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MEDICINA
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A
medicina deve espiritualizar-se com a mesma
rapidez com que tudo hoje flui no campo da tecnologia |
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AMÉRICO
CANHOTO |
Que
falta faz aquele amigo conselheiro, capaz de participar de nossos
dramas de vida - que compartilha quando temos escolhas pela frente -
que nos aponta caminhos e nos socorre quando escolhemos segundo
interesses do momento que, a princípio nos pareciam certos,
legítimos e justos; mas, não eram. Até os médicos carecem de amigos
conselheiros. Mas, na vida contemporânea quantos podem ter um médico
da família ou um amigo em quem confiar a qualidade de vida?
O estilo de vida atual aparentemente prático e funcional mostra-se a
cada dia mais inadequado e até perigoso. Vejamos na área da saúde:
claro que especialistas apenas em partes do corpo físico são muito
úteis embora não contribuam muito para a cura definitiva; nada de
críticas nem de ressalvas. A intenção desta colocação está voltada
para a forma, como e com quem, vamos tratar nossos filhos; pois essa
escolha pode determinar não apenas a cura de suas doenças atuais;
mas até determinar seu futuro, e por incrível que pareça a sua
qualidade evolutiva.
Quem será nosso conselheiro em saúde? Sim; pois, nem médicos nem
medicina curam de forma definitiva. Melhor seria que todos vissem o
médico como um consultor capaz de usar recursos variados para ajudar
seus pacientes a recuperar a saúde e a evitar novas recaídas,
através da mudança de hábitos e da reciclagem da personalidade.
Quem pode tornar-se, e qual o papel do médico da família?
É tarefa existencial daquele que decidiu acompanhar a vida em
família de seus pacientes, mesmo que não diretamente, apenas à
distância, baseado nas informações que recebe e, no que percebe das
atitudes durante as consultas – se atento, dentre outras coisas,
apenas como exemplo, torna-se capaz de identificar processos
obsessivos familiares em andamento; nada espiritual; apenas a mais
comum obsessão, simples e banal, de encarnado para encarnado, como o
apego obsessivo que tenta se disfarçar de amor entre seres com pouca
ou nenhuma educação emocional e afetiva – um problema mais comum do
que se imagina. Por que algumas crianças adoecem mais do que as
outras e demoram mais para se curar? Qual a razão? Nesse caso, para
um observador mais atento, não é difícil perceber que alguém da
família é mal educado nas emoções, “lida mal” com a doença, com o
sofrer ou tem uma relação doentia de apego à criança. O que o médico
da família pode fazer? Tudo no tempo adequado - Caso já esteja nesse
patamar de percepção; passo a passo deve orientar os familiares a
perceberem e a aceitarem a realidade; mas com muito cuidado e tato
que, só o traquejo do médico da família permite; pois de nada vale
apenas falar, essa atitude pode apenas ativar o mecanismo de defesa
dos normais em fugir das responsabilidades e o caminho mais curto é
mudar de médico – Daí, tudo vai por água a baixo? – Será? – Claro
que não! Pois mesmo que em determinados momentos como médicos da
família nos atrapalhemos falando na hora errada; não tem
importância; mais importante é a intenção com que o fazemos; logo a
oportunidade de correção se apresenta; pois médicos da família são
distribuidores de sementes. Claro que sua qualidade como tal,
depende da vontade e inteligência em estudar bem o terreno e as
condições em que as lançam; pois, é lógico que muitas vezes é melhor
calar esperando um momento mais propício; mas fugir da
responsabilidade, jamais.
Por incrível que pareça, as crianças da Geração Nova são mais
vulneráveis à condição psicológica e principalmente emocional e
afetiva da família e dos profissionais da saúde do que as ainda
normais. Quem aceitou uma dessas para encaminhar na existência, que
se cuide bem na sua reciclagem íntima, pois a responsabilidade é
maior. Médicos da família e pediatras; não ficam atrás e devem estar
atentos ao lidar com as novas crianças e sua família; pois seu papel
pode mudar o futuro de todos, em mais sentidos do que possam
imaginar, hoje. A responsabilidade do profissional que realmente
trabalha em prol da saúde aumenta; numa velocidade e intensidade
fantástica; curar doenças agudas de pneumonias a meningites,
passando por cirurgias e transplantes têm tanta importância quanto
a, tarefa de mudar o curso da evolução dos pacientes. A medicina
deve espiritualizar-se com a mesma rapidez com que tudo hoje flui no
campo da tecnologia. Talvez em breve o médico pediatra seja o
profissional de saúde mais capaz de ajudar a mudar o mundo ao
influenciar positivamente seus pequenos pacientes; ou não.
Vale a pena fazer uma ressalva a respeito do médico da família e o
de família – apenas uma letra pode fazer toda a diferença – Pegando
carona nessa verdade, quando Jesus nos avisou para vigiar e orar a
maior parte de nós não entendeu nem um por cento do que Ele quis
dizer.
Aqui tentamos criar um médico de família baseado no modelo cubano –
lá a medicina de família tornou-se uma realidade nem tanto por opção
clara e íntima dos profissionais; mas por uma contingência de
sistema de vida; os médicos por falta de opções foram obrigados a
viverem junto aos seus assistidos para sobreviver; e não é que o
modelo deu mais ou menos certo; mas, se tivesse dado certo mesmo,
eles não tentariam fugir a nado ou de outras formas – claro que lá
deve haver alguns médicos da família por opção própria e das
famílias que aprenderam a confiar neles; porém, pelo visto o que
predomina são os médicos de família – deu para entender a sutil, mas
ao mesmo tempo monstruosa diferença? Quando transplantamos o modelo
cubano para cá, as falhas tornaram-se mais visíveis, já que
inseridas num modelo capitalista e consumista de vida – Quem são
nossos médicos de família? – Clínicos gerais ou até especialistas,
mal formados, mal pagos, mas que poucas opções têm para seguir em
frente na carreira, diriam alguns; claro que dentre eles, há alguns
idealistas que podem tornar-se um dia médicos da família.
Apenas como diversão intelectual, vamos analisar algumas diferenças
entre o médico de família e o da família.
Os de família fazem parte de uma intenção política ou de necessidade
de sobrevivência; os da família tornam-se conseqüência de uma tarefa
executada ao longo de muitos anos ou de algumas décadas com
honestidade, simplicidade e amor. É possível transformar médicos de
família em médicos da família em pouco tempo; temos fé que sim; mas
certeza que não antes do final da fase de transição planetária,
ainda bem que ela está mais próxima do que queremos imaginar. Os
motivos são simples, mas arraigados: falta de educação política para
cobrar uma vida digna ao médico que assumir a responsabilidade de
cuidar da saúde e não das doenças de uma comunidade; depois o mais
difícil: superar os interesses financeiros da medicina de grupo, e o
mais difícil ainda, sublimar a ingratidão dos assistidos.
Como numa sociedade de consumo o que conta é a “grana”, mesmo o
médico de família sai mais barato tanto para o bolso do consumidor
quanto para os cofres do estado – Já analisou quanto custa uma
simples infecção de garganta numa criança, mesmo sem ter que mudar a
medicação no meio do caminho, o médico de família poderia tornar
essa ocorrência mais barata, ou até se trabalhasse direito poderia
evitá-la – conceitos da medicina chinesa de mais de cinco mil anos
atrás.
Não é á toa que Jesus é considerado o Mestre dos mestres e o Médico
dos médicos, pois todo o roteiro que nos trouxe está baseado na
prevenção. Prevenir é sempre uma atitude mais simples, inteligente,
daí mais barata do que remediar – quem tem interesse em remediar
senão aquele que vende remédio...
Quantos profissionais hoje podemos considerar como o médico da
família?
Saúde.
Relação
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Américo Marques Canhoto
- Casado, pai de quatro filhos. Nasceu em Castelo de Mação, distrito
de Santarém, em Portugal. Médico da família, clinica desde o ano de
1978. Hoje, atende em São Bernardo do Campo e São José do Rio Preto,
Estado de São Paulo. Conheceu o Espiritismo em 1988. Recebia
pacientes indicados pelo doutor Eduardo Monteiro. Depois descobriu
que esse médico era um espírito. |
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