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  Crianças índigo

VALDENIZA SIRE SAVINO

A natureza da criança tem mudado muito nas últimas décadas. Hoje, precisamos nos esforçar mais para ensinar aos nossos filhos. Percebemos que, a cada dia, esses conhecimentos são assimilados com maior dificuldade por aqueles a quem amamos tanto.
O tempo que dedicamos a eles também foi significativamente reduzido. Cumprimos jornadas de trabalho cada vez maiores e ainda levamos serviço para fazer em casa. Esse é o dia-a-dia de muitos casais, que delegam a educação dos filhos a creches e escolas, a parentes próximos ou mesmo a profissionais contratados, quando dispõem de recursos para tanto. A conseqüência desse distanciamento tem sido o comprometimento da união familiar.
Paralelamente a essas considerações, soma-se uma ocorrência que, longe de ser fruto de nossa imaginação, é uma realidade inegável: uma nova geração está vindo ao mundo. São crianças que apresentam um comportamento ainda não classificado pela psicologia. Na sua quase totalidade, essas crianças e jovens – chamados de índigos – além da ausência dos pais, ainda sofrem a incompreensão daqueles que as rodeiam, os quais ignoram as necessidades próprias de seu estágio evolutivo.
Muitas vezes rebeldes, os índigos são geralmente contestadores ao extremo, indiferentes à autoridade. Aqueles que os receberam em seus lares ou que convivem com essas crianças sabem do que estamos falando.
Então você pode indagar:
O que isso quer dizer? O que tem de especial?
Para iniciar vamos recorrer à Gênese, livro que faz parte das Obras Básicas da Doutrina Espírita codificado por Allan Kardec.  No capítulo dezoito, os Espíritos nos dizem o seguinte:
“A Terra não terá de transformar-se por meio de um cataclisma que aniquile de súbito uma geração. A atual desaparecerá gradualmente e a nova lhe sucederá do mesmo modo, sem que haja mudança alguma na ordem natural das coisas. Tudo, pois, se processará exteriormente, com sói acontecer, com a única, mas capital diferença de que uma parte dos Espíritos que encarnavam na Terra aí não mais tornará a encarnar. Em cada criança que nascer, em vez de um espírito atrasado e inclinado ao mal, que antes nela encarnaria, virá um espírito mais adiantado e propenso ao bem”.
A marcha do progresso tem sido acelerada. Como falta ao homem equilíbrio necessário para incorporar tantas transformações ao seu modo de viver, observamos, em paralelo a esse crescimento da tecnologia, o desrespeito à natureza e ao próximo. No Ocidente, onde o conhecimento da vida espiritual ainda não é disseminado, isso aconteceu de forma mais acentuada, provocando tantos desequilíbrios sociais. Neste início de século, estamos diante de grandes transformações que se fazem sentir e que abalam convicções solidamente arraigadas. Não obstante a largueza de recursos tecnológicos, a farta disponibilidade de dados e informações, e vasta bibliografia científica, o preconceito ainda fala mais alto. Cada vez que ocorre um determinado fenômeno que desafia os padrões estabelecidos, exigindo pesquisa e análise criteriosa, na maioria das vezes, a questão, se não descamba para o terreno do maravilhoso, do sobrenatural, ao sabor de multidões de místicos que se alimentam de fantasias, é rechaçada por quem se apresta a tirar conclusões apressadas, desconsiderando a necessidade de aprofundar sua apreciação. Existem aqueles que de outra forma, recusam-se mesmo a considerar a realidade que está a um palmo dos seus olhos. Fazem vista grossa àquilo que não se enquadra nos seus conhecimentos acadêmicos ou está fora do alcance de sua cultura. Esse é justamente, o caso das crianças índigo. Tudo parece indicar que os índigos são os herdeiros de um mundo novo, previsto nas profecias de várias religiões. Assim chamadas pela irradiação azulada de sua aura, essas crianças não são necessariamente superdotados e nem espíritos superiores. São, na verdade, espíritos que encarnam nesse momento de transição, predispostos ao bem e preparados na espiritualidade para construir um mundo melhor. Possuidoras de percepções que as tornam mais sensíveis às influências hostis do meio ambiente, encontram dificuldades para conviver com aqueles que as cercam, os quais resistem em aceitá-las como são: autênticas, diretas, corajosas e determinadas.  Sentindo-se ameaçada em seus antigos valores - aos quais os índigos não se submetem sem resistência – a sociedade rejeita essas criaturas que fogem dos seus padrões de “normalidade”. Em muitos casos, esse caráter indomável é debelado com o uso de drogas e métodos coercitivos que causam, por vezes, dificuldades ainda maiores.
A esta altura da nossa exposição você pode perguntar:
Quando começou a aparecer essas crianças?
Você disse que são chamadas de índigos por causa da irradiação azulada de sua aura. Mas quem foi que descobriu isso?
Quais são as características desses seres através das quais podem ser identificados?
Existe um farto material na Internet sobre Índigos, porém nós vamos direcionar nossa conversação aqui, baseando-nos em dois livros editados pela Butterfly Editora - SP:
"Crianças índigo”, de autoria de Lee Carroll e Jan Tober  - 2005;
”Educando crianças índigo”, de autoria do doutor Egídio Vecchio - 2006.
Segundo consta, a primeira pessoa a identificar e escrever a respeito do fenômeno índigo foi Nancy Ann Tappe, parapsicóloga e estudiosa da aura humana e suas cores. Ao ser entrevistada por Jan Tober e questionada por que as designou índigo, respondeu:
“Eu as chamo de índigo porque essa é a cor que vejo ao redor deles”. Apesar de ter feito seus estudos a partir de 1980, segundo Nancy, essa cor já existia nos anos 70, então isso quer dizer que atualmente também temos adultos índigos. Pela minha prática profissional confirmo essa informação, pois já atendi e atendo não só crianças, mas adolescentes, jovens e até adultos índigo.
Foi Nancy também quem os diferenciou por tipos, classificou-os em quatro de acordo com o tipo de missão:
HUMANISTAS: são do tipo que trabalha com as massas. Serão os médicos, advogados, professores, vendedores, executivos e políticos de amanhã, hiperativos e extremamente sociáveis, conversam com todos, são sempre muito simpáticos e têm opinião própria. Podem agir de maneira estranha, pois sendo hiperativos acabam às vezes batendo contra uma parede, por exemplo, por se esquecer de parar. Não conseguem brincar com um brinquedo apenas. Têm de tirar todos do armário, nem que seja só para ficar olhando para eles. São do tipo que precisa ser constantemente lembrado de seus deveres, como organizar seu quarto, pois são capazes de iniciar a limpeza, mas, ao verem um livro, sentam-se para ler, ficam completamente distraídos e se esquecem do que estavam fazendo. Aliás, os humanistas são leitores vorazes.
CONCEITUAIS: interessam-se mais por projetos do que por pessoas. Serão os engenheiros, arquitetos, designers, astronautas, pilotos e oficiais militares do futuro. São normalmente crianças de porte grande e atlético. Tendem a controlar situações e pessoas, especialmente suas mães, se forem meninos e seus pais, se forem meninas. E quando conseguem, podem ter grandes problemas. Esse tipo de índigo tem propensão ao vício, especialmente em drogas durante a adolescência. Os pais precisam monitorar de perto o comportamento desse tipo de criança, especialmente quando parecem estar tentando esconder alguma coisa. Quando dizem “não quero que entrem em meu quarto” é porque há algo errado.
ARTÍSTICOS: costumam ser mais sensíveis e mais acanhados em estatura do que os outros tipos. São muito criativos e serão provavelmente professores ou artistas. Tudo o que fazem envolve criatividade. Se estudam medicina, por exemplo, podem acabar  sendo cirurgiões ou pesquisadores. Quando decidem estudar teatro, tornam-se excelentes atores. Entre o quatro e dez anos de idade, costumam se interessar pelos mais diferentes tipos de artes, mas apenas por cinco ou dez minutos, deixando-os de lado para procurar outros. Portanto, é aconselhável que as mães desse tipo de índigo que gosta de música, que  nunca compre  instrumentos para eles, mas sim alugue. Eles podem tocar cinco ou seis tipos diferentes, mas somente na adolescência irão se decidir e se especializar em um deles.
INTERDIMENSIONAIS: são fisicamente mais desenvolvidos que os outros índigos e já aos dois anos respondem a tudo dizendo: “Eu sei e posso fazer sozinho. Deixe-me em paz”. Trarão novas filosofias e religiões ao mundo. Podem ser briguentos por causa de seu tamanho e por não se encaixarem na sociedade como outros tipos.
O doutor Egídio Vecchio, no seu trabalho de pesquisa e prática com os Índigos, cria o tipo Multidimensional orientando a não confundi-lo com o Interdimensional:
“Gostam de filosofia acerca do cosmo, revelam tendência para a espiritualidade, vivem com a sensação de não pertencerem a esse mundo, buscam por si mesmos sua relação com Deus. Com alguma freqüência, quando crianças, expressam que enxergam seres do Além como anjos, parentes falecidos, etc. Apresentam apuradíssimo censo de justiça. Mesmo quando crianças, constituem-se em corajosos defensores dos menos capacitados, seja física, seja psiquicamente. Precocemente se constituem em líderes. Manifestam energia catalisadora, facilidade para mudar de casa, de trabalho, de um lugar a outro. Tendência para relacionamentos pouco duradouros se não forem de índole espiritual.
Possíveis profissões: terapeuta espiritual, terapeuta holístico, escritor voltado para a nova era.”
Doutor Egídio denomina os tipos de biótipos devido à hipótese organicista formulada por ele. Adverte que não encontraremos um biótipo puro. “Encontramos, sim, biótipos mesclados, porém com a predominância de um deles”.
Antes de falar sobre as características dos índigos, quero esclarecer que o trabalho do doutor Egídio é uma pesquisa realizada aqui no Brasil iniciada há aproximadamente oito anos atrás. Ele conheceu o trabalho de Lee Carroll/ Jan Tober, porém formulou o seu próprio estilo de trabalho. O livro "Educando Crianças Índigo" (São Paulo: Butterfly Editora) apresenta essa pesquisa para que possamos tomar conhecimento, analisá-la, implantá-la (na medida do possível) e validá-la.
Não está fechada e nem contém a verdade absoluta. O doutor Egídio era argentino radicado no Brasil, psicólogo, psicopedagogo, pesquisador, professor universitário, palestrante e escritor com várias obras publicadas, residia em Porto Alegre (RS). Atendia crianças e adolescentes índigos no Instituto Portal do Índigo.
Foi o responsável pela introdução da Análise Transacional no Brasil.
Por meio de seu trabalho, identificou cento e trinta e quatro características, das quais citarei algumas:
- Estão sempre alegres;
- Vivem no aqui e no agora;
- Não existem conflitos entre o que pensam e o que sentem;
- Surpreendem com comentários sobre o Além;
- Não mostram medo, se não foram programados por modelos familiares ou originários da TV;
- Não aceitam autoritarismo;
- Somatizam facilmente por causa de sua sensibilidade;
- Não gostam de sentir-se manipulados;
- Aprendem rápido e depois se entediam nas aulas;
- Manifestam tendências espirituais, não necessariamente religiosas;
- Freqüentemente são conselheiros dos pais;
- Alguns manifestam, ainda na infância, que sua missão é trazer a paz;
- Nos surpreendem perguntando o que estamos pensando;
- São líderes naturais, espontâneos;
- Sofrem muito, muito quando os pais brigam;
- Sentem-se estrangeiros na Terra, principalmente durante a adolescência;
- Não têm problemas de auto-estima;
- Não gostam que os obriguem, por exemplo, a cumprimentar determinadas pessoas;
- Não dão voltas, manifestam diretamente o que querem e o que sentem;
- São altamente humanitários;
- Apreciam os desafios;
- Não aceitam bem os sermões dos outros;
- Aceitam ordens, se as considerarem razoáveis;
- Às vezes se recusam a fazer provas escritas, preferem fazer verbalmente etc.
Comentamos aqui, que os índigos são hiperativos, porém, isto não quer dizer que configurem o TDAH (Transtorno de Deficit de Atenção com Hiperatividade). Embora estejam sendo muito confundidos com esse transtorno, os índigos não apresentam dificuldades de aprendizagem. Quando são assim diagnosticados e passam a consumir Ritalina, acabam sofrendo vários efeitos colaterais.
Prosseguindo, o doutor Egídio procura desfazer alguns mitos, que, segundo faz questão de afirmar, “não são compatíveis com as crianças índigo”. “Muitas fantasias estão sendo divulgadas sobre a natureza e o comportamento dos índigos, para as quais não existe nenhum fundamento:
- Os índigos são os heróis e salvadores da humanidade;
- São superdotados (sempre);
- São portadores de todas as inteligências múltiplas;
- São dotados de visão holística e até holográfica ;
- São reservados nas manifestações de afeto;
- Sentem-se as ovelhas negras da família;
- São frios ou indiferentes (apresentam, na verdade, muito equilíbrio, graças ao uso dos três lados do cérebro);
- São fracos (ao invés, são dotados de afetividade visceral);
- São arrogantes (ao contrário, são dóceis, firmes, e não arrogantes);
- Podem ver o campo magnético, a aura das pessoas.
O doutor Egídio também enfatiza no seu trabalho que a educação é de responsabilidade dos pais e não da escola, que é co-participativa no processo de formação. A escola transmite conhecimento, é responsável pela instrução, porém, a formação dos princípios morais é atribuição da família. Devido às necessidades de adaptação em relação aos índigos, ele cita na página 31 da referida obra:
“Se os antigos paradigmas educacionais davam algum resultado, no que diz respeito aos índigos devem ser abandonados e substituídos por um novo sistema de entendimento. Esse novo sistema requer grandes mudanças na mentalidade de pais e professores. Em resumo:
- O índigo precisa aceitar que é um ser diferente dos demais;
- Para desenvolver-se, necessita estar rodeado por familiares que compreendam que é diferente e o apóiem no seu desenvolvimento;
- Na escola precisa da mesma aceitação e do mesmo apoio. Por isso propomos a Pedagogia de Valores como o sistema mais apropriado para o seu desenvolvimento;
- De nada adiantará insistir nos antigos paradigmas, que usavam autoritarismo, penalidades etc;
- Nas primeiras etapas de sua vida, principalmente durante os primeiros sete anos, decide basicamente se aceita ou não sua condição;
- Não pode desenvolver seu potencial apenas por si mesmo. Necessita da parceria de pais e professores que se adaptem à sua condição atípica, em lugar de, como acontece freqüentemente, pretender adaptá-la a uma educação voltada aos que não possuem os mesmos recursos de que os índigos dispõem.
Mencionamos aqui a Pedagogia de Valores.
Você deve estar se perguntando:
O que é isso?
Essa pedagogia é baseada na Paidosofia que ensina que o objetivo da Educação é a conduta humana em sua inter-relação.
Em relação a isso doutor Egídio nos diz o seguinte:
“A aplicação didática da Pedagogia que estou propondo neste livro (...) exige o conhecimento dos valores que especifico a seguir. Esse ensinamento e sua prática foram adquiridos ao longo de anos de estudo, pesquisas e trabalho com índigos, experimentados da forma descrita em seguida.
Do valor Justiça outros 27 valores complementares se derivam” assim como: Deus, ordem, liberdade,equilíbrio, auto-estima, sabedoria, tolerância, segurança, família, tempo, confraternidade, solidariedade, cooperação etc.
Esta pedagogia não tem por objetivo substituir a que normalmente se tem na escola; entendo ser a sua aplicação necessária para estimular nos índigos e creio que também nos não índigos as aptidões voltadas para o desenvolvimento das suas virtudes.
No livro de Egídio Vecchio, encontramos ainda vários questionários, que sendo utilizados, na presença de um profissional que saiba manuseá-los, pode auxiliar, e muito, a identificação se o seu filho é realmente um índigo, além das relações familiares cujos mandatos se perpetuam nos filhos através das condutas parentais positivas e negativas, além disso, consta também questionários sobre as inteligências múltiplas e os quatro tipos de temperamento tão bem esclarecidos pela pedagogia Waldorf.
Você poderá perguntar agora:
Existe escola preparada para atender aos índigos?
A resposta por enquanto ainda é não. Há que se fazer à conscientização do sistema de ensino, familiar, do sistema de saúde e de todos os que de uma forma ou de outra estejam envolvidos com essas crianças que são os agentes de transformação que estão por aqui para provocar as mudanças necessárias em todas as áreas como pudemos perceber no início da nossa conversa.
O que aqui expusemos é apenas uma pálida idéia do que há por fazer...


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VALDENIZA SIRE SAVINO, psicóloga clínica licenciada em pedagogia, expositora espírita e diretora de ensino e psicologia do Centro Espírita Elos de Amor e também da assistência psicológica do Grupo Espírita Geam, ambos localizados na Zona Norte da cidade de São Paulo. Contato: valdenizasavino@terra.com.br, Rua Força Pública, 22 (Santana), São Paulo/SP  CEP 02012-80, telefone (11) 6221-0198.


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