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Criticar não resolve...

Não espere pelos outros: faça a sua parte!

WELLINGTON BALBO

Certa vez, o administrador e conceituado escritor, Stephen Kanitz, foi convidado a falar em evento a uma platéia de estudantes.
Kanitz foi o penúltimo da lista, em seu discurso mostrou pontos positivos, falou com otimismo sobre o Brasil, porém, nada alienado e, quando tocou nos pontos negativos, não ficou apenas na crítica, foi além e mostrou alternativas.
Mas como escrevemos, Kanitz foi o penúltimo a se apresentar, ainda restava um profissional da imprensa.
E este, ao falar, jogou por terra todo o discurso de Kanitz, pessimista, calcou sua palestra no deboche e na ironia, sem apresentar sequer uma alternativa para que melhoremos de fato.
A platéia, para espanto do próprio Kanitz, morria de rir, no final, o pessimista palestrante foi aplaudido de pé.
Este relato nos faz refletir em uma questão atual: as críticas. Em “O Livro dos Espíritos”, Kardec abordou com propriedade questões envolvendo as críticas que são feitas à sociedade com as seguintes perguntas formuladas aos sábios da espiritualidade:
904 -  É errado investigar e revelar os males da sociedade?
"Depende do sentimento com que se faz; se o escritor quer apenas produzir escândalo, é um prazer pessoal que procura, apresentando quadros que mostram antes um mau do que bom exemplo. Apesar de ter feito uma avaliação, como Espírito, pode ser punido por essa espécie de prazer que tem em revelar o mal."
Prossegue Kardec na questão 904 a:
904 a - Como, nesse caso, julgar a pureza das intenções e a sinceridade do escritor?
"Isso nem sempre é útil, mas, se escreve coisas boas, aproveitai-as. Se forem más, ignorai-as. É uma questão de consciência dele. Afinal, se deseja provar sua sinceridade, deve apoiar o que escreve com seu próprio exemplo."
A resposta dos Espíritos se encaixa perfeitamente no que viveu Kanitz.
Há escritores, palestrantes, enfim, pessoas, que, como dizem os Espíritos, sentem prazer em levantar o mal. Vivem de criticar, de apontar falhas, fazem chacotas inócuas com os problemas da comunidade, todavia, sequer pensam em sugerir caminhos, lamentavelmente suas fulgurantes inteligências servem apenas para mostrar sujeiras.
Muita gente vai nesse embalo e adora ler e ouvir palestrantes e colunistas que se detém em críticas sistemáticas. Essas pessoas se deleitam com notícias de corrupção, desorganização, abusos, violência. São os pessimistas de plantão, parece que até torcem para que as coisas não se acertem, apenas para que possam continuar se divertindo com os intelectuais que adoram somente mexer em lama.
Não que eu seja contra a crítica, nada disso. Mas a crítica deve ser responsável e servir para trazer a melhoria, para alertar quanto a procedimentos equivocados.
Se a crítica vem sem base sólida apenas para promover escândalos e desordens, e pior, se ao criticar não se apresentam alternativas para mudança, com toda certeza ela é inútil e ineficaz.
Criticar exige que se tenha apenas a língua ou a ponta da caneta afiada, porém, pensar em alternativas exige esforço, pesquisa, trabalho... equivale a sair do comodismo de apontar falhas, para trabalhar por soluções.
E essa crítica feroz alimenta a cultura do culpado. Vivemos em um mundo onde procura-se culpado para tudo.
A carta não chegou? Culpa do carteiro.
A economia não cresce? Culpa do governo.
O aluno não aprende? Culpa do professor.
Poderíamos pensar de outra forma: em vez de procurarmos freneticamente por culpados, quê tal pensarmos em sugerir alternativas e dar idéias para solucionar os entraves, as dificuldades? Quê tal sairmos do comodismo de apontar falhas do governo, da sociedade e mudarmos a realidade em nossa volta? Quê tal colocarmos nossa inteligência para produzir pérolas e deixar um pouco de pensar em somente levantar sujeiras?
Que nossos intelectuais, e que também nós mesmos possamos colocar nossas mentes para procurar alternativas concretas, onde a crítica vem de carona com uma alternativa para a correção, pois só assim iremos dar passos decisivos rumo à melhoria que todos nós almejamos.
Pensemos nisso.


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WELLINGTON BALBO é escritor e articulista espírita.

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