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"Leon Tolstói
por ele mesmo", psicografado por Célia Xavier de Camargo,
lançamento da Petit Editora. |
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Aprendendo a repartir |
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Bruno era um menino
que pensava apenas em si mesmo. Não repartia nada com ninguém.
Quando ganhava dos avós ou dos tios algum doce, chocolate ou
balas, escondia tudo no seu armário. E tão bem fazia que ninguém
conhecia seu esconderijo, nem sua mãe. Era seu tesouro. Sabem
para quê? Para poder comer tudo depois, na hora em que estivesse
sozinho.
A mãe reprovava seu comportamento dizendo:
- Bruno, meu filho, temos que aprender a repartir o que temos
com os outros. Não podemos ser egoístas e desejar tudo para nós.
À medida que a gente dá, também recebe.
Mas o garoto respondia, mal-educado:
- Eu, hein! Se fui eu que ganhei, tudo é meu! Não abro mão.
Seus irmãozinhos menores, Breno e Bianca comiam os doces que
tinham ganho e Bruno ficava só olhando, pensando no prazer que
teria depois ao apreciar tudo sozinho no seu quarto. Porém,
Bruno ia brincar e se distraía, esquecendo que havia guardado os
presentes. E o tempo ia passando.
Um belo dia, os irmão de Bruno entraram em casa trazendo um
pacote de balas e de pirulitos cada um. Vinham contentes,
exibindo os doces que tinham ganho de um senhor que passara na
rua distribuindo guloseimas para as crianças.
Bruno, que estava dentro de casa, nada ganhou, e fez bico:
- Eu quero também! Eu quero! Dá um pouco pra mim?
Mas Breno retrucou, decidido, com a aprovação de Bianca, a
menorzinha:
- Não dou não. Você nunca reparte nada com ninguém!
Bruno, irritado e com cara de choro, respondeu:
- Egoístas! Não faz mal. Tenho muita coisa guardada. Não preciso
de nada! Vocês vão ver!
E correu para o quarto, seguido de perto pelos irmãos, curioso
de ver onde ficava o esconderijo que Bruno escondia tão
cuidadosamente e que eles nunca tinham conseguido descobrir.
Bruno abriu a porta do guarda-roupa, retirou uma gaveta e, no
fundo, num espaço vago, bem escondidinho, lá estava tudo o que
ele tinha ganho e que conservara.
Com ar de triunfo, enfiou a mão e foi retirando chocolates,
doces, bolos, balas, diante dos olhos arregalados dos pequenos.
Mas, ó surpresa! Com espanto, Bruno notou que os seus doces
estavam com aspecto muito feio: os chocolates estavam velhos, os
doces tinham se estragado, os bolos estavam azedos, as balas
meladas.
Terrivelmente decepcionado, Bruno percebeu naquele instante que,
em virtude do seu egoísmo, não repartira nada para ninguém. E,
pior que isso, constatou que ele mesmo não aproveitara as coisas
tão gostosas que lhe tinham dado com tanto carinho. Agora,
infelizmente, esta tudo estragado e teria que ser jogado no
lixo. Sentou-se na cama e, cobrindo a cabeça com as mãos,
começou a chorar.
Seus irmãos, que apesar de pequenos, tinham bom coração,
aproximaram-se dele e Breno disse:
- Não fique triste, Bruno.
E, sob seu olhar surpreso, repartiram fraternalmente com ele
tudo o que tinham ganho naquele dia.
- Eu não mereço a generosidade de vocês. Aprendi nesse momento
importante lição. Entendo agora o que mamãe quer dizer quando
afirma que à medida que a gente dá, recebe. Eu nunca dei nada e
nada mereço, mas vocês provaram que têm um bom coração. A partir
de hoje, vou procurar ser menos egoísta. Prometo!
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