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A educação no Brasil

WELLINGTON BALBO

A educação no Brasil agoniza, caro leitor, está ela na UTI, fraca, necessitando de ajustes urgentes. Muitos pensam que a culpa disso está na falta de investimento. Nada disso. O grande culpado desse caos é aquele que vem nos encarcerando há muito tempo: a má administração. Em 18 de março tivemos a oportunidade de acompanhar no programa Fantástico, exibido pela Rede Globo, a reportagem que mostra 500 milhões de dólares gastos em locomotivas que não foram utilizadas. Por que isso ocorre? A resposta está na má administração, falta de planejamento, falta de organização.
Alguns países europeus e os Estados Unidos investem cerca de 3,5% de seu PIB (Produto Interno Bruto), na área da educação. O Brasil não está longe disso; investimos 3,4% de nosso Produto Interno Bruto na educação e sua qualidade é fraca. A desculpa então é: o Brasil precisa investir bem mais que esses países para poder chegar ao nível deles em educação. Discordo. Países com o mesmo investimento tiveram bons resultados na área da educação. A Coréia do Sul, por exemplo, investiu em educação 3,5% de seu PIB e teve excelentes resultados, a China investiu menos que o Brasil e conseguiu também bons resultados.
O cerne da questão está em nossa pouca capacidade administrativa; o dinheiro é mal investido e falta criatividade na hora das decisões.
Poderíamos, por exemplo, investir pesado em leitura. Para que nossa educação se equipare a excelência de outros países, precisamos despertar nosso povo para os benefícios que a leitura proporciona. Somos um país pouco afeito às letras, ao estudo, à pesquisa. Para se ter uma idéia dessa realidade, em uma pesquisa com 25 países no quesito “Publicação de artigos científicos”, ocupamos um modesto 23º lugar. Pouco para um país com um povo inteligente como o nosso.
A saída para uma educação de melhor qualidade pode ser barata se utilizarmos a criatividade. Levantar a auto estima dos brasileiros pode ser um atalho para a melhoria na educação, poderíamos assim balançar a bandeira de que o povo brasileiro é capaz de produzir conhecimento, tecnologia, cultura, tirando um pouco da mentalidade coletiva de que somos apenas o país do carnaval e futebol. Criou-se essa cultura, de que o Brasil é o país do carnaval e futebol, e isso contagia o brasileiro desviando-o de assuntos mais importantes. Necessitamos de um marketing pesado em torno de outras questões para despertar os brasileiros à outras realidades.
Exemplos: podemos começar banindo de nossa tradição o famoso “jeitinho brasileiro”, que costuma lograr vantagem em tudo. A bondade de fachada também podemos deixar de lado; a bondade de fachada é aquela que tudo aceita, sem questionar, ela nos transforma em alienados pouco preocupados com os destinos de nossa nação.
É com essa postura, caro leitor, que começaremos a melhorar o nível de nossa educação, e é com a modificação de nossa própria intimidade que contagiaremos nossa família, a sociedade, o país, buscando  verdadeiramente o que está explícito em nossa bandeira: “Ordem e Progresso”, nivelando por cima, pela educação, sempre.
Pensemos nisso.


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WELLINGTON BALBO é articulista espírita.

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