|
Estresse, angústia, depressão e pânico na adolescência.
Repetem-se diariamente notícias sobre evasão escolar causada
pelo cansaço, estresse e doença. Aumenta a cada dia a violência nas
escolas e a delinqüência juvenil. Não há no passado notícias de
tanto consumo de drogas, bebidas alcoólicas, fumo, gravidez e aborto
na adolescência. Também tornou-se corriqueira a luta entre gangues
rivais com requintes de loucura. Já é comum a depressão, o pânico e
o suicídio de crianças e adolescentes. Em todos os lugares e a todo
momento pais e professores reclamam que perderam o controle. “Que
não podem mais com a vida deles”.
A respeito dessas constatações, muitas são as dúvidas e as
tentativas de explicações que costumamos ouvir:
- Será possível que nessas gerações estão renascendo os piores
para serem sentenciados e sofrerem a corrigenda necessária? Claro
que não! A evolução não pode ser contestada pois até na forma física
as novas crianças apresentam-se mais bonitas que as das gerações
anteriores, ressaltando-se as naturais características de cada ser,
de acordo com suas necessidades e provas evolutivas; e também como
regra geral costumam ter o potencial das múltiplas inteligências
pronto para uso – além disso são mais definidas na ética e na
moral, ou são pessoas boas ou são más.
-
Será verdade que a saúde física – mental – emocional das crianças e
jovens desta época é mais precária do que antes? Embora as
estatísticas mostrem que a cada ano mais e mais pessoas são
atendidas nos serviços de saúde e a cada dia a indústria de
medicamentos bata recordes de produção e de vendas – claro que a
população aumenta a cada dia e a disponibilidade de atendimento
também e com isso crescem os diagnósticos que antes deixavam de ser
feitos. Mas por outro lado a soma de tudo isso, longe de ser um
indicativo de melhor qualidade de vida pode até indicar que a
sociedade esteja cada vez mais doentia. Descontados todos os fatores
é "vero" que as crianças e adolescentes de hoje adoecem mais; mesmo
com as “condições de vida” melhorando a cada dia, sobretudo com os
avanços da tecnologia voltada para a saúde. Não há dúvida que pelo
lado orgânico as “condições de vida” sejam mais favoráveis, mas como
não nos constituímos apenas de material orgânico ou um amontoado de
células regido por leis de casualidade - somos muito mais que isso -,
a resposta torna-se mais complexa, pois piora a cada instante nossas
“condições de vida mental - emocional e afetiva já que boa parte de
nós se encontra desadaptada para viver este momento onde as mudanças
são muito rápidas. As gerações anteriores por mais que se esforcem
não são capazes de acompanhar o alucinante ritmo de transformações –
além do mais não somos muito afeitos a pensar, o que se traduz em
pouca maturidade psicológica e que nos faz tentar viver o hoje como
se vivia antigamente – e ainda por cima temos dificuldade em
selecionar o que é importante do que é descartável. Tantas mudanças
tão rápidas nos valores e nas informações geram uma carga de
ansiedade e medo que nos angustia, deprime, amedronta. E é claro
que ensinamos nossas crianças a reagirem dessa maneira; daí, é comum
que crianças angustiadas, depressivas, em pânico tenham em casa bons
professores nessas matérias. Além disso, com pouco tempo para
dedicar aos filhos nos entendemos cada vez menos, o que gera as
crises de relacionamentos e pode aumentar o abismo entre gerações.
No desejo de resolver a situação pioramos as coisas, pois na
tentativa de terceirizar a responsabilidade a atiramos nas costas
dos professores das escolas cuja função principal é a de informar.
Parece que a inevitável conclusão a que chegaremos será: os
problemas decorrem da falta de educação para uma vida alinhada às
leis naturais de progresso ético - moral.
-
O problema é só de quem tem filhos? Lógico que não, se quisermos
viver calmamente e com qualidade é importante que não percamos
tempo, pois não se pode separar o indivíduo do meio em que vive. Se
uma criança está com problemas seus familiares, educadores e a
sociedade também. A resolução vai depender da integração do esforço
de todos. É inegável que prevenir é melhor que remediar, portanto,
além de estudar a criança ou o jovem já com problemas instalados de
estresse, depressão ou pânico, devemos focar a profilaxia de tais
distúrbios, esclarecendo o que podemos fazer para evitar que o mal
se instale. Para começar é urgente que estejamos cientes da
inexistência de fórmulas mágicas tanto para a prevenção quanto para
a cura dos transtornos da ansiedade e do medo mórbido – os
resultados podem ser bons apenas relembrando leis naturais da
evolução, freqüentemente esquecidas na agitação dos turbulentos dias
de hoje. Aplicá-las é fácil, simples e requer apenas a boa vontade
como requisito. Inclusive alguns problemas das crianças são apenas
momentâneos, portanto basta interpretar as situações ou ocorrências
por um outro ângulo mais adequado que tudo se resolve a contento.
Atenção: não cabe a desculpa que são os filhos dos outros que estão
sendo mal educados – como já dissemos somos seres sociais,
interdependentes, o que acontece com um se espalha rapidamente aos
outros, e cada um de nós tem um papel a executar na dinâmica da
vida, tanto na própria intimidade quanto na vida de relação social.
-
A responsabilidade maior não é da família? Sem dúvida, ela é a oficina da evolução humana e do sentir-se feliz ou infeliz
disso ninguém duvida. Também não há dúvida, que está em crise,
doente, com muitas dificuldades e com necessidade de reestruturação.
Algumas delas se arrastam à milênios e muitos já deveriam ter sido
resolvidas há muito tempo; outras são problemas dos dias de hoje
inerentes ao momento e à pressa - sem tentar compreendê-los não
adianta querer resolver as dificuldades das crianças e dos jovens-problema ou ovelhas negras como se costuma dizer. Na verdade, o que
costumamos chamar de problemas são na maioria das vezes apenas dificuldades relativas no tempo e no espaço. Problemas de verdade,
o ser humano tem dois: a aversão a pensar e o medo.
Porque os adolescentes são tão complicados? Todos os adultos
passaram por essa crise existencial mas pouco aprenderam com ela;
daí não entenderem o que se passa com os filhos. Não se discute que
a adolescência seja uma das fases mais importantes e problemáticas
de nossas vidas - e o que é pior, cada vez mais complexa para alguns
grupos sociais – culturais e até científicos que insistem em ancorar
em tempos que ficaram muito para trás.
Fase das mais importantes: Por, ser a época em que a pessoa assume
plenamente o livre/arbítrio na existência. Nela definem-se os rumos
- abre-se a “mala” do inconsciente com uma “chave hormonal” chamada
de glândula epífise, e ela fica à mostra sem muita contenção (nessa
época somos mais destrambelhados dizendo o que nos vem á mente sem
muita censura) tudo o que se encontra na bagagem evolutiva do
sujeito tende a cair da mochila do tempo e a se espalhar no chão do
dia a dia. Ás vezes isso espanta os familiares mais distraídos.
Também ocorre um certo distanciamento dos membros da família já que
nessa época mudam os interesses com relação ao sexo oposto. Para
botar mais lenha na fogueira, nessa fase da vida aflora o programa
de trabalho na existência sob a forma de impulsos, tendências,
bloqueios e inibições fixadas em outras eras e que já foram
atenuadas ou reforçadas pela interação sócio/cultural na infância;
por isso, o adolescente costuma assustar os que com ele convivem;
pois, de repente, é como se surgisse no meio daquele grupo, um
estranho, muitas vezes mais parecendo um inimigo insatisfeito,
revoltado e querelante, um rebelde sem causa do que um filho, um
amigo, um colaborador na difícil tarefa de viver em grupo.
É
uma fase de vida problemática: O adolescente encontra-se numa
situação diversa da infância que exige decisões - ele precisa
definir que rumo vai tomar na vida; deve buscar sua independência em
todos os sentidos: do financeiro ao afetivo/emocional. E para o ser
humano atual, para os da última hora, tomar decisões ainda é um
tormento.
Alguns fatores atuais de complicação do adolescer hoje
Além de, ter que defrontar-se consigo mesmo, o adolescente dos
dias atuais ainda dá de cara com situações novas e mais complexas do
que as que foram enfrentadas por seus pais. É lógico e evidente que
a complexidade das situações vividas pelos jovens de hoje os deixa
mais vulneráveis a apresentarem distúrbios mentais/emocionais e de
conduta do que os de ontem; não é a toa que doenças como a
depressão, a angústia existencial, o pânico, as psicoses, a
esquizofrenia e o suicídio avançam assustadoramente entre as
crianças e os jovens.
Acelerar para definir valores:
Tudo muda muito rápido, de conhecimento a valores ético/morais,
deixando as pessoas desadaptadas o tempo todo, e isso torna-se um
fator que complica a vida dos adolescentes na hora de definir o que
escolher para suas vidas. Porém, é preciso que fique claro que
desculpas e justificativas não podem ser dadas, pois mesmo sob a
pressão do modo de viver hoje, a bagagem de cada espírito faz a
diferença - observemos como muitos já nasceram com mais facilidade
para discernir, desse modo a influência do meio na ratificação de
suas escolhas não terá um peso tão decisivo.
A aceleração revela nossas limitações como família:
Amar não é tomar para si, sentir-se o dono. Quem ama cuida. Quem ama
respeita e não sufoca o objeto de seu amor. Os pais de ontem foram
treinados pelo sistema cultural a fazer valer seus desejos – grave
erro - pois não devemos tentar impor o que não somos capazes de
cultivar. Queremos controlar o presente e ditar-lhes o futuro mesmo
quando estamos “perdidos na vida”. Ansiamos tanto e desejamos o
melhor para nossos filhos sem nos capacitarmos a controlar nossa
própria vida – esse engano também nos leva a nos tornamos ansiosos,
insatisfeitos, medrosos, depressivos, angustiados em pânico. O que
fazer? Bastaria falar menos e exemplificar melhor, pois certamente
nossas crianças e adolescentes serão influenciados em seus valores e
em sua visão de mundo pela qualidade da nossa evolução e ficarão
perdidos entre ser ou não como nós.
Hoje, é evidente o precoce acordar para a sexualidade: A
criança da atualidade é obrigada a tornar-se adolescente de forma
mais rápida quer queira quer não - pois é estimulada por intensos
apelos ao despertar da sexualidade tanto pela velocidade quanto pela
capacidade de interferência da mídia, em especial, a da televisão
que impõe à criança a sexualidade quase ou até mesmo explícita. A
mídia hoje é, com a conivência dos pais o “grande educador” destas
novas gerações. Como não poderia deixar de ser, estímulos tão
intensos e contínuos geram o despertar de forma precoce na vida das
pessoas, o que trouxe, por exemplo, a idade de primeira menstruação
muito rapidamente da faixa dos quatorze, quinze anos para oito dez
anos; o pior é que ela traz consigo a gravidez precoce e
irresponsável, além do criminoso aborto de conveniência.
Perda de antigos valores:
Muitas pessoas se escandalizam com o desaparecer de antigos valores
humanos, que diluíram-se na pressa que todos tem de se tornar um
vitorioso segundo as concepções da sociedade do imediato. Por um
motivo muito simples: são valores hipócritas. Os verdadeiros valores
são eternos, nunca desaparecerão, apenas não estão ainda na moda.
Adolescência problemática:
As mudanças de valores muito rápidas nos deixaram perdidos para
lidar com a precocidade das crianças. Pais, professores,
profissionais da saúde física e mental, políticos, legisladores,
policiais, juizes, religiosos..., estão defasados e sem condições de
lidar de maneira correta com a infância, a pré-adolescência e a
adolescência.
A situação está fugindo de controle por vários
motivos:
Temos dificuldades imensas para servir de parâmetro positivo e a
criança precisa de alguém em quem se espelhar. Seus ídolos de hoje
são criaturas quase pobres em valores éticos, inadequadas,
desajustadas (psicóticas, paranóicas, neuróticas, doentias). As
instituições estão perdendo a credibilidade. As famílias estão
caindo aos pedaços; as instituições políticas são assaltadas a todo
momento por denúncias de desvios, improbidade; a justiça perde a
credibilidade a cada momento seja por truculência ou por falta de
decoro. Os ídolos do esporte são denunciados por doping ou
falcatruas.
O
aumento das facilidades e do consumo de cigarros, bebidas e drogas
de todos os tipos eleva o número de crianças e adolescentes
infratores: violentos, drogados, agressivos, que picham, estupram e
matam com muita facilidade. É verdade que as crianças e jovens
problemáticos e infratores não são apenas fruto do meio em que
vivem, também são criaturas que já trazem consigo ao nascer, a
predisposição para a personalidade patológica tais como: neuróticos,
obsessivos, compulsivos; psicóticos, instáveis emocionais,
personalidade anti-social, maníaco depressivos, alcoólatras,
personalidades psicopáticas, esquizofrênicos.
A somatória desses fatores traduz-se no aumento das estatísticas
de diagnóstico de doenças mentais, transtornos da afetividade e das
emoções em crianças e jovens, bem como nos distúrbios do
comportamento e das atitudes anti-sociais.
Confesso que minha preocupação quanto à incidência de depressão,
angústia, pensamentos de suicídio e pânico nas crianças e jovens deu
lugar a outra: surto de surtos psicóticos e até de esquizofrenia –
de quem é a culpa? Nossa como sociedade.
Até a próxima. 
Envie seu comentário para redacao@jornaldosespiritos.com com seu nome
completo, cidade, foto (opcional) e título da
matéria.
|