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Quem AMA cuida

As ocorrências mais irrelevantes do nosso
 dia-a-dia são oportunidades de aprendizado

AMÉRICO CANHOTO

Mestres atentos não precisam de modernas tecnologias para ensinar a seus alunos – vivem antenados fazendo a leitura das pequenas ocorrências do dia a dia. Um grande mestre, Jesus, nos alertou: “Nem só de pão vive o homem” – “Cuidar do corpo e do espírito” – Os nutrientes físicos são o alimento do corpo, o amor é o alimento do espírito.

Quem pode ser mestre?
Na verdadeira acepção da palavra, o mestre é aquele que se vale de todas as circunstâncias que se apresentam para delas extrair ensinamentos. Quando entendermos que a Terra é um grande educandário, que nossa educação é contínua e ininterrupta e que somos, ao mesmo tempo, educandos e educadores, entenderemos o real significado do que seja ser um mestre como Jesus, Buda e muitos outros.
O Pai Amoroso oferece oportunidades iguais para todos. As diferenças de aproveitamento dependem do aluno que quer aprender e do professor que deseja ensinar. Nesse perfeito contexto, o material pedagógico a ser utilizado para que nos eduquemos está sempre à mão, não necessariamente nos livros didáticos ou nas escolas, mas no cotidiano de cada um, como bem nos mostrou não apenas Jesus, mas outros que o antecederam.
Nosso assunto é a educação e a relação que ela tem com o ato de nos alimentarmos em todos os sentidos, do físico ao espiritual. Não se trata de etiqueta social ou de bons modos à mesa. Seu objetivo é muito maior que esse: pretende influenciar de forma positiva aqueles que desejam progredir e melhorar a si mesmos.
O Mestre Jesus nos pediu que cuidássemos do corpo e do espírito ao mesmo tempo e em todos os momentos.

Cuidar do corpo e do espírito. Como seguir essa recomendação tão clara?
Como nossa consciência encontra-se polarizada no mundo material (terceira dimensão), um meio muito simples de nos cuidarmos é usar o ato de alimentar o corpo físico como recurso pedagógico para aprimorar o espírito, pois nos alimentamos todos os dias e várias vezes a cada dia. Se exercitarmos a atenção e o raciocínio ao nos alimentarmos, começaremos a nos nutrir de fato, em benefício do corpo e do espírito.
Infelizmente não fazemos uso dessa oportunidade de crescer. Mesmo nos tempos atuais, nossas crianças são treinadas para comer e não para se alimentar. Mesmo entre aqueles que tem acesso à instrução e conhecem os vários grupos de nutrientes, a maior parte ainda come apenas, em vez de nutrir adequadamente o corpo. Se assim o fazem em relação ao corpo, tanto mais em relação à alma.

Há diferença entre comer e alimentar-se?
Quem come o faz devido ao instinto de sobrevivência. Já aquele que se alimenta usa a inteligência, raciocina durante o ato de comer: “Isto é bom para meu corpo e minha saúde, aquilo não”. “Esta quantidade de alimento é adequada; se for menor trará carências, se for maior, vai ocasionar problemas”.

Em que estágio nos encontramos?
O ato de nos alimentarmos ainda ocorre de forma primária. Nem sabemos, por exemplo, diferenciar o que é bom, nutritivo, do que é apenas, gostoso, saboroso, mas não traz proveito ao corpo. Essa é uma técnica que ainda não se ensina nas escolas e nos lares: exige de nós discernimento um pouquinho acima da média. Outro impedimento ao uso da dieta como recurso pedagógico é a mania de padronizar tudo, o que, quanto, quem e qual momento devemos fazer nossas refeições. A imposição de padrões é uma desconsideração para conosco, pois não existe uma única pessoa com necessidades iguais a outra. As necessidades do corpo são individuais: cada caso é m caso. Semelhantes até o somos, iguais nunca.
Para atender aos nossos objetivos, apresentamos algumas recomendações práticas ao ato de nos alimentarmos e que poderão ser aplicadas pelos interessados na educação de si mesmos, na sua reforma íntima. Aplicam-se em especial à educação interativa, da qual participam os pais, mães, toda família, os professores e a sociedade de maneira geral (como nos referimos no livro “Educar para um mundo novo”). Claro que há muito para aprender – para quem se dispuser – essa tarefa deve ser desenvolvida em etapas. Primeiro é preciso que o adulto se reeduque para preparar-se para educar a criança que está sob sua responsabilidade. Esse é o nosso ponto de partida: estudar nossas necessidades e, a partir delas, rever nossos hábitos alimentares.

Recomendações que não se fazem acompanhar de bons exemplos, na maior parte das vezes, mais atrapalham do que ajudam...
O aprendizado não deve ser fruto de imposição, do autoritarismo. A criança deve ser estimulada a aceitar as recomendações dos pais por intermédio do raciocínio, da razão, a entender porque deve fazer alguma coisa ou obedecer a alguma norma, lei ou regulamento. Não importa qual seja nossa idade, enquanto não aceitarmos, de livre e espontânea vontade, um novo padrão de comportamento, vamos aplicá-lo apenas provisoriamente. Em nosso novo livro “Quem ama cuida” tentamos mostrar que: Compartilhar o aprendizado de nos alimentarmos corretamente é um delicioso, aromático e saudável ato de amor.
Boa Leitura – melhor: bom estudo.
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Américo Marques Canhoto - Casado, pai de quatro filhos. Nasceu em Castelo de Mação, distrito de Santarém, em Portugal. Médico da família, clinica desde o ano de 1978. Hoje, atende em São Bernardo do Campo e São José do Rio Preto, Estado de São Paulo. Conheceu o Espiritismo em 1988. Recebia pacientes indicados pelo doutor Eduardo Monteiro. Depois descobriu que esse médico era um espírito.


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