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Grandes PROBLEMAS

Pais “esquecem” filho no carro e perdem a guarda

AMÉRICO CANHOTO (ESPECIAL PARA O JORNAL DOS ESPÍRITOS)

Quem avisa amigo é.
Há anos, feito Don Quixote, alerto para os problemas da educação em curso e para os problemas gerados pela aceleração e o estresse crônico; dentre eles a perda da memória, do juízo, do senso crítico e da responsabilidade; porém, às vezes, é preciso usar exemplos e acontecimentos, aos quais estaremos sujeitos, caso não criemos juízo e paremos para pensar e discutir em grupo a respeito dos interesses coletivos. Com certeza muitas pedradas mentais serão atiradas aos incautos pais da notícia na forma de críticas veladas ou ditas em alto e bom som. Cuidado – pois macaco de rabo grande só vê o do outro... Talvez essa notícia vá para a TV e seja trabalhada de forma construtiva, quem sabe? Tomara. Mas, vamos aproveitar o incidente cada vez mais comum para lançar alguns alertas. Nesta situação a respeito do descaso.
Para iniciar uma série de bate papos sobre a educação de nossas crianças vamos pegar carona nesta notícia publicada no "Diário da Região", jornal da cidade de São José do Rio Preto – interior paulista. Matéria assinada pela jornalista Ana Carolina Leal – carol.leal@diarioweb.com.br e reproduzida com fidelidade no www.yahoo.com.br de 22 de fevereiro. Não se trata de propaganda. Mas de dar crédito a quem se interessou pelo tema. Nossa sugestão aos leitores é que estimulem os profissionais da mídia a darem espaço para assuntos de tal relevância. Quantos outros artigos e matérias não podem ser trabalhados em cima desse fato – que apenas tornou-se notícia a partir da parte policial – um boletim de ocorrência, seguido de uma solicitação ao Conselho Tutelar.
Testemunhas afirmaram que os pais permaneceram em torno de 40 minutos numa loja comprando um celular e deixaram o bebê fechado dentro do carro, populares ouviram o choro da criança e a descobriram no banco de trás do carro. Um detalhe, quando depois do corre-corre os pais foram encontrados, o pai de 31 anos de idade seguiu a pessoa que os encontrou e a mãe de 18 anos de idade, demorou o suficiente para terminar a compra do tão sonhado objeto dos desejos e calmamente se dirigiu ao local, afirmando segundo testemunhas citadas na reportagem: “que o marido ia ver”...
Leiam e analisem a reportagem; tanto o relato, quanto o que foi colhido pela repórter a respeito do assunto sobre as opiniões de testemunhas. Após o boletim de ocorrência e a atuação do Conselho Tutelar a guarda da criança foi retirada dos pais e passada para os avós paternos. Vai resolver alguma coisa? Seria interessante conhecer o perfil desse pai e dessa mãe; mais importante ainda seria conhecer também a forma como foram educados, seus valores, seus objetivos de vida, seus dramas pessoais. Quem não os tem?
Nestas nossas conversas escritas, on-line ou ao vivo podemos criar um espaço para repensar como fomos educados e a forma como estamos repassando aos nossos filhos o que recebemos e o que “ancoramos” em nosso espírito como educação. Claro que cada um de nós terá suas desculpas e justificativas que aparentemente funcionam como álibi, durante certo tempo e, até determinado momento.
Quem de nós os leitores críticos desse fato tão corriqueiro nunca fez algo tão parecido ou pior?
Quem nunca delegou a função de pai ou de mãe a professores, babás, mães de leite como se chamava antigamente, pais, mães ou avós? Isso quando se trata de quem pode delegar; pois a sensação de abandono desde a gestação até os sete (discutível) anos de vida influenciam ao extremo nosso desempenho como pessoas saudáveis ou não. Mas, como sem sentem os filhos que simplesmente foram objeto de procriação? Será que se tornarão iguais ou piores? Quem se preocupa ao ouvir num desses noticiários que exploram nossas fraquezas e imbecilidades humanas, os erros que alguém cometeu? Como foram gerados, criados e educados? Que exemplos receberam; mas, não apenas da família; mas dos que visitaram sua vida: parentes, vizinhos, mestres, políticos, artistas, médicos, policiais, etc. Etc. Etc.
No projeto: "Educar para um mundo novo" que tem sua seqüência no livro “Pequenos descuidos: grandes problemas” apresentamos de forma simples e resumida os desatinos que a educação dos normais (nós – os adultos de hoje) cometemos ao infringir a maior parte das leis que o Mestre dos Mestres nos legou.
Por exemplo: resumimos um dos dez trechos abordados no escrito diretamente ligados à situação alvo da notícia:

Senso de responsabilidade dos pais
Ter filhos, não cuidar deles nem respeitá-los é uma grande gafe perante o Criador e a Lei de Progresso. Esse tipo de comportamento acarreta comprometimentos espirituais que vamos carregar durante um bom tempo, até nos dispormos a ressarcir aqueles que prejudicamos, reparando nossos erros; claro que segundo o conhecimento já disponível para cada um e naquele momento.

Os pais não são responsáveis pelos filhos, estão responsáveis
Ser é algo definitivo, estar é algo temporário. A responsabilidade definitiva é sempre do próprio indivíduo e limitada a ele no tempo e no espaço. As crianças da Geração Nova trazem consigo a consciência dessa realidade e revelam, em seus atos, a consciência disso.

Responsabilidade espelha maturidade
É comum confundirmos responsabilidade e controle. Estar responsável por alguém não é controlar ou manipular-lhe a vida. Antes de tudo, é cuidar para que possa viver as próprias experiências e que, com elas, aprenda a discernir.
Pessoas que tem sua vida controlada por outras não desenvolvem a responsabilidade por si mesmas e pelo próximo. Podem também copiar a tendência de controlar os outros, acreditando-se responsáveis por eles, um verdadeiro círculo vicioso. Desnecessária a colocação de exemplos.

Convidamos o leitor a uma reflexão profunda sobre essa questão. Controles exagerados impedem a criança de experimentar vivências que podem contribuir para o seu desenvolvimento. Protegê-las, sim, mas evitar fazê-las caminhar com nossos pés...
Quem de nós sabe a diferença real entre abandonar e super-proteger? Dentre muitos temas que envolvem as dificuldades atuais em lidarmos com os problemas gerados pela educação sem Evangelização, de fato, esse é muito importante. Mas, e se não tenho filhos? E se os meus já estão criados? Para que preocupar-me com educação, se já estou no fim da vida? Para quem já está consciente da necessidade de existências múltiplas e sucessivas: todo pré-desencarnado de hoje pode ser o renascido de amanhã – aqui ou noutra Casa do Pai...
Até a próxima.
Fui...


Relação de artigos de Américo Canhoto...

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Américo Marques Canhoto - Casado, pai de quatro filhos. Nasceu em Castelo de Mação, distrito de Santarém, em Portugal. Médico da família, clinica desde o ano de 1978. Hoje, atende em São Bernardo do Campo e São José do Rio Preto, Estado de São Paulo. Conheceu o Espiritismo em 1988. Recebia pacientes indicados pelo doutor Eduardo Monteiro. Depois descobriu que esse médico era um espírito.


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