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Os hikikomoris são os
japoneses que não agüentam a pressão para serem bem
sucedidos na vida, preferem retirar-se da comunidade
a competir com os outros, ficam meses ou até mesmo
anos a fio enclausurados dentro do quarto sem o
menor contato com a sociedade, são pessoas em sua
maioria com idade de 16 a 30 anos e somam cerca de 1
milhão de japoneses.
Este fato me faz lembrar a história de uma família
que conheci.
O casal Paulo e Maria tiveram dois filhos com
diferença de idade de 2 anos, Rafael é o mais velho
e Jorge o mais moço.
Rafael é inteligente e perspicaz, garoto com muitas
habilidades se destaca perante ao irmão Jorge que
é um tanto tímido e tem menos facilidade para
aprender.
Os pais constantemente fazem comparações do tipo:
- Jorge, você tem que ser igual a seu irmão.
- Jorge, veja as notas que seu irmão tirou na
escola, seja aplicado como ele.
- Jorge, você e seu irmão recebem a mesma educação e
só ele é elogiado pelas pessoas.
Sem perceber, os pais criavam um hostil clima de
rivalidade entre os irmãos, alimentavam uma inútil
competição.
Rafael seguia o exemplo dos pais e fazia questão de
deixar claro ao irmão que era melhor que ele em
tudo, que os pais se orgulhavam de suas virtudes,
de sua eloqüência, de suas habilidades, Jorge por
sua vez, tornava-se cada vez mais retraído,
sentia-se inferior, cresceu com enorme dificuldade
de se relacionar, sepultou seus talentos por julgar
não possuí-los, como os hikikomoris, se escondeu do
mundo.
O contato social deve nos facultar aprendizado,
troca de experiências e não medo da sociedade e
sentimento de rejeição.
Analisando a questão sob o prisma das sucessivas
existências fica mais fácil deixarmos de estabelecer
comparações infrutíferas.
Fomos criados por Deus a partir de um momento na
eternidade, cada qual a seu tempo, portanto, temos
idades diferentes, vocações diferentes, habilidades
que não são as mesmas.
Espíritos em trânsito pela Terra damos testemunho
apenas do que já angariamos ao nosso cabedal
espiritual.
Não precisamos nos envergonhar do que não sabemos,
não necessitamos de nos menosprezar por ainda não
termos determinados dotes de cultura , de virtudes
morais, ou mesmo, patrimônios materiais, devemos
sim, procurar nosso adiantamento como espíritos
imortais.
Como estabelecer um clima de comparações se somos
tão desiguais?
É uma pena que muitos ainda queiram instituir uma
atmosfera de competição com o próximo.
É uma pena que muitos se aproveitam das habilidades
conquistadas para constranger o semelhante, para
desqualificá-lo.
Competição salutar é aquela que empreendemos com nós
mesmos, lutando por vencer nossas limitações,
buscando o conhecimento que nos livra das trevas da
ignorância, correndo para adquirir valores morais
imperecíveis, esforçando-nos para sermos melhor
hoje do que fomos ontem e amanhã do que somos hoje.
De que me adianta ser bem sucedido se não utilizo
meus recursos para impulsionar meus companheiros de
caminhada a buscar a evolução?
Quem sabe mais esta aqui para ensinar quem sabe
menos a trilhar um caminho seguro, deve ser o
companheiro que ilumina e não o adversário que
constrange e humilha.
É de suma importância que alimentemos na família, no
ambiente profissional, no recinto religioso, na
comunidade onde vivemos, a chama da cooperação que
anima sempre uma convivência fraterna.
Melhor do que competir é cooperar e aproveitar as
benesses do contato com nossos irmãos de caminhada!

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