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ZANGADO - Célebre personagem de Walt Disney vive de mau humor.

Mau humor é DOENÇA

Nos anos 80, a distimia foi reconhecida como doença

AMÉRICO CANHOTO (ESPECIAL PARA O JORNAL DOS ESPÍRITOS)

Fomos convidados por uma leitora a falar sobre distimia e dislexia; uma coisa por vez, nosso bate papo de hoje é sobre como ser ou deixar de ser uma "mala sem alça". Sobre dislexia fica para outro dia...

Mau humor é doença
Um transtorno mental que se manifesta por meio de uma rabugice que parece eterna. Lembra muito o estado de espírito do personagem do desenho animado: cão rabugento ou fica melhor exemplificado no Hardy Har Har, a hiena de desenho animado famosa por viver resmungando "Oh dia, oh céu, oh vida, oh azar".
Esse estado de espírito, foi rotulado de distimia e foi reconhecida pela medicina como doença nos anos 80. É uma depressão light com sintomas mais leves e, caracterizada pela pessoa chata que reclama de tudo; até se ganha na loteria, pois vai achar que todo mundo vai querer viver às suas custas.
Podemos dizer que há distimia transitória e a característica da personalidade do indivíduo – a transitória é a marca registrada de boa parte dos adolescentes. Já tentou convencer um sujeito na puberdade ou na idade da "aborrecência" (pré-puberdade) sobre seu comportamento? Qual o resultado?
Negativo, claro, pois raramente o distímico pede ajuda. Ele não se enxerga. A desculpa pela rabugice recai sempre no ambiente ao seu redor – parece que há um componente de personalidade psicopática associado ao distúrbio psíquico-emocional.
Tem gente que é mau humorado de nascença; que fique claro que não há um cromossomo que torne o sujeito assim, mas o seu espírito que se fotografa no DNA. Deu para entender?
Como estamos ainda num planeta de provas e expiações, esse transtorno mental atinge bilhões de espíritos encarnados e desencarnados e não deve ser subestimado, pois o portador corre um risco 30% maior de desenvolver obesidade, diabetes, quadros depressivos graves, consumo de álcool, outras drogas – ou vai tornar-se um obsessor de carteirinha, pois nos iludimos achando que assim acabamos com a irritação: "aborrecendo" os outros.
Sem precisar de cobaias para estatísticas, devo dizer que todos passamos alguns momentos distímicos. Pois, segundo a ciência oficial, são os que apresentam ao menos durante dois anos os sintomas de tristeza injustificada. Li dia destes que a distimia melhora com a idade, quem realizou esta estatística, publicada numa revista de ciência famosa, não percebe no dia-a-dia que o que se vê é o contrário. Ou não?
Há quanto tempo o leitor sente-se feliz e motivado? Especialmente nesta sociedade de prozacs e viagras?
Qual o critério de ser feliz ou infeliz?
Distimia é um estado de consciência ou de mídia?
Qual a chance de alguém que tem curso universitário e que não conseguirá se aposentar e que tenta há dez anos (não são dois de tolerância?) aposentar-se com um mínimo, toda vez que ouvir o nome do seu presidente que acumula quatro (por enquanto) mesmo não tendo concluído o curso médio, não ficar “irado” – não será essa outra denominação de distimia?
Há chance de cura física e espiritual?
Claro que o mau humor patológico não precisa ser eterno. Ele pode ser tratado com a ajuda de medicamentos antidepressivos associados à terapia, cuja base é a psicologia cognitiva que ensina uma nova forma de pensar; nós espíritas chamamos essa terapia de reforma íntima e evangelização ativa e aplicada.
Segundo a ciência, para certificar-se de que a rabugice é mesmo patológica, os sintomas devem persistir por, no mínimo, dois anos.
Muitas pessoas querem obter uma visão de mundo a respeito de fatos do dia a dia e da ciência segundo o Espiritismo; é preciso cuidado para não cair no achismo e pior ainda no mediunismo; pois particularmente duvido muito mais de espíritos desencarnados por mais melosos e bonzinhos que se apresentem do que de encarnados com os quais podemos trocar idéias e farpas de achismos e estudar suas posturas e reações (o corpo fala) para exercitar a arte de aceitar o outro como ele é – e quem sabe seus pontos de vista a respeito das Leis que regem a vida sejam melhores do que os nossos – ou suas palavras, os termos usados sejam mais claros para expressarem os mesmos conceitos...
Neste assunto:
Todos os desequilíbrios de qualquer tipo são problemas da evolução do espírito – nada de físico nem de bioquímico (isso é efeito e não causa). Claro que a educação e o meio em que o indivíduo foi criado e educado vai influenciar de forma muito forte – tão intensamente que pode propagar-se por várias existências. Mau humor e chatice podem ser aprendidos como tudo na vida do espírito. Pais e mestres que se cuidem, pois pequenos descuidos: grandes problemas...
Medicamentos curam?
O uso de remédios de qualquer tipo, ajudam a aliviar os sintomas, em especial, neste caso: distimia, servem como uma camisa de força para enquadrar o doente.
Vale a pena usar?
Às vezes, sim, por breve tempo; seja pelo bem estar do doente, mas principalmente pelo bem estar dos que vivem com ele, pois mesmo que seja "carma" ninguém merece determinadas "malas" abertas deixando cair todo tipo de "tranqueira" pelo caminho, é melhor às vezes amarrá-las (dopá-las) até que se dê um jeito definitivo.
Receitas?
Cada um e cada grupo têm as suas, segundo os interesses do momento, mas, algumas podem ser de uso coletivo:
Cultivar o riso franco e simples. Ouvir boa música. Fazer exercícios, pois um organismo doentio não nos deixa alegres. Praticar a caridade aprendendo a curtir a energia da gratidão; todos os mal humorados que conheci são pessoas egoístas e orgulhosas, quando não, são pessoas inúteis para o bem estar coletivo. Conviver com pessoas simples e cultivar a simplicidade é um santo remédio.
Na dúvida e na insistência em não fazer nada disso, basta chamar o Mestre Jesus o maior terapeuta que está ao nosso dispor. Mas, de novo o achismo: cuidado seus remédios são tão amorosos quanto drásticos.
Juízo moçada...


Relação de artigos de Américo Canhoto...

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Américo Marques Canhoto - Casado, pai de quatro filhos. Nasceu em Castelo de Mação, distrito de Santarém, em Portugal. Médico da família, clinica desde o ano de 1978. Hoje, atende em São Bernardo do Campo e São José do Rio Preto, Estado de São Paulo. Conheceu o Espiritismo em 1988. Recebia pacientes indicados pelo doutor Eduardo Monteiro. Depois descobriu que esse médico era um espírito.


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