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SAÚDE OU DOENÇA, A ESCOLHA É SUA

SAÚDE OU DOENÇA, A ESCOLHA É SUA - Acredite, é surpreendente: saúde não se compra na farmácia! Isso mesmo! Descubra neste livro as causas espirituais das doenças, a influência do passado nas enfermidades, a origem psicossomática das moléstias e ainda os pequenos descuidos que geram grandes problemas de saúde – explicações e sugestões práticas para prevenir o sofrimento e garantir uma vida verdadeiramente saudável! E mais: conheça os efeitos negativos dos desejos e frustrações, da busca da felicidade em outras pessoas, das fixações mentais, da alimentação compulsiva, da vida sedentária, das crises existenciais e de outros fatores causadores de doenças e perturbações. Experiente médico da família, sempre sugerindo soluções, Américo Canhoto aponta na direção da saúde do corpo e da alma. Leitura fácil, derruba mitos e preconceitos, um guia excelente para quem deseja viver mais e muito melhor. "Saúde ou doença, a escolha é sua" (São Paulo: Petit Editora). 

Sono não é fuga

Os cansados de viver querem dormir para sempre

AMÉRICO CANHOTO

Este artigo é dedicado, principalmente, às pessoas que ainda conseguem dormir. E aos pais das crianças que não dormem bem desde que elas nasceram (é a sinalização de que serão futuros insones). Pois: em prevenir, está a sabedoria.
Onde a modernidade nos levou! Tudo que levamos como espécie milhares de anos conquistando, automatizando passo a passo, desaprendemos em pouco tempo. E vamos precisar reaprender para poder continuar a viver com qualidade e até para sobreviver na pós-modernidade. Parece piada, mas vamos ter que reaprender a dormir, a respirar, a comer, até a evacuar. Aí que saudade daquele sono bom, natural, relaxante, renovador. Nosso bate papo é sobre sono, vigília, insônia e qualidade do sono; pois não se trata mais de apenas de conseguir dormir ou não; o padrão do sono é essencial, não apenas para a qualidade de vida das pessoas - na atualidade, pode representar a linha entre viver e morrer. Esse assunto parece bem explorado. Parece até que já foi esgotado segundo a ciência: nada ou pouco mais a ser dito. Teorias e estudos bem conclusivos; é claro que podem ser úteis, mesmo que feitos por pessoas que nunca tenham vivenciado a situação do estudo, em foco; pois apenas leram, estudaram, ouviram falar, usaram experiências de outros com problemas e dificuldades que nunca viveram - até dissecaram ratos de laboratório, macacos e outros bichos; lógico que tudo isso, é útil. No entanto, nos estudos de laboratório é impossível ouvir a opinião das cobaias; os cientistas deduzem tudo por tabela. Quando o experimento é gente como eu e você, aí a coisa muda de figura, pois no estilo científico moderno a preocupação está em descobrir alguma solução que possa ser comercializada, geralmente não há muito interesse por coisas subjetivas, essencialmente humanas.
Para insones de carteirinha a idéia de escrever sobre o assunto nos momentos de insônia não deixa de ser um paradoxo e um desafio, pois o assunto é tão interessante que deixa nossa mente mais acesa ainda. Com base em nossa experiência de vida nos atrevemos a levar este bate-papo sobre sono e a falta dele com os leitores, na condição de cobaias (pode virar nome de filme: “a revolta das cobaias dos soníferos”). Afinal não seremos cobaias trocando experiências. Quem sabe criamos uma sala de bate papo na Net sobre receitas para dormir bem. Embora muito se diga sobre insônia pouco se encontra sobre a análise subjetiva e humana de fato, dos que dormem mal ou não conseguem dormir, os relatos são de técnicos e de máquinas. A vantagem de bate papos como este é que, nada como alguém experiente num determinado assunto, para falar sobre ele. Quem o viveu ou ainda o vive no dia a dia, na própria pele, ou na convivência diária com aqueles que não conseguem dormir bem, marido, esposa, filhos, pais, irmãos, amigos..., pode ensinar aos que até há pouco dormiam como anjinhos.
Os motivos são os mais variados. Vamos tentar brincar de discutir alguns deles com gozação, pois o primeiro passo para tentar resolver esse problema, é enfrentá-lo com bom humor. Hoje, acho que não durmo bem. As sensações ao acordar não são de boa qualidade: acordar alegre e feliz, uma leve espreguiçada e, todos os músculos respondem com flexibilidade. Um banho caprichado e, que venham os desafios de um novo dia... Isso, é coisa do passado a ser resgatado, sei disso. Lembro com muita saudade do sono na minha infância, tirando os medos de dormir só e, os pesadelos. Dormir e depois acordar era muito bom, uma delícia, uma vida de prazerosos desafios. Tive uma infância privilegiada (em se tratando de dormir e acordar de forma natural) sem entretenimentos eletrônicos. A liberação de adrenalina e outros hormônios, era controlada com naturalidade. Dormia com as galinhas e acordava com os galos: não havia energia elétrica, nem TV, som, baladas; filmes e seriados só aos domingos na matinê do único cinema da cidade. Hora de trocar revistas e gibis. O máximo de lazer que gerava mais adrenalina e outros hormônios não “queimados” de pronto com o exercício físico, eram os festejos da época: circos e parquinhos lá de vez em quando, festas juninas, quermesses..., para tirar a naturalidade de dormir ao início da escuridão da noite e acordar ao raiar do sol. Sei lá quando desaprendi de dormir. Nem me lembro mais. Parece que faz tanto tempo. Perceberam a lei de polaridade – dia, claridade – noite, escuridão? O fluxo da vida é polar, começando por ela mesma segundo a compreendemos. Vida e morte, morte e vida. Criação e destruição. Caos e organização. Fluir e refluir. Respirar ou inspirar e expirar. Comer e evacuar. Beber e urinar. Pensar e sentir. Agir e esperar. Acordar e dormir. Neste bate papo estamos falando da polaridade vigília e sono. Daí, vamos conversar sobre dormir demais e de menos, até que um dia encontremos a receita de dormir o tempo certo, então, este é um bate-papo em aberto. Para muitos, dormir e acordar é o caos, um bicho de sete cabeças a ser morto, destroçado. Cremos que não; é apenas um desafio a ser superado com bom humor. Afinal, levamos um tempo incalculável como criaturas para conseguir o privilégio de manobrar o caos. Entre dormir e acordar, a capacidade de sonhar parece ser uma conquista humana. Uns sonham outros pesadelam. Como primeira questão da nossa brincadeira fica a pergunta:
Durmo de mais ou durmo de menos?
Nossos insones colegas cientistas tentam nos padronizar até para dormir (uma pessoa normal tem que dormir tantas horas por dia...). Então, outra de nossas brincadeiras neste bate papo será fugir dos padrões da necessidade de horas de sono. Para começar a diversão, vejamos alguns tipos da fauna humana de sonolentos e de insones:
Os gananciosos querem dormir apenas uma hora para não perder tempo e dinheiro.
Os pouco corajosos e os lentos no pensar querem dormir vinte e quatro horas ou mais para não precisar enfrentar o dia a dia.
Os maridos “bons de cama” e as esposas entediadas fingem dormir para não ter que fazer amor.
Os ansiosos querem dormir e acordar ao mesmo tempo.
Os cansados de viver querem dormir para sempre.
Os insatisfeitos tentam não dormir para fugir da rotina.
Os endividados até o pescoço querem dormir para sempre para não precisar pagar as contas.
A mulher do roncador quer dormir sempre primeiro para escapar da poluição sonora etc.
Perguntas que ficam no ar: quais as razões? que motivos que originaram esse problema? que coisas deturparam o que antes era natural e fisiológico?
Uma das várias possibilidades de explicação: Entramos de cabeça na armadilha intelectual, pois, a sociedade neurótica, paranóica contemporânea criou o homem “massa” ou o ser consumidor disto ou daquilo, das verdades ou das mentiras do que é certo ou errado, bom ou ruim..., de forma tão intensa que perdemos a noção de quem somos e o que fazemos aqui.
Primeira meia hora de reflexão do bate papo
O pior é que os mais instruídos caíram feito patos nas armadilhas dos conceitos sócio-culturais da atualidade:
Fulano de tal é um vencedor, trabalha muitas horas a mais por dia para manter um alto padrão de vida. Tem tudo que o dinheiro pode comprar. Beltrano é um sabichão que domina determinado ramo do saber. É o maioral em se tratando de... A fulana de tal é cheia de estonteantes curvas. Quem for capaz de fazer amor com ela é o deus do Olimpo. O “zé sem nome de grife” tem um cotidiano que é a mesmice de sempre - acorda quase sempre cansado, sem vontade de ir trabalhar, tem coceiras só de imaginar que precisa encarar aquelas malas sem alça do ambiente de trabalho: chefes, colegas, subordinados ou fornecedores, clientes, etc.
Neste estilo de vida neurótico, enquanto suporta o vencedor, leva tudo numa boa.
- Vai e mata mil leões por dia que estão à espreita para devorá-lo: clientes, colegas, chefes, subordinados, fornecedores, cobradores, família.
- Usa todo seu potencial intelectual e outros; mas, logo que os domina se chateia, se deprime.
- Ao final do dia ruma para casa na esperança de relaxar, de encontrar seu porto seguro. Vã esperança, pois logo se depara com familiares que viveram à sua moda o mesmo dia infernal e trocam farpas, brigam, arreliam-se...
- Passadas cobranças, exigências e lamúrias de uns para com os outros - toma seu banho e vai a frente da TV assistir a noticiários que assustam, revoltam; novelas que despertam todas as suas más tendências para trair, mentir, usufruir, etc. – depois janta quase sempre muito mais do que devia e depois ainda faz uma boquinha antes de dormir. Bom agora é hora de relaxar - e ele se prepara para assistir a um “filminho” antes de dormir: policial, drama, terror, suspense - terminado o “lazer’, cumpre sua rotina (na rotina de alguns está incluída a droga sonífera),  tenta dar a ultima relaxada; isso, se a outra parte não finge que está dormindo ou roncando de verdade (muitos apelam para a masturbação; que pode virar hábito, e daí, um grande problema está criado). “Bem agora, onze horas da noite, meia noite, uma hora, tenho que dormir para enfrentar um novo dia amanhã”. Encosta a cabeça no travesseiro e nada... Rola de um lado para o outro e não consegue dormir. Nem por milagre, esse indivíduo vai conseguir dormir de forma fisiológica, pois desrespeitou (de forma crônica) uma lei da física que todo mundo conhece mas, não aplica que é a lei da inércia, relacionada com aceleração e desaceleração, e, não com brecada súbita de um desejo sem consistência nem vontade própria, é mais uma coisa de obrigação que lhe foi imposta. A lei da inércia na vida humana sempre que é desrespeitada leva a capotagens espetaculares e mortais na forma de doenças e piripaques. Acorda no dia seguinte (será que acordou mesmo? Já que nem dormiu) azedo, cansado, irritado, sem memória, sem capacidade de concentração, tonto, com muitas dores pelo corpo, com vontade de mandar tudo e todos para aquele lugar, doente, quase morto, suicida, etc... Será que conhecemos alguém com essa cara? Este é um assunto para novos bate-papos sem compromisso. Claro que ficamos a dever a solução – mas, garanto que os que leram com cuidado já descobriram parte dela. Até.


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Américo Marques Canhoto - Casado, pai de quatro filhos. Nasceu em Castelo de Mação, distrito de Santarém, em Portugal. Médico da família, clinica desde o ano de 1978. Hoje, atende em São Bernardo do Campo e São José do Rio Preto, Estado de São Paulo. Conheceu o Espiritismo em 1988. Recebia pacientes indicados pelo doutor Eduardo Monteiro. Depois descobriu que esse médico era um espírito.


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