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Fala-se do desemprego
e da economia estagnada em nosso país. Isto é fato
incontestável, parece mesmo que estamos com o freio
de mão puxado, todavia, larga na frente quem observa
a situação e, faz uma leitura do mercado para saber
o que pode ser feito para se ter uma vida digna nos
dias de hoje, afastando o fantasma do desemprego que
teima em assolar muitas famílias.
A economia de Serviços, por exemplo, é responsável
por mais da metade do Produto Interno Bruto (PIB)
dos países desenvolvidos, e é ainda pouco explorada
em nosso país. São diversas as razões que contribuem
para isso, contudo, vamos nos ater apenas àquelas
questões que nos interessam com mais urgência, e
que, podemos modificar, fazendo com que a economia
esquente a partir de nossas próprias iniciativas.
Citarei um fato que me fez refletir mais seriamente
em torno da questão de sermos mais criativos para
também colaborar com o crescimento nosso, de nossa
região e por conseqüência de nosso país. Na
faculdade onde estudo, foi feita uma pesquisa com os
alunos do curso de Administração de Empresas para
saber a carreira que eles iriam seguir após a
conclusão do curso. E pasmem, caro leitor, mais de
70% dos alunos do curso de Administração de
Empresas, responderam que querem prestar concursos e
tornarem-se funcionários públicos. Nada contra,
porém, se a moda pega, e 70% de nossos futuros
administradores resolverem prestar concursos
públicos, fatalmente nossa economia entrará em
colapso. Isso é até uma questão cultural: a idéia de
estabilidade e segurança que os cargos públicos
oferecem, ou nem só os cargos públicos, mas também a
questão da carteira assinada que as empresas
propiciam às pessoas, acabam por se sobrepor à
criatividade que exige empreender ou se aventurar no
setor de Serviços, onde a necessidade de criação e
atualização é imperiosa, exigindo da pessoa uma
contínua evolução de suas habilidades. É como
vulgarmente se diz: “Pinga mas não falta”. Outro
ponto interessante: os universitários brasileiros –
obviamente que há exceções -, se preparam e sonham
em trabalhar em grandes empresas, esta idéia vem
trazendo ao longo dos anos uma escassez de
empreendedorismo, e conseqüentemente, o mercado não
consegue absorver esse número de pessoas que chegam
todos os anos atrás da tão almejada vaga de emprego,
o que faz a economia estagnar e o desemprego se
manter em altas taxas. Em países desenvolvidos, como
os Estados Unidos, por exemplo, ocorre uma maior
diversidade de situações: o universitário ao se
formar, além de se preparar para trabalhar em
grandes empresas, também tende a montar seu próprio
negócio, ou ainda, comercializar seus dotes
intelectuais, enriquecendo assim o setor de
Serviços, e essa preparação faz com que se incentive
o empreendedorismo. O resultado não é difícil de
prever: em vez de ocupar um posto no já saturado
mercado de trabalho, o empreendedor colabora para
que se crie mais vagas de emprego, proporcionando à
população menos abastada, e que, pelo menos
teoricamente, têm menos acesso à informação e ao
conhecimento, maiores chances de adentrar o mercado
de trabalho. Isso certamente fortalece a economia e
quebra o círculo – desemprego – pobreza – violência
– que há muito vêm causando intranqüilidade às
pessoas.
Em Bauru, temos um clássico exemplo dos benefícios
que podem trazer o setor dos Serviços: o grupo
Nélson Paschoalotto vem crescendo, girando a
economia municipal e também regional, atuando apenas
na área de Serviços.
Eis que então um dos caminhos para nosso crescimento
pode ser esse: investir no setor de Serviços e
também no empreendedorismo dos cidadãos,
criatividade temos de sobra, basta apenas que
ousemos quebrar o paradigma de que a Carteira
Assinada é o único meio de se obter uma vida digna
que é o que merece todo ser humano. Ousadia pois, se
temos idéias e condições de executá-las, vamos
tirá-las do papel e procurar transformá-las em
caminhos seguros para muitos que por hora não têm a
mesma condição que temos, porque é assim que
construiremos uma sociedade mais ajustada e com
oportunidade de crescimento a todos.
Pensemos nisso.

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