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CASOS E COISAS ALÉM DO AQUÉM E AQUÉM DO ALÉM

"Casos e coisas além do aquém e aquém do além" (Rio de Janeiro: Celd), de Carlos de Brito Imbassahy e Carmen Imbassahy

 

A formação do Universo

CARLOS DE BRITO IMBASSAHY

Universo pulsante e anisotrópico: Ao contrário do que diz a Bíblia e do que afirmam as religiões, as novas descobertas astrofísicas a partir dos estudos de Edwin Powell Hubble, astrofísico norte-americano natural do Missouri, a respeito da curvatura do Universo, este, na forma por que se apresenta, não pode ter sido criação de nenhum Deus, principalmente antropomórfico porque ele é apenas uma fase de uma existência pulsante e que, como tal, vem a ser a repetição de outras existências.
Por que pulsante?
Em decorrência dos estudos, pôde-se verificar que o Universo é uma certa massa de energia em expansão e que, como tal, para se expandir, inicialmente, ela teria que ser implodida em um fulcro central, o que definiria, então, duas etapas, a de implosão e a de expansão que ocorrerá até que se esvaia sua condição de massa de energia comprimida.
Por que anisotrópica?
Porque a implosão não é inversa da expansão. Ou seja, o caminho percorrido num caso não é o caminho inverso do outro. O pêndulo vai e volta num movimento isotrópico.
Já o Universo, para ter toda sua energia concentrada no fulcro central, teve algum Agente Supremo atuante que a teria implodido até este fulcro central para dar-lhe condição de existência. Este Agente substituiria o Deus religioso e por ser puramente físico, acima de tudo o que exista no Universo, sem sentimentos humanos, teria a perfeição que o Deus antropomórfico não possui. Assim, é capaz de estruturar o Universo a partir do momento em que, depois de reunida no aludido fulcro central, a energia passa a se expandir, segundo leis imutáveis. Eis a perfeição.
Há duas hipóteses, ainda em vigor, a respeito da origem desta etapa em que vivemos. A mais antiga, defendida, dentre outros, por Stephen Hawking, baseia-se na existência dos buracos negros que se transformam em estrelas novas. O Universo seria algo como um buraco negro cuja propriedade vem a ser a de atrair toda energia universal para seu interior, explodindo, em seguida. É o Big-bang analisado sob diversos aspectos e a partir dessa explosão, durante a expansão, seria desencadeada uma série de reações produzidas pelo efeito explosivo, reações essas capazes de estruturar os astros e a vida em si, formando os mundos.
Peca pela própria definição, porque a expansão universal é homogênea e contínua, enquanto que a grande explosão faria dela irregular por causa do distúrbio provocado pela mesma. O fenômeno que se vê quando ocorre qualquer explosão que libere fumaça: ela não sai de forma constante e uniforme, em todas as direções e sentidos, mas, em catadupa, que não é o que ocorre com a energia universal.
A segunda hipótese surgiu depois que Murray Gell Mann, à frente do acelerador de partículas (FermiLab) da Stanford University, descobriu que as partículas atômicas sofrem influência de agentes – ditos estruturadores – externos ao Universo e que comandam suas ações.
Estes agentes – atualmente chamados de frameworkers justificariam a formação da partícula sem necessidade de nenhuma outra ação. Viria a ser “a alma” da mesma e que, atuando sobre a energia amorfa do Universo, teria essa capacidade estrutural.
O fenômeno se enquadra na famosa equação de Einstein: E = mc²
Estes agentes pertenceriam a um domínio externo – provavelmente o que chamamos de mundo espiritual – intimamente ligado ao domínio dito material e, como tal, comandaria a existência de tudo, inclusive da “vida” biológica.
Ambas as teorias se encaixam perfeitamente dentro do conceito de existência do Universo, quer pulsante, quer anisotrópico.
Com isso, toda reformulação religiosa se faz necessária para que não se tenha a idéia de que um “Espírito” Supremo, antropomórfico, seja o grande e único responsável por tudo o que existe no espaço sideral. Essa estrutura do Universo está muito acima de qualquer concepção divina e de qualquer super dote de um simples Deus religioso.
O Universo atual seria mera conseqüência de um outro anterior que, como o nosso, todavia, teria se expandido até esvair-se, quando, então, entraria a “mão de Deus” para fazer com que novamente ele implodisse para recomeçar um novo ciclo de existência.
Esta hipótese elimina a incoerência de um Deus onipotente a fazer tudo a partir da formação do Universo (atual estágio de existência, que seria único) para seu gáudio e prazer, senão, pela necessidade da dar prosseguimento ao processo evolutivo da existência em si.
É difícil aceitar tal hipótese para quem se imbuiu das teses religiosas, só que ela está estribada em observações científicas que comprovam que existem agentes externos à energia cósmica atuando sobre ela e modulando-a, sem dúvida, não só para elaborar um novo sistema planetário – como é o caso do que o observatório Keck II do Haway detectou – em torno da estrela Alfa Centauro, agregando a poeira cósmica, como ainda, a partir da comprovação da curvatura celeste, a conclusão de que este Universo terá fim, quando sua energia atingir à expansão máxima.
E o que resultaria da existência de tudo o que está contido dentro dele? Extinguir-se-ia segundo a “vontade” de um Deus religioso? Ou teria continuidade, como prevê a hipótese científica? E como ficaríamos todos nós?
Na hipótese de se extinguir, para que, então, o processo evolutivo, se tudo acabaria? É, portanto, mais lógico admitir-se que tudo isso terá que ser reaproveitado em nova existência; e se isto é mais provável a ocorrer, também o será como antecedente ao atual estágio por que atravessa todo o sistema cósmico.
Tal posição científica é cômoda para o Espiritismo primeiro, porque, admitindo a existência de um outro domínio externo ao material onde habitariam os estruturadores, assim, estaria a um passo de reconhecer a Espiritualidade como causa de tudo. Destruiria, porém, a hipótese de que o princípio de existência se restringiria apenas à espiritual das criaturas humanas e incluiria, também, os vegetais, os minerais até as partículas subatômicas mais elementares como possuidores deste mesmo princípio, guardadas as equivalências. Isto é assunto para outro capítulo.
E o mais importante de tudo é que obedeceria à lei reencarnatória, ou seja, até a vida do Universo se daria por etapas e formações distintas de novo corpo de existência.
Dessa hipótese, o que não se pode contestar são as descobertas científicas, principalmente as de Gell Mann, que destrói por completo qualquer hipótese materialista da existência das coisas, como supõe Hawking e seus colegas de idéia.
Porém, a necessidade que têm as criaturas em crer num Deus absoluto, onipotente, tido como “pai amantíssimo”, feito à imagem e semelhança do homem, como reza na Bíblia, é que impede que a grande massa humana possa antever nos estudos científicos uma verdade para que se medite no porquê de nossa existência decorrente da formação do Universo a partir de ciclos evolutivos e não mais como uma “criação” divina feita para satisfazer a vontade do Criador.
É mais fácil, contudo, e mais cômodo, bem como conveniente, admitir-se um Deus de “ternura e bondade” capaz de perdoar todos os nossos defeitos, do que nos curvarmos ante a realidade de que teremos que nos reformular por esforços próprios, como admite Kardec ao pregar a “reforma íntima” para que possamos acompanhar a fase evolutiva das existências. Esta hipótese obriga-nos a resgatar os erros para compensá-los – como determina a lei do equilíbrio universal –, o que não é deveras nada agradável.
O homem gosta de se iludir.
Próximo capítulo: A origem dos mundos.

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CARLOS DE BRITO IMBASSAHY é físico e escritor espírita.

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