Nesta entrevista, a médium Vera
Lúcia Marinzeck fala sobre o livro “Flores de Maria”, do
Espírito Rosângela, que psicografou, publicado pela Petit
Editora e responde a várias perguntas sobre sua colaboração no
centro espírita, comentando a importância do médium, o estudo
das obras de Allan Kardec e outros temas. Manifestando-se com a
mesma serenidade de sempre, Vera Lúcia destacou o apoio
espiritual que recebeu ao longo dos últimos anos. Para aqueles
que já a conhecem, a entrevista revela novos aspectos de sua
personalidade. Quem ainda não teve a oportunidade de conhecê-la,
vai se surpreender com sua espontaneidade – “nem tudo são
flores, é preciso conviver também com os espinhos – dificuldades
naturais, geradas pela nossa própria imperfeição”.
Para a
maioria das pessoas, a morte de uma criança é uma perda
irreparável. Flores de Maria foi especialmente escrito por
Rosângela para consolar e esclarecer os parentes desses
desencarnados?
O livro tem dois objetivos:
consolar as pessoas e informar como é o plano espiritual.
Esperamos que seja um conforto e consolação para os que sofrem
com a separação dos afetos pela desencarnação.
As experiências vividas por Rosângela – antes, durante e
depois do seu desencarne – são tocantes. Qual delas a emocionou
mais?
Foram várias as passagens do livro que me emocionaram.
Comovi-me quando ela me contou sobre sua doença. Achei
interessante os seus estudos, e também a descrição do
Educandário Flores de Maria. Mas o que mais me tocou foi seu
trabalho com as crianças e os jovens que se sentem traumatizados
com a desencarnação.
Poderia descrever as sessões de psicografia de Flores de
Maria?
Meu trabalho com Rosângela é muito agradável e prazeroso.
Psicografo pela manhã. Cada capítulo foi escrito e revisado,
várias vezes. Ela pacientemente ditava para mim, com o seu
jeitinho delicado. Foi muito gratificante!
É possível nos informar quando Rosângela desencarnou? Ela
pertencia à sua família ou ao seu círculo de amizades?
Rosângela desencarnou há tempos. Não sei quando, pois ela
não me disse. Não a conheci quando encarnada, não há parentesco
entre nós, nem conheço sua família.
Quando foi que Rosângela se aproximou de você pela primeira
vez?
Antônio Carlos a acompanhou até minha casa e nos apresentou.
O carinho foi recíproco e nos tornamos grandes amigas e, agora,
companheiras de trabalho.
Embora se apresente com a aparência de uma jovem de quatorze
anos – sua idade quando desencarnou – Rosângela, na verdade, é
um espírito que já reassumiu sua personalidade. Por que se
manifesta com o aspecto do passado?
Atualmente, além de se dedicar à literatura, Rosângela
trabalha com crianças e jovens. Ela acha que se apresentando
assim, seu trabalho é facilitado, pois eles confiam mais nela, e
demonstram amizade, o que proporciona um entendimento maior.
Durante a psicografia, foi possível visualizar mediunicamente
os locais onde se desenrolaram os acontecimentos descritos nesse
livro? Qual foi a vidência que mais a impressionou?
Sim, foi. Rosângela me mostrou vários locais do educandário.
Achei lindo! Flores de Maria é encantador. As coisas que mais me
impressionaram foram: o círculo, o corredor interno e a Praça
das Fontes.
Seu mentor, o Espírito Antônio Carlos, participou das sessões
de psicografia de Flores de Maria?
Não. Antônio Carlos não interfere no trabalho de outro espírito.
Ele só dá opinião quando nós a pedimos.
As edificações da colônia onde se encontra Rosângela se
assemelham aos prédios da Terra?
Sim, assemelham-se; foi essa a impressão que tive ao vê-las.
Para facilitar nosso trabalho, Rosângela me levou várias vezes
ao educandário quando meu corpo físico dormia. Infelizmente, não
consigo me recordar de tudo.
Como você se sente – depois de tantos anos de empenho na
mediunidade – ao receber a notícia de que a vendagem dos seus
livros na Petit Editora ultrapassou a tiragem de 3.200 milhões
de exemplares?
Estes números nos surpreenderam, realmente não esperávamos.
Sempre fizemos nosso trabalho com responsabilidade e amor.
Acredito que ele foi aceito por isso, pelo carinho com que são
feitos.
Transmitidos por vários autores espirituais – Rosângela,
Antônio Carlos, Patrícia e outros – seus livros divulgam a
Doutrina Espírita, consolando e esclarecendo. Quando e por que
aconteceu sua primeira aproximação com o Espiritismo?
Desde pequena via e ouvia os desencarnados. Para compreender
por que isso me acontecia, busquei o Espiritismo. Essa Doutrina
esclarecedora me deu as respostas de que eu necessitava e
indicou-me o caminho seguro para ser útil usando minha
mediunidade. Sou muito grata a Deus por essa aproximação e amo o
Espiritismo. Tento ser uma espírita consciente.
Quais são suas atividades no centro espírita? Há quantos anos
se dedica a elas? Qual foi sua primeira tarefa na casa espírita?
Sou médium passista. Freqüento a casa espírita há vinte e seis
anos. Comecei como aprendiz e já participei de várias
atividades. Minha primeira tarefa foi num trabalho de
desobsessão no qual aprendi a amar e a compreender os obsediados
e os obsessores.
Seu trabalho no centro espírita envolve também sua
participação na área de assistência social?
Sim, participo do trabalho de assistência social. Paz e Harmonia
é o nome do centro que eu freqüento, onde uma laboriosa equipe
realiza um excelente trabalho junto aos carentes. É uma tarefa
muito gratificante, onde obtemos bons resultados.
No início de sua carreira mediúnica, qual foi a maior
dificuldade que você enfrentou?
A falta de conhecimento me fazia ter medo da minha vidência.
Acho que o medo é um grande empecilho. Quando tive a graça de
estudar e compreender o que é ser médium, não tive mais receio
nem dificuldades. Amo muito minha mediunidade e cuido dela como
algo precioso, um tesouro que me dá oportunidades de evoluir.
Quais são as principais virtudes – ou qualificações – para
que o médium corresponda com as expectativas da espiritualidade?
Disciplina, honestidade, perseverança e amar o trabalho que
faz, realizando o bem para um dia ser bom.
Por onde deve começar a reforma íntima?
Primeiramente devemos reconhecer os nossos vícios e tentar,
com toda nossa força de vontade erradicá-los, e substituí-los
por virtudes.
Aqueles que a conhecem de perto sabem da sua postura, sempre
discreta e reservada, diante da imprensa, contrastando com
outros médiuns, que se expõem com mais freqüência na mídia. Qual
é a razão dessa atitude?
O principal objetivo do meu trabalho é levar consolo e
conhecimento aos leitores. A esta tarefa dedico todo o meu tempo
disponível, o que dificulta um contato maior com a imprensa e a
disponibilidade para viajar. Também sou muito tímida, prefiro
ser mais reservada.
Violetas na janela, do Espírito Patrícia, ultrapassou 1,3
milhão de exemplares vendidos. É um número respeitável, apontado
em destaque na mídia, ao lado de O Evangelho Segundo o
Espiritismo e O Livro dos Espíritos. Qual é a razão de tanto
sucesso?
Violetas na janela foi escrito com tanto amor que as
pessoas sensíveis sentem esse carinho. Sua simplicidade tem
encantado muita gente. Não foi escrito para ser um sucesso,
talvez seja por isso que ele o alcançou. Amo esse trabalho
porque é por meio dele que muitas lágrimas são enxugadas.
Gostaríamos de conhecer melhor – se possível – o seu mentor,
o Espírito Antônio Carlos. Qual a importância desse benfeitor em
sua vida? Quando o viu pela primeira vez?
Antônio Carlos e eu vivemos uma história. Erramos e agora
procuramos reparar nossos erros. No livro Aqueles que amam,
editado pela Petit Editora, encontram-se passagens de nossas
encarnações. A primeira vez que o vi, nesta encarnação, foi num
centro espírita. Ele já havia desencarnado, fizera sua mudança
de plano havia muitos anos. Propôs que trabalhássemos com a
psicografia. Somente anos depois foi que eu recordei que já
éramos conhecidos. Sou muito grata a ele pela enorme paciência
que tem comigo e por suas constantes orientações. Somos grandes
amigos.
Além de ser um espírito familiar que a estima tanto, Antônio
Carlos revelou-se, ao longo dos anos, um espírito com talento
para a literatura. Antônio Carlos foi escritor em alguma de suas
encarnações?
Sim, foi. Antônio Carlos me disse que sempre gostou da
literatura. Escrevia quando encarnado, e na condição de
desencarnado continua dedicando-se a esse trabalho, com enorme
carinho.
O Espírito Antônio Carlos foi retratado por algum médium de
psicopictografia – de pintura mediúnica?
Não, Antônio Carlos não foi retratado nem tem intenção de sê-lo.
Disse-nos que tanto a aparência quanto o seu nome são
passageiros. Prefere que as pessoas o imaginem como elas
gostariam que ele fosse. Ele dá mais valor àquilo que é
realmente do espírito: suas obras.
Entre os livros que já psicografou, qual foi o que exigiu
maior empenho de sua parte? Qual a razão da dificuldade?
Foi O Vôo da Gaivota, editado pela Petit Editora. Sofri muita
pressão dos desencarnados que se sentiram incomodados com os
livros da Patrícia, que são queridos, consoladores e
orientadores. Numa parte da história, o Espírito Walter é
doutrinado. Algumas pessoas não queriam que descrevêssemos como
isso acontecia. Diziam que era muito esclarecedor e que não
gostariam que divulgássemos a maneira de doutrinar. Mas assim
como há os que não querem, há os que querem, e dessa forma
recebi o auxílio de amigos... Tenho muitos amigos. E o livro
está aí...
Suas obras mediúnicas estão ganhando novas capas e edições
ainda mais elaboradas na Petit Editora, com o objetivo de
ampliar, ainda mais, o prazer da leitura. Na sua opinião, qual é
a importância do livro espírita na atualidade? O que um bom
livro espírita deve transmitir ao leitor?
Tenho notado que as pessoas estão ávidas por conhecer, e,
principalmente, obter informações sobre a nossa mudança de
plano. O que acontece quando o corpo físico tem suas funções
vitais encerradas? As respostas, muito esclarecedoras, estão na
Obras Básicas de Allan Kardec e nos livros espíritas. As boas
obras têm muita importância, pois orientam quem as lê. Por isso,
a responsabilidade de quem escreve e edita é muito grande.
Qual é sua leitura favorita?
Os livros espíritas. Gosto muito de ler, estudar, meditar e
tento vivenciar esses conceitos. Leio sempre O Evangelho Segundo
o Espiritismo e me encanto com os ensinamentos de Jesus.
É difícil conciliar a vida familiar e profissional com os
deveres mediúnicos?
Não é difícil. Comecei a psicografar quando meus filhos eram
pequenos, e nunca parei. Mesmo quando doente, continuei firme
nessa tarefa. Divido bem o meu tempo: cuido da casa, trabalho
fora e psicografo. Quando queremos, realmente, encontramos um
jeito de realizar tudo aquilo que nos propomos a fazer.
Agradecidos pela sua atenção, gostaríamos que dirigisse uma
mensagem aos leitores que nos acompanharam nesta entrevista tão
gratificante.
Eu é que agradeço o carinho. Desejo a todos que perseverem, se
dediquem com todo o amor à vida, e que se organizem para ter
tempo de fazer o bem aos outros e a si mesmos. Fazemos um grande
bem a nós mesmos, alimentando nosso espírito com a leitura de
boas obras espíritas. Meu abraço fraterno.
(DA REDAÇÃO)

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