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Por longos séculos
subestimamos a natureza, aproveitamos todos os seus
recursos, sem nada, ou quase nada oferecer em troca,
foi uma relação unilateral, onde exploramos com
ímpeto suas benesses a pretexto de progresso.
Na questão social, por egoísmo alimentamos uma
sociedade voltada à satisfação de nossos desejos,
criando uma massa de excluídos, que como a natureza,
agora também se rebela contra nós, pagando nossa
indiferença com a lamentável moeda da violência.
Somos, pois, forçados a reconstruir nossa sociedade,
não apenas ofertando o que está “sobrando em nossas
mesas”, mas criando mecanismos para que essas
pessoas se tornem autônomas e independentes, podendo
assim, seguir seu caminho, em paz.
Com relação à natureza, nos vemos na necessidade de
lhe restituir o que tiramos desmedidamente. É como
diz o ditado popular: “Um dia da caça, outro do
caçador”. Nada mais é do que a lei de causa e efeito
funcionando de maneira perfeita e justa, o abuso de
hoje fatalmente desemboca na escassez do amanhã.
Muitos equivocadamente julgam que a rebelião da
natureza é punição divina. Nada disso, ao contrário,
a rebelião da natureza trata-se de educação divina,
porque o que ocorre é de fato um educar nossas ações
em torno de uma postura saudável para com o meio
onde vivemos.
Essa questão do respeito ao meio onde vivemos é
ampla, e vai além de apenas respeitar o habitat
natural. Não jogar lixos nas ruas, não poluir os
rios, não misturar lixo orgânico com reciclado se
constitui no que apenas não devemos fazer. No
momento, agir é imperioso, ou seja, além de não
agredir o habitat natural, precisamos restituir, e
de certa forma, “reconstruir a natureza”,
reciclando nossos hábitos.
Em “O Livro dos Espíritos”, parte 3 – capítulo 1 –
“Lei Divina ou Natural”, encontramos a famosa
questão 642, onde Kardec questiona os mentores
espirituais:
"Basta não fazer o mal para ser agradável a Deus
e assegurar um futuro melhor?Não. É preciso
fazer o bem no limite de suas forças, porque cada um
responderá por todo o mal que resulte do bem que não
tiver feito."
A resposta é de uma amplitude ímpar! Fazer o bem
equivale a se movimentar, agir, trabalhar no bem em
todas as esferas de atuação que estivermos
inseridos.
Por exemplo, você costuma se preocupar com a
procedência dos produtos que adquire? Costuma
verificar se a empresa da qual você é costumeiro
cliente desenvolve produtos que respeitam o meio
ambiente? Será que pagando mais barato em
determinado produto não estamos patrocinando a mão
de obra infantil, o trabalho escravo, a poluição do
planeta e o desrespeito a nosso habitat natural?
Pesquisa realizada pelo Procon de São Paulo mostra
que 43,88% das pessoas não levam em conta se a
empresa fabricante do produto tem preocupação social
ou ambiental.
Na Europa e Estados Unidos a consciência é um pouco
maior, com 50% das pessoas afirmando que pagam até
mais caro para obter produtos de empresas que zelam
pelo social e meio ambiente.
Ah, mas a questão do preço a nível Brasil é um
problema que enfrentamos: o preço dos produtos que
trazem a responsabilidade social e ambiental
estampados em suas marcas é mais elevado do que os
produtos convencionais. Para o padrão norte
americano e europeu isso não é problema, porém, para
o Brasil é. Como fazer alguém que ganha pouco pagar
mais caro por um produto?
Só há um caminho: fazer com que os produtos com
responsabilidade social e ambiental cheguem ao
consumidor em igualdade de condições com os produtos
convencionais.
Para isso, necessitamos prestigiar as empresas que
têm a postura de respeitar o meio ambiente e
desenvolver algo pelo social. Nesse particular, por
hora, a classe um pouco mais abastada de nosso país
pode desenvolver papel fundamental. Já que há uma
tranqüilidade financeira, pode privilegiar com maior
constância as empresas que zelam pelo social e pelo
meio ambiente, esse prestígio redundará em maior
produção desses bens, e conseqüentemente sua gradual
popularização e a natural substituição dos produtos
convencionais.
Outro ponto importante é a divulgação dos produtos
que trazem uma maior preocupação com o meio
ambiente. É preciso trabalhar com afinco fazendo um
marketing eficaz em torno deles, chamando à atenção
do consumidor para os benefícios que são por eles
trazidos.
O consumidor tem de se conscientizar de que sua
preferência por produtos com responsabilidade social
e ambiental têm a força de fazer as empresas
desenvolverem políticas nesse sentido. Muitas já vêm
trabalhando para isso, porquanto, a mentalidade do
consumidor vem se ampliando, e empresas que quiserem
permanecer no mercado terão de se adequar as novas
exigências dos consumidores conscientes do papel
devem desempenhar na sociedade.
Os desmandos, o abuso de poder, o desrespeito a
natureza, só imperam porque não há manifestação do
bem. Os bons se calam, enquanto os “temporariamente
maus” são audaciosos. Os bons dizem amém, enquanto
os “temporariamente maus” agem.
Se adquirimos bens que são fruto de furto, estamos
alimentado a violência. Se adquirimos produtos de
empresas que não respeitam o meio ambiente, estamos
alimentando a poluição de nosso planeta.
Por isso, se faz mister agir, pensar na vida com uma
visão sistêmica, abrangente, porque nossa omissão
pode custar caro a nós mesmos.
Pensemos nisso.

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