Outro dia fui
surpreendido com uma pergunta para enquete:
Você gosta de carnaval?
Respondi:
- Adoro samba , mas não gosto de carnaval.
Saliento ao leitor, não tenho absolutamente nada contra quem
gosta, não tenho a pretensão de ser o dono da verdade, nem de
apontar dedo e criticar quem aprecia, apenas expresso minha
opinião quanto a este assunto, e o prezado leitor tem
irrestrito direito de concordar ou não.
Contudo, gosto de escutar um bom samba!
Adoro cavaquinho, violão, sair com os amigos pra curtir uma boa
música, mas carnaval não é comigo.
Lembro que no carnaval de 1996 viajei para Santos com três
amigos, chegando lá ganhamos convites para pular as quatro
noites em tradicional clube da cidade, fui apenas uma noite, nas
outras três fiquei na beira da praia conversando com algumas
pessoas que fiz amizade. Não me arrependi de ter deixado de ir
ao clube.
Não acho graça em ficar pulando e batucando por quatro dias.
Se ainda fosse um só até daria pra suportar, mas quatro dias! É
demais!
O problema nem é o carnaval em si, mas a dimensão que dão a ele,
colocando-o muitas vezes como fator de relevante importância
para nossa vida.
Acho exagerado ficarmos todos esses dias em folia enquanto há
coisas mais produtivas a se fazer.
Isso sem contabilizar que em alguns lugares a festa do Momo
começa em Dezembro e se estende até dez dias depois do seu
término oficial.
E tudo que foge ao equilíbrio e descamba para o exagero não nos
faz bem.
E pensar que muitos emendam dias a fio sem aparecer no local de
sua atividade profissional para como gostam de dizer –
Aproveitar a vida!
E julgam que aproveitar a vida é gastar noites em bebedeiras,
muitas vezes regadas a drogas e sexo sem o mínimo de
comprometimento com a responsabilidade.
Várias vidas ceifadas pelo machado do desregramento!
Ok! Você pode dizer que simplesmente pula o carnaval e não se
compromete com drogas e nenhum tipo de desregramento, então,
menos mal, se é de seu gosto, tem todo direito de aproveitar.
Dirão alguns que estou sendo radical , que não é bem assim e
que o carnaval movimenta nossa economia, traz turistas, divulga
nossa cultura, chama à atenção do mundo para nosso país e cria
inúmeros empregos diretos e indiretos possibilitando a muitos a
oportunidade do ganha pão honesto.
Amigo leitor, creio que teríamos outras formas de fazer tudo
isso.
Imagine se a mídia, sociedade e demais instituições em vez de
investirem grande parte de seu tempo divulgando banalidades
dessem esse espaço para debates pacíficos em torno de idéias que
interessam a toda nação e não apenas a determinados grupos.
Quantas modificações poderíamos realizar juntos!
Chuva de idéias!
Em vez de pessoas seminuas dançando, que tal um mutirão para
reorganizar bosques que andam esquecidos pelas administrações
municipais e comunidades.
Em vez de gastarmos milhões em fantasias, que tal comprarmos
livros para distribuir as nossas crianças.
Em vez de patrocinarmos a mediocridade que tal investirmos em
talentos que não vingam por falta de oportunidade.
Bradam alguns:
- O povo precisa de diversão, o povo precisa de entretenimento,
o povo precisa de cultura!
Então, que tal oferecer ao povo algo de qualidade.
Diversão, mas diversão com qualidade, entretenimento aliado a
aprendizado.
Amigo leitor, por isso, respeito quem gosta, mas eu, não gosto
de carnaval!

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