|
Ainda o aborto e o Deputado José Genoino
- Ainda o
assunto da legalização do aborto e o pensamento do
Deputado José Genoino.
Abaixo transcrevemos o projeto de lei número 176, de
1995. Para facilitar a leitura, em tópicos colocamos
o projeto de lei, e após, a idéia central da tese do
Deputado José Genoino. Nossos comentários seguem
logo abaixo dos argumentos do Deputado José Genoino.
O artigo é longo, todavia, recomendamos ao leitor
sua observação na íntegra para que possa tirar suas
próprias conclusões.
Projeto de lei número 176, de 1995 dispõe sobre a
opção da interrupção da gravidez, o Congresso
Nacional decreta:
Artigo 1 - É livre a opção de ter ou não ter
filho, incluindo o direito de interrupção da
gravidez até 90 (noventa) dias.
Artigo 2 - Para a realização do aborto
bastará a reivindicação da gestante.
Artigo 3 - A rede hospitalar pública,
pertencente aos Governos Federal, Estaduais e/ou
Municipais, ou ainda com eles conveniada, fica
obrigada, obedecendo os termos da lei, a realizar a
prática do aborto naqueles associados que assim o
exigem.
Artigo 4 - Essa cirurgia, para eleitos de
pagamento, obedecerá aos termos do contrato firmado
entre a instituição hospitalar e os Governos
federal, Estaduais e/ou Municipais, no caso de
convênios: ou entre estes governos e o associado nos
casos em que a instituição pertença à União, aos
Estados e Municípios.
Artigo 5 - Esta lei entra em vigor na data de
sua publicação.
Artigo 6 - Revogam-se as disposições em
contrário.
Justificativa do Deputado José Genoino -
Nenhuma pessoa de bom senso é favorável ao aborto
como método anticoncepcional. Porém, dificilmente
existirá uma sociedade ideal onde a prática do
aborto se torne desnecessária. Isto porque é
improvável que a gravidez indesejada deixe de
existir. Reconhecemos o caráter polêmico que envolve
o tema, pois nele estão implicados concepções e
valores morais. Mas é inquestionável também que a
reivindicação da descriminalização do aborto se dá
sob a égide da afirmação de um direito das mulheres.
Além disso, a descriminalização do aborto envolve
hoje um problema de saúde pública.
Nossos comentários
- O Deputado José Genoino começa a expor sua tese de
forma a querer conquistar o leitor com a idéia de
que qualquer pessoa de bom senso será contra a
utilização do aborto como método anticoncepcional,
mas logo adiante já afirma que a sociedade ideal
dificilmente será erguida sem a prática do aborto,
afirmando que a gravidez indesejada dificilmente
deixará de existir. Ora, como subordinar a
construção da sociedade ideal com a prática do
aborto? A sociedade ideal será constituída através
do respeito, da fraternidade, da educação, do apoio
mútuo, da quebra dos preconceitos, e da observação
da liberdade de expressão de todos os cidadãos.
Quando os jovens resolvem iniciar sua vida sexual,
nos diz o bom senso que deve haver algumas
observâncias quanto a essa decisão, porquanto, o
iniciar da vida sexual fatalmente implica também no
risco da gravidez indesejada ou não, forçoso então
admitir que todos aqueles que iniciam suas
atividades sexuais sabem das suas conseqüências,
logo, a gravidez pode ser indesejada, porém, ninguém
desconhece sua possibilidade e conseqüências.
Direitos das mulheres - O Deputado José
Genoino faz questão de citar o “Direito das
Mulheres”, em dispor ou não do próprio corpo.
Direito este que reconhecemos legítimo, não apenas à
mulher mas ao homem também, todavia, há incoerências
nesse suposto direito. Todos sabemos que o direito
de um vai até onde começa o do outro, logo, somos
levados a concluir que a mulher ao praticar o aborto
não estará observando o direito do feto que está em
seu ventre. Simples, não há o que complicar; o sexo
é saudável, todos têm direito a uma vida sexual
sadia, todavia, tudo deve respeitar as regras, e as
regras dizem que: “Quem não se cuidar pode sim
engravidar”. Isto serve tanto ao homem como a
mulher. O melhor remédio, caro Deputado José Genoino,
é a informação, a instrução, a educação sexual.
Estas idéias quando assimiladas por todos irão além
de acabar com a gravidez indesejada, construir a
sociedade ideal que o senhor e todos nós almejamos,
porque repercutirão por gerações e gerações a
ensinar que nossas atitudes devem ser praticadas sob
a égide da responsabilidade.
O aborto não ser utilizado como método
anticoncepcional - O deputado José Genoino
afirma que o aborto não deve ser utilizado como
método anticoncepcional, porém, pede sua
legalização. Ingenuidade do parlamentar. É óbvio que
o aborto ao ser legalizado servira como método
anticoncepcional e acontecerá em profusão,
incentivando muitas mulheres a praticá-lo,
ocasionando inclusive grandes gastos ao nosso já
combalido sistema de saúde, porque conforme prevê o
artigo 2 do referido projeto de lei, bastará a
gestante solicitar a interrupção da gravidez. Fácil,
simples, “legal” e barato, porque tudo será custeado
pelo Estado.
No tópico abaixo o Deputado José Genoino expõe dados
quanto as mortes de mulheres que ocorrem ao
recorrerem as clinicas clandestinas, vejamos:
Os dados desta tragédia estão crua e friamente
expressos nas estimativas, certamente tímidas, da
Organização Mundial da Saúde. De acordo com eles,
anualmente são feitos 4 (quatro) milhões de abortos
clandestinamente no país, o que significa mais de 10
(dez) mil por dia, mais de 7 (sete) por minuto.
Desse total, cerca de 400 (quatrocentas) mil
mulheres morrem em função das complicações
ocasionadas pelas péssimas condições em que os
abortos são realizados, o que coloca o abortamento
como a quarta causa de morte para as mulheres no
Brasil. Entre as que sobrevivem, por volta de 20
(vinte) por cento ficam estéreis.
Nossos comentários
- Ora, essas mortes diminuirão ou mesmo
acabarão de conformidade que for combatida a
ignorância do povo. A ignorância, a falta de
informação, o pouco incentivo que se dá à cultura,
são as causas primordiais, não apenas dessas mortes,
como também de todas as manchas sociais que temos em
nosso país. Deputado, vamos combater a causa dessas
mortes, vamos lutar para combater a ignorância, esta
sim a causa real que impede essas mulheres de
poderem ter a tão sonhada liberdade que o senhor tão
nobremente propõe. Quantas mulheres não morrem, no
sentido abstrato e concreto da palavra ao se
depararem com as inúmeras violências, físicas,
psíquicas, sociais e ideológicas que se erguem
contra elas. Porque não combater essa violência,
Deputado, que há muito vem inibindo as mulheres de
gozarem verdadeiramente seus direitos?
O Deputado José Genoino continua a exposição de sua
tese, agora se apoiando em figuras histórias e
cientistas, vejamos:
Vejamos o que dizem os cientistas. O professor
francês François Jacob, Prêmio Nobel de Medicina e
Fisiologia, falando sobre o aborto disse o seguinte:
"Entre o ovo e o recém-nascido que dele pode surgir
não há um momento privilegiado nem etapas decisivas
conferindo de repente a dignidade de pessoa humana.
Há uma evolução progressiva, uma série de saltos, de
reações e sínteses, através das quais se forma pouco
a pouco o filhote do homem. A pessoa humana não
surge no momento preciso. Quem então teria condições
para decidir se uma gravidez pode ou não ser
interrompida? Certamente, não o biólogo e muito
menos o bispo e o juiz. Eu não vejo outras pessoas
além dos pais com direito a essa decisão". O
professor Jacques Monod, Também francês e Prêmio
Nobel de Medicina e Fisiologia, por sua vez,
declarou: "Para mim o aborto não é infanticídio.
Confundem-se há maior tempo uma certa mística e os
dados biológicos" (citados no livro "O que é o
Aborto", elaborado por Carmem Lúcia de Melo Barroso
e Maria Carneiro da Cunha).
Nossos comentários
- É bom citar que esses cientistas, não obstante o
brilhantismo de sua inteligência, erguem suas
concepções em teorias materialistas, frias e que tem
apenas o interesse de defender seus pontos de
vistas, muitas vezes eivados de preconceitos. É a
opinião deles, e não uma verdade irrefutável. Sem
contar que é fato inconteste que não têm eles a
mínima noção de que existíamos antes do nascimento
do corpo, e que continuamos a existir após a morte
biológica, portanto, uma opinião descomprometida com
uma visão mais larga da vida e suas conseqüências,
logo, recheada de equívocos e idéias parciais.
Nesse mister, já que o Deputado José Genoino, para
defender sua tese se apoiou em cientistas, também me
apoiarei em um, que além de cientista era filósofo e
pedagogo. O francês Hippolyte Léon Denizard Rivail,
em "O Livro dos Espíritos", segunda parte, capítulo
sete: “Retorno à Vida Corporal”, na questão 344,
aborda assunto concernente ao momento da união entre
Espírito e corpo:
Em que momento a alma se une ao corpo? A
união começa na concepção, mas só se completa no
instante do nascimento. No momento da concepção, o
Espírito designado para habitar determinado corpo se
liga a ele por um laço fluídico e vai aumentando
essa ligação cada vez mais, até o instante do
nascimento da criança. O grito que sai da criança
anuncia que ela se encontra entre os vivos e
servidores de Deus.
Mais adiante o professor Rivail fala abertamente
sobre o aborto, vejamos a questão 358:
O aborto provocado é um crime, qualquer que seja
a época da concepção? Há sempre crime quando se
transgride a Lei de Deus. A mãe, ou qualquer outra
pessoa, cometerá sempre um crime ao tirar a vida de
uma criança antes do seu nascimento, porque é
impedir a alma de suportar as provas das quais o
corpo devia ser o instrumento.
Recomendamos ao leitor pesquisar o capítulo da
citada obra em sua íntegra, porquanto, traz
valorosas colocações sobre as questões que aqui
debatemos. Mas vamos além, caro leitor, deixemos de
lado um pouco “Deus e sua justiça” para fincarmos
debate nas questões puramente materialistas que
propõe o Deputado José Genoino. Supondo que não
existisse vida futura e passada, que somos puramente
obras do presente, ainda assim a legalização do
aborto nos locomoverá a um retrocesso social. Por
quê? Porque legalizar o aborto será o mesmo que
alimentar a falta de compromisso das pessoas com
suas atitudes. Não nos iludamos, ninguém é ingênuo
ao ponto de não saber que ao começar sua vida sexual
não estará isento de gravidez. A legalização do
aborto poderá descomprometer as pessoas com suas
responsabilidades, o que acarretará prejuízo em
todos os segmentos da sociedade, fazendo-nos deixar
a civilização para estagiar novamente nas eras
primitivas.

Envie seu comentário para redacao@jornaldosespiritos.com com seu nome
completo, profissão, cidade, foto (opcional), título da
matéria e se autoriza a
publicação de seu endereço eletrônico (e-mail).
|