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Banalização do SEXO
Descaso e falta
de educação banalizam o sexo
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Crianças e
jovens vivem num mundo onde as manchetes de jornal as fazem
perguntar sobre assuntos que deixam os pais numa “saia
justa”. Recentemente fiquei perplexo ao ler: “Para aderir a
uma das ferozes gangues de rua da América Central, Benky,
uma jovem pequenina com os olhos fortemente maquiados com
rímel e os braços recobertos de tatuagens, teve de fazer
sexo com uma dúzia de garotos do grupo, certa noite. Ela se
lembra de ter chorado incontrolavelmente quando o último
deles terminou, e de ter sido cercada por todos os membros
da gangue, que a cumprimentaram por sua admissão plena à
Mara Salvatrucha.”
Em maio de 2008 vemos o jogador de futebol no seu inferno
astral. “Ronaldo diz ter sido vítima de uma tentativa de
extorsão do travesti André Luiz Ribeiro Albertino, conhecido
como Andréia Albertine. Albertino acusa o atacante de calote
em um programa com outros dois travestis e de envolvimento
com drogas.” Estes exemplos são tão tristes quanto aquele que
saiu na Revista de Cultura Espírita "Nueva Generacion",
Guatemala, C.A. 5 (18): 3-6, abril-junio, 1995, narrado em:
sexo – artigo de compra e venda (abaixo).
Na história da menina de 12 anos que referimos anteriormente
há inclusive o crime doloso contra a vida: “o líder da
gangue ordenou a Benky, que então tinha 14 anos, que
roubasse ônibus, arrancasse correntes do pescoço das pessoas
e até matasse uma menina de uma gangue rival. Ela sempre
obedeceu, embora Benky declare que não estava completamente
certa de que a rival havia morrido depois de levar um tiro
nas costas. Eu achava que a gangue seria como minha
família", explica Benky sobre sua adesão. "Pensei que
receberia o amor que me faltava. Mas eles me batiam".
Davam-me ordens. Diziam que eu tinha de roubar ou matar
alguém, e eu obedecia.
Escrevi “Discutindo a Sexualidade”, um artigo que me deu
muito trabalho, pois depois recebi correspondências pedindo
mais informação ou criticando a forma concisa que usei nas
minhas “janelas” ou “planos”. Fazer o que?
Nele muito se pode aprender com o caso relatado por um
psiquiatra que clinicava em São Paulo e que trabalhou mais
tempo com hipnose do que Freud. Seu paciente homossexual
reviu vidas pregressas em regressões de memória.
Haverá forte emoção e sofrimento se, numa vida futura, o
nosso jogador de futebol fizer regressão de memória aos
nossos dias. Por isso a regra é o esquecimento. Basta
olharmos nossas tendências, dizia o codificador da Doutrina
Espírita.
Aos pais recomendei que “deixasse claro” o amor que sentem
por seus filhos (Aclárele todo a su hijo). E, quem ama
educa, através do exemplo. Pobres crianças desta hora.
Pobre Benky! Quando ela tentou largar a gangue, levou seis
tiros dos ex-colegas. As cicatrizes, ainda visíveis em seu
corpo, confirmam a história, como o fazem os assistentes
sociais que a visitaram durante os seis meses que ela passou
no hospital. (Luiz
Carlos Formiga)
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SEXO
- ARTIGO DE COMPRA E VENDA
Os homens demonstram sua posição na escala evolutiva
pelas decisões que tomam diante da vida. Em muitos a
consciência ainda não despertou para os verdadeiros
valores. De posse de liberdade relativa demonstram pouca
responsabilidade. Antes de governar, parecem governados
pelos instintos. Muitos são especialistas na arte de
multiplicar títulos e propriedades, mas no campo afetivo
afastam-se da receptividade, do compromisso. São mestres
na produção de seres-objetos. Distanciados da
consciência lúcida são ainda amantes da poligamia. No
homem mais evoluído a sexualidade é entendida num
contexto amplo, inclusive o espiritual. Vê na
sexualidade uma atividade intimamente ligada ao
crescimento pessoal, à auto-estima e à formação de
saudáveis vínculos afetivos e amorosos. Espírito mais
amadurecido percebe a sexualidade como reconstituinte
das forças espirituais pelo qual as criaturas se
alimentam mutuamente. Mesmo quando convivendo com
inseguranças e sentimentos de rejeição, nunca busca o
sexo como forma de auto-afirmação e alívio de incertezas
ou carências. Não troca sexo por companhia tentando
diminuir o vazio da solidão. Quando o espírito, mesmo em
corpo velho, está num nível evolutivo ainda baixo, sua
consciência dorme e se torna difícil freiar instintos.
São pessoas fisiologicamente adultas mas emocionalmente
infantis. (5,6,7)
Mas, quem
atirou a primeira pedra?
Analisando-se o discurso de mulheres que se
vendem de forma institucionalizada (eu-isso) e o
silêncio do seu comprador, concluiu-se de que a
coisificação da mulher é indispensável, para a grande
cidade, como é a lata de lixo para a família. Ela
desempenharia o papel de defesa da ordem coletiva e o da
satisfação dos impulsos recônditos dos homens. Mas, duas
questões são importantes. Como essa mulher que se vende
(eu-isso) vivencia sua sexualidade (eu-mulher)? Como se
sente e o que busca o homem (eu-isso) ao relacionar-se
sexualmente com uma mulher que se vende? O acesso À
bibliografia e à realidade do dia-a-dia revelaram, na
pesquisa (2), que existe uma contradição muito grande em
torno da prostituição, pois, ao mesmo tempo em que ela é
recriminada como algo nocivo à sociedade, é tolerada,
servindo como importante estabilizador social, que
cumpre várias funções. No entanto, o discurso das
mulheres revelou a crença de uma atividade profissional
como outra qualquer onde a busca do dinheiro é o mais
importante.
Por outro lado o sonho da constituição de uma família
apareceu neste discurso.
É válida a premissa de que as circunstâncias
socioeconômicas e morais estabelecidas pela sociedade
criam e recriam os espaços do vir-a-ser prostituta. O
homem deve ser visto como um co-autor, co-responsável
por esse modo milenar de vivenciar uma das inúmeras
facetas da sexualidade humana. No momento em que estamos
escrevendo estas linhas, há um destaque especial na
novela da TV sobre essa questão, demonstrando a
contradição referida anteriormente. Ao mesmo tempo em
que ela é recriminada como algo nocivo à sociedade, é
também tolerada (casas de tolerância), até no "horário
nobre". Nas incursões a estas "casas" os pedagogos e
psicólogos pesquisadores verificam que os homens
(casados) se sentem pouco à vontade em dar entrevistas,
no sentido de oferecer respostas à segunda questão acima
(o que busca ao relacionar-se?)
Se não existisse o estigma, quanto ao tipo de atividade,
muito pouco esta se diferenciaria das atividades de
outros profissionais. O que existe é uma dicotomia corpo
x mente, em que o primeiro assume um valor de troca e o
segundo se consome no esquecimento. Ela procura um
distanciamento de si mesma, do ser-mulher-mãe, da
prostituta. Não há unificação do ser. Ao buscar
relacionar-se desta forma, intenciona preservar-se
enquanto um isso, enquanto um objeto, que possui seu
valor de troca, que sente prazer apenas na obtenção do
dinheiro e que deve ser preservado e cuidado. O dinheiro
legitima essa forma de ser no mundo e a dicotomização do
lado impessoal, profissional e afetivo permite apenas a
meta de desempenhar ou representar no palco sua função
da melhor forma possível. Ela precisa manter seu objeto
de trabalho sempre em evidência, possibilitando seu
sustento. Fingir faz parte do "show" e pode-se pensar
numa ginástica com os aparatos de uma boa aula de
aeróbica. O caráter erótico em que se vivencia a
cumplicidade, a troca, o envolvimento não existe. Uma
delas fez a síntese: "É um sexo podre".
Não há encontro porque não há disponibilidade mútua, não
há envolvimento mútuo possibilitando confirmação mútua.
Numa faixa evolutiva mais baixa, a sexualidade do homem
fica muito circunscrita à sua genitália, é muito
mecânica, exigindo, então, uma manutenção específica e
periférica, feita por um agente específico.
Em ambos há o empenho de lidar com aquilo que é
superficial, que pode ser tocado, visando cada um o seu
benefício "legal".
Nas entrevistas os pesquisadores constataram outras
modalidades de relação diferentes do sexo que também são
requisitadas, como a "conversa", fala desprovida de zelo
maior onde se mostra o lado inseguro. E diante da
postura inerte de seu objeto, se permite extravasar toda
a sua angústia, de forma que não se comprometa, não
corra riscos. Isto é uma parcela do conjunto das
necessidades sociais.
Elas deverão dar continuidade ao "show" e para isso
juntar os pedaços de seu objeto e configurar-se um todo
irreal unificado. As cenas e o final são quase sempre os
mesmos. Quando interrogadas acerca de sua qualidade de
mulher ficam perplexas e mal sabem responder. Seu ser
fica desprovido de todo e qualquer significado que leve
em consideração sua totalidade, seu ser-mulher. Parece
que ao viver grande parte de sua vida no "palco", o
personagem tomou conta de si, e o seu eu passou a ocupar
um plano inferior e nem é lembrado.
"Não sei o que é ser mulher" foi a resposta. Se é
lembrado é também extremamente desvalorizado. Parece que
não se consegue superar essa dicotomia e o eu fica
submetido à desintegração. O que pensar da integração
com Deus e a sociedade?
"Quero ter uma família". É um projeto que aparece no
discurso como um meio de deixar a "profissão", porém,
muito mais do que isso, um modo de integrar-se na
sociedade e, quem sabe, até amenizar a dicotomia
existente em seu espírito. Bruns e Gomes Junior (2)
concluem achando que aqueles que compram-vendem,
vivenciando o "êxtase" do aqui e agora, vão se
distanciando cada vez mais de si mesmos e a dicotomia
existente entre corpo x mente se fortalece cada vez
mais, de modo a não provocar inquietações. As educadoras
terminam dizendo que tanto um como o outro "perpetuam o
monótono círculo vicioso que o mundo do faz-de-conta
lhes possibilita, fingindo que esse é um dos modos de
serem felizes".
Duas senhoras, em um café num país sul-americano,
comentavam que a palestra da noite, feita pelo
brasileiro, deveria ser no mínimo instigante, pois
falaria do amor, da imortalidade da alma e das
conseqüências, na vida espiritual, dos atos cometidos
aqui na Terra. Uma jovem próxima ouve o comentário
positivo e resolve assistí-la também. Após a palestra,
que falou sobre reencarnação e memória extracerebral, na
fila dos que vieram apertar-lhe as mãos caridosas,
Divaldo escuta a estória: (8)
- Eu sou uma meretriz. Era uma jovem delgada de olhar
entristecido. Contou-lhe que fora o padrasto quem a
colocara no plano inclinado. Ela havia ouvido as
senhoras falarem do brasileiro que pregava o amor como
antídoto da dor e, como sofria muito, resolveu dar-se
uma chance. Jogou fora a substância corrosiva, colocada
no refresco, para ouví-lo. Divaldo explica que não era
má vontade, mas que o seu anfitreão o aguardava. Porém,
gostaria muito de encontrá-la mais tarde. Ela respondeu
a Divaldo que não se preocupasse porque era uma mulher
da noite. Marcaram o encontro na casa do anfitrião. À
noite conta que vivia num bairro de alta classe social e
econômica. Quando o pai morreu ela contava quase quinze
anos. A mãe tinha quarenta e dois e era uma mulher
frívola, de caráter vulgar e, em menos de três meses
depois, estava nos bailes e festas. Ligou-se a um homem
mais jovem do que ela, destes que vivem a explorar
mulheres ingênuas. Ele veio viver em nossa casa e
começou a procurar-me. Minha mãe acreditou quando ele
disse que eu havia me oferecido. Após a bofetada,
colocou-me na rua. Aos quinze anos eu estudava e tinha
uma amiga de dezessete anos que me recebeu em casa. Ela
disse que a vida era maravilhosa e que devíamos
desfrutá-la. Era acompanhante de velhos executivos e uma
noite lhe rendia quinhentos dólares. Mais tarde ela me
disse que se não trabalhasse também não comeria e
levou-me a uma casa. Divaldo ouviu pacientemente e...
Através da divulgação do Espiritismo, por meio da
palestra na reunião pública, em clima fraternal e com
interesse de ajudar na solução dos diversos problemas
humanos, conseguiu-se a reabilitação e, posteriormente,
a integração da jovem aos labores espíritas. Hoje ela
tem uma família!
E se elas se contaminarem? E se houver gravidez?
Observa-se uma incidência crescente de AIDS em crianças
em todo o mundo. No Brasil a porcentagem de mulheres
infectadas, em idade fértil, aumentou de 5,1% para
12,51% em dez anos. A proporção homem/mulher era de 18/1
e atualmente é de 3/1. Este fato explica a enorme
preocupação dos profissionais de saúde que trabalham com
crianças. Em um trabalho observou-se que apenas uma, em
25 crianças, adquiriu o HIV através de transfusão
sanguínea. Todas as outras foram infectadas de modo
vertical, risco que varia de 27% a 62%. A transmissão
mãe/filho pode ocorrer via placentária, no canal do
parto e pelo leite materno.
Vamos relembrar algumas coisas: (6) Aids é um dos
maiores problemas de saúde pública. A epidemia não vai
passar por si mesma e a discriminação só empurra a
doença para a clandestinidade, onde não podemos vê-la e
combatê-la. Aids é primariamente uma doença sexualmente
transmissível, é uma imunodepressão acompanhada de
doenças oportunistas graves, infecciosas ou neoplásicas,
com eventual lesão neurológica. O HIV é um parasita
genético, isto é, ele se integra ao sistema de genes, ou
DNA, e programa a célula transformando-a numa fabrica de
HIV. Como o HIV se integra no sistema genético da
célula, quando tentamos destruí-lo acabamos destruindo
também a própria célula. Por isso o tratamento da Aids é
muito complicado. O número de indivíduos com infecção
assintomática (portadores) e que podem transmitir o
vírus é significativamente maior do que o número de
doentes. Se uma pessoa tem apenas um parceiro sexual,
mas este tem mais de um, a pessoa tem risco de ser
contaminada. São fatores de risco associados aos
mecanismos de transmissão: as variações freqüentes de
parceiros sexuais; o uso de produtos de sangue não
controlados; o uso de agulhas e seringas não
esterilizadas e no caso do bebê a infecção materna pelo
HIV.
São co-fatores específicos de risco em relação à
transmissão sexual: o trauma, como pode ocorrer na
relação anal e lesão genital causada por outras doenças
sexualmente transmissíveis. Apenas com acesso aos
preservativos e à informação não mudaremos
comportamentos. Adolescentes bem informados continuam
tendo condutas sexuais de alto risco.
Das vinte marcas examinadas, apenas sete dos
preservativos utilizados no Brasil cumpriram os
requisitos de segurança.
A necessidade do uso da camisinha é informação
relevante, mas isto não é sinônimo de sexo seguro, esta
seria uma afirmação no mínimo leviana e irresponsável.
Um produto que não impede a gravidez não evita a
infecção viral.
Somos massacrados pelas mensagens eróticas que procuram
transformar-nos em máquinas sexuais.
A psicóloga Dione Costa (4) relatou que quando ouve
pacientes, indivíduos comuns, com doenças sexualmente
transmissíveis, vindo de encontros que podem não ter
durado sequer uma hora, anônimos, desconhecidos, mas que
levam a abortos, sempre questiona: e a afetividade? Que
crianças serão estas? E que adultos? Tudo isso, diz ela,
nos remete a um sexo mecanizado, mostrando uma
inadequação ou negação da sexualidade responsável, pois
possibilita doenças e com elas sentimentos como
frustração, desilusão, insegurança, solidão, vergonha,
culpa, medo que se perpetua para os próximos encontros.
Como terá sido a aprendizagem amorosa desses indivíduos
ao longo da vida?
Será este caminho do não-encontro, ou desencontro, o
único que aprenderam ao longo de suas vidas para a busca
da felicidade?
Nesta hora, o profissional de saúde-educação tem um
papel "fantástico" pois é um importante momento para
mostrar os riscos, a possibilidade de fazer escolhas, de
ensinar a dizer não, de adquirir identidade própria.
Momento, talvez, único na vida dessas pessoas,
incomodadas com seus sintomas, para uma reflexão de que
seu corpo é sua casa. Nossos filhos precisam estar
conscientes da existência destes sofrimentos e lutarem
para não serem incluídos na categoria dos
co-responsáveis, co-autores. Eles precisam saber que
todos temos guias espirituais que nos protegem e que nos
falaram a respeito de que estamos aqui para aprender, do
propósito superior de nossas vidas, mas que, ao mesmo
tempo, nos permitem prosseguir numa situação se assim o
desejarmos. Eles têm o cuidado de não eliminar nossas
lições. Se estivermos avançando na direção de algo que
irá nos ensinar uma lição valiosa porém difícil, eles
poderão nos mostrar maneiras mais alegres de aprender a
mesma coisa. No entanto, se resolvermos persistir no
caminho original, eles não tentarão impedir-nos.
Cabe-nos escolher a alegria, mas caso aprendamos melhor
através da dor e do esforço, os guias espirituais não os
afastarão de nós.
Nossos filhos precisam saber que "o homem sequioso de
prazer, sentindo-se atormentado por necessidade
imperiosa, irresistível, uma excitação espantosa que
vivifica seu organismo e um fogo ardente que abrasa seus
órgãos" está também acompanhado de entidades muitas
vezes perversas. Nós, os pais, precisamos lembrar que
estas informações ainda não estão disponíveis nas
universidades. No futuro a "Nova Universidade" estará
aberta aos temas do espírito, ela será erguida com uma
Ciência que investigará os conceitos da Filosofia e que
trará de volta a idéia de Deus. Uma Ciência que além de
inquirir como são as coisas, intenta responder ao
porquê. Com uma Filosofia de caráter científico e uma
Ciência com conseqüências religiosas.
"No quadro dos valores racionais, Ciência e Filosofia se
integram objetivando as realizações do Espírito.
Completam-se como dois grandes rios, que servindo as
regiões diversas, na esfera de produção indispensável à
manutenção da vida, se reúnem em determinado ponto do
caminho, para desaguarem, juntas, no mesmo oceano que é
o da sabedoria."
Temos que nos esforçar para participar desta revolução
do pensamento se não desejarmos continuar no papel de
comparsas da tirania e da destruição. Daí a necessidade
da Ética que ilumine as consciências na melhoria das
características morais do homem. A assimilação de um
novo paradigma é lenta e difícil porque demanda abertura
mental, estudo, reflexão e crítica. Haverá resistência,
principalmente pela exigência de mudanças ético-morais.
Mas, é necessário mudar. A sociedade anônima, o "levar
vantagem em tudo", gerou a indiferença nas relações
sociais e o caos na sociedade.
Há indícios de que esta revolução esta em curso até
entre nós. Soubemos que 350 alunos da USP, aos sábados,
freqüentam um curso, na universidade, que discute as
questões do espírito, definido como o fez Allan Kardec.
A discussão do "post-mortem" não pode ser ignorada, pois
exerce influência sobre as questões de Ética.
A democracia no mundo e as necessidades de cooperação
econômica desembocam na manifestação livre das diversas
culturas, induzindo o mundo ocidental a ampliar o seu
universo cultural. Há uma revalorização da importância
da religião, enquanto agente de movimentação social.
A revolução é agora e começa quando abrimos as portas à
ética e à fé. A fé, que terá "por templo o universo, por
altar a consciência, por imagem Deus e por Lei o
mandamento do amor em ação, resumido por Jesus na
categoria do próximo". A fé que atua pelo amor. Na
sociedade, assim organizada, ninguém será coisificado,
ninguém morrerá de fome. Nas entrevistas (2) as
"vendedoras de prazer" disseram: " Um dia quero
constituir uma familia". Os pesquisadores comentam que
subjaz nessa atitude de querer integrar-se a uma familia
uma grande contradição, uma vez que grande parte de seus
clientes são homens casados. Nossas filhas precisam ser
alertadas para essas coisas. Mesmo que essa formação se
concretize, isso não quer dizer que ela vá experienciar
uma relação eu-tu junto ao seu cônjuge de forma plena e
presente.
Há necessidade de ajudar os casais na sua escalada
evolutiva, para que possam entender e ajudar seus filhos
a entenderem também que a sexualidade (6) deve ser vista
num contexto amplo, não apenas genitalizado embora não
prescinda dele. Apesar de situado no nível instintivo,
possui a bússola da razão que o orienta para o outro,
como pessoa inteira. Orienta-o para a relação, o
diálogo, na luta evolutiva da substituição do amor
captativo, infantil, pelo oblativo, altruísta. A
sexualidade é nobre e enriquecedora. É uma das dimensões
fundamentais do espírito, quando pode comportar-se como
ser sexuado, reencarnando como homem ou mulher, formando
assim os "dois pólos de cuja tensão e oposição brota o
fenômeno da existência humana", a perpetuação da
espécie.
Nos subsídios para implantação e desenvolvimento da
Campanha "Viver em família" (3) encontramos na sua
fundamentação doutrinária a questão 208 de "O Livro dos
Espíritos". Nela os guias espirituais dizem que "os
Espíritos dos pais têm por missão desenvolver os de seus
filhos pela educação. Constitui-lhes isso uma tarefa.
Tornar-se-ão culpados, se vierem a falir no seu
desempenho." Desta forma surge no Temário da Campanha o
item de número 9, Desequilíbrios no Lar - Prostituição e
Promiscuidade." Diante desta advertência cabe-nos a
ajuda mútua.
Vamos oferecer aos nossos filhos uma religião
amadurecida, aquela bem diferenciada através de um
processo consciente de autocrítica, aquela que tem
grande poder transformador. Aquela que como diz Allport
leva o homem ao amadurecimento quando é dinâmico sem ser
fanático ou compulsivo em seu comportamento religioso.
Aquela que produz uma condição de coerência entre o que
o homem crê e o que diz. Aquela que é tolerante e pronta
a reconsiderar sua própria condição. Aquela que será
sempre uma busca da verdade integral.
A questão agora é a revolução do pensamento no
autoconhecimento levando em conta o invisível, o
impalpável, o imponderável e o admensional, com Ética,
na busca da verdade. Impossível não lembrar o Professor
Newtom de Barros (1) numa sessão histórica, no Grupo
André Luiz (RJ). Deixemos o Professor contar:
- "Pela voz direta, comunicou-se a Mãezinha: Estou
chegando das regiões umbralinas... André Luiz e Mãe
Narciza convidam os últimos habitantes ávidos de
regeneração... André Luiz olhava no chacra coronário e
jogava uma rede... Pescador de almas... Lembrei-me de
Pedro e André em Tiberíades. Meu filho atendeu ao meu
chamado... Vai reencarnar... Última oportunidade...
Daqui a uns quinze anos vocês, talvez, encontrem um
jovem, cabeludo, mal lavado, andando pelas ruas, sem
destino, sem vontade de trabalhar... Talvez, procurando
sexo e tóxicos... Tenham piedade dele... Por certo é o
meu filho... em última oportunidade...
Aquela mãezinha, falando de voz direta, graças à
mediunidade de Peixotinho, jamais saiu de minha retina,
pois destaquei o vulto semi-apagado na penumbra da sala
de ectoplasmia. Nas salas de aula desses cinqüenta e
tantos anos de magistério, sempre olhei o adolescente,
apiedado... E ouvia Jesus na página maravilhosa de Boa
Nova:
- Pedro, eles não são pecadores... Eles são somente
frágeis...
E a fragilidade se mistura com os nossos conhecimentos
de Física, de Química, de Biologia, de Psicologia...
E as vontades? Como despertar as vontades? Como
fortalecer os frágeis? Como ativar as vontades para
querer o melhor para os próprios espíritos?
Mas sobe à superfície da memória a Parábola do Semeador:
- O Semeador saiu a semear... Atirou as sementes,
amorosamente... Umas caíram na terra escaldante e
feneceram... Outras caíram ao alcance dos pássaros e
foram deglutidas... Outras cresceram entre espinheiros e
foram sufocadas... Mas outras caíram em terreno
fértil... E produziram uma por trinta... uma por
sessenta... Uma por cem... E deram muitos frutos bons...
Bezerra de Menezes desceu de alturas não mensuráveis e
nos disse pelas mãos sagradas, de Francisco Cândido
Xavier: A legenda de agora é kardequizar... Semear as
sementes escolhidas... E confiar na fertilidade dos
terrenos..."
"Agora é ação!" Vamos escolher as sementes juntos!
Não sofreremos, no futuro, por causa da omissão.
Nossos erros serão perdoados! (Luiz
Carlos Formiga)
Referencias bibliográficas
1. Barros, N. G. "Macaé Espírita" - Nov/1990
2. Bruns, M.A.T. & Gomes Jr, O.P. Prostituição. O
discurso de quem se vende e o silêncio do seu comprador.
Revista Brasileira de Doenças Sexualmente
Transmissíveis, 8 (4): 1996.
3. Campanha "VIVER EM FAMÍLIA". Subsídios para
implantação e desenvolvimento. Reformador, março de
1994.
4. Costa, D.P. E a afetividade (Editorial). Revista
Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis, 8 (4):
1996
5. Formiga, L.C. Proposta indecente. Jornal Espírita,
São Paulo, 219 (XIX): 2, Novembro, 1993.
6. Formiga, L.C. "DORES, VALORES, TABUS E PRECONCEITOS"
"Dores, Valores, Tabus e Preconceitos", Edições CELD,
RJ.RJ, maio, 1996
7. Formiga, L.C. Educação Sexual: na família ou na
escola. Folha Espírita, dezembro de 1996.
8. Revista de Cultura Espírita "Nueva Generacion",
Guatemala, C.A. 5 (18): 3-6, abril-junio, 1995.
Relação
de artigos de Luiz Carlos Formiga...
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LUIZ CARLOS D. FORMIGA
é professor universitário da UFRJ e UERJ, aposentado. |
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