Quando entramos num ambiente contaminado por micróbios
diferentes dos que são encontrados normalmente na microbiota
humana, podemos ser colonizados. Estes elementos vindos do
exterior, aderem à mucosa/ pele transformando-se em “flora”
transitória. Podem posteriormente desaparecer em virtude da
pressão seletiva exercida pelos habitantes autóctones ou por
medidas saneadoras.
O tema “índigo” parece possuir microbiota transitória adquirida
do meio de cultura original. As amostras “liofilizadas” trazidas
para o Brasil podem oferecer repiques ainda contaminados. Alguns
“cientistas” mais atentos e mais apressados, diante da
contaminação cultural, podem desejar utilizar métodos de
desinfecção drásticos e com isso ocasionar efeitos indesejáveis.
Nesta hora é necessário ter a mente aberta, calma, e não usar
logo de saída substâncias muito abrasivas. Uma boa medida é
adotar a humildade científica. Nem sempre é fácil ser humilde,
quando nos avaliamos como gênio. Na universidade, foram poucas
as ocasiões, mas encontrei “cientistas” tão brilhantes e atentos
que conseguiam encontrar defeitos em qualquer trabalho de
pesquisa que não fosse de sua própria autoria.
Na época de Kardec professores universitários examinaram o
fenômeno. No “A História do Espiritismo” encontramos uma
infinidade de nomes ligados a produção do conhecimento que
examinaram o fenômeno mediúnico. Uns se curvaram diante das
novas possibilidades, outros, não. Mas, Kardec foi mais além.
No ambiente cultural das Instituições de Ensino Superior alguns
defendem meras dissertações como tese de mestrado e passam a
mentalizar alunos de graduação como criaturas menores. Com a
mente comprimida e o ego brilhante, cheio de verniz, são
incapazes de perceber atitudes preconceituosas. Alguns recebem
dose de reforço, quando defendem a tese de doutorado. Até então
eram meros alunos de pós-graduação, orientados por professores
mais experientes, pegando carona nas suas linhas de pesquisas.
No entanto, esquecem com facilidade e como PhDeuses são adeptos
das purpurinas. Alguns se transformam em doutores de um trabalho
só – a tese. Nunca orientam ninguém, não produzem outras teses
de doutorado ou mesmo mestrado. Mas o ego não perde o verniz.
Esses poderiam se tornar figuras perniciosas se participassem do
movimento espírita e pensassem “comercialmente”. Ainda bem que
este quadro não é encontrado entre nós e a carapuça não vai
entrar em ninguém! Não somos profissionais da mediunidade, da
fé.
Chegar à terceira idade é um privilégio. Embora possamos perder
a visão física (mesmo com Verdana 14), já não nos incomoda a
aparência exterior nem as sandálias douradas que alguns insistem
em usar. A memória consegue voltar aos arquivos do passado,
embora, as vezes, esqueçamos de tomar o remédio antes do café da
manhã.
Lembro que em 1987 estávamos professor e escrevemos no “O Sol
Nascente”, ano 18, número 220, no mês de junho, um artigo.
Utilizamos os dados do porta-voz da Comissão Nacional
Criança-Constituinte, em 7 de abril de 1987 (Dia Mundial da
Criança). Eram dias memoráveis que nos trouxeram a Constituição
de 88. Iniciamos dizendo que quarenta e dois milhões de crianças
brasileiras viviam em condições péssimas de vida. Condições
indignas. Metade da população brasileira era constituída de
jovens. Em 1986 haviam morrido 400 mil crianças tendo como causa
doenças que se podiam prevenir (vacinação/evangelização). O
número equivalia ao resultado produzido por uma bomba de
Hiroxima.
Entre 1979 e 1986 morreram dois milhões e 200 mil crianças,
número 44 vezes maior do que as baixas sofridas pelo exército
americano, em sete anos, na guerra do Vietnã. No “O Sol
Nascente” dissemos que o futuro de qualquer nação dependia da
qualidade e competência dos seus profissionais, da extensão em
que a excelência fosse cultivada e do grau em que as condições
favoráveis ao desenvolvimento do talento intelectual estiverem
presentes desde os primeiros anos de vida. Nem suspeitaria que
em 2007 ouviria o senador Jefferson Peres dizer que “ A Casa
está desmoronando”, ao referir-se desanimado ao que chamou de
“farsa montada” no caso do senador Renan Calheiros. O senador
sem esperanças disse que indignados eram apenas “uns quatro ou
cinco”.
O progresso de qualquer nação ocorre a partir do esforço de toda
a sua população, mas não se pode negar que os papéis decisivos
pertencem aos que lideram a comunidade política, científica,
industrial, administrativa, tecnológica e militar. Aqueles que
exercem seus papéis em conseqüência de seus dotes intelectuais
superiores – aristocracia intelectual. Quais as implicações
individuais e sociais sem o correspondente desenvolvimento
ético? O senador desesperançado disse ainda que é impressionante
o “abastardamento dos costumes políticos”. E, não é só isso.
Quadrilhas de estudantes universitários agridem mulheres,
deixando explicito o roubo com violência e lesões graves, embora
filhos da classe média alta. Qual a razão?
O movimento espírita, em São Paulo, está discutindo um desafio
de urgência – a educação da geração nova, referida por Kardec.
Índigos, ou não, precisam ser olhadas a partir de uma nova visão
ou estaremos cometendo crime de lesa-humanidade. Estudando a
educação não se quer ver no futuro a manchete: “Escândalo no
senado, Roriz renuncia para não ser cassado, suplente também
está envolvido em irregularidades”.
Já passamos pela aristocracia dos chefes de família; da
autoridade da força bruta; da aristocracia do nascimento.
Elegemos posteriormente novo poder, o do ouro, e chegamos a da
inteligência que, no entanto, nem sempre é penhor de moralidade.
Podemos repetir o senador: “o senado está no chão”. Estamos
cansados das manchetes: “ Prostituta acusa galãs da TV de
agressão e roubo”. A moralidade pode não ter capacidade e a
supremacia durável será da “intelecto-moral”.
Na universidade convivemos com alunos que se transformaram em
brilhantes pesquisadores. Dos anos 70 aos dias de hoje
conhecemos na graduação, mestrado e doutorado mentes brilhantes,
no entanto, o mesmo brilho não era encontrado no
emocional-afetivo. Os investimentos realizados no domínio
cognitivo sempre foram maiores. O emocional-afetivo deve ser
também muito valorizado no período infantil. Nos anos 80, o
superdotado no Brasil, era grupo pouco compreendido e
profundamente negligenciado.
Perdemos tempo ao escrever? Mas, fizemos o registro, chamamos a
atenção para a necessidade do investimento em valores nos nossos
possíveis futuros governantes, naqueles que ocuparão o poder.
Isso não é tarefa que possa ser negligenciada. O movimento
paulista não deve desistir, mesmo diante das eventuais
contaminações do meio de cultura original.
O homem é produto do meio? Depende de sua predeterminação
genética? DNA é importante? Qualquer que seja o resultado deste
balanço herança-meio, é possível saber de que camada social
surgirão os líderes dos grupos de decisão política, científica
etc? Vejam o Lula Lá. É necessário grande esforço para que
possamos sair da “guerra” referida pelo Constituinte Porta-Voz.
Há que se investir na criança, marginalizada ou na provação no
palácio. Onde estarão estes milhões de superdotados reencarnados
no Brasil de hoje? Naqueles dias de Assembléia Nacional
Constituinte calculava-se em milhões os superdotados do Brasil
encontrando-se em 25% da população abaixo de 18 anos. Quais são
os números de hoje? Certamente muitos foram atraídos pelo
mercado de trabalho e melhores condições de vida dos países do
Primeiro Mundo. Alguns com mil dificuldades estão fundando, no
exterior, Casas Espíritas e divulgando a Doutrina Espírita pela
internet.
O tema índigo é revelador e pode dar frutos ligados a Campanha
Permanente de Evangelização Infanto-Juvenil. Antes de nos
candidatarmos a membros da banca examinadora desta tese, vamos
pensar com a devida extensão e profundidade. É preciso ter
coragem para fazer o trabalho sério prático nas clínicas,
escolas e laboratórios.
O que é um índigo?
Lembro da aula de virologia. O que é um vírus? São micróbios
excepcionalmente simples ou componentes químicos tão complexos
que podem ser parasitas genéticos?
O tema índigo pode estar contaminado, cheio de detritos
impertinentes, mas devemos tomar cuidado para não jogar fora a
criança com a água suja da bacia.
Na infância de meus filhos, retirei algumas horas do laboratório
e fui fazer o curso de pedagogia. Havia percebido que ser pai
era também tarefa difícil e cheia de armadilhas. Depois acabei
me desvirtuando na “Educação em Saúde”, mas valeu. Pude melhor
perceber a importância da identificação precoce desses seres
“diferentes” na escola inclusiva, reflexiva, crítica e para a
capacitação de professores nesta Área de Altas Habilidades. Que
eles possam oferecer contribuição na identificação e atendimento
dos alunos com superdotação na área musical como dizia Gardner.
Tom Jobim disse que “no Brasil o sucesso é proibido porque pode
gerar hostilidade.” Gardner aponta várias formas de
inteligência:a espacial; a interpessoal; a lógico-matemática, a
lingüística e a esportiva. O Rio de Janeiro vai mostrar muitos
neste PAN 2007. Temos no Brasil as outras inteligências e o
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima
que sejam 1% da população escolar. O apoio é decisivo para o
aproveitamento de seus potenciais. Talvez o senador Peres
dissesse, sem esperança, que investimos apenas 0,5% do Produto
Interno Bruto. Mas serão esses jovens que irão compor nossa
elite científica e intelectual e necessitamos cuidar da
educação, da ciência e da tecnologia, porque enquanto não
fizermos isso o ingresso do Brasil no Primeiro Mundo será apenas
exercício de retórica de candidatos a governos populistas e
repetiremos as mesmas peças incompetentes nos senados da vida.

Relação
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