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Estresse CRÔNICO

O estresse, o mal do século, para onde vai nos levar?

AMÉRICO CANHOTO (ESPECIAL PARA O JORNAL DOS ESPÍRITOS)

Cada um de nós lança um olhar próprio sobre os mais diferentes assuntos, no próximo sábado, dia 15 de março, falaremos sobre o "Estresse crônico, a doença do século 21", aos amigos que forem até a Casa do Consolador.

O que caracteriza o estresse crônico?
Há significativas diferenças entre nós e os outros seres vivos. Instinto, razão, emoção e sentimentos nos caracterizam – nossos companheiros de evolução planetária não conseguem a façanha de viver em perigo permanente. Nós sim. Somos capazes de fazer abstrações, de criar uma vida imaginativa povoada de sonhos, desejos, medos, angústias...
Exatamente nesse ponto: na capacidade mal conduzida de imaginar, inventar e criar, é que está a raiz do problema estresse crônico. Ele é uma ilusão mental/emocional individual e coletiva. Até aí, tudo bem. O perigo disso reside no fato de que tudo que acontece no campo da energia pode se concretizar e se materializar nesta dimensão e, o estressado crônico logo começa a trazer para o corpo sua desarmonia na forma de distúrbios do metabolismo: aumento da produção de colesterol, concentração de gordura abaixo da linha da cintura. Alterações na produção dos hormônios, especialmente aqueles diretamente relacionados com o instinto de defesa da vida: adrenalina, acetil/colina, vasopressina, cortisol, serotonina, etc.
O número de situações de estresse real a que estamos submetidos no dia a dia, é mínimo se, comparado com os episódios de estresse mental/emocional que nós mesmos criamos e alimentamos. Claro que estamos sujeitos a situações nas quais nossa vida corre risco: acidentes, ataques de animais, agressões, assaltos, etc. No entanto, essas situações são mais ou menos esporádicas e, o corpo e mente têm tempo suficiente para se recompor, até que nova situação surja.
Podemos supor que haja estresse útil e estresse inútil?
A natureza não dá ponto sem nó, a reação de estresse aguda sempre é muito útil na evolução dos seres vivos: movimento, vibração, interação. Já o estresse crônico, quase sempre é inútil e doentio; uma espécie de correr sem sair do lugar (tal e qual correr numa esteira ou pedalar numa bicicleta parada). Até é possível que as razões ou o que motivou a situação de estresse crônico, tenham lá a sua utilidade.

Exemplos de posturas habituais que criam o estresse inútil e doentio
O sujeito se esgota ao tentar controlar a vida dos outros, ou tentando manipular os acontecimentos querendo bancar “Deus”.
Os que pensam que apenas eles fazem as coisas bem feitas e trazem para si toda a responsabilidade de tarefas que podem e devem ser delegadas aos outros.
Os que centralizam toda a sua vida apenas no trabalho. Viciam-se nele e se desesperam quando são descartados ou substituídos por outros.
Os escravos da rotina que aliena.
Os apressados que querem atingir tudo de uma só vez.
Os crédulos que se deixam escravizar pelos valores transitórios criados pela mídia que a cada dia cria novos objetos do desejo.
Os que imaginam que fazer a tarefa dos outros para tornar-lhes a vida muito cômoda vai levá-los ao céu ou paraíso.
Aqueles que tentam se afirmar a qualquer preço, através da valorização do ter, possuir, aparentar.

Qual a relação entre neurose e estresse?
Antes de a rotularmos como um distúrbio psicológico ou uma doença, a condição neurótica representa um estilo de vida. Ela nos foi dada como uma herança cultural e educativa, pois aprendemos com nossos pais e as outras pessoas esse estilo de viver cuja marca registrada é o desejo e a capacidade de competir.

A forma paranóica de viver reforça o estresse crônico?
Inventar medos e alimentar a ansiedade é a especialidade de muitos e numa época onde a velocidade, a intensidade e a constância com que as informações carregadas de conteúdo capaz de criar e alimentar o medo e a ansiedade doentia chegam até nós, nos impedem de estruturar mecanismos de defesa capazes de nos proteger do clima de desastre iminente que elas trazem consigo.

O estresse vicia?
Na fase de baixa ou de depressão orgânica do estresse todo mundo almeja ir para um lugar e descansar, relaxar. No entanto, logo depois de algumas horas ou de poucos dias o sujeito passa a se entediar e não vê a hora de voltar ao batente. Isso, quando consegue realmente se desligar durante o repouso.
Daí vem a pergunta: será que estou viciado em situações que levam ao estresse? Pode se dizer que sim, pois os hormônios liberados durante a reação de estresse criam uma situação de aumento de criatividade e de resolução de situações fora do comum e a pessoa, sem perceber, passa a buscar mais adrenalina e outros hormônios liberados nessas situações até em momentos de lazer: esportes radicais ou perigosos, entretenimentos com elevado teor de clima de suspense, terror, etc.

Analisamos alguns dos fatores que contribuem para o estresse crônico
A educação - Impressiona a quantidade de estímulos e brinquedos que o adulto oferece à criança pequena na tentativa de apressar seu desenvolvimento como se isso fosse motivo de orgulho. A quantidade de adrenalina produzida pelo organismo da criança desde cedo deve ser motivo de estudos e de preocupação para os pais e responsáveis. A criança é treinada para ser a melhor de todas a mais competitiva, a que ganha tudo.

A cultura - No meio sócio/cultural em que vivemos estar estressado ganhou símbolo de status, a condição de entidade e verbo, até as crianças já conjugam o verbo estressar. Quem não estiver ou não aparentar estresse é mal visto. Os que ousarem não curtir o barulho, o trânsito caótico, as baladas e o agito dos dias e das noites são caretas. Nas empresas os funcionários devem ser pressionados até o limite para que apresentem resultados na forma de lucros; o resto não importa; pois a sociedade neurótica também é a sociedade das coisas descartáveis; tanto faz que sejam coisas, objetos ou pessoas: deixou de servir? Joga fora. As crianças estão proibidas de inventar seus próprios brinquedos e brincadeiras, tanto uns quanto outros devem ser inventados e produzidos pelos adultos para gerar mercado e marketing.

Excesso de informações - A velocidade e a quantidade de informações a que o homem está submetido conduz as pessoas à incapacidade de separar a informação e o conhecimento útil do inútil e nocivo. Andar sempre na moda, estar por dentro de todas as novas tendências e ondas, conhecer as tendências do mercado a cada dia, tudo isso dá uma canseira e um desgaste enorme.

A rotina que aliena - Repetir sempre as mesmas coisas emburrece e aborrece. Quando sistematicamente repetimos as mesmas coisas criamos uma rotina que nos aliena e nos põe numa condição de pré-depressão psíquica.

O culto ao medo e à ansiedade - Qualquer situação é motivo para que as pessoas cultivem medos. Se a criança ainda não os tem, logo os adultos inventam uma maneira de ajudá-las a consegui-los para controlar suas atitudes. A ansiedade mórbida é fruto da aceleração e do excesso de informações. O casamento da ansiedade com o medo é a base de sustentação do estresse crônico. Quando levados ao extremo são os agentes que levam algumas pessoas ao pavor de sentir medo, originando a Síndrome do Pânico.

Quais os problemas mais comuns causados ou reforçados pelo estresse crônico?
São muitos e dentre eles: Perda de memória rápida e intensa, envelhecimento precoce, zumbidos, vertigens, alterações inexplicáveis da visão, fibromialgia, diabetes, obesidade, apetite compulsivo, síndrome do olho seco, artrite, artrose, diminuição da imunidade, aerofagia, refluxo, doenças digestivas, alergias, estafa, depressão, síndrome do pânico, distimia, aumento da agressividade, a “dança da pressão”, aumento dos casos de câncer, e morte súbita (game-over)...

Soluções?
Nada mágico, nada de pílulas milagrosas nem remédios – soluções proativas são indispensáveis.
Até lá.


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Américo Marques Canhoto - Casado, pai de quatro filhos. Nasceu em Castelo de Mação, distrito de Santarém, em Portugal. Médico da família, clinica desde o ano de 1978. Hoje, atende em São Bernardo do Campo e São José do Rio Preto, Estado de São Paulo. Conheceu o Espiritismo em 1988. Recebia pacientes indicados pelo doutor Eduardo Monteiro. Depois descobriu que esse médico era um espírito.


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