que trespassa o coração de repente”,
já disse Henrique Sienkiewicz, célebre novelista polonês.
Stendhal é definitivo: “O amor não pode recusar ao amor”, mesmo
porque “a linguagem do amor está nos olhos” (John Fletcher,
poeta e dramaturgo alemão). “O amor é a chama da vida. Valoriza
as coisas. O talento é frio sem o calor do amor” – Emerson.
Todas esses pensamentos são muito lindos, mas ouça mais este,
querida sobrinha: “Ah! Dois corações que se amam são como dois
corações magnéticos: o que se move em um faz mover o outro, pois
é só um impulso que age em ambos. Coroa da vida, felicidade sem
paz, és tu amor”. Esse pensamento-poesia é de Goethe, o grande
escritor alemão. Foi ele mesmo quem também afirmou que “é certo,
afinal de contas, que neste mundo nada nos torna necessário a
não ser o amor”.
“Infeliz de quem passa pelo mundo/ Procurando no amor a
felicidade,/ A mais dura ilusão dura um segundo,/ e dura a vida
inteira uma saudade” já dizia o poeta Guilherme de Almeida. O
grande poeta Jorge Luís Borges também arriscou sua opinião:
“Parece-me fácil viver sem ódio, coisa que nunca tive, mas viver
sem amor acho impossível”. Friedrich Herbel, dramaturgo e poeta
alemão, acreditava que “só por meio do amor é que o homem pode
libertar-se de si mesmo”. Todos estão certos, são pensadores
maravilhosos, mas eu acredito, simplesmente, que o amor é o sal
da vida. É o tempero que alegra nosso coração. Por melhor que as
coisas estejam, sem amor não dá para viver. Quando amamos, tudo
flui melhor – mesmo que nós não sejamos, digamos, retribuídas em
pé de igualdade. Ou, para ser bem sincera, que não sejamos
retribuídas de forma alguma. Acredito que amando nos superamos,
temos mais esperança, “gás” para enfrentar melhor o nosso
dia-a-dia.
Nós sabemos que estamos amando de verdade quando não conseguimos
ficar muito tempo longe do nosso amor. São cartas, e-mails,
telefonemas, torpedos, enfim, seja lá o que for, sentimos a
necessidade de estreitar nossa proximidade com a pessoa amada.
Queremos por que queremos estar sempre perto do nosso amor,
mesmo que seja “virtualmente”. O amor é a sublime alquimia dos
nossos sentimentos, “tudo de bom” se mistura dentro de nós.
Transborda na afetividade, nos carinhos sinceros, no
relacionamento amoroso que nos gratifica antes, durante e
depois...
Os jovens de hoje encontram na Internet um meio de comunicação
muito interessante para se aproximarem. Eu me refiro ao site “Orkut”,
um verdadeiro achado dos dias de hoje. Nesse site, cada um expõe
suas intenções e redescobre, muitas vezes, amigos do passado com
os quais retomam o companheirismo de outros tempos. No “Orkut”
você se expõe em público. Acredito nesse meio de comunicação
como um canal seguro para nos aproximar de outras pessoas – que,
por sua vez, indicam seus amigos, os quais também nos são
apresentados virtualmente. Guardadas as necessárias precauções,
o “Orkut” pode nos sugerir além de novas amizades, a
possibilidade de encontrar alguém a quem amar. Ainda não tentei,
mas não costumo dizer “dessa água não beberei”....
Não se preocupe em encontrar o seu verdadeiro amor, querida. Ele
a encontrará. Ame fraternalmente aqueles que estão ao seu redor
– seus pais, irmãos, parentes, amigos, colegas de trabalho, de
estudo – dedicando a eles sua atenção e carinho e acabará
atraindo para si o amor de sua vida... Quanto à sua irmã,
recentemente desencarnada, ore por ela. Peça a Deus que a
abençoe, a proteja e a ilumine, onde quer que ela esteja. Se ela
não está mais entre nós é porque cumpriu sua tarefa desta
encarnação. Devemos aceitar a vontade de Deus, resignar-nos
diante de sua vontade. Abração da tia, continue escrevendo.
Explique melhor o caso de seu namorado, ou melhor, peça a ele
que me escreva, quem sabe – só Deus é que sabe – eu
possa ajudá-lo em
alguma coisa.

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ELES SÓ QUEREM PIZZA - Todos os meus relacionamentos
acabam em pizza! Começam
bem depois vai
me dando uma forte intuição e é batata. Tia Helena, descubro
coisas e fatos que estavam ocultos sobre o amado e já viu,
termino tudo. Gostaria de saber se é expiatório. Foram dez em
quinze anos. Beijos e muita paz. Pizzaiola Desiludida, São
Paulo – SP.
Muito bem, minha sobrinha
querida. Você tocou no meu ponto digamos frágil. Não, não estou
me referindo aos relacionamentos amorosos. Na minha idade, esse
tipo de preocupação já ficou para trás. Estou falando das
pizzas. Acredite, minha dieta permite comer pizza. Para ser mais
exata, um pedaço e meio por semana...
Mas vamos lá. Dez relacionamentos em quinze anos é uma
experiência e tanto. E, ao que tudo indica, todos eles foram
condenados por você – “demitidos por justa causa”, não foi
assim? Diz você que “descobre coisas e fatos que estavam ocultos
sobre o amado”. O que são esses fatos? Eles eram casados? Tinham
outros compromissos? Eram viciados em drogas? Não eram homens?
Estavam desempregados? Quem procura acha, já diz o ditado, ao
qual o dito popular acrescentou “e quem não procura também”...
Durante essas investigações você parou, ao menos por alguns
instantes, para refletir sobre a necessidade de “investigar” a
si mesma? Já ouviu falar de um filósofo da antigüidade que
recomendava “conheça-te a ti mesmo”? É... essa é para pensar em
casa, minha querida sobrinha...
Geralmente atraímos pessoas afins, que se encontram na mesma
faixa vibratória em que nos situamos. Parece muito complicado
para a maioria das pessoas, mas nosso namorado, noivo, marido,
seja lá o que for, é – na verdade – nosso professor...
Nessa escola da vida, cada uma aprende o que não sabe. A mulher
intolerante vai aprender a ser mais paciente, cordial e
compreensiva. A orgulhosa vai sofrer sérias humilhações. E assim
por diante... Qual será o seu caso? Conheça-te a ti mesma...
Seguindo esse raciocínio, você já dispensou quinze professores
em dez anos de curso. Afinal, quem está errada, você ou eles?
Você já amou de verdade? Tudo leva a crer que não. Não devemos
confundir atração física com amor. Sua dúvida, “é expiação?”,
não é difícil de ser respondida. Se temos tudo aquilo que
merecemos – e que estamos continuamente atraindo pelo nosso
pensamento – sofremos as conseqüências dos nossos próprios atos,
não é assim?
Procure rever seu comportamento. A quem você deseja atrair? A
quem gostaria de entregar seu coração? Procure manifestar, em
você mesma, as virtudes que deseja encontrar em outra pessoa.
Antes de se
envolver com alguém, procure conhecer melhor quem está ao seu
lado. Quem mergulha de cabeça sem conhecer a fundura da piscina
pode se machucar seriamente. Espero ter sido de alguma ajuda. Se
você me permite, resumindo, o problema não está neles – ou
apenas neles – está, igualmente, em você. Procure mudar para
mudar o “circuito” em que está envolvida. Nas entrelinhas, deu
para ler que você não contou tudo. Escreva novamente. Sinto que
ainda não esgotamos o assunto. Beijos da tia. 
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ME EXPULSARAM DE CASA -
Em 2001 minha mãe me
expulsou de casa, dizendo que eu não servia pra nada,
que eu não queria nada com a vida, pois ficava acordado
à noite como um zumbi... Um dia coloquei uma faca
debaixo da cama para intimidá-la (impor respeito, pois
não iria fazer nada a ela) a não me acordar mais. Para
piorar as coisas, meu pai boicotou minha psicoterapia
que já durava dez anos e que, segundo ele, não estava
adiantando e que eu não tinha jeito. Eles se separaram
em 1990 quando comecei a fazer terapia, quando estava
com quinze anos. Faz dez anos que não falo com meu pai.
Eles me humilham (você não toma banho, você é porco,
você é vagabundo, você é feio, você não merece namorada,
você vai ser catador de papel, você é preguiçoso...). Me
iniciei na Doutrina Espírita há três anos e não tenho
mais vontade de me vingar dos meus pais, mas eles ficam
falando que o Espiritismo é bobagem e isso me chateia
também... Será que estou 100% errado? Não sou santo
(graças a Deus!), mas também queria saber como consertar
essa encrenca, pois por mais que me esforce pra não ter
mágoa dos meus pais... sempre tenho. Desculpe pela carta
enorme. R.
A., São Paulo – SP.
Graças a Deus
digo eu, meu querido sobrinho. Fez muito bem em escrever
tudo o que aconteceu. É muito bom quando colocamos
nossos problemas “para fora”. Nos libertamos – pelo
menos em nível do consciente – de um peso que, muitas
vezes, pode nos derrubar. Mas esse não é o seu caso,
tenho certeza disso. Desabafar é bom para a alma e a tia
está aqui para isso mesmo. Mas vamos trabalhar juntos
para encontrar um caminho que o leve a amenizar suas
dificuldades.
Na verdade, tudo começou quando seus pais se separaram,
não foi assim? Aos quinze anos, em plena adolescência,
você sentiu o impacto da separação daqueles que amava
tanto e a quem cabia o dever de educá-lo e sustentá-lo.
Essa ruptura – que é sempre dolorosa, um verdadeiro
terremoto na vida familiar – sem dúvida causa
transtornos a curto, médio e longo prazo. Certamente a
separação de seus pais não transcorreu com
tranqüilidade, em clima de cordialidade e entendimento.
Infelizmente, na maioria dos casos é assim mesmo.
Provavelmente discutiram diante de você e de suas irmãs,
desequilibrando a harmonia familiar – se é que existia
antes de tudo isso acontecer. Diante dessa tempestade –
numa fase que normalmente é delicada e exige atenção e
compreensão dos pais – você se desequilibrou.
Essa quebra de um compromisso assumido na
espiritualidade, por parte de seus pais, implica em
algumas conclusões inevitáveis à luz do Espiritismo.
Deduzimos, meu querido sobrinho, que entre você, seus
pais e suas irmãs, existem sérios comprometimentos do
passado. Provavelmente, quando desencarnados, assumiram,
de comum acordo, o compromisso de reencarnarem na mesma
família, viverem sob o mesmo teto e, juntos, acertarem
suas dívidas espirituais. Qualquer afirmação mais
precisa exigiria, da nossa parte, um exame espiritual
mais acurado que, é claro, não é o propósito da tia,
pelo menos nessa coluna. No centro espírita que eu
freqüento, onde também colaboro na assistência
espiritual na condição de médium, embora não seja lá
grande coisa como vidente, faço parte de uma equipe que
apresenta um diagnóstico do assistido. Muitas vezes,
mediunicamente, num relance vislumbramos o passado da
criatura. Nesses instantes, aquele que estamos
atendendo, que se apresenta simples, humilde, derrotado,
aparece de outra forma, muito diferente da atual. A
vítima de hoje é o algoz de ontem. Os parentes
“problema” são os escravos ontem confinados numa senzala
imunda, enquanto o “coronel” se divertia com sua escrava
favorita em confortáveis acomodações – à salvo da “sinházinha”,
que, por interesse ou por ignorância, não tomava, na
maioria das vezes, nenhuma atitude. E vai por aí afora.
Aqueles que passam por sérias dificuldades financeiras,
desesperados em amealhar uns trocadinhos para
sobreviver, são vistos por nós em trajes luxuosos,
ignorando pobres coitados que batem à sua porta em busca
de um pãozinho para aliviar o estômago. E assim vai, meu
querido sobrinho. Não somos flor que se cheire. Para
todas as nossas dificuldades existem explicações
plausíveis.
Seus pais não agüentaram a carga. Foi muita areia para o
caminhãozinho deles. Despejaram o que pesava mais às
costas – o compromisso de viverem juntos – e chutaram o
balde. Não nos cabe, em nenhuma hipótese, criticá-los.
Devemos respeitar as pessoas que se separam, sem
acusá-las – aliás, o que se fazia muito há alguns anos
atrás. Quando eu era jovem, mulheres separadas eram
comparadas a prostitutas, mesmo que vivessem confinadas
em seus lares, cuidando dos filhos. Os homens
“desquitados” – o divórcio ainda não existia – eram
segregados no ambiente de trabalho, pelos amigos, que
não os convidavam a visitar seus lares. Considerados
“perigosos” por terem quebrado a aliança de casamento,
eram vistos como uma ameaça.
Mesmo nos dias de hoje, a decisão da separação ainda
implica em conseqüências mais ou menos penosas. Divisão
do patrimônio familiar, pensão alimentícia, horários
determinados para visitar os filhos etc são algumas
dessas dificuldades. A maior delas é a desarmonia entre
os filhos, que exige muita paciência e perseverança para
ser contornada. Muitas vezes é necessário encaminhar os
filhos a terapeutas especializados para ajudá-los a
adaptar-se nessa condição. Sofrem os pais, sofrem os
filhos, sofre a sociedade que também é penalizada pelo
divórcio.
No Espiritismo, o divórcio é entendido como um mal menor
diante das conseqüências de um relacionamento onde o
desentendimento crônico pode levar à violência. Nesse
caso, o divórcio evita desfechos dramáticos provocados
pelo confronto de duas pessoas que perderam o respeito
mútuo. Se os filhos sofrem com o divórcio, provavelmente
sofreriam muito mais se o relacionamento de seus pais
explodisse diante deles – todos correriam o risco de
saírem feridos, literalmente, o que é pior...
No seu caso, querido sobrinho, a separação de seus pais
representou um mal menor. Espiritualmente, pediram uma
trégua a Deus para ganhar fôlego para a próxima
encarnação... O que fazer? Aceitar o inevitável... Isso
se chama resignação. Aceitar o que não podemos mudar faz
parte de uma sabedoria milenar que o Espiritismo
confirma. É claro que não vamos aceitar tudo o que
acontece e esperar que as soluções caiam do céu... Mas,
frente àquilo que não têm solução – o divórcio de seus
pais, essa separação dramática que você enfrentou de
muito perto – é preciso resignar-se e aceitar a vontade
de Deus. Vamos em frente que atrás vêm gente... Que é
isso companheiro? Quem fica parado é poste.
Você não vai progredir na vida enquanto não se libertar
desse ódio que sente por seus pais. Aceite-os como eles
são. São pessoas iguais a nós, com defeitos e virtudes.
“Não julgueis para não serdes julgados”, lembra-se das
palavras de Jesus? Cabe a Deus, e somente a Ele, por
intermédio da Lei de Ação e Reação intervir junto a seus
pais.
Liberte-se deles. Está na hora – ou será que já passou
da hora? – de viver sua vida. Vire-se. Olhe para a
frente. O que você quer da vida? A juventude passa
depressa. Coragem, meu sobrinho. As críticas – sejam de
seus pais ou de quem for – devem ser analisadas
friamente. Se têm fundamento e são verdadeiras, procure
se corrigir. Caso contrário, sendo injustas, não as leve
a sério. Em ambos os casos, agradeça as críticas que
recebeu. Sempre servem para aprimorar o nosso caráter.
Lembre-se de Sócrates...
Pessoas que vivem magoadas com tudo e com todos,
apresentam, nessa manifestação crônica, um sintoma
flagrante de obsessão... Quem está bem espiritualmente,
recebe as críticas com serenidade.
Aceite a vida como ela é. Você já cresceu, é um homem.
Precisa estudar, trabalhar, amar... Revoltado,
encolhido, “enfurnado” nas lembranças do passado – sinto
muito dizer isso – você não vai muito longe. É melhor
reagir imediatamente: você é jovem, têm saúde, tudo é
possível – desde que você tenha fé em Deus e força de
vontade. O fracasso de seus pais não foi culpa sua:
deixe essas lembranças de lado. Perdoe-os, entregue-os
nas mãos de Deus e vá em frente. “Reconcilie-se enquanto
estais a caminho”, recomendou Jesus. Confia em Jesus?
Para terminar, procure uma assistência espiritual. Você
está precisando muito. Siga à risca a orientação do
centro espírita. Sua vida vai mudar – se você quiser...
Está na hora de sair do colo dos pais e pegar o seu
rumo. Minha resposta foi mais longa do que sua carta, me
desculpe, mas alguém precisava dizer tudo isso a você.
Por favor, mande boas notícias o mais breve possível.
Estou esperando. Não se esqueça de alimentar-se na hora
certa. Não há nada melhor do que arroz, feijão, bife,
salada, água mineral (ou limonada sem açúcar) e frutas.
Se precisar de alguma coisa – seja o que for! – escreva
que a gente vai procurar dar um jeito. Beijos da tia (P.S.:
Não se esqueça de usar preservativo nos seus passeios
noturnos. Cuidado! Muito cuidado!). 
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ENTRE DOIS AMORES -
Há dez anos namoro um rapaz que eu amo e admiro. Porém
ele se mostra acomodado com nossa situação. Há um ano
estou balançada por um colega de trabalho que está
saindo de um casamento de dez anos, disposto e animado a
começar de novo... comigo. Não sei o que pensar, o que
levar em conta, me ajude. A grande maioria dos conselhos
me recomenda orar e pedir orientação à espiritualidade
que me envolve, pois é o que tenho feito e não tenho
recebido nenhum sinal, nenhuma inspiração no sentido de
me orientar uma direção. Os conselhos que eu recebi no
Orkut não me ajudaram, evidente que eu venho pedindo
orientação, mas não senti nada, nem uma inspiração, uma
inclinação... S. A. O., São Paulo/SP.
Pense bem, sobrinha, os guias espirituais estão muito
ocupados ultimamente. Tantas desencarnações coletivas
estão acontecendo, tantas guerras, tanta gente
bombardeada sem ter o que comer, onde morar, como curar
suas feridas, tantos recém-nascidos sem leite, sem
alimento, morrendo à mingua e a minha querida sobrinha
desesperada com uma tempestade num copo de água...
Sinceramente, se você fosse minha filha, olha, não sei o
que eu faria. Sei não...
Os guias espirituais estão com muito serviço, tem mais é
o que fazer e não estão com tempo para essas questões
que nós mesmas – você ainda está lendo, querida? –
devemos resolver. Não satisfeita em movimentar os
espíritos você ainda vai no Orkut! Meu Deus, você
mobilizou os meninos dessa comunidade por causa dos seus
desencontros amorosos!
No e-mail que você mandou para a tia, está reproduzida
uma resposta de alguém dessa comunidade que me alarmou:
“Nossa, é complicada sua situação”. Pára com isso, minha
gente! Acorda, pessoal! Complicada é essa praga do vírus
H.I.V! Complicada é a cabeça desses políticos que pedem
na espiritualidade para ajudar o povo, reencarnam e
continuam roubando os cofres públicos! Isso é
complicado! O seu caso não tem nada de complicado!
Complicada é a cabeça da sua amiga que fica navegando no
Orkut complicando a cabeça das outras internautas! Sai
dessa vida, minha filha. Não me queira mal, mas a
primeira caridade é dar forças para quem precisa, não
puxar para baixo. Dá licença.
Seu colega de trabalho, por quem você está “balançando”,
saiu de um casamento de dez anos. “Ele está disposto e
animado a começar de novo”. Muito cuidado, minha amiga.
Seu colega está “animadinho”, é claro... É muito comum,
hoje em dia, as pessoas saírem de um relacionamento e
entrarem em outro, sem muito critério, ou avaliação. Na
verdade, você e seu colega de trabalho estão vendo, um
no outro, uma oportunidade de amenizar suas frustrações.
Essa intenção é, portanto, passageira e superficial, de
ambas as partes. Não adianta aliviar os efeitos do
problema – no caso, a insatisfação conjugal. É preciso
enfrentar a questão. Ir à raiz do mal. Por sinal, o mal
é igual mandioca: arranca-se pela raiz.
Por acaso, querida, algum dia você discutiu seus planos
com seu companheiro? De vez em quando, os casais
precisam conversar, trocar idéias, discutir suas
expectativas. Telepatia não vale. Precisa ser diálogo de
viva voz. Tipo abrir o coração, falar com a alma,
defender seu ponto de vista, fazer valer sua opinião...
Dez anos ao lado de uma pessoa é um tempão. Não dá para
jogar assim para o lado, sem mais nem menos. Convide-o
para jantar fora, diga que vai pagar (qual é a comidinha
que ele mais gosta?), espere a horinha certa (logo
depois da entrada, nunca depois da sobremesa), e entre
sutilmente na questão, tipo assim: “Assim não dá, prá
mim chega!”... Bom, se ele é um “acomodado” típico, vai
demorar para reagir até chegar o cafezinho (sempre puro,
por favor, café com leite em restaurante é brega, só em
casa). Seja qual for a reação dele, é um ponto de
partida para você redirecionar sua vida.
Não mencione “o outro”, uma coisa de cada vez. Não use
essa possibilidade de relacionamento (eu acho, não
sei...) para humilhar o moço. Prepare-se também,
sobrinha, para ouvir coisas desagradáveis a seu
respeito. Nessas ocasiões, geralmente os homens colocam
toda a roupa suja sobre a mesa e, sem rodeios, “chutam o
balde”. Mantenha-se firme, não se abale e prepare-se
para o pior. Escute todas as acusações, sem
interrompê-lo. Menina, você não sabe como isso faz bem
para nossa reforma íntima! Ninguém conhece melhor os
nossos defeitos do que aquele que nos agüentou ao seu
lado durante anos...
Se, porventura, ele pedir uma trégua, tipo “dá um tempo,
vamos pensar melhor”, proponha soluções práticas. Não se
deixe “enrolar” por promessas. Caso contrário, o
“acomodado” vai rodar mais dez anos com você. Em
qualquer situação, evite derramar lágrimas, espernear,
falar palavrões e gritar “bem que a minha mãe tinha
razão”. Por favor, contenha-se, seja sóbria e elegante
(meu Deus! Será que você consegue? Eu acho que sim...).
Depois você me conta o que aconteceu.
Quanto ao seu colega de escritório, pergunte-se, com
sinceridade, por que sente atração por ele? É jovem?
Bonito? Inteligente? É um homem de caráter? É bom filho?
(porque como marido não deu muito certo...). Cair nos
braços dele apenas porque ele está disponível não vai
levar a lugar algum...
Quer uma sugestão? Convide-o para almoçar. Jantar não,
dá margem a outras conclusões. Escolha um restaurante
que ofereça um cantinho discreto para uma conversa
íntima. Explique o que está sentindo, fale –
abertamente! – de sua relação (mencione os dez anos!).
Sem medo de ser feliz, esclareça que não deseja entrar
em outra “gelada”. Se ele não “esfriar”, prossiga as
negociações... Lembre-se: o que você quer é um
compromisso, não “ficar”. Chega de “ficar”.
Peço que me perdoe, sobrinha, mas desejo, sinceramente,
que você encontre a felicidade. Não inicie um
relacionamento sem terminar esse em que você está
envolvida. Pense bem antes de mergulhar de cabeça nessa
piscina. Às vezes, as águas são tão rasas e a gente pode
quebrar a cara...
Quanto aos bons espíritos, peça a Deus que a acompanhem
nesses encontros. Quem sabe, uma inspiração possa
ajudá-la... Graças a Deus, você é jovem, bonita e
inteligente, está trabalhando, tem casa, comida e roupa
lavada. Confiança! Sempre é bom tomar um passe no centro
espírita e assistir uma palestra sobre o Evangelho.
Ajuda muito a dar um chega pra lá na depressão.
Aproveito para mandar um abraço para os sobrinhos do
Orkut.

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DEPRESSÃO - Estou me
sentindo “um nada”. Pela manhã não sinto vontade de sair
da cama, quando chega a noite, não consigo dormir. Fui
ao médico, ele atestou depressão, tomei o remédio que
ele receitou apenas durante um mês. Não consigo me
dedicar à minha profissão, quando tenho que ir dar
minhas aulas parece que sinto todos os tipos de dores e
principalmente o desânimo. Também conheci uma pessoa um
pouco antes de minha irmã ficar doente. Ele é uma pessoa
totalmente insegura, diz que tem medo de mim, pois posso
“arrancar pedaços”, pode vir a me amar e tem medo disso,
porque ele corre o risco de me perder. Deixei de
acreditar nas pessoas, em mim mesma, tenho medo de
sair
de casa, de dirigir, me afastei das minhas amigas. K.
M., São Paulo – SP.
Menina, bem-aventurados os que choram, pois serão
consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de
justiça, pois serão saciados. Bem-aventurados os que
sofrem perseguição por amor à justiça, porque deles é o
reino dos Céus. Nestas palavras de Jesus, que eu copiei
de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec,
encontrei inspiração para responder sua carta, que me
comoveu pela espontaneidade. Espero, com a ajuda dos
bons amigos espirituais, que eu possa, de alguma forma,
ajudá-la.
Vamos lá. Ninguém sofre ao acaso. Nessa parte do
Evangelho, que é uma das minhas páginas preferidas, eu
encontrei explicação para todas as minhas dificuldades.
Há muitos anos, quando entrei num centro espírita pela
primeira vez, o expositor explicava justamente esse
capítulo. Eu não agüentei, desatei a chorar. Fui
carinhosamente abraçada por uma senhora idosa, muito
gentil, meiga, que me chamou de “filha”. Guardei no
fundo do meu coração aquelas palavras abençoadas:
“Filha, peça ajuda a Deus. Ele vai te atender”.
Soluçando, sufocada pelos meus problemas, segui seu
conselho, pedindo em voz alta.
Menina, você não sabe o poder de uma prece sincera.
Naquele dia, abraçada por aquela senhora tão meiga, me
senti no colo da minha avó. Pedi ajuda a Deus, sem
conseguir parar de chorar. Respeitosamente, a dona Dirce
manteve-se em silêncio. Depois que eu recobrei o fôlego,
me estendeu um lenço branquinho, de renda, com suas
iniciais gravadas, DM. O lenço foi insuficiente para
enxugar a cascata de lágrimas que eu derramei naquela
tarde. Desempregada, doente, órfã de pai e mãe, o
dinheiro minguado acabando, assediada pelo dono da
pensão onde eu morava lá no bairro do Bom Retiro, eu não
sabia mais o que fazer. Para me afligir ainda mais,
tinha perdido todos os meus documentos.
Inadvertidamente, coloquei todos os meus papéis numa
carteirinha onde escondia uma cédula que era o meu
dinheirinho de reserva. Um dia, não sei como, essa
carteira desapareceu.
Veja você o que aconteceu depois da minha prece. Uma
senhora que observava à distancia, perguntou para onde
eu ia. Eu respondi que não sabia para onde iria.
Discretamente trocou algumas palavras com a minha
providencial protetora e me levou até sua casa, um
sobrado naquele mesmo quarteirão. Querida, essa senhora
– que Deus a tenha, já desencarnou – era inspetora de
ensino. O quintal de sua casa era uma escola improvisada
onde ela dava aulas particulares para ajudar no
orçamento doméstico. Ela me passou alguns alunos e com
esse trabalho fui tocando a vida até passar num concurso
público e ser contratada pelo Estado. O falecido era o
diretor da primeira escola onde fui lecionar. Para
terminar – estou cansando você com minha história? – os
documentos que eu havia perdido, achei no dia seguinte à
minha visita ao centro espírita. Com uns trocadinhos que
a dona Laura me emprestou, fui logo cedinho tomar meu
cafezinho com bolo de fubá. Qual não foi a minha
surpresa quando o português – não me lembro o nome dele,
mas era do Porto – me perguntou com aquela entonação
típica das almas rústicas: “É da senhora?” – e me
estendeu a carteirinha desbotada, recheada com toda
minha documentação.
Bem dobradinha no meio dos papéis, lá estava a minha
notinha, toda a minha fortuna. Foi demais para o meu
coração. Tudo isso que eu escrevi, minha linda, é para
você acreditar que eu sei o que você está passado.
Recomendo a você, hoje mesmo, procurar um centro
espírita. Foi assim que eu comecei a dar um jeito na
minha vida. Descobri que é possível afastar as más
influências espirituais que nos impedem de enxergar
melhor a luz no fim do túnel. Geralmente nessa primeira
visita, os freqüentadores são convidados para uma
entrevista de orientação e encaminhamento. Explique o
que está acontecendo, abra seu coração. Exponha suas
dificuldades, seja sincera. Se sentir vontade de chorar,
não segure as lágrimas. Não é a primeira vez que eu faço
uma recomendação como essa. Siga direitinho o que for
indicado para o seu caso. Não falte nas sessões de
assistência espiritual. Se você agir assim, com
determinação, sua vida vai mudar. Acredite nisso.
Com relação à sua relação amorosa, alguma coisa está
muito errada. Se ele têm medo de você, ou ele é fraco
demais ou você está sendo muito agressiva. Ou, quem
sabe, as duas coisas estão acontecendo ao mesmo tempo.
Não vejo muito futuro nessa união. Mas, sempre vale uma
tentativa. Depois que se sentir mais segura, chame o
rapaz para conversar. Ele está precisando ouvir uma
sincera declaração de amor, tipo “Eu te adoro!” (se for
verdade, é claro) em voz bem alta, um sorriso lindo
estampado em seu rosto. Não há homem tímido que resista.
Esse tipo de atitude, assim, de repente, derrete até o
coração do homem de lata, aquele personagem do filme “O
mágico de Oz”, com a Shirley Temple; acho que você não
conhece, não é da sua encarnação. As tempestades da vida
também passam, e, depois delas, costumam aparecer os
arco-íris da bonança. Não é somente nos filmes de
antigamente que isso acontece.
Para
terminar, minha querida sobrinha, faça uma prece e abra
o Evangelho. Leia um trecho dessa lição em voz alta.
Lembre-se, menina, que o melhor guia da humanidade é
Jesus. Ele nos responde por intermédio do seu Evangelho,
porque ele é o caminho, a verdade e a vida. Quero, bem
depressinha, receber notícias suas. Se precisar de
alguma coisa, escreva. Não sou meiga como aquelas
mulheres que me ajudaram um dia, a dona Dirce e a dona
Laura, mas não vou decepcioná-la. Beijos da tia.

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INFIDELIDADE E RACISMO -
Tia Helena, será que a senhora e os seus guias podem me
ajudar?
Não sei por que ainda
estou viva. Na minha família não me dou bem com ninguém,
meu pai me odeia e fala isso abertamente, minha mãe
sempre está do lado dos meus irmãos e eles não gostam de
mim. Mas o pior é o meu namorado. Já estou com esse cara
a um tempão. No começo ele me ajudava, sempre dizia que
me adorava, cuidava de mim. Agora nem para o sexo ele me
procura. Não fala comigo, sempre tem outras ocupações.
Desde que eu o conheci ele nunca me apresentou para os
amigos ou família dele. Quando alguém nos via junto ele
sempre despistava. Acho que ele tem vergonha de mim. Eu
sou filha de negra e ele é tão branquinho que parece
leite. Hoje ele me trata com tanta frieza. Não tive
forças de ir embora ainda mas agora que estou muito
triste tenho vontade de ir embora, abandonar tudo, ir
para o meio do mato, outras horas penso que se me matar
ninguém vai perceber e talvez seja a solução, outras
vezes penso em cair no mundo (tenho certeza que ele já
me traiu, eu já o peguei na mentira muitas vezes). Por
que eu tenho que sofrer tanto assim, porque ninguém me
ama? Me ajude eu só tive coragem de falar tudo isso
porque nunca vou conhecer a senhora. A. S., São Paulo –
SP.
Minha sobrinha o que é isso? O que está acontecendo?
Vamos com calma, que tudo pode mudar. Eu sou espírita,
acredito em Deus, em Jesus e no meu mentor, esse anjo da
guarda que me acompanha há tantos anos. Para tudo há uma
razão, não há efeito sem causa. Sendo assim, vamos
esfriar a cabeça e pensar juntas. Antes de mais nada,
sua saúde está ótima, o que já é uma grande benção. Em
segundo lugar, você não está passando fome nem morando
debaixo da ponte. Reside com os pais, tem irmãos e até
está namorando. Gostaria de lembrá-la de que devemos
agradecer tudo aquilo que temos para merecermos o que
desejamos alcançar. Nos revoltando com o que está em
nossas mãos, perdemos a oportunidade de crescer
espiritualmente. Diante do que não podemos mudar,
devemos nos resignar.
Algumas coisas em sua vida você não pode mudar. Uma
delas é a cor de sua pele. Você diz que é filha de
negra. E qual é o problema? Nós somos espíritos e os
espíritos são todos iguais, não tem sexo, muito menos se
diferenciam por caracteres raciais. Até eu mesma
gostaria de ser mais moreninha para chamar a atenção...
Não pense mal de mim, sobrinha. Sou viúva, posso me
permitir esses devaneios. A mulher negra, hoje em dia,
valoriza sua beleza natural e se destaca. Se o seu
namorado é um branquinho azedo, problema dele. Se ele
está com você é porque deve gostar de café com leite. Só
está faltando adoçar essa mistura.
Assuma sua moreneza, minha filha. Não há motivo nenhum
para você se envergonhar de sua raça, seus ancestrais
foram guerreiros valentes, acreditavam em Deus, se
comunicavam com os espíritos, conheciam tão bem a
natureza que se curavam com ervas e raízes medicinais.
Valorize seu lado afro e vá em frente. Pare com isso de
escova definitiva, amaciamento, use um corte que
destaque seu rosto.
De acordo com sua carta, no inicio de seu relacionamento
o namoro andava às mil maravilhas. Depois, tudo
desandou. O que aconteceu nesse meio tempo? Não é
possível que ele tenha mudado sem razão. O que
aconteceu? Pense bem antes de responder. O
relacionamento amoroso é uma troca. É preciso retribuir
o carinho que recebemos. Ele dizia que a adorava,
preocupava-se com você. Qual era sua retribuição? Vocês
continuam juntos, mas não estão se relacionando. Segundo
suas palavras, ele não procura por você. Se Maomé não
vai à montanha, já sabe, a montanha vai até Maomé...
Coragem, minha filha. Quem quer, vai. Desça do salto,
para que tanto orgulho? Diga que sente falta dos seus
carinhos. Convide-o para sair, faça um programa
diferente. Mude o seu perfume. Uma dessas tardes,
andando pelo shopping, recebi a amostra de um perfume
tão gostoso que não resisti. Entrei na loja e quase cai
para trás com o preço. Pensei que custasse um absurdo,
mas não era nada disso. Aproveitei e levei para uma
sobrinha que estava precisando “incentivar” o marido,
que andava um pouco “distraído”.
É claro que o perfume é só um detalhe. Mas são os
detalhes que compõem o todo. Quando nos preocupamos em
agradar quem está do nosso lado, estamos seguindo os
ensinamentos de Jesus, “amar ao próximo como a si
mesmo”. Quer ser amada? Ame, sobrinha. Quer ser
respeitada? Aprenda a entender as limitações do próximo,
mesmo porque nós também somos portadores de inúmeras
imperfeições e vícios... “Atire a primeira pedra quem
estiver sem pecado” – lembra-se dessa passagem do
Evangelho?
Procure melhorar um pouquinho seu jeito de ser. Seja
mais doce, mais paciente, mais indulgente, mais amorosa.
Tempere sua vida com umas pitadinhas de alegria, de
afetividade. Agindo assim, você vai criar um clima
favorável para resolver, de vez, o que atormenta seu
coração. Aproveite um momento favorável e puxe o assunto
para o seu lado. Pergunte o que está acontecendo. Pelo
amor de Deus, não pergunte “se ele tem outra”. Esse tipo
de pergunta simplesmente acaba com qualquer
relacionamento. Se você for delicada e falar com
franqueza, ele vai abrir o coração. É bom se preparar
para ouvir coisas desagradáveis. Explique que se sente
constrangida quando ele a rejeita diante dos outros.
Escute com paciência, não perca a calma. Espere ele
terminar, diga que vai pensar sobre o assunto, alguma
coisa assim para ganhar tempo e refletir melhor.
Geralmente nos arrependemos de atitudes tomadas no calor
dos acontecimentos. Reflita sobre os motivos que ele
apresentar – se for preciso, não se acanhe em me
escrever – para depois se posicionar.
Por favor, nem pense em “cair no mundo”. Algumas
mulheres que eu conheço caíram no mundo e não se
levantaram mais. Se um relacionamento não vai bem, não é
motivo para sair por aí se entregando por vingança. Por
sinal uma vingança bem ridícula, porque desvaloriza quem
toma esse tipo de atitude imatura e promíscua. Não deu
certo com ele? Aguarde o próximo capítulo. Eu sempre
digo para mim mesma, querida sobrinha, “o melhor está
por acontecer”. O melhor acontece naturalmente, não por
força da nossa vontade descontrolada. Cuidado, querida.
Existem tipos que farejam pessoas em desequilíbrio para
aproveitar-se delas. Resultado, o que estava ruim, pode
ficar ainda pior. Não há preservativo que nos livre das
conseqüências desse tipo de relacionamento, que vão
muito além das DST, as doenças sexualmente
transmissíveis. Aproveitando para refrescar o assunto,
eu sou de um tempo que DST significava Departamento de
Sinalização e Tráfego. Meu Deus, como o mundo mudou...
Se o falecido estivesse aqui – às vezes eu sinto a
presença dele no centro espírita – não ia gostar muito
das minhas roupinhas fashion, mas o que fazer? É
melhor uma viúva alegre do que uma deprimida pesando
para a família e a sociedade, engrossando a fila dos
hospitais públicos. Muito bem, me perdoe por esse
devaneio.
Para terminar, vamos ver a questão do relacionamento
familiar. Observe que sua mãe, seu pai e seus irmãos
fecharam questão: para eles você é uma “persona non
grata”. A raiz de todos os males que a atormentam,
querida, está em você mesma. Quantos pratinhos de louça
você lavou nos últimos tempos? Quantas roupinhas passou
para a mamãe? Quantas palavras de carinho e compreensão
dirigiu ao papai? Quantas vezes agiu como uma irmã
legal, dando uma força para os seus irmãos? É... sua
imagem familiar está bem prejudicada. Mas você sabe o
que fazer. Comece, hoje mesmo, a mudar. Participe da
vida familiar. Ajude, compreenda, colabore, sem nada
esperar em troca. Não reclame, não critique, não exija.
Essa receita é infalível.
Largar tudo para ir para o meio do mato seria uma ótima
idéia se o Tarzan realmente existisse. Mas, mesmo assim,
ainda teríamos que competir com a Jane, o que não seria
muito fácil para nós duas, não é mesmo? Eu, uma senhora
de meia-idade e você uma garota melindrosa, com mania de
perseguição, ficaríamos o resto da vida fazendo
companhia para a macaca Xita (ou é Chita?)... Vamos
tocar nossa vidinha, querida. Nem pense em suicídio.
Esse é um mal ainda maior do que o maior de todos os
problemas. Se você duvida, leia “O Céu e o Inferno” (Rio
de Janeiro: Federação Espírita Brasileira), de Allan
Kardec, e “Morri! E agora?” (São Paulo: Petit Editora),
psicografado pela Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho.
Depois você me escreve contando o que achou.
Para terminar, procure hoje mesmo uma casa espírita. Ao
lado da questão comportamental e emocional, existe o
lado espiritual. Você está precisando, com urgência, de
uma assistência espiritual. Não custa nada tentar. Tenho
certeza absoluta de que, se você perseverar e freqüentar
a reunião indicada na entrevista de orientação, sua vida
vai mudar.
Existe uma lei divina, que a maioria das pessoas
infelizmente desconhece. É a Lei de Ação e Reação. O mal
que fazemos, retorna até nós. O bem que praticamos com
desprendimento, irá nos beneficiar. Por maiores que
tenham sido os males que provocamos em outras
encarnações, podemos dar uma reviravolta em nossa vida e
nos livrar dos sofrimentos. Querida sobrinha, anote, por
favor, sua lição de casa: “O Evangelho Segundo o
Espiritismo”, quinto capítulo, “Bem-aventurados os
aflitos”. Beijos da tia. Depois me conta tudo o que
aconteceu.

|
TENDÊNCIA HOMOSSEXUAL
– Olá Tia Helena. É com grande peso no coração que
recorro aos seus consentimentos. Tenho dezoito anos de
idade e desde os treze tenho certeza dessa opção, e
comecei uma vida sexual ativa aos qüatorze anos. De lá
para cá foram relações arriscadas com desconhecidos (ou
não né!). Temo estar passando por um processo obsessivo,
pois cada dia é uma luta para mim e cada noite ao dormir
peço para não acordar. O fato de não conseguir estar
cumprindo a verdadeira missão à qual meu espírito veio a
Terra para cumprir me abafa as emoções... Mesmo sendo
espírita e sabendo de tudo que estou fazendo acho que
muitas vezes prefiro me esconder e deixar a vida me
levar. Este ano entrei na faculdade, junto com ela
vieram várias outras coisas, novas amizades, comecei a
me entender e me aceitar melhor. Sou técnico em
administração, faço estágio na minha área e amo de
paixão o curso e trabalho perto da universidade e tenho
saúde e inteligência, mas não tenho paz de espírito.
Tudo que acontece em minha família eu fico sabendo só
depois e pra mim tanto faz, isso me deixa cada dia mais
triste. A.B., Uberaba – MG.
Meu
sobrinho querido, estou feliz com a notícia de que você
entrou na faculdade. Parabéns! Deus que o ajude a
continuar seus estudos. O melhor que você tem a fazer,
nessa idade, é estudar, entregar-se aos estudos, levar a
sério todas as matérias, pesquisar, perguntar o que não
sabe ou não entendeu, ler os livros indicados pelos
professores e juntar-se a estudantes que também desejam
progredir. Fiquei ainda mais feliz quando soube que o
curso atendeu suas expectativas, que você está
entusiasmado e deseja realmente trabalhar na área
administrativa. Muito bem, meu querido. Quem abraça a
profissão que ama tem tudo para alcançar o sucesso.
Fiquei preocupada com o seu descaso com a mamãe.
Querido, o que é isso? Pense bem. Se não fosse a mamãe,
você não estaria encarnado. Ela merece mais atenção de
sua parte. Não custa perguntar o que está acontecendo em
casa, se ela precisa de alguma coisa, como vai sua saúde
etc. As mulheres – eu que o diga – adoram ser lembradas.
Não tive filhos, mas, se os tivesse, adoraria um que me
desse um pouco de atenção e lembrasse, de vez em quando,
de sua mãezinha...
Aproveito para mandar um abraço a toda essa gente boa de
Uberaba, uma das minhas cidades preferidas, onde você
reside. Se Ouro Preto é a cidade das igrejas, Uberaba é
a terra dos centros espíritas... Quanto nós devemos ao
nosso querido Chico Xavier... E por falar nele, o nosso
querido médium costumava explicar às pessoas que o
procuravam que não deviam criticar ninguém, muito menos
os homossexuais. As atitudes do próximo não nos dizem
respeito. Se Jesus não julgava, quem somos nós para
julgar?
Para surpresa de alguns, o Chico dizia que é
compreensível um homem sentir admiração extremada por
outro homem. Antes de qualquer conclusão apressada de
sua parte, segundo o discípulo de Emmanuel, essa
admiração deve ser sublimada na amizade sincera e
desprendida, nunca desviada para o relacionamento
sexual... Veja, o que o Chico queria dizer – inspirado
por seu mentor – é que o amor não reconhece limites ou
fronteiras. Por amor, devemos entender a afetividade
pura e sincera. O mesmo amor que Jesus dedicou à
humanidade quando encarnado entre nós – “Amar ao próximo
como a si mesmo”.
Na sua carta, você deixa bem claro que sente atração
física por outros homens, mas está questionando essa
tendência. Na condição de espírita, você sabe que os
espíritos não tem sexo, como nós, encarnados, o
entendemos. Os impulsos da alma – ativos ou passivos –
se manifestam por intermédio dos órgãos sexuais. Os
espíritos encarnam como homens ou mulheres, segundo suas
necessidades de evolução. Devem conhecer e experimentar
a vivência no corpo feminino e masculino. Se estamos num
corpo feminino, é evidente que nossa missão está no
exercício da sensibilidade, da maternidade, do amparo à
família. Nos tempos atuais, a mulher é mais ativa,
colabora no orçamento doméstico, exerce funções antes
privativas dos homens, mas continua mulher e feminina.
No corpo de um homem, o espírito deverá experimentar a
vivência da masculinidade, da paternidade. O progresso e a
reprodução da espécie humana depende da vivência sadia
entre homem e mulher. Compreendemos também que, no
relacionamento sexual, homem e mulher permutam fluidos,
tanto mais benéficos quanto maior for o amor e a
harmonia existente entre o casal.
Alguns espíritos que encarnaram muitas vezes em corpos
femininos, sentem dificuldade ao renascer no corpo de um
homem. Ainda apegados ao passado, desejam reviver
experiências que não são condizentes com sua atual
condição sexual. Deixam-se arrastar por seus impulsos e
entregam-se à realização de suas tendências mais
marcantes. Não é possível generalizar, nem todos os
casos se enquadram nessa descrição. Outras pessoas
experimentam o homossexualismo por simples curiosidade,
ou pelo desejo de alcançar outros prazeres. Há ainda
aqueles que se entregam a devaneios e são vítimas de
obsessões persistentes. Existem outras razões para a
manifestação homossexual, tais como traumas da infância,
influências marcantes recebidas na época do despertar da
sexualidade etc.
Você pede o meu “consentimento”. Quem sou eu, querido
sobrinho para consentir com suas atitudes? Me permito,
nessa modesta coluna, a pedir a você para consultar um
psicólogo espírita, que muito poderá ajudá-lo a vencer
essa depressão que vez por outra o atormenta. Sinto que
esse desejo de se relacionar com pessoas do mesmo sexo –
e até mesmo com desconhecidos – esconde, na verdade, uma
necessidade muito grande de afeto que você talvez não
tenha recebido de seus pais. Existem muitos perigos
nesses relacionamentos – e não me refiro apenas às
doenças sexualmente transmissíveis –, os quais você,
aparentemente, parece ignorar... O homossexual vive uma
fase de transição. Sofre para adaptar-se ao corpo que
ocupa, mas deverá vencer – nesta ou na próxima
encarnação –, essa resistência, assumindo a postura
sexual condizente com seu corpo físico.
No
centro espírita que você freqüenta, procure uma
assistência adequada às suas necessidades. Não se
entregue nem ao remorso nem à depressão. Considere que
os seus relacionamentos não estão contribuindo para sua
felicidade. Alguma coisa está errada e há tempo para
descobrir o que é. Você é jovem e inteligente. Tem saúde
e disposição para viver, trabalhar e estudar. Aproveite
o que Deus entregou em suas mãos e viva em paz. O que
está feito, está feito, mas é melhor repensar o amanhã.
Um abraço dessa tia que adorou sua sinceridade e que
está torcendo para você direcionar melhor sua
afetividade, um patrimônio de valor incalculável que não
deve ser distribuído ao acaso. Não se esqueça de
escrever depois, contando as novidades, quero
acompanhá-lo de perto. Beijos da tia Helena.

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HOMOSSEXUALISMO -
Depois de quatro anos juntos, descobri que a minha namorada
tem um caso com minha irmã. Eu não sei o que pensar. Gosto
muito dela, pensei que era feliz comigo, agora acontece tudo
isso. Tive vontade de acabar com as duas, mas Deus me
ajudou. Minha irmã eu sempre soube. Nunca teve namorado,
sempre andou muito apegada a suas amigas, mas não pensava
que chegaria nesse ponto. O pior: o que vão pensar de mim?
Estou escrevendo porque acho que se trata de um encosto
espiritual muito ruim. Um dia ela chegou e me falou que
gostava muito da minha irmã, mas ou eu não entendi ou ela
não falou a verdade. Nós moramos juntos, meus pais moram no
interior e não sabem de nada. Não sei o que vai ser quando
descobrirem, e agora o que eu faço? N. A., São Paulo/SP.
Nesse instante,
é preciso muita calma para não piorar ainda mais as coisas.
A primeira conquista daquele que se diz espírita é a
serenidade. A situação é constrangedora, é verdade, mas o
seu e-mail dá a entender que o mal maior que você
está sentindo é o orgulho ferido, do qual você precisa se
libertar. No 12o capítulo de “O Evangelho
Segundo o Espiritismo", "Amai os vossos inimigos”, de Allan
Kardec, está bem claro: “fazei por amar aqueles que vos
inspiram indiferença, ódio e desprezo”, “não vos esqueçais,
meus queridos filhos, que o amor aproxima-nos de Deus, e o
ódio nos afasta d’Ele”. Odiar as duas que talvez
impensadamente traíram sua confiança, não é uma atitude
cristã, nem conveniente. Violência e ódio não levam a nada.
Jesus revogou, há dois mil anos, o “olho por olho, dente por
dente”, lembra-se? Converse com elas, em particular.
Explique que sabe o que está acontecendo, que aceita essa
realidade, mas exponha – com franqueza, mas sem indignar-se
– seus sentimentos. Ouça o que elas têm a dizer, compreenda
suas razões, deixe os preconceitos de lado. É hora de
iniciar o diálogo.
Morando na mesma casa, durante tantos anos, você não
percebeu que sua namorada não era feliz? E quanto à sua
irmã? Não foi capaz perceber que ela precisava de um gesto
de carinho, de apoio, para vencer suas dificuldades? Você me
parece um estranho no seu próprio lar. As coisas não
acontecem assim, do dia para a noite. De olhos fechados para
as duas, você, nesse tempo todo, pensou apenas em si mesmo.
Agora, chorar sobre o leite derramado não vai ajudá-lo em
nada.
Homens e mulheres são iguais diante de Deus e têm os mesmos
direitos, receberam a mesma compreensão do bem e do mal e a
capacidade de progredir. Lembrar da mulher apenas na hora de
esquentar a comida, passar a roupa ou ir para a cama, é,
infelizmente, uma atitude muito comum dos homens de hoje em
dia - eu sou viúva, mas sei o que é isso. Os homens precisam
entender que somos espíritos eternos e os espíritos não tem
sexo, não “somos” mulheres, “estamos” mulheres. Isso muda um
pouco as coisas, não muda?
Veja “O Livro dos Espíritos”, questão 200: “Os espíritos têm
sexo?”. “Não como o entendeis, porque o sexo depende do
organismo físico. Existe entre eles amor e simpatia, mas
fundados na identidade dos sentimentos”. O espírito que
animou o corpo de um homem pode, em uma nova existência,
animar o de uma mulher e vice-versa: “Sim, são os mesmos
Espíritos que animam os homens e as mulheres” – questão 201.
Os espíritos encarnam como homens ou mulheres, porque não
têm sexo. Como precisam progredir em tudo, vivem num corpo
de homem e de mulher, segundo sua necessidade de
aprendizado.
Muitos espíritos, que se fixaram, em várias encarnações, na
masculinidade, poderão, eventualmente, sentir dificuldade ao
reencarnar num corpo feminino. Essa resistência, que não é
uma regra, exige do espírito perseverança e determinação
para ser vencida. Se é por intermédio do sexo que nos
reproduzimos, perpetuando a espécie humana, depreende-se que
a ligação homossexual não é produtiva e nem atende as leis
divinas. Não devemos condenar o homossexual, mas entender
que ele atravessa uma fase de adaptação, uma instância
intermediária que o levará – nesta ou em próxima encarnação
– a assumir a legítima sexualidade à qual deverá
experimentar.
Meu querido sobrinho, imagine encontrar – você que hoje é um
homem – um grande amor do passado, vivência de encarnações
anteriores, no corpo de outro homem... Percebe o que estou
sugerindo? Se os espíritos se alternam na vivência do sexo,
essa é uma possibilidade mais do que plausível. Espíritos
que juraram eterno amor, firmaram essa adoração em várias
encarnações, durante as quais se relacionaram intensamente,
sentem uma forte atração ao se reencontrarem. Por vezes,
nessa situação, muitas pessoas não reconhecem as fronteiras
da sexualidade e dão vazão às suas paixões... Não vamos nos
atrever a julgá-las, porque não sabemos o que o destino nos
reserva.
Não estou fazendo apologia da permissividade, muito pelo
contrário, mas, simplesmente, lembrando os desafios que
precisamos vencer para evoluir na manifestação dos impulsos
sexuais, que devem ser sublimados mas que não serão
modificados sem que nos empenhemos nesse sentido. Jesus
recomenda não condenarmos o próximo. Se cada um é dono do
seu próprio destino, quem somos nós para julgar sua irmã ou
sua namorada? Não sabemos o passado desses espíritos, sequer
imaginamos o que necessitam vivenciar para vencer suas
expiações e provas. Vamos orar por eles, pedir a Deus que
ilumine seus corações. É o que nos cabe sugerir nesse
momento. Quanto à tendência homossexual de sua irmã, você dá
a entender que esse fato era do seu conhecimento – embora
nada tenha feito para compreendê-la e ajudá-la. À distância,
percebo nas duas, almas afins, entregues à solidão, que, de
repente, encontraram escora uma nos braços da outra. Será
que sua omissão não empurrou uma para a outra? Eu sinto
muito, mas tenho que lembrá-lo disso.
Não se entregue ao sofrimento nem ao orgulho. Quer uma
sugestão? Peça uma chance à sua namorada. Reconheça seus
erros, modifique seu comportamento, seja mais carinhoso. Com
franqueza, assuma sua parte no que aconteceu. Quanto à sua
irmã, abra seu coração, revele seus sentimentos, diga a ela
o quanto a ama e que deseja ajudá-la a vencer suas
dificuldades, sejam quais forem.
Ligações
como essa, em muitos casos, são apenas reencontros do
passado que se apagam com a mesma intensidade que se
acenderam. Não se entregue diante do que aconteceu.
Lembre-se de que o verdadeiro amor é uma força muito grande,
capaz de vencer as barreiras que, vez por outra, se
interpõem entre dois corações. Se o desdobrar dos
acontecimentos exigir que seus pais tomem conhecimento de
tudo, delegue essa incumbência à sua irmã. Não perca suas
esperanças, confie em Deus e faça sua parte. Escreva quando
puder, quero acompanhar essa novela de perto. Beijos da tia
Helena e recomendações às meninas.
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