O pai abandonara a
família quando ele era ainda pequeno, a mãe, uma atriz de
comédia, teve de deixar a carreira em virtude de um grave
problema de saúde, e assim, o jovem inglês passou seus
primeiros anos de infância em um orfanato.
Todavia, apaixonado que sempre fora pela vida, alma sensível,
tirou dos orfanatos grande inspiração para sua triunfante
jornada.
Debutou nos palcos ainda criança, mais precisamente aos cinco
anos cantando Jack Jones.
Ainda jovem trabalhou no teatro interpretando Peter Pan,
Sherlock Holmes, o gato de botas...
Mas a vida do artista não era fácil e vê sua mãe Hannah ser
internada em um sanatório e seu pai morrer de alcoolismo.
Porém, tinha de continuar, tinha de fazer o povo sorrir.
A criatividade estava em suas veias e transmitir alegria era seu
ideal.
Em 1914 cria seu mais famoso personagem – Carlitos – onde tudo
era contraditório, o chapéu pequeno, os sapatos grandes, uma
bengala e um bigodinho.
Em 1915 começa a escrever e dirigir todos os seus filmes –
Carlitos se diverte, O campeão de boxe, O vagabundo...
Produz filmes inesquecíveis como Tempos Modernos, O grande
ditador, Luzes da Ribalta...
Em 1954 ganha o Prêmio Internacional da Paz.
Em 1962 recebe o título de doutor Honoris causa pela
universidade de Oxford e em 1972 recebe o Oscar de
cinematografia.
Desencarna em 1977, no dia de Natal.
Deixou ao mundo mais do que sua obra artística, deixou ao mundo
um exemplo de paixão pela vida, de sensibilidade, de garra e
amor.
Teve inúmeras dificuldades, viu seu pai desencarnar vitima de
alcoolismo, sua mãe ser internada em um sanatório e um de seus
filhos se suicidar.
No entanto, nada disso foi capaz de tirar o viço de sua
existência.
Sim amigo leitor, falo de Charles Chaplin, nascido em Londres no
ano de 1889 -, uma das figuras mais encantadoras do cinema
mundial, na acepção da palavra um apaixonado pela vida e pela
alegria.
Onde ele estava o riso explodia espontâneo alegrando corações;
despertava o senso crítico de maneira leve, através do humor,
como por exemplo no filme Tempos Modernos, onde fazia uma
critica aos costumes sociais daquela época ao mesmo tempo que
divertia o público. Assim era Charles Chaplin, um gênio da
alegria, um apaixonado pela vida.
Carlitos em sua jornada terrena deu um show de entusiasmo, de
paixão, de vivacidade...
Falemos então sobre a paixão:
Em "O Livro dos Espíritos" (São Paulo: Petit Editora), capítulo
12, Perfeição Moral, na questão 907, Kardec questiona os
Espíritos amigos e estes tratam com propriedade da questão
envolvendo a paixão, vejamos:
O princípio das paixões, sendo natural, é mau em si mesmo?
– Não. A paixão está no excesso acrescentado à vontade, já
que o princípio foi dado ao homem para o bem, e as paixões podem
levá-lo a realizar grandes coisas. É no seu abuso que está a
causa do mal.
Notável não é mesmo amigo (a) leitor (a), Kardec e a
espiritualidade tratam do assunto com impar singularidade, dando
sentido a fascinante tema.
Um sentimento bem administrado nos envolve de forma
enriquecedora, saudável...
A paixão, sem dúvida não pode faltar!
O chamado mal do século – a depressão – costuma se instalar em
coração conectado com a tristeza e a falta de perspectiva.
E para um coração deprimido nada melhor do que a paixão.
Sim, o coração deprimido precisa se apaixonar, não
necessariamente uma paixão homem e mulher, mas uma paixão que
contagia a existência, uma paixão por um ideal, por uma causa,
por um tema, por um amigo (a), por um sonho...
Muitos caem nas malhas no desânimo, entregam-se a desesperança e
tornam-se membros efetivos da academia da tristeza e reclamação.
Falta a eles paixão!
A mesma paixão que motivou Carlitos a ser uma usina de alegria,
um baluarte do entusiasmo, pode chacoalhar a poeira da depressão
e dar novo tom a existência de quem caiu nas malhas da angustia
e tristeza.
Ah, a paixão! Muitas conquistam se efetivaram através de pessoas
apaixonadas.
A paixão, quando dominada, ilumina toda a vida!
Contudo, há a outra face da moeda, e exagerando-se na dose da
paixão, ela passa de dominada a dominadora.
E quando isso ocorre, abre-se campo ao desequilíbrio.
Crimes passionais são cometidos por cônjuges que deixaram se
dominar por uma paixão doentia, exasperada.
O fanatismo, é um dos filhos da paixão em excesso, algumas
pessoas que o digam, apaixonadas exageradamente por suas idéias,
ficam bitoladas e fecham-se a novas linhas de raciocínio, por
vezes, constrangem, humilham e desprezam, apenas para fazerem
valer seus pontos de vista eivados de preconceitos.
Os workaholics (pessoas que são viciadas em trabalho), vêm
lotando consultórios médicos por exagerarem na paixão pela sua
atividade profissional, não raro, relegam família, amigos e sua
própria saúde a segundo plano por não conseguirem dominar essa
paixão doentia pela profissão.
E para complicar mais ainda, a paixão dominadora não atinge
apenas quem a possui, ela respinga em todos que estão por perto,
trazendo dor, sofrimento e tristeza a um sem número de pessoas.
Eis nossa grande tarefa, equilibrar nossos sentimentos para que
não venham eles a nos dominar e nos tornar um joguete das
paixões.
Mas como equilibrar-se?
Dando o justo valor a cada coisa.
Se sou apaixonado pelo trabalho, vou trabalhar, fazer o melhor
que posso, no entanto, quando dele me afastar, me desligar e
aproveitar para desenvolver outras habilidades.
Se me realizo escrevendo, irei escrever com paixão, porém,
tomando o cuidado para não me bitolar apenas nessa atividade.
Se sou apaixonado por minha esposa, irei aproveitar todos os
momentos a seu lado, porém, tomando o cuidado para não querer
dela me apossar e escravizá-la as minhas neuroses.
Sem quebra de etapas, sem exageros, iremos gradativamente nos
equilibrando, dando o tempero exato a nossa existência,
dominando a paixão, e assim como fez Carlitos, faremos dela
nossa aliada pela conquista dos objetivos.
Há tempo para tudo, para trabalhar, para amar, para sorrir, para
aprender, para conversar com os amigos, para brincar com os
filhos, para escrever...
Uma vida harmônica, é uma vida que une paixão e equilíbrio no
mesmo time.
Pensemos nisso!
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