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SAÚDE OU DOENÇA, A ESCOLHA É SUA

SAÚDE OU DOENÇA, A ESCOLHA É SUA - Acredite, é surpreendente: saúde não se compra na farmácia! Isso mesmo! Descubra neste livro as causas espirituais das doenças, a influência do passado nas enfermidades, a origem psicossomática das moléstias e ainda os pequenos descuidos que geram grandes problemas de saúde – explicações e sugestões práticas para prevenir o sofrimento e garantir uma vida verdadeiramente saudável! E mais: conheça os efeitos negativos dos desejos e frustrações, da busca da felicidade em outras pessoas, das fixações mentais, da alimentação compulsiva, da vida sedentária, das crises existenciais e de outros fatores causadores de doenças e perturbações. Experiente médico da família, sempre sugerindo soluções, Américo Canhoto aponta na direção da saúde do corpo e da alma. Leitura fácil, derruba mitos e preconceitos, um guia excelente para quem deseja viver mais e muito melhor. "Saúde ou doença, a escolha é sua" (São Paulo: Petit Editora). 

JOVENS fora de controle

Os jovens estão cada vez mais vulneráveis

AMÉRICO CANHOTO

Estresse, angústia, depressão e pânico na adolescência.
Repetem-se diariamente notícias sobre evasão escolar causada pelo cansaço, estresse e doença. Aumenta a cada dia a violência nas escolas e a delinqüência juvenil. Não há no passado notícias de tanto consumo de drogas, bebidas alcoólicas, fumo, gravidez e aborto na adolescência. Também tornou-se corriqueira a luta entre gangues rivais com requintes de loucura. Já é comum a depressão, o pânico e o suicídio de crianças e adolescentes. Em todos os lugares e a todo momento pais e professores reclamam que perderam o controle. “Que não podem mais com a vida deles”.
A respeito dessas constatações, muitas são as dúvidas e as tentativas de explicações que costumamos ouvir:
- Será possível que nessas gerações estão renascendo os piores para serem sentenciados e sofrerem a corrigenda necessária? Claro que não! A evolução não pode ser contestada pois até na forma física as novas crianças apresentam-se mais bonitas que as das gerações anteriores, ressaltando-se as naturais características de cada ser, de acordo com suas necessidades e provas evolutivas; e também como regra geral costumam ter o potencial das múltiplas inteligências pronto para uso – além disso são mais definidas na ética e na moral, ou são pessoas boas ou são más.
- Será verdade que a saúde física – mental – emocional das crianças e jovens desta época é mais precária do que antes? Embora as estatísticas mostrem que a cada ano mais e mais pessoas são atendidas nos serviços de saúde e a cada dia a indústria de medicamentos bata recordes de produção e de vendas – claro que a população aumenta a cada dia e a disponibilidade de atendimento também e com isso crescem os diagnósticos que antes deixavam de ser feitos. Mas por outro lado a soma de tudo isso, longe de ser um indicativo de melhor qualidade de vida pode até indicar que a sociedade esteja cada vez mais doentia. Descontados todos os fatores é "vero" que as crianças e adolescentes de hoje adoecem mais; mesmo com as “condições de vida” melhorando a cada dia, sobretudo com os avanços da tecnologia voltada para a saúde. Não há dúvida que pelo lado orgânico as “condições de vida” sejam mais favoráveis, mas como não nos constituímos apenas de material orgânico ou um amontoado de células regido por leis de casualidade - somos muito mais que isso -, a resposta torna-se mais complexa, pois piora a cada instante nossas “condições de vida mental - emocional e afetiva já que  boa parte de nós se encontra desadaptada para viver este momento onde as mudanças são muito rápidas. As gerações anteriores por mais que se esforcem não são capazes de acompanhar o alucinante ritmo de transformações – além do mais não somos muito afeitos a pensar, o que se traduz em pouca maturidade psicológica e que nos faz tentar viver o hoje como se vivia antigamente – e ainda por cima temos dificuldade em selecionar o que é importante do que é descartável. Tantas mudanças tão rápidas nos valores e nas informações geram uma carga de ansiedade e medo que nos angustia, deprime, amedronta. E é claro que ensinamos nossas crianças a reagirem dessa maneira; daí, é comum que crianças angustiadas, depressivas, em pânico tenham em casa bons professores nessas matérias. Além disso, com pouco tempo para dedicar aos filhos nos entendemos cada vez menos, o que gera as crises de relacionamentos e pode aumentar o abismo entre gerações. No desejo de resolver a situação pioramos as coisas, pois na tentativa de terceirizar a responsabilidade a atiramos nas costas dos professores das escolas cuja função principal é a de informar. Parece que a inevitável conclusão a que chegaremos será: os problemas decorrem da falta de educação para uma vida alinhada às leis naturais de progresso ético - moral.
- O problema é só de quem tem filhos? Lógico que não, se quisermos viver calmamente e com qualidade é importante que não percamos tempo, pois não se pode separar o indivíduo do meio em que vive. Se uma criança está com problemas seus familiares, educadores e a sociedade também. A resolução vai depender da integração do esforço de todos. É inegável que prevenir é melhor que remediar, portanto, além de estudar a criança ou o jovem já com problemas instalados de estresse, depressão ou pânico, devemos focar a profilaxia de tais distúrbios, esclarecendo o que podemos fazer para evitar que o mal se instale. Para começar é urgente que estejamos cientes da inexistência de fórmulas mágicas tanto para a prevenção quanto para a cura dos transtornos da ansiedade e do medo mórbido – os resultados podem ser bons apenas relembrando leis naturais da evolução, freqüentemente esquecidas na agitação dos turbulentos dias de hoje. Aplicá-las é fácil, simples e requer apenas a boa vontade como requisito. Inclusive alguns problemas das crianças são apenas momentâneos, portanto basta interpretar as situações ou ocorrências por um outro ângulo mais adequado que tudo se resolve a contento. Atenção: não cabe a desculpa que são os filhos dos outros que estão sendo mal educados – como já dissemos somos seres sociais, interdependentes, o que acontece com um se espalha rapidamente aos outros, e cada um de nós tem um papel a executar na dinâmica da vida, tanto na própria intimidade quanto na vida de relação social.
- A responsabilidade maior não é da família? Sem dúvida, ela é a oficina da evolução humana e do sentir-se feliz ou infeliz disso ninguém duvida. Também não há dúvida, que está em crise, doente, com muitas dificuldades e com necessidade de reestruturação. Algumas delas se arrastam à milênios e muitos já deveriam ter sido resolvidas há muito tempo; outras são problemas dos dias de hoje inerentes ao momento e à pressa - sem tentar compreendê-los não adianta querer resolver as dificuldades das crianças e dos jovens-problema ou ovelhas negras como se costuma dizer. Na verdade, o que costumamos chamar de problemas são na maioria das vezes apenas dificuldades relativas no tempo e no espaço. Problemas de verdade, o ser humano tem dois: a aversão a pensar e o medo.
Porque os adolescentes são tão complicados? Todos os adultos passaram por essa crise existencial mas pouco aprenderam com ela; daí não entenderem o que se passa com os filhos. Não se discute que a adolescência seja uma das fases mais importantes e problemáticas de nossas vidas - e o que é pior, cada vez mais complexa para alguns grupos sociais – culturais e até científicos que insistem em ancorar em tempos que ficaram muito para trás.
Fase das mais importantes: Por, ser a época em que a pessoa assume plenamente o livre/arbítrio na existência. Nela definem-se os rumos - abre-se a “mala” do inconsciente com uma “chave hormonal” chamada de glândula epífise, e ela fica à mostra sem muita contenção (nessa época somos mais destrambelhados dizendo o que nos vem á mente sem muita censura) tudo o que se encontra na bagagem evolutiva do sujeito tende a cair da mochila do tempo e a se espalhar no chão do dia a dia. Ás vezes isso espanta os familiares mais distraídos. Também ocorre um certo distanciamento dos membros da família já que nessa época mudam os interesses com relação ao sexo oposto. Para botar mais lenha na fogueira, nessa fase da vida aflora o programa de trabalho na existência sob a forma de impulsos, tendências, bloqueios e inibições fixadas em outras eras e que já foram atenuadas ou reforçadas pela interação sócio/cultural na infância; por isso, o adolescente costuma assustar os que com ele convivem; pois, de repente, é como se surgisse no meio daquele grupo, um estranho, muitas vezes mais parecendo um inimigo insatisfeito, revoltado e querelante, um rebelde sem causa do que um filho, um amigo, um colaborador na difícil tarefa de viver em grupo.
É uma fase de vida problemática: O adolescente encontra-se numa situação diversa da infância que exige decisões - ele precisa definir que rumo vai tomar na vida; deve buscar sua independência em todos os sentidos: do financeiro ao afetivo/emocional. E para o ser humano atual, para os da última hora, tomar decisões ainda é um tormento.
Alguns fatores atuais de complicação do adolescer hoje
Além de, ter que defrontar-se consigo mesmo, o adolescente dos dias atuais ainda dá de cara com situações novas e mais complexas do que as que foram enfrentadas por seus pais. É lógico e evidente que a complexidade das situações vividas pelos jovens de hoje os deixa mais vulneráveis a apresentarem distúrbios mentais/emocionais e de conduta do que os de ontem; não é a toa que doenças como a depressão, a angústia existencial, o pânico, as psicoses, a esquizofrenia e o suicídio avançam assustadoramente entre as crianças e os jovens.
Acelerar para definir valores: Tudo muda muito rápido, de conhecimento a valores ético/morais, deixando as pessoas desadaptadas o tempo todo, e isso torna-se um fator que complica a vida dos adolescentes na hora de definir o que escolher para suas vidas.  Porém, é preciso que fique claro que desculpas e justificativas não podem ser dadas, pois mesmo sob a pressão do modo de viver hoje, a bagagem de cada espírito faz a diferença - observemos como muitos já nasceram com mais facilidade para  discernir, desse modo a influência do meio na ratificação de suas escolhas não terá um peso tão decisivo.
A aceleração revela nossas limitações como família: Amar não é tomar para si, sentir-se o dono. Quem ama cuida. Quem ama respeita e não sufoca o objeto de seu amor. Os pais de ontem foram treinados pelo sistema cultural a fazer valer seus desejos – grave erro - pois não devemos tentar impor o que não somos capazes de cultivar. Queremos controlar o presente e ditar-lhes o futuro mesmo quando estamos “perdidos na vida”. Ansiamos tanto e desejamos o melhor para nossos filhos sem nos capacitarmos a controlar nossa própria vida – esse engano também nos leva a nos tornamos ansiosos, insatisfeitos, medrosos, depressivos, angustiados em pânico. O que fazer? Bastaria falar menos e exemplificar melhor, pois certamente nossas crianças e adolescentes serão influenciados em seus valores e em sua visão de mundo pela qualidade da nossa evolução e ficarão perdidos entre ser ou não como nós.
Hoje, é evidente o precoce acordar para a sexualidade: A criança da atualidade é obrigada a tornar-se adolescente de forma mais rápida quer queira quer não - pois é estimulada por intensos apelos ao despertar da sexualidade tanto pela velocidade quanto pela capacidade de interferência da mídia, em especial, a da televisão que impõe à criança a sexualidade quase ou até mesmo explícita. A mídia hoje é, com a conivência dos pais o “grande educador” destas novas gerações. Como não poderia deixar de ser, estímulos tão intensos e contínuos geram o despertar de forma precoce na vida das pessoas, o que trouxe, por exemplo, a idade de primeira menstruação muito rapidamente da faixa dos quatorze, quinze anos para oito dez anos; o pior é que ela traz consigo a gravidez precoce e irresponsável, além do criminoso aborto de conveniência.
Perda de antigos valores: Muitas pessoas se escandalizam com o desaparecer de antigos valores humanos, que diluíram-se na pressa que todos tem de se tornar um vitorioso segundo as concepções da sociedade do imediato. Por um motivo muito simples: são valores hipócritas. Os verdadeiros valores são eternos, nunca desaparecerão, apenas não estão ainda na moda.
Adolescência problemática: As mudanças de valores muito rápidas nos deixaram perdidos para lidar com a precocidade das crianças. Pais, professores, profissionais da saúde física e mental, políticos, legisladores, policiais, juizes, religiosos..., estão defasados e sem condições de lidar de maneira correta com a infância, a pré-adolescência e a adolescência.
A situação está fugindo de controle por vários motivos: Temos dificuldades imensas para servir de parâmetro positivo e a criança precisa de alguém em quem se espelhar. Seus ídolos de hoje são criaturas quase pobres em valores éticos, inadequadas, desajustadas (psicóticas, paranóicas, neuróticas, doentias). As instituições estão perdendo a credibilidade. As famílias estão caindo aos pedaços; as instituições políticas são assaltadas a todo momento por denúncias de desvios, improbidade; a justiça perde a credibilidade a cada momento seja por truculência ou por falta de decoro. Os ídolos do esporte são denunciados por doping ou falcatruas.
O aumento das facilidades e do consumo de cigarros, bebidas e drogas de todos os tipos eleva o número de crianças e adolescentes infratores: violentos, drogados, agressivos, que picham, estupram e matam com muita facilidade. É verdade que as crianças e jovens problemáticos e infratores não são apenas fruto do meio em que vivem, também são criaturas que já trazem consigo ao nascer, a predisposição para a personalidade patológica tais como: neuróticos, obsessivos, compulsivos; psicóticos, instáveis emocionais, personalidade anti-social, maníaco depressivos, alcoólatras, personalidades psicopáticas, esquizofrênicos. 
A somatória desses fatores traduz-se no aumento das estatísticas de diagnóstico de doenças mentais, transtornos da afetividade e das emoções em crianças e jovens, bem como nos distúrbios do comportamento e das atitudes anti-sociais.
Confesso que minha preocupação quanto à incidência de depressão, angústia, pensamentos de suicídio e pânico nas crianças e jovens deu lugar a outra: surto de surtos psicóticos e até de esquizofrenia – de quem é a culpa? Nossa como sociedade.
Até a próxima.


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Américo Marques Canhoto - Casado, pai de quatro filhos. Nasceu em Castelo de Mação, distrito de Santarém, em Portugal. Médico da família, clinica desde o ano de 1978. Hoje, atende em São Bernardo do Campo e São José do Rio Preto, Estado de São Paulo. Conheceu o Espiritismo em 1988. Recebia pacientes indicados pelo doutor Eduardo Monteiro. Depois descobriu que esse médico era um espírito.


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