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Carnaval como "ELES" querem |
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"Festa sem sentido comandada
pelo deus baco (bacanal)" |
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AMÉRICO
CANHOTO (ESPECIAL PARA O JORNAL DOS ESPÍRITOS) |
Dia desses, já não
me lembro mais se estava acordado ou dormindo, de repente, não
sei se foi fruto de uma simples idéia que ficou como lembrança,
ou se realmente vi e conversei com seres de outro mundo, mas uma
idéia surgiu em minha cabeça: pesquise, converse, entreviste e
analise o assunto carnaval como se você estivesse no lugar dos
protagonistas. Se eu assumisse a posição de cada um dos
entrevistados o que faria? O que diria? O que sentiria? Como é o carnaval
segundo cada um de nós?
Assim dizem e se justificam os:
Carnavalescos - Quem vive do carnaval diria que, esse
evento, é uma oportunidade extraordinária de expressar a arte
popular, os anseios de um povo sofrido e mal tratado - de
aparecer na mídia para tentar mudar alguma coisa. Uma oficina
incrível para desenvolver ainda mais nossa já reconhecida
criatividade. Fonte de renda para milhares de excluídos do
sistema econômico. Orgulho nacional. O show da vida. Para
milhares, a razão maior do existir e, coisas do gênero... Temos
que mostrar ao mundo e exportar nossa alegria e, o nosso
“sex-apeal” que todos desejam pagar para ter. Um espetáculo.
Para os figurantes, é uma oportunidade de ser admirado, cobiçado
como um objeto (o que importa?), invejado até, para
alguns é a chance de “aparecer” na mídia, para outros é a
oportunidade de continuar em destaque, mesmo que seja sob a
ótica do bacanal em que se tornou a comemoração do carnaval.
Seguindo em ordem mais ou menos alfabética. Continuamos nossa
entrevista virtual a respeito deste
“espetáculo mundial”.
Aborteiros - Pós embalos e folia, mesmo com tanta
tecnologia de “sexo seguro”, distribuição de camisinhas e
pílulas do dia seguinte (abortivas) – março e abril, são o meses em que
a procura pelo aborto aumenta.
Assaltantes - No caso de uma pessoa que vive da arte de
surrupiar os bens do próximo, certamente se for esperto,
planejará tirar a “barriga da miséria” nesta fase de vacilo
espiritual, onde todos estão “eufóricos” e descuidados; com
certeza usará sua “criatividade” para fazer a festa. Para quem
vive disso, todos os tipos de crime são válidos, depende de cada
região, da “necessidade” e da ganância – nessa época, é melhor
ir trabalhar no Rio ou no Nordeste, mesmo que a concorrência
local seja forte e perigosa – o risco inerente à profissão é
alto, mas pode valer a pena. Melhor assaltar “gringos xaropes”
do que velhinhas na saída do banco ou nas esquinas, conversa o
bandido com seus botões usando sua lógica particular.
Comerciantes - Para quem está envolvido em fabricar
miçangas e bugigangas, comercializar bebidas, comidas, sexo e
diversão, esta é uma das épocas mais aguardadas do ano. Lucros
gordos. Contas bancárias mais obesas.
Donos de bares, botequins e motéis - Sob o clima de beber
até cair e, de se preparar para a folia “enchendo a cara” para
se “soltar” e liberar as neuras e frustrações; para essa
turma é uma época de festança nos lucros (pode triplicar os
preços que ninguém liga). Para os donos de motéis é certeza de
lotação contínua, pode dobrar os preços que o movimento não cai
(de leve, pode colocar drogas e “viagra” no cardápio que ninguém
se liga).
Economistas - O carnaval embora movimente parte
expressiva da economia do “país”, pouco reflete na elevação do
PIB, pois mais recicla a grana interna (prestação de serviços)
do que gera divisas. Alguns de destaque - em off - sinalizam que
vale a pena exportar os “frutos do desejo sexual” que a ginga e
os rebolados provocam e, que movimentam mais, muito mais, do que o
turismo nesta época do ano. Afinal para esses “prestadores de
serviços” fazer a mesma coisa lá fora recebendo em dólares ou euros é muito mais lucrativo do que se continuarem aqui.
Espíritas - Na “semana do carnaval” alguns centros não
funcionam: faltam tarefeiros e
escasseiam assistidos. Retiros para vibrar pelo “país” e pelo
“planeta” só depois da quarta de cinzas, o momento é de relaxar,
descansar? Mesmo sem cair na gandaia (com algumas espiadinhas pela
TV), o relax é preciso até no vigia e ora. Será? Mas de que forma
os trabalhadores desencarnados vêem esse relax nas tarefas?
Alguém já perguntou?
Funcionários públicos e privados - Para os “públicos”,
como ninguém é de ferro: cair na gandaia e coçar, é só começar.
Para os de primeiro escalão, férias de dezembro a março; depois
do “natal” vem o carnaval e o Brasil só começa a pegar no
batente, meio que no “tranco” um tempo depois da quarta-feira de
cinzas. E daí? Para os privados, te cuida "mané", curte o teu
“pacote de férias” sem deixar de pensar no trabalho, pois deixou
de “produzir lucros”: porta da casa, serventia da rua...
Homossexuais - É hora de “soltar a franga” sem culpa, sem
remorso dos “cacarejos” e dos “barracos”, pois, quem sabe, no
futuro ainda “pinta alguma coisa grande”.
Trabalhadores da indústria farmacêutica - É o momento de
colocar na praça muito mais produto para vômitos, enxaqueca,
anticoncepcionais, camisinhas, pílulas do dia seguinte, etc.
Depois que transformaram o carnaval numa espécie de bacanal, uma
das minas de ouro da época são os “viagras” da vida.
Policiais - Rezar durante o ano inteiro pode ajudar a
ficar “bem posicionado” nesta época do ano, nas delegacias
certas...
Políticos - Aparecer muito, mas de forma discreta (isso,
pode parecer um contra senso, mas não no meio da política) é o
sonho de todo político no carnaval. Alguns, às vezes, até
aproveitam essa época de consciência anestesiada, para “mandar
ver” decretos e posições impopulares, mas o que é ser
impopular?
População (povão) - Extravasar as frustrações, viajar,
descansar, cair na folia, divertir-se, meditar (alguns fazem
isso). Cada pessoa ou grupo tem o seu conjunto de interesses e
de justificativas para suas atitudes e comportamento nesta época
do ano. Respeitem-se cada uma delas.
Produtores de bebidas alcoólicas - Em curto espaço de
tempo, das festas de fim de ano ao carnaval, os produtores de
bebidas lucram para o ano inteiro. Toda comemoração e
festividades ainda sempre terminam de maneira geral em comida e
bebida e no caso do carnaval até pode acabar em sexo. Durante o
carnaval grande parte das pessoas é movida a álcool, a drogas ou
a estimulantes.
Puritanos - Muitas pessoas são inimigas ferrenhas desta
festividade pagã ainda comandada pelo deus baco (bacanal –
bacana); porém poucas delas dedicam-se nesta época a vigiar mais
e a orar mais ainda (meditação). Já os puritanos fariseus
costumam ser muito mais críticos do que construtivos.
Religiosos – Para os “cristãos” essa festa, não tem
sentido nem ao menos comemorativo, a mesma coisa para os
religiosos orientais. Para quem se preocupa com ascensão
espiritual essa comemoração não tem significado algum além da
satisfação das necessidades de “prazer” dos participantes.
Rufiões - cafetões – Nesta época de muito trabalho, é
preciso investir no visual da mercadoria e vigiar muito o
patrimônio, para não ser passado para trás. Para esses
trabalhadores do carnaval nada de exageros em bebida ou droga
para ficarem espertos e ligados para evitarem o prejuízo.
Televisão – Para as emissoras de TV é o grande evento do
ano. Procura-se mostrar aquilo que o povo gosta – o conteúdo e a
ética, embora não sejam desprezados não tem tanta importância
quanto atingir as buscas e os desejos do povão.
Telespectadores – Carnaval é sinônimo de escola de samba?
- Muitos procuram a beleza plástica dos enredos das “escolas”;
outros, fixam-se na libido das “peladas e dos pelados” na
sensualidade do rebolado e das gingas; alguns, curtem as músicas
- cada qual tem lá suas preferências á mostra ou enrustidas...
Trabalhadores de P.S. – Trabalhar em “excesso” quando
todos se “divertem”, é como que um “kharma” inaceitável. Para o
profissional de saúde que não conseguiu se safar da escala de
plantão nesta época de folia, atender aos “foliões” que
aparecerem acidentados, bêbados, esfaqueados, surrados e coisas
do gênero, não deixa de ser um exercício de extremo amor à
profissão; pois atendê-los ao menos com paciência é uma tarefa
que exige o que a maioria de nós ainda não tem para oferecer,
portanto, crie juízo e fuja de P.S. nesta época do ano.
Traficantes – Quem conseguir estocar todo tipo de “droga”
que anestesie a consciência dos foliões nesta época do ano pode
tirar férias o resto (caso não seja muito guloso). Para tirar
essas “criaturas foliãs” do sério qualquer coisa serve.
Turismo – Esse é o momento da hora. Quem não se preparar
para ele, vai “dançar no preju”. Esquisito é que, alguns malucos
estejam programando atividades cada vez mais lucrativas de
retiros anti-carnaval: cursos eventos, meditação, etc. Os
investidores mais espertos apostam nas duas tendências, pois
quem sabe qual delas vai dominar? Quem sabe?
Turma do oba oba – “Velhas crianças” que não querem
assumir nenhuma responsabilidade. Essa turma que compõe milênio
após milênio o bloco mais antigo do carnaval da vida no
Universo: “O bloco da maria vai com as outras”; será
transferido para outra passarela cujo nome ainda deixa dúvidas:
X–15 - Chupão – Aero L - ...
E aí, amigão, leitor, o que vais fazer no carnaval?
O que o carnaval representa para ti?
Qual é a tua programação para essa época?
Qual é a do teu centro espírita?
Para onde vais?
Quem manda em tua vida?
Estás submetido aos desejos de quem?
Em qual situação das que foram apresentadas te encaixas?
Estamos abertos a sugestões.
Até para o próximo bate papo.
Muito juízo e muita paz. 
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Américo Marques Canhoto
- Casado, pai de quatro filhos. Nasceu em Castelo de Mação, distrito
de Santarém, em Portugal. Médico da família, clinica desde o ano de
1978. Hoje, atende em São Bernardo do Campo e São José do Rio Preto,
Estado de São Paulo. Conheceu o Espiritismo em 1988. Recebia
pacientes indicados pelo doutor Eduardo Monteiro. Depois descobriu
que esse médico era um espírito. |
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