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Crianças ÍNDIGO existem?

Américo Canhoto, médico de família, responde à leitora

AMÉRICO CANHOTO

Senhores editores e redatores, uma das maiores conquistas da Humanidade foi a liberdade de pensamento. O livre-arbítrio nos foi dado por Deus para que possamos fazer bons usos, e arcamos com as conseqüências de todos os nossos atos, assunto já bem compreendido pelos espíritas, através do conhecimento das Leis de Causa e Efeito. Mas Deus é Pai Misericordioso, e vendo que a humanidade necessitava de ajuda para a sua progressão espiritual nos enviou vários espíritos para nos auxiliar nesta caminhada, e outros para nos ensinar o caminho da luz. Jesus veio ao mundo há mais de 2000 anos nos ensinar o amor a Deus e ao próximo e o Espiritismo surgiu há 150 anos com o propósito de nos relembrar os ensinamentos do Mestre Nazareno e nos trazer a revelação da vida Espiritual. Kardec pedagogo, estudioso das leis da física, escritor, pesquisador fez um grande trabalho científico, com metodologia séria, experimentando diversos médiuns e diversos espíritos para nos dar a Codificação. Seguiu a instrução de Erasto, um dos espírito das obras da Codificação que dizia ser melhor repelir dez verdades que aceitar uma mentira, que nos mostra o tamanho da responsabilidade que um conhecedor desta Doutrina maravilhosa tem. Feita esta breve introdução gostaria de fazer alguns questionamentos sobre um tema que muito tem me preocupado, as "crianças índigos": a) Tendo o Espiritismo o tríplice aspecto: Ciência - Filosofia - Religião gostaria  de saber quais são as bases científicas (publicações em revistas científicas) que existem sobre as tais crianças índigos? b) Quais trabalhos científicos fizeram a normatização para classificar uma criança como índigo? c) Sabendo-se que muitas das "crianças índigo" tem características de portadores de transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, como diferenciar uma da outra (principalmente se o médico/ psicóloga não forem espíritas)? d) Sabendo-se que estudos científicos desde de 1902 já descrevem as crianças portadoras de TDAH e que há mais de 50 anos já é utilizada a Ritalina para este tratamento, sem relatos científicos de efeitos colaterais sérios, e que estes estudos demonstram que mais de 50% das crianças não tratadas vão para a drogadição, mais de 80% vão ter mais um diagnóstico psiquiátrico se não tratadas, que a chance de se envolver em acidentes de trânsito é maior em adultos TDAH não tratados, e muitas coisas mais, pergunto, o que diremos para as mães destas crianças que suspenderão a medicação por conta destes artigos, palestras e livros, e que poderão se envolver em um ou mais dos fatos acima relatados? e) Quais são os livros psicografados ou mensagens psicografadas que autorizam aos espíritas mais atentos a realmente saber que "criança índigo" é uma verdade? f) É consenso da classe espírita aceitar que realmente existem as "Crianças índigo" e que elas estão no mundo para ajudar o mundo a evoluir? (mas que espírito não está na Terra para ajudar na evolução?). Infelizmente nós ainda não deixamos de lado o misticismo, quando a nossa Doutrina é baseada em fé raciocinada e assim deveria ser tratada. No momento, ainda não encontrei na Codificação e nem no meio cientifico nada que pudesse me dar o aval para realmente empunhar a bandeira das crianças índigo, sem que eu pudesse ficar implicada na Lei de Causa e Efeito. Mas como posso estar enganada, aguardo as respostas aos meus questionamentos. Grata, Tereza Duarte.

Uma saudável polêmica está em andamento no movimento espírita: Crianças Índigo. O estopim do processo foi o livro “The Indigo Children: the new kids have arrived”, Lee Carrol and Jan Tober – 1999, traduzido e publicado pela Butterfly Editora em 2005 (em seis anos atrás - hoje oito, muita coisa muda – será que há algo novo na praça?). O pomo da discórdia: “Guris azuis” - Será que existem de verdade? - Não vale adotar a postura do ditado espanhol: “Bruxas sei que as há, porém não acredito”; afinal somos espíritas – em teoria, pessoas dotadas de razoável espírito crítico, amorosas e abertas ao diálogo. Selecionei para breve comentário alguns itens entre os que geram mais discórdia:
- A interpretação do livro.
- Sobre os autores.
- Jogo de interesses.
- A confusão na mente dos leitores freqüentadores de casas espíritas a respeito do assunto.
- Porque Kardec não se referiu a elas.
- Quem são as crianças índigo.
- Qual a relação entre crianças índigo e TDAH.
- A saúde da criança índigo.
- Como educá-las.
- Bases científicas.
- Bandeira índigo.

Breves comentários
Antes deles, tenho o dever de posicionar-me, pois envolvido que fui numa “briga” não faço parte nem dos litigantes nem da turma do deixa disso – faz parte do meu aprendizado de caráter: quando meus interlocutores tornam-se impermeáveis ao diálogo, busco outros ares, sem remorsos nem ressentimentos, mas sempre marcando posição. Não estou respondendo a nenhuma dúvida, ao contrário, às vezes faço coro a elas. Como me meti nisso? Não estou a serviço da editora nem de ninguém; senão de mim mesmo e da minha tarefa de vida, descoberta sob minhas dores e sofrimentos particulares que a outros podem e parecem besteiras. Escolhi um tipo de medicina diferente do habitual, problema meu - embora meus familiares, dentre eles quatro filhos sejam atingidos em seus desejos e até necessidades financeiras. Tudo conspirou para que ao longo destes quase trinta anos de profissão eu me dedicasse a um tipo de medicina a serviço do próximo, no qual estou aprendendo sob grandes dores e pesares, a amar. Durante vinte longos anos fui tomado por uma febre de escrever como forma de repassar aos outros as leituras que em espírito fazia das nossas angústias do cotidiano. Porque não me intitulo como médico com o doutor na apresentação de meus escritos? Apenas por respeito, por um senso de ética aos milhares de colegas que não compartilham com meu sistema de crenças e de postura de vida, lógico que no decorrer fica clara a origem de minhas observações: a profissão tão próxima das mazelas e do sofrer humano visto pela ótica de meu mestre maior, Jesus.

A interpretação do livro
É fato notório que no Brasil, mesmo os universitários na sua maioria não estão capazes de interpretar um texto com mais de dez laudas. O que esperar dos freqüentadores das casas espíritas tão manipulados pelos oradores, palestrantes e pelos médiuns que fazem das dores do próximo a clientela da hora, para satisfazer seu orgulho e desejo inconfesso de poder? Todo cuidado é pouco quando nos manifestamos, pois quando aceitamos ou criticamos uma fala ou um texto nem sempre o fazemos com clareza e dignidade – interpretamos, criticamos ou adoramos quando nossos interesses, às vezes inconfessáveis são atendidos. Mas, quando pisam nos nossos calos da personalidade – sai de baixo... Cada um vai pinçar situações que se ajustem aos seus desejos e interesses do momento. Lógico e claro. Isso, ainda é natural, portanto, quem se atreve a reforçar palavras com entonações mais fortes na fala ou a grifar acintosamente palavras e frases no texto chamando seus ouvintes ou leitores de incapazes; não faz idéia do problema que arranjou – por outro lado, quem não quiser ouvir nem ver que seja feita a sua vontade.

Sobre os autores
No livro, está bem colocada a função e o papel dos autores; nele nada consta sobre seu sistema de crenças: se adoram a Deus ou ao diabo – nem a qual seita pertence ou acreditam – isso é problema deles. Qualquer leitor desprovido de preconceitos percebe com clareza que eles não criticaram nenhum sistema de crença nem religião alguma. Nem tampouco inventaram a logomarca índigo, apenas compilaram várias formas de perceber as novas crianças que estão nascendo em toda parte. O que muitos ditos cientistas fizeram de diferente?

Jogo de interesses
Lógico que essa azulada encrenca tenha sido criada pelos conflitos de interesses, confessáveis ou inconfessáveis de todas as partes envolvidas – dinheiro, poder, fama, controle de grupos, egoísmo, orgulho. Também é claro que cada uma das partes discorrerá sobre seus pontos de vista. Necessário se faz separar os interesses de cada um dos envolvidos. Apenas posso falar da minha parte quando participo dos seminários sobre índigos: o interesse resume-se, a esclarecer pais e familiares espíritas ou não sobre a necessidade de reavaliar a forma como educamos nossas crianças e sobre os perigos a que elas estão expostas pela aceleração atual. Claro que desejo abrir espaço para minhas observações contidas em cinqüenta e um escritos e apenas seis publicados em quatro editoras diferentes. Interesses financeiros? Se mostrar os contra cheques viro material para programas de humorismo; tal e qual boa parte dos idealistas com os quais passei a conviver. Idealismo? Meus familiares chamam de burrice, pois segundo eles desperdiço meu tempo e além de tudo até a despesa com a gasolina sai do meu bolso. Creio que de forma atrevida posso responder pelos interesses da “turma” que participa desses encontros: estão todos a serviço de Jesus. Quanto aos autores e aos editores – perguntem diretamente a eles, pois dizem as sábias crianças de hoje: cada um com seus problemas.

A confusão na mente dos leitores freqüentadores das casas espíritas a respeito do assunto
Nada mais lógico, mas quem falhou? Claro que os antigos espíritos hoje ainda encarnados: a turma de novecentos e dez, vinte, trinta, quarenta, cinqüenta, sessenta, setenta, oitenta... Legaram a si próprios e a várias gerações a incompetência em resolver coisas tão simples como: Quem somos nós? O que fazemos aqui? Quem sou eu? O que vim fazer nesta existência? Espíritas, que tal usar o fator índigo para reavaliar o que o movimento espírita fez pelas pessoas e por si próprio?

Porque Kardec não se referiu a elas
Antes de qualquer outra consideração: O que Allan Kardec fez de tão diferente dos autores do livro em questão? Apenas selecionou, compilou e organizou material alheio, ditado por espíritos desencarnados, resguardou o que achou confiável e editou. Mas, quem garante que estava certo ou que fez o melhor? Que bases científicas ele dispunha no momento para confiar neles? Seus nomes? Seus antecedentes? Quem poderia lhe garantir a veracidade dos fatos? Talvez apenas a sua confiança íntima, sua fé, para definir seus propósitos de vida: a que veio na atual existência. No caso que nos interessa, os índigos, por exemplo, no livro “Gênese”, de Allan Kardec, no capítulo 18: “São chegados os tempos” os Espíritos Arago e doutor Barry anunciam e explicam certos acontecimentos futuros segundo a sua visão de mundo na época em que ditaram suas considerações, mas e se fosse hoje, o que teriam de novo a nos dizer? Espíritas que levam tudo ao pé da letra devem bandear-se com urgência para outros sistemas de crenças. Boa viagem.

Quem são as crianças índigo
Ao longo destes trinta anos de atendimentos às famílias; observo o surgir de uma legião de reformadores. Que antes pingavam aqui e ali como um Sócrates, João Batista, uma Maria de Magdala, Joana Darc, Madre Tereza - não importa a cor da sua aura, observado por videntes. O fato é que no momento atual me delicio com a dificuldade com que os pais intelectualizados ou não, tem para lidar com seus reformadores. Bem vindos.

Qual a relação entre crianças índigo e TDAH
Esse assunto vale um longo bate papo. Dificuldade para manter a atenção e de memorizar? Quem não as tem? Resumindo: as crianças da nova geração se dão bem num mundo em franca aceleração sem precisar de camisas de força química: executam mil tarefas ao mesmo tempo com eficiência e qualidade. Já os normais acelerados, filhos de pais sem o devido preparo e retaguarda social e familiar, precisam de camisas de força como a ritalina para que se mantenham enquadrados nos parâmetros da velha geração. Ninguém que se preze como ser pensante pode ser contra remédios, mas quem não ousa pensar em se livrar deles deve ser expulso do planeta nesta nova era que se torna cada dia mais: hoje. Espíritas “adoradores” (o bezerro de ouro virou pó colorido; mas mata cada vez mais) das drogas como solução para a reforma íntima: depois da ritalina será que seus filhos ou netos vão herdar o vício das outras drogas que seus familiares usam para dormir, acordar, manter o nariz desentupido, manter o pênis ereto por obrigação frente a uma megera, livrar-se da azia, da intolerância, da impaciência, ou dos calores da sexualidade mal resolvida, dos abortos de existências anteriores ou desta? Teste para espíritas com TDAH. Responda de pronto: Qual a pergunta e a resposta número 235 de “O Livro dos Espíritos”? O que Jesus quis dizer com bem aventurados os aflitos? Qual a data de aniversário de sua sogra? Qual a data de nascimento e nome completo de seu chefe. Quem foi Bento 16. Qual o nome de sua colega de trabalho. Como não temos paciência nem ganhamos nada para fazer exercícios de revistas da moda. Deixamos apenas a questão: amigo espírita: Quem é você? O que veio fazer? O que está fazendo de útil?

A saúde das crianças índigo
A saúde e a sobrevivência das crianças da nova geração dependem mais da qualidade do meio do que da qualidade de existências passadas. Para reforçar o entendimento: dia destes recebi no consultório uma criança de excelente “pedigree” espírita de três gerações. E, durante a consulta a avó: médium de primeira, uma tarefeira exemplar de uma conceituada casa espírita, tentou usar-me para chantagear o neto a comer “carninha”. “Quero que o senhor fale pra ele, que se não comer carne vai ficar doente, anêmico, não vai crescer...” De repente a criança de dois anos e meio que parecia entretida (mesmo velhos e velhacos espíritas imaginam que as crianças são criaturas surdas – simplesmente não ouvem o que preocupa a incompetência dos adultos), aquela pequena criatura (em estatura) encosta e diz: “Mas, tio o que posso fazer se não consigo mastigar e comer qualquer coisa que tenha olhinhos”. Como Deus é Bom e Pai, essa senhora não mais deu o ar da graça para criticar a forma como a nora conduz a saúde de seu neto. Benza Deus, melhor para mim e para minha saúde psicológica que ela esteja sendo distraída e conduzida para especialistas que a tratem de suas dores pelo corpo, insônia, calores e calafrios... A evolução é inexorável: crianças da paz serão massacradas nas escolas sob o olhar complacente de mestras e mestres espíritas que estão mais preocupados em angariar valores para a aposentadoria do que a educar as crianças em bases mais reais (Evangelho). Onde encontrar as crianças da geração intermediária (índigos): com certeza nos consultórios de psiquiatria.

Como educá-las
Esse é o ponto mais crucial; e ao mesmo tempo o mais fácil de ser resolvido. Sou o caminho a verdade e a vida; ninguém vai ao Pai senão através dos meus ensinamentos disse o Mestre Jesus. Recomendamos nossos livros já editados e os por editar (quem quiser que se habilite).

Bases científicas
As bases científicas capazes de justificar realidades e verdades cósmicas entre nós, ainda medíocres seres em evolução, sofrem a ação da lei da relatividade e da ação do tempo. O que foi a verdade da ciência ontem? E hoje? Para resumir: A cada um segundo suas obras ou capacidade de entendimento disse Jesus. Em se tratando do problema das verdades científicas a respeito dos índigos, a pergunta continua a mesma: o que são verdades científicas num mundo tão acelerado e com tantas variáveis? Exemplifiquemos: nos livros que já existem e nos próximos haverá um grande número de testes capazes de identificar índigos e portadores de TDAH. Tal e qual os de horóscopos, de tratamentos com florais e outros. Sempre, e cada vez mais fortemente, nossa similitude com os iguais nos identificará com quase tudo – e, daí precisaremos de todos os remédios para nos curar, a sós será impossível.

Bandeira índigo
Embora ainda estejamos em guerra: Jesus e os seus contra os outros, para nos trazer de volta à Confederação, nós os espíritas, na qualidade de seres mais próximos dos ideais do Mestre, portanto mais diferenciados, não precisamos de orgulhosos que carreguem estandartes nem de logotipos ou marcas para sinalizar caminhos. Eles - os índigos - de alguma forma que, os normais ainda não entendem, sabem que, o bem sempre vence. Quer tornar-se um índigo? Vibre por este planeta azul que atrai seres de outros mundos, para aprender a amar com emoção...

Para finalizar
Caso, nós todos do movimento espírita - os reformadores -, estivéssemos esperando por provas ditas científicas em cada época em que vivemos ainda estaríamos na idade da peregrinação ao alto das árvores. Daí, todos os espíritos que tenham críticas a respeito do assunto estão convidados a participar do próximo evento – caso não sejam aceitos mostrem - provem. Em tempo: se estivesse no aguardo de provas a respeito de teorias físicas e fisiológicas com relação a Deus, mediunidade, reencarnação e da importância de Allan Kardec; teria desperdiçado quase toda minha existência (médico de famílias). Pois, participo de reuniões espirituais que encaro com ceticismo, mas que para minha contrariedade, a cada dia sou chamado para novas que resultam em benefícios aos doentes, mas que não acredito nelas; pois não creio sem ressalvas em espíritos sejam ou estejam encarnados ou desencarnados. Deus me perdoe, mas neste momento, já cansado, desejo a todos uma feliz aterrissagem em mundos compatíveis. Paz. Um amigo.


Relação de artigos de Américo Canhoto...

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Américo Canhoto responderá as dúvidas dos leitores do Jornal dos Espíritos encaminhadas por e-mail para redacao@jornaldosespiritos.com com nome completo e cidade (não serão divulgados os dados pessoais). Casado, pai de quatro filhos. Nasceu em Castelo de Mação, distrito de Santarém, em Portugal. Médico da família, clinica desde o ano de 1978. Hoje, atende em São Bernardo do Campo e São José do Rio Preto, Estado de São Paulo. Conheceu o Espiritismo em 1988. Recebia pacientes indicados pelo doutor Eduardo Monteiro. Depois descobriu que esse médico era um espírito. É autor de: “Quem ama cuida” (São Paulo: Petit Editora), “Saúde ou doença: a escolha é sua” (São Paulo: Petit Editora); “Chegando à casa espírita“ (São Paulo: Petit Editora); “Educar para um Mundo novo” (São José do Rio Preto: Editora Ativa) e “A reforma íntima começa no berço” (Santo André: Editora EBM), colunista do Jornal dos Espíritos – www.jornaldosespiritos.com e do Diário da Região de São José do Rio Preto.


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