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A
religião do ÍNDIGO |
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A
espiritualidade e as crianças da nova geração |
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AMÉRICO CANHOTO |
“Só Deus...”, para
nos tirar de algumas encrencas em que nos metemos como dizem no
popular. O estilo de trabalho que desenvolvi como espírito na
condição de médico nesta existência, melhor; como consultor em
saúde, costuma deixar-me em situações complicadas e até embaraçosas.
Dia destes, durante uma consulta a uma família tradicional de
espíritas de quatro costados e três gerações, fui colocado contra a
parede como “conselheiro” espiritual.
J.E.F., sete anos de idade, sempre foi considerado uma criança fora
de série pela família, professores e amigos, um de seus maiores
ídolos era Jesus, além de outros como Emmanuel e Chico Xavier. Mas,
dia destes chamou a mãe para conversar, e a deixou de cabelo em pé,
desconcertada. Para infelicidade minha a primeira pessoa que lhe
veio à mente para conversar fui eu.
Vou resumir o que se passou no diálogo entre os dois, que foi mais
ou menos o seguinte:
- Mãe, não quero mais ser espírita kardecista!
Depois de alguns longos segundos:
- Porque meu filho? De onde você tirou essa idéia? O que deseja ser
ou seguir, filho de Deus?
– Mãe quero ser Taoísta! Desejo estudar os mistérios do Tao.
– Filho, o que é isto? Anda assistindo TV demais? É coisa daquele
seu colega chinês que costuma vir aqui em casa?
– Não mãe! É que estou cansado de assistir a vocês tentarem explicar
tudo o que não pode ser explicado. Vocês espíritas tem sempre uma
resposta na ponta da língua, sem pensar muito bem no que acreditam e
afirmam. Enrolam ao invés de explicar - ao tentar através de Kardec
como se ele fosse um sabe-tudo - o conceito de Deus, verdade e todas
as outras coisas que ainda são inexplicáveis, misteriosas. A verdade
de vocês kardecistas que pode ser definida; não é a verdade em toda
a sua essência. Deus não se aplica em nossa vida ele está em nossa
vida. Tudo está simplesmente acontecendo em harmonia. Tudo sempre
está em transformação. Mãe, ouvi outro dia na TV sobre um ditado
chinês que diz o seguinte: “a primavera é sempre a mesma; mas as
flores não”. Além disso, o mestre disse que a natureza é sábia,
somos fruto dela e, que, se seguirmos suas leis, seremos sábios.
Mãe, o mestre chinês também disse que, precisamos aprender a abrir
mão das coisas que simplesmente aparecem para dar cor à nossa vida e
que vão embora.
– Porque quero deixar de ser espírita? O que disse Kardec a esse
respeito? Veja a dona Dirce (dirigente do Centro) só por que sua mãe
de oitenta anos morreu, está em depressão mostrando a todo mundo
aquela cara de coitada, sem vergonha. Mãe será que ela não aprendeu
que nada é para sempre? Ou a Doutrina não explica? Mãe porque tantas
pessoas do Centro fazem cirurgia plástica? Queremos que a juventude,
o sucesso, o namoro, a família sejam para sempre? Mas, diz o mestre
do Tao que, a realidade é que tudo muda.
– Mãe, os espíritas que conheço, falam e não praticam nada do
importante do que dizem, só se apegam às abobrinhas - veja o seu
Zezão tão amado por todos e que dá uma de bonzão nas palestras sobre
ética, moral e pobreza; o Chiquinho que é seu neto me disse que ele
é um rico criador de gado para matar a fome dos carnívoros, a
senhora sabe que eu detesto carne.
– Mãe, não conta nada para o pai; me ajuda, eu não quero mais ir ao
centro para fazer a tal da reforma íntima com sofrimento e culpa –
eu quero ser como disse o mestre do Tao, como a água que vai sempre
pelo caminho mais fácil; a natureza funciona pela lei do mínimo
esforço. Eu não quero praticar o kardecismo, quero usá-lo como uma
forma de viver; um dia quem sabe; hoje eu sou mais Taoísta, Budista
ou sei lá.
– Mãe, por favor você me leva numa Igreja, centro ou qualquer coisa
Taoísta? Quero ver como eles conseguem viver o que pregam...
As dúvidas da minha paciente (que aliás, passou em consulta pelo
filho sem que ele estivesse presente) são:
- Onde ela falhou?
- O que fazer?
- Será que seu filho era um desses índigos que andam falando por aí?
Sei lá. Mas, espero poder um dia ser capaz de repassar aos amigos
leitores a coleção que acumulei nas minhas vivências para mostrar as
dúvidas da Geração Nova a respeito dessas questões. Mas, neste
momento confesso, meio amargurado, que, ainda dei uma de espírita
kardecista clássico: disse a ela: - “Calma minha amiga tudo passa” –
“Isso, é coisa ou são dúvidas da idade”... Hoje, muito me arrependo
– mas será que teria coragem de dizer o que me vai realmente na
alma?
- Bem vindas crianças da Geração Nova que ainda são uma mistura de
Taoísmo, Budismo... Canismo, Judaísmo, Islamismo, e todos os
sistemas de crenças tipicamente ainda humanóides.
Beijos...

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Américo Marques Canhoto
- Casado, pai de quatro filhos. Nasceu em Castelo de Mação, distrito
de Santarém, em Portugal. Médico da família, clinica desde o ano de
1978. Hoje, atende em São Bernardo do Campo e São José do Rio Preto,
Estado de São Paulo. Conheceu o Espiritismo em 1988. Recebia
pacientes indicados pelo doutor Eduardo Monteiro. Depois descobriu
que esse médico era um espírito. |
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