Caros leitores, gostaria de fazer
aqui uma reflexão sobre Política e Espiritismo, tema já
exaustivamente abordado por muitos articulistas das mais
variadas tendências e opiniões. A reflexão que proponho aqui não
é nova e nem inédita mas creio que vai um tanto quanto na
contramão das coisas.
Talvez não exagere em dizer que a esmagadora maioria dos
brasileiros, e os espíritas estão ai inseridos, estão
horrorizados com certos fatos da política nacional. Não vou
entrar em questões políticas de outros países, mesmo os ditos de
primeiro mundo, pois o chamado primeiro mundo, sabe muito bem
tirar seus dividendos dos demais e ai teríamos de entrar nas
questões de ética internacional, que neste momento não é nosso
foco.
Retomando portanto, muitos entre nós estão horrorizados com
fatos de corrupção e descaso que as autoridades, se é que
possuem alguma, estão a praticar. Pelo menos essa é a tônica da
mídia sempre sedenta em veicular fatos desagradáveis sem muita
preocupação em mostrar o bem, o correto o ético.
Essa insatisfação nacional, essa postura de horror que muitos
fazem questão de afirmar aos quatro cantos me parece mais a uma
encenação “até certo modo inconsciente”. Muitos dos que estão a
se horrorizar com a corrupção institucional, estão a praticá-la
no seu dia-a-dia. Quantos de nós pagamos o nosso imposto de
renda de forma correta? Quantos de nós renovamos nossas
carteiras de habilitação de forma correta? Quantos de nós já
subornou um guarda de trânsito? Quantos de nós já assumiu para
si mesmo a chamada responsabilidade social que cobramos dos
outros e das empresas? Enfim... quantos de nós horrorizados com
todo esse descaso público que está ai, faz a lição de casa, que
como espíritas poderíamos chamar de “reforma íntima”?
Falar mal desse governo ou de qualquer outro é fácil, dá status
nos almoços de domingo em família. Falar mal dos políticos até
pode parecer consciência política, mas pode não passar de
desabafo equivocado e sem exemplo pessoal que suporte o que se
fala. Como aprendemos com a Doutrina Espírita, “o exemplo
arrasta”.
Neste sentido, prezados leitores, a nossa intenção aqui é uma
reflexão sobre o que se fala e o que se faz. Somos seres em
construção, não há dúvida, daí a necessidade de tomarmos muito
cuidado ao criticar os políticos ou o que quer que seja. Devemos
sim exercer nossa cidadania, nossa capacidade de criticar o que
“entendemos” que esteja errado, mas tomemos muito cuidado em
exigir dos políticos, das autoridades, ou o quem quer que seja,
somente o que fazemos em nossa vida privada.
Longe de mim está a pretensão de fechar qualquer tema sob a
minha ótica. Fica aqui, portanto, o convite para uma reflexão
sobre a questão de estarmos horrorizados com os fatos recentes
da política nacional. Horrorizados por que razão? Se o Brasil
ainda está assim é por culpa de quem? Dos políticos? É? Você
ainda acredita nisso? (Alfredo
Marcos Ribeiro de Sousa)

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