www.jornaldosespíritos.com

 

PRINCIPAL ARTES CARTUM CENTROS ESPÍRITAS COLUNISTAS ENTREVISTA ESPECIAL EXTRA FALE CONOSCO LITERATURA ÚLTIMA HORA
 

Reencarnação

ELIANA THOMÉ

O canal americano ABC exibe desde o último dia 15 de novembro de 2006 o seriado Day Break, que fala de um detetive que é acusado de matar um Procurador e que ao tentar provar a sua inocência revive permanentemente o mesmo dia sob diversas formas.
Mais do que a trama policialesca, o telespectador se deixa seduzir pelas reviravoltas que o personagem do belo ator negro Taye Diggs consegue fazer cada vez que revive, amanhã, o dia de hoje.
Como já sabe a priori mais ou menos o que vai acontecer, tipo o resultado do jogo na TV, por exemplo, o personagem vai interferindo diretamente nos casos mais graves, como o de uma jovem que é atropelada na rua e cujo acidente ele tenta impedir ao reviver o episódio.
Quando acorda no dia seguinte e começa a viver as experiências do dia anterior, é como se houvesse acontecido uma ruptura no seu calendário de vida. Sem que consiga avançar os ponteiros em direção ao amanhã. Ao futuro que o aguarda e que deve construir paulatinamente, como todo “mortal” que se preza. Ou seja, Brett Hopper, o detetive da história, é um prisioneiro do tempo tal qual o repórter Phil Connors, vivido pelo ator Bill Murray em Feitiço do Tempo.
A série televisiva provoca muitas reflexões. Quantas vezes não ouvimos certos idosos ou mesmo alguns parentes lamentarem as "cabeçadas" da juventude, repletas de imaturidade, de irresponsabilidade e de tomada de decisões desastrosas, alegando que se pudessem voltar fariam diferente (caso  contassem com os atributos adquiridos hoje).
Algo que Lupicínio Rodrigues tratou em sua canção quando compôs:
“Esses moços, pobres moços
Ah! se soubessem o que eu sei
Não amavam, não passavam, aquilo que eu já passei (...)".
Ah! como seria bom voltar e recomeçar, dizem suspirosos e ignorantes da grande lei que permanentemente nos dá todas as chances de reparar os nossos erros. Sim, amigos: voltamos ao cenário de nossos embates passados para refazer a obra ainda inacabada que é o da evolução de nosso ser.
E nesse voltar permanente ao cenário terrestre, através do processo da reencarnação, oportunidade bendita cedida pelo Pai, a alma humana reencontra muitos daqueles que no passado compartilharam com ela experiências (boas ou más), decisões (certas ou erradas) e relacionamentos (nos mais variados graus).
Ao contrário do personagem do detetive, sua memória do comprometedor “ontem” vem apagada, para que tenha toda a liberdade de não mais reconhecer no outro um inimigo e sim um irmão que também escreve de forma atrapalhada o seu destino, ainda pleno de erros e indecisões.
São várias as vidas que animamos, pois muitos são os erros e as dívidas contraídas com o próximo e, principalmente, com as Leis Maiores. Não há um número determinado de reencarnação para cada um, pois a evolução, o querer evoluir, é um ato voluntário do ser.
Mas a verificar a dificuldade que ainda habita em nós (o homem velho que ainda assusta, fisga e aprisiona a nossa alma), podemos pensar que temos optado sempre pela porta larga condenada por Jesus, ao invés da porta estreita do amor e do sacrifício incontinenti ao bem.
Voltamos ao mesmo cenário, mas em situações diversas, segundo a necessidade de cada um. E trazemos em nós todos os atributos adquiridos para bem vencer as provas. Eis porque o ser jamais regride, independente da roupagem que veste atualmente ou do cenário onde se encontra inserido.
Os dias não são os mesmos, pois a Lei do Progresso impõe a ascensão e o avançar obrigatório às coisas e aos seres. Como explicam os Espíritos na questão 779 de "O Livro dos Espíritos" (São Paulo: Petit Editora), “o homem se desenvolve naturalmente, mas nem todos progridem ao mesmo tempo e do mesmo modo”.
O próprio Allan Kardec explica na questão 781 do mesmo livro, que sendo o progresso uma condição da natureza humana, ninguém tem o poder de se opor a ele. Ao que ele finaliza na questão 783: pois o homem não pode permanecer perpetuamente na ignorância.
O mesmo princípio já havia sido estabelecido por Heráclito, filósofo pré-socrático, quando afirma que nenhum homem se banha duas vezes no mesmo rio. Para ele tudo é movimento e nada pode permanecer estático. Assim a água do rio não será mais a mesma e nem o homem.
Recentemente uma expositora amiga lembrava em sua palestra, que o tempo que temos não está à nossa disposição. Por isso, cada oportunidade é única na dinâmica do nascer, crescer e morrer na carne para fazer brilhar a nossa própria luz como nos pediu Jesus, personificado no progresso intelectual e moral ao qual estamos todos destinados, e cuja conquista é individual e sem testamento: o ser elabora o próprio processo de angelitude (evolução), se assim podemos nos expressar. Cedo ou tarde, com dor ou sem dor.
Eis que cabe à reencarnação, a verdade salvadora, oferecer o cenário ideal, a oportunidade justa e o troféu esperado da alma enfim livre e iluminada pela sabedoria do bem e pela justiça do amor. E quando isso ocorrer, não mais habitaremos mundos de dor onde só encontramos provas e expiações. Não mais a repetição das tragédias passadas, como no seriado televisivo. A humanidade estará enfim transformada, como vaticinou Jesus na sua gigantesca visão do futuro.


Leia outro artigo de Eliana Thomé:
Quando morremos...

Ver outros colunistas...                                                Ir para página principal...


ELIANA THOMÉ
é jornalista, dirigente e expositora espírita.


Jornal dos Espíritos - o seu jornal espírita na internet
 Copyright 2005 - Todos os direitos reservados.
 redacao@jornaldosespiritos.com
Microsoft Internet Explorer - 6.0 - Resolução: 800 x 600