Universo
pulsante e anisotrópico: Ao contrário do que
diz a Bíblia e do que afirmam as religiões, as novas descobertas
astrofísicas a partir dos estudos de Edwin Powell Hubble,
astrofísico norte-americano natural do Missouri, a respeito da
curvatura do Universo, este, na forma por que se apresenta, não
pode ter sido criação de nenhum Deus, principalmente
antropomórfico porque ele é apenas uma fase de uma existência
pulsante e que, como tal, vem a ser a repetição de outras
existências.
Por que pulsante?
Em decorrência dos
estudos, pôde-se verificar que o Universo é uma certa massa de
energia em expansão e que, como tal, para se expandir,
inicialmente, ela teria que ser implodida em um fulcro central,
o que definiria, então, duas etapas, a de implosão e a de
expansão que ocorrerá até que se esvaia sua condição de massa de
energia comprimida.
Por que
anisotrópica?
Porque a implosão
não é inversa da expansão. Ou seja, o caminho percorrido num
caso não é o caminho inverso do outro. O pêndulo vai e volta num
movimento isotrópico.
Já o Universo, para
ter toda sua energia concentrada no fulcro central, teve algum
Agente Supremo atuante que a teria implodido até
este fulcro central para dar-lhe condição de existência. Este
Agente substituiria o Deus religioso e por ser puramente físico,
acima de tudo o que exista no Universo, sem sentimentos humanos,
teria a perfeição que o Deus antropomórfico não possui. Assim, é
capaz de estruturar o Universo a partir do momento em que,
depois de reunida no aludido fulcro central, a energia passa a
se expandir, segundo leis imutáveis. Eis a perfeição.
Há duas hipóteses,
ainda em vigor, a respeito da origem desta etapa em que vivemos.
A mais antiga, defendida, dentre outros, por Stephen Hawking,
baseia-se na existência dos buracos negros que se transformam em
estrelas novas. O Universo seria algo como um buraco negro cuja
propriedade vem a ser a de atrair toda energia universal para
seu interior, explodindo, em seguida. É o Big-bang analisado sob
diversos aspectos e a partir dessa explosão, durante a expansão,
seria desencadeada uma série de reações produzidas pelo efeito
explosivo, reações essas capazes de estruturar os astros e a
vida em si, formando os mundos.
Peca pela própria
definição, porque a expansão universal é homogênea e contínua,
enquanto que a grande explosão faria dela irregular por causa do
distúrbio provocado pela mesma. O fenômeno que se vê quando
ocorre qualquer explosão que libere fumaça: ela não sai de forma
constante e uniforme, em todas as direções e sentidos, mas, em
catadupa, que não é o que ocorre com a energia universal.
A segunda hipótese
surgiu depois que Murray Gell Mann, à frente do acelerador de
partículas (FermiLab) da Stanford University, descobriu que as
partículas atômicas sofrem influência de agentes – ditos
estruturadores – externos ao Universo e que comandam suas ações.
Estes agentes –
atualmente chamados de frameworkers – justificariam a
formação da partícula sem necessidade de nenhuma outra ação.
Viria a ser “a alma” da mesma e que, atuando sobre a energia
amorfa do Universo, teria essa capacidade estrutural.
O fenômeno se
enquadra na famosa equação de Einstein: E = mc²
Estes agentes
pertenceriam a um domínio externo – provavelmente o que chamamos
de mundo espiritual – intimamente ligado ao domínio dito
material e, como tal, comandaria a existência de tudo, inclusive
da “vida” biológica.
Ambas as teorias se
encaixam perfeitamente dentro do conceito de existência do
Universo, quer pulsante, quer anisotrópico.
Com isso, toda
reformulação religiosa se faz necessária para que não se tenha a
idéia de que um “Espírito” Supremo, antropomórfico, seja o
grande e único responsável por tudo o que existe no espaço
sideral. Essa estrutura do Universo está muito acima de qualquer
concepção divina e de qualquer super dote de um simples Deus
religioso.
O Universo atual
seria mera conseqüência de um outro anterior que, como o nosso,
todavia, teria se expandido até esvair-se, quando, então,
entraria a “mão de Deus” para fazer com que novamente ele
implodisse para recomeçar um novo ciclo de existência.
Esta hipótese
elimina a incoerência de um Deus onipotente a fazer tudo a
partir da formação do Universo (atual estágio de existência, que
seria único) para seu gáudio e prazer, senão, pela necessidade
da dar prosseguimento ao processo evolutivo da existência em si.
É difícil aceitar
tal hipótese para quem se imbuiu das teses religiosas, só que
ela está estribada em observações científicas que comprovam que
existem agentes externos à energia cósmica atuando sobre ela e
modulando-a, sem dúvida, não só para elaborar um novo sistema
planetário – como é o caso do que o observatório Keck II do
Haway detectou – em torno da estrela Alfa Centauro, agregando a
poeira cósmica, como ainda, a partir da comprovação da curvatura
celeste, a conclusão de que este Universo terá fim, quando sua
energia atingir à expansão máxima.
E o que resultaria
da existência de tudo o que está contido dentro dele?
Extinguir-se-ia segundo a “vontade” de um Deus religioso? Ou
teria continuidade, como prevê a hipótese científica? E como
ficaríamos todos nós?
Na hipótese de
se extinguir, para que, então, o processo evolutivo, se tudo
acabaria? É, portanto, mais lógico admitir-se que tudo isso terá
que ser reaproveitado em nova existência; e se isto é mais
provável a ocorrer, também o será como antecedente ao atual
estágio por que atravessa todo o sistema cósmico.
Tal posição
científica é cômoda para o Espiritismo primeiro, porque,
admitindo a existência de um outro domínio externo ao material
onde habitariam os estruturadores, assim, estaria a um passo de
reconhecer a Espiritualidade como causa de tudo. Destruiria,
porém, a hipótese de que o princípio de existência se
restringiria apenas à espiritual das criaturas humanas e
incluiria, também, os vegetais, os minerais até as partículas
subatômicas mais elementares como possuidores deste mesmo
princípio, guardadas as equivalências. Isto é assunto para outro
capítulo.
E o mais importante
de tudo é que obedeceria à lei reencarnatória, ou seja, até a
vida do Universo se daria por etapas e formações distintas de
novo corpo de existência.
Dessa hipótese, o
que não se pode contestar são as descobertas científicas,
principalmente as de Gell Mann, que destrói por completo
qualquer hipótese materialista da existência das coisas, como
supõe Hawking e seus colegas de idéia.
Porém, a
necessidade que têm as criaturas em crer num Deus absoluto,
onipotente, tido como “pai amantíssimo”, feito à imagem e
semelhança do homem, como reza na Bíblia, é que impede que a
grande massa humana possa antever nos estudos científicos uma
verdade para que se medite no porquê de nossa existência
decorrente da formação do Universo a partir de ciclos evolutivos
e não mais como uma “criação” divina feita para satisfazer a
vontade do Criador.
É mais fácil,
contudo, e mais cômodo, bem como conveniente, admitir-se um Deus
de “ternura e bondade” capaz de perdoar todos os nossos
defeitos, do que nos curvarmos ante a realidade de que teremos
que nos reformular por esforços próprios, como admite Kardec ao
pregar a “reforma íntima” para que possamos acompanhar a fase
evolutiva das existências. Esta hipótese obriga-nos a resgatar
os erros para compensá-los – como determina a lei do equilíbrio
universal –, o que não é deveras nada agradável.
O homem gosta de se
iludir.
Próximo capítulo: A origem dos mundos.
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