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As faces da VIOLÊNCIA
Estresse crônico provoca aumento da agressividade
 

Há algum tempo alertamos para o aumento da agressividade e ímpetos para a violência, cujos motivos básicos são estresse crônico causado pelo estilo de vida atual, somado à educação tradicional onde a prepotência e até a violência física serviam como álibi para que os pais obtivessem a obediência dos filhos. Lógico que mulheres e crianças sejam as maiores vítimas deste descontrole afetivo e emocional que atinge em cheio hoje todas as camadas sociais, pois elas são de porte físico mais frágil e em especial as crianças pequenas.
Algumas atitudes de violência contra a criança passavam despercebidas, pois eram consideradas normais, poucos questionavam até a violência física como as chineladas, cintadas ou castigos absurdos com receio de serem considerados intrometidos e, até sofrer as penas da lei. Não faz tanto tempo assim até na escola havia tolerância para os professores na aplicação de castigos físicos ou a antiga forma mais disfarçada de violência quando o mestre não ia com a "cara" do aluno: reprovar por décimos ou meio ponto. Grandes foram os avanços na legislação que tenta proteger  a mulher e as crianças, quanto na aplicação da justiça feita por profissionais cada vez mais sensíveis e interessados em acabar com essa covardia.
Aproveitamos e recomendamos a leitura da notícia – artigo escrita por Gisele Marchiote gisele.marchiote@diarioweb.com.br e Vivian Lima vivian.lima@diarioweb.com.br  veiculada no Caderno Cidades do Diário Da Região da cidade de São José do Rio Preto no dia 27 de janeiro deste ano, a respeito da violência efetuada contra crianças e adolescentes registradas nos Conselhos Tutelares da cidade em 2007 comparados aos de 2006. O número de ocorrências foi 171% em 2007. Embora seja referente a uma cidade de porte médio do interior de SP, pode ser usado como parâmetro para outras de outras regiões do País.
Diz a manchete:
“Violência covarde”
“A cada oito horas uma criança ou adolescente é vítima de violência física, sexual ou psicológica em Rio Preto”.
 Tomamos a liberdade de comentar alguns tópicos da reportagem, apenas com o intuito de acrescentar alguns pontos para serem questionados por todos nós como sociedade.
Certamente a realidade é bem diversa, embora como foi dito na matéria as denúncias tenham aumentado devido à maior facilidade do cidadão comum em usar o Poder Judiciário. Podemos acrescentar que o trabalho digno de nota feito pelos Conselhos tutelares e projetos subsidiários que ganharam a confiança da população. Quando afirmamos que a realidade é bem diferente o fazemos com convicção, pois é bem possível que nem 5% dos casos sejam denunciados, especialmente a violência subliminar do tipo das agressões psicológicas perpetrada nas famílias de classe média e alta, a maioria das denúncias envolve famílias de baixa renda e da periferia; apenas quando se trata de adolescentes o número pode aproximar-se mais da realidade, pois o jovem já é capaz de defender-se denunciando de alguma forma a agressão; muitas vezes de maneira também subliminar através de distúrbios do comportamento ou através da delinqüência – o mais habitual é que vá para o consumo de álcool ou drogas.
Realmente nos últimos anos o avanço foi considerável ao penalizarmos alguns casos de violência subliminar (psicológica e afetiva) até pouco tempo apenas a violência física e sexual eram focadas e penalizadas. Queremos alertar para um outro tipo de violência do tipo abandono ainda não considerada como tal, mas cujo estrago será monumental a médio prazo colocando as crianças em risco de doença e morte: a das cobranças excessivas e da ausência da família na vida afetiva da criança agravando o problema da obesidade e do diabetes na infância e na adolescência. Os órfãos de pais vivos sofrem a ação de um delito que até o momento permanece no terreno da moral e da ética da evolução humana, mas que sempre foi passível de punição no tribunal da consciência.
“Pequenos descuidos, grandes problemas”: sem dúvida a origem e a grande falha está na educação a que fomos submetidos geração a geração baseada no toma lá dá cá que se transformou em suborno, na chantagem, no faltar com a verdade, no aumento do medo e na agressão para conseguir um respeito falso.
A família está em processo de desmanche cada vez mais rápido. Causas? Muitas e de todos os tipos: políticas, sociais, religiosas, descrédito na aplicação da justiça, falta de dinheiro, desemprego, ausência de perspectivas, frustração, vícios de todos os tipos... E principalmente falta de qualidade pessoal dos adultos que compõe a família e em conseqüência disso: os governantes, profissionais de todas as áreas, dirigentes religiosos, professores, etc. Nossa intenção maior ao aproveitar essa reportagem é pegar um gancho para alertar a respeito dos efeitos da aceleração a que estamos submetidos sob a ação do estresse crônico. A maior parte de nós ainda é constituída de pessoas agressivas e com impulsos para a violência, mas no ritmo de poucos anos atrás conseguíamos ao sermos defrontados com essas características reagir apenas batendo uma porta, chutando algo, atirando um objeto, falando alto ou dizendo um palavrão; mas as coisas mudaram, pois hoje lidamos com muitas situações ao mesmo tempo, e todo cuidado é pouco: a qualquer momento quando dermos por nós já agredimos alguém fisicamente ou já fomos agredidos e alguns até podem matar ou ser mortos. Crianças com o perfil das da Nova Geração em virtude de suas características de questionar e não aceitar ordens sem sentido nem justas estão mais sujeitas a sofrerem agressões e em contrapartida a entregar os responsáveis a sofrerem a ação da lei.
O remédio curativo será uma educação baseada em valores éticos aplicados. Para remediar, embora com resultados imediatos bem marcantes, é praticar a toque de caixa as lições do Evangelho: vigiar e orar, tornar-se mais manso e pacífico, aprender a amar a si mesmo e ao próximo e só fazer aos outros o que gostaria de receber.
(AMÉRICO CANHOTO, ESPECIAL PARA O JORNAL DOS ESPÍRITOS)

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Américo Marques Canhoto - Casado, pai de quatro filhos. Nasceu em Castelo de Mação, distrito de Santarém, em Portugal. Médico da família, clinica desde o ano de 1978. Hoje, atende em São Bernardo do Campo e São José do Rio Preto, Estado de São Paulo. Conheceu o Espiritismo em 1988. Recebia pacientes indicados pelo doutor Eduardo Monteiro. Depois descobriu que esse médico era um espírito.


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