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“Não Violência
é lei do gênero humano, como violência é lei dos irracionais.
Nestes o espírito jaz adormecido; eles não conhecem outra lei
senão a da força física. A dignidade do homem requer obediência
a uma lei mais alta – a força do Espírito” Mahatma Gandhi. Antes da aposentadoria coordenamos um núcleo espírita na
universidade. Para orientação lembramos Paulo: “a caridade não
suspeita mal”. Escrevemos a “Ética da tolerância”, publicada no
artigo “O retrato de Bezerra” (1). Enfatizamos: "Os meus
discípulos serão conhecidos por muito se amarem". O progresso
do conhecimento é estimulado pelo regime de diálogo franco e
aberto. A coexistência pacífica, proporcionada pela fraternidade
autêntica, é o ambiente mais favorável à produção intelectual e
à tolerância das nossas diferenças, que podem ser exibidas sem
conflitos, inibindo o autoritarismo, o fanatismo, o preconceito
e a exclusão. Sentimos na pele e presenciamos o preconceito
religioso. Escrevemos o “Torres gêmeas afro-brasileiras” para
lembrar que a nossa Constituição consagra como direito
fundamental a liberdade de religião. O Estado deve proporcionar
a seus cidadãos um clima de perfeita compreensão religiosa sem
intolerância e fanatismo (2). Em algumas casas, quando o jovem
espírita deseja trabalhar ele é podado, justo na hora em que
deveriam gastar energias na casa espírita e não naquele baile.
Em “Deixe claro para seu filho” (1) perguntamos: Será a evasão o
reflexo de um estado social, de uma administração mal conduzida,
que além de abortiva é também favorecedora de circunstâncias que
podem ser consideradas precipitantes? Como explicar que em
alguns centros espíritas encontramos jovens conscientes,
atuantes, e em outras não? A falta de fé no jovem; nos
orientadores espirituais e também o medo do fracasso fazem com
que dirigentes centralizem tudo. Isto é causa de evasão. "O
equilíbrio é fundamental, pois um coração temerário incendeia
qualquer serviço, arrasando-o. Mas, um coração medroso congela o
trabalho". Discutindo “O poder das palavras “, no sítio
www.saci.org.br - setembro
de 2002 (1), lembramos que em hanseníase o preconceito também
começa na linguagem, como na cegueira, onde é voltada para a
visão. "Faca cega" é a faca que não corta. O problema é que da
linguagem o preconceito se transfere para a atitude, aparecendo
níveis de afastamento. Surge então o ato de evitar, a
discriminação e a segregação, ferindo a fraternidade, a
igualdade e a liberdade. A saúde é algo mais do que a ausência
de doenças e ela depende de fatores externos ao setor saúde. Da
Constituição de 1988 inferimos que existe a determinação social,
econômica, política e espiritual do processo saúde-doença. A
emoção marcou o dia 24 de maio de 2007, quando da assinatura da
Medida Provisória sobre pensão vitalícia para hansenianos. O
cantor Ney Matogrosso lecionou aos políticos que a população
precisa ser melhor informada sobre a doença (3): “Eu acho que o
grande gerador do preconceito com relação a essa doença é
exatamente a ignorância, é não saber que a doença tem cura, tem
remédio, as pessoas que tomarem as primeiras doses já não
contaminam as outras. Essa falta de informação é que gera esse
enorme preconceito”. O estigma internalizado pode ser muito
forte e impedir uma integração satisfatória, porque as
percepções pessoais ou sociais são incorretas. O estigma é algo
externo, não é da pessoa, mas chega antes dela. É o medo do
contágio do estigma que expulsa negros dos espaços privativos
dos brancos. Há espaços em que os negros não são desejados, nem
como consumidores, nos quais operam os elementos de resistência
determinados pelo estigma e isto não depende da conta bancária.
A ética é uma ótica. A transformação dessas imagens negativas
que aprisionam, que discriminam, requer um novo paradigma que
subverta essa ótica perversa. Ela cega a ética e coloca o olhar
fora de foco. Somos ainda ignorantes em termos de educação em
saúde. Raciocínios em bases falsas são facilmente encontrados.
Imagens naturais referentes à causa de hanseníase não foram
especificadas em 86% das pessoas entrevistadas, em Minas Gerais,
e apenas 1,5% delas ligavam-na a infecção bacteriana (Gandra
Junior, tese de doutorado, "A Lepra – uma introdução ao fenômeno
social da estigmatização). No trabalho de Gandra, 86,8% das
pessoas não sabiam da existência de tratamento. Ainda estamos na
fase em que fazemos o que rende mais votos. Reencarnação não
rende votos, apenas aumento de audiência. Na universidade é
causa de preconceito (lembram das palavras do Ney Matogrosso?).
O futuro chega rápido, para me prevenir deixei “uma petição
inicial”, aos meus médicos (parentes ou não) na Revista de
Enfermagem da UERJ, 4 (1): 89-102, 1996. Usei como título: O que
espero de meus médicos. Idéias para uma declaração de direitos
do paciente terminal. Na petição não esqueci os fatos e os
fundamentos, as causas de pedir remota e próxima, e por isso
dissemos: espero que meus médicos lembrem e aceitem que sou
admirador de Allan Kardec e de suas pesquisas. Gostaria de
informá-los de que o mestre francês utilizou o método científico
das ciências sócio-morais e descobriu que a morte do corpo não
mata a vida. Espero que aceitem o fato de que o paciente
enquanto está morrendo, está vivendo e precisa de ajuda para
ampliar e valorizar o seu passado, uma vez que aparentemente o
futuro é muito pequeno. Meus médicos deverão lembrar que sou
reencarnacionista. Deverão admitir e aceitar, sem preconceito,
que eu tenha esta "nova” visão da realidade, mesmo que seja
diferente da concepção de mundo do pensamento hegemônico. Aos da
equipe de saúde, talvez tenham sido meus alunos, quero lembrar
não só a necessidade psicobiológica (eliminação intestinal,
vesical, conforto físico), mas as necessidades psicossociais
(comunicação, recreação, privacidade) e, principalmente nesta
hora, as psicoespirituais. Praticar a minha religião, receber a
terapêutica do passe, é para mim não só uma necessidade como
também um direito. Foi lembrando dos direitos que escrevi
“Roustaing, o termômetro e os direitos fundamentais”. Algum
leitor nesta hora poderá torcer o nariz, mas digo que “ainda”
não estudei Roustaing. No entanto, quero deixar claro que em
matéria religiosa, para que possamos desenvolver quaisquer
convicções é necessário que haja a possibilidade de comunicação com
outros e conseqüentemente ter acesso a diferentes pontos de vista.
Num Estado de Direito, a liberdade religiosa só tem sentido em
condições de reciprocidade e o direito de igualdade pressupõe o
direito à diferença (somos iguais, mas diferentes e, diferentes,
mas, sobretudo, iguais). Se alguém desejar pode pegar o Termômetro
no sitio Terra Espiritual.
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