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Tristeza ou DEPRESSÃO?

Médico espírita explica quais são as diferenças

AMÉRICO CANHOTO

Sigo o Espiritismo a algum tempo desde que o pai do meu filho faleceu (oito anos), hoje estou casada com uma pessoa maravilhosa que cria meu filho com muito amor e faz de tudo para viver bem comigo, mas percebi que desde do trauma da perda do meu ex-marido fiquei muito nervosa e muitas vezes não consigo me controlar e explodo com as pessoas que mais amo, e sei que isso vem fazendo mal para mim e para as pessoas em minha volta, já fiz três vezes tratamentos espíritas (passe), mas mesmo seguindo e tendo todo o conhecimento que eu tenho ainda fica difícil lidar comigo mesma, ultimamente venho sentido dores de cabeça sempre, passei em um neurologista e ele me recomendou um antidepressivo, sei que me encaixo no quadro de pessoas depressivas, choro muito quando fico nervosa, tenho vontade de jogar tudo para o alto e sumir, e sempre acho que vai acontecer algo comigo ou com o meu filho, às vezes chego a imaginar como seria meu velório e não gosto desses pensamento negativos pois acabo atraindo baixas vibrações para o meu lado, mas é tão difícil controlar. Gostaria de saber como o Espiritismo  vê a depressão? O que posso fazer para trabalhar esses meus pensamentos e sentimentos negativos? Obrigada  desde de já. R.C.C.S., São Paulo.

Querida leitora, talvez ainda esteja apenas triste; nem tanto depressiva. Mesmo entre os profissionais de saúde costuma-se confundir tristeza com depressão. É mesmo comum que muitos tristes ocasionais estejam sendo tratados como depressivos. O problema é que na formação dos profissionais de saúde pouco ou nenhum valor se dá aos problemas existenciais. Além disso, é preciso dispor de tempo para ouvir o paciente. Como a Doutrina dos Espíritos vê o problema da depressão? Sabemos que ao nascimento já trazemos tendências e predisposições inatas que são componentes da evolução pessoal. Podemos subdividir a tristeza em inata e adquirida. Algumas pessoas desde o nascimento já irradiam uma predisposição à tristeza sem motivo. São os naturalmente tristes, sérios candidatos a tornarem-se depressivos no decorrer da existência, já na adquirida, que costuma ser transitória, a pessoa fica triste devido a motivos externos – sensação de perda, notícias ruins, razões íntimas como lembranças negativas. Mas, mesmo na tristeza consegue sentir alegria e prazer caso haja motivo ou estímulo e, procura companhia – essa é uma forma de sentir-se passageira e, proporcional ao estímulo que a causou.
Na depressão, os transtornos de humor costumam ser mais duradouros. O deprimido reage às situações de forma desproporcional ao estímulo. Perde a vontade de procurar as pessoas e tende a isolar-se. O conjunto de sintomas altera o comportamento habitual da pessoa, levando-a a um estado doentio de irritação e impaciência.
Embora a tristeza possa acompanhar a depressão, o sintoma mais comum do depressivo é a apatia. O paciente torna-se incapaz de reagir, o que desencadeia problemas familiares. Nem sempre a doença é reconhecida e os familiares podem achar que se trata de preguiça ou irresponsabilidade e, como conseqüência disso o deprimido sente-se culpado por decepcionar a família, o que agrava seu estado, isso gera um círculo vicioso, quebrado quando o depressivo busca tratamento.
Apenas para ilustrar a complexidade do problema: a tristeza e a depressão podem ser fruto de aprendizado: erros educacionais capazes de levar o adulto à depressão.
Treinamento
Muitas crianças com tendências à tristeza congênita e a deprimirem-se são treinadas pelos familiares ou adultos que costumam fingir estar em baixo astral. Para algumas pessoas, esse comportamento é uma forma de chamar a atenção, mecanismo que aprenderam na sua educação -  simulam um quadro de depressão com a esperança de despertar pena, receber atenção e cuidados - são pessoas que quase acabam sentindo alegria no sofrer. Claro que todo aluno tem seus mestres, no seu ambiente familiar havia pessoas com desvios de personalidade que valorizam a queixa como forma de despertar atenção e consideração (comum entre as pessoas consideradas histéricas). Para diferenciar os que simulam a doença daqueles que estão, de fato, deprimidos, é preciso prestar atenção nos sintomas. A depressão afeta todo o organismo. Causa uma lentidão psicomotora, que desacelera o raciocínio, provoca letargia – caracterizada pelo modo de falar mole. Outras vezes a doença provoca agitação injustificada que impede a pessoa de ficar quieta. É comum a falta de apetite e perda de peso, acompanhada de insônia, mais do tipo: sono interrompido. É preciso cuidado com os quadros de reações atípicas. Como por exemplo, ao invés de emagrecer o paciente engorda e sofre de sono excessivo como mecanismo de fuga.
Reforço de comportamento
Alguns adultos tem uma certa dificuldade em distinguir a criança feliz e alegre da criança inquieta e super ativa. Muitas vezes sem saber porque, ela sente-se triste em virtude de alguma emoção mal elaborada ou frustração, está mais quieta devido a cansaço físico ou incubando alguma doença febril. Os adultos perturbam-se com isso e, passam a questioná-la com insistência super dimensionando a situação, e por receber mais atenção -  de forma inconsciente - ela pode repetir esse comportamento durante a vida adulta, automaticamente, quando sentir-se carente e pode até fixá-lo à sua personalidade para usar durante a vida toda. Será esse o seu caso?
Repressão de sentimentos e emoções
Muitas famílias excessivamente preocupadas com a opinião dos outros, tendem a reprimir nas crianças determinadas emoções e sentimentos cuja exteriorização não é bem vista pela sociedade e seus valores - confundem o aprendizado e a elaboração das emoções e sentimentos com falta de educação - e a criança quando não consegue elaborar determinadas emoções especialmente as que envolvem perdas e frustrações tende a perpetuar o sentir-se triste ou infeliz.
Imposição familiar de paradigmas
Os valores familiares entram em conflito com os da criança. Exemplo: numa família onde predominam indivíduos muito competitivos e vencedores; se os da criança são diferentes, mais cooperativos; ela logo passa a ser tratada de forma diferente - o que pode fixar na sua personalidade uma tendência à tristeza ou até à depressão.
Porquê os passes espíritas não resolveram? O que fazer?
Para economizar tempo e sofrimento a todos nós - deve ficar bem claro que não existem recursos mágicos nem milagres, nenhum passe ou medicamento vai racionalizar nem elaborar as emoções de ninguém, portanto remédio (no caso o passe) é recurso paliativo até que a resolução seja conquistada passo a passo. A partir dessa perspectiva é que se devem buscar os recursos e os métodos adequados a cada caso. Sem pressa nem afobação. Desconfiem sempre dos que prometem ou querem vender milagres físicos ou religiosos.
Como fazer?
Para nós, o melhor é sempre copiar a natureza que gosta de tudo simples e fácil. Neste caso, como sempre, em prevenir está a sabedoria. Para isso, para a prevenção e mesmo para tratar o mal já instalado, o estudo é fundamental, depois os recursos necessários e adequados surgem na hora certa e na medida exata como exemplos podemos citar os tratamentos que atuam diretamente na energia vital do ser humano: homeopatia, florais, acupuntura; a hipnose, a terapia. Um cuidado está em observar que o tempo não pode ser subvertido, nem atropelado. Outro detalhe é significativo: quem já tenta ajudar uma criança a modificar tendências e comportamentos começa a amá-la; pois quem ama cuida, porém é importante não esquecer que quem ama respeita. Respeitar o tempo e as condições de aprendizado de cada criança é necessário para poupar sofrimentos a todos.
Querida leitora desculpe a falta de espaço e de tempo para ajudá-la a resolver seu problema: mas posso receitar-lhe um dos medicamentos complementares que nunca faltam nas minhas receitas de consultório – se era isso que buscava na interação com o Jornal dos Espíritos.
Daqui a alguns anos você estará mais arrependida pelas coisas que não fez do que pelas que fez...
"Sempre procurei como médico abordar vários aspectos das vidas e relacionamentos interpessoais dos meus pacientes. Respeito e valorizo muito os aspectos biológicos dos transtornos mentais, mas a complexidade humana requer uma visão muito mais ampla – mesmo que hoje, as neurociências possuam um largo desenvolvimento através de estudos genéticos, biomoleculares, de neuroimagem e de psicofarmacologia e que esteja sendo provado que temos um sistema cerebral que estimula o altruísmo - pessoalmente procuro fazer uma abordagem de todos os processos vitais criativos que foram perdidos ou abandonados com a doença mental. A resignificação das experiências de vida é fundamental. O restabelecimento e a recuperação de atitudes e comportamentos significativos que fazem parte do repertório de vida que foram dissipados ou ocultados pela doença necessitam ser recuperados – e dentre eles, tudo que ocorreu na educação precisa estar disponível - inclusive a religião, a prática de atividades filantrópicas, as atividades físicas regulares, o convívio familiar, entre tantos outros. Digo aos meus pacientes que isso é tão importante quanto tomar o remédio prescrito por mim. Sempre enfatizo que estas orientações e recomendações são parte integrante do tratamento psiquiátrico. Estas recomendações vêm tendo  explicações científicas respeitáveis cada vez mais respeitáveis.
Um estudo liderado pelo neurocientista brasileiro Jorge Moll Neto, pesquisador do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, traz agora uma nova explicação.
Ao fazermos uma boa ação, segundo ele, acionamos no cérebro o sistema de recompensa ("brain reward system"). O mesmo que se acende em situações de prazer, como comer chocolate, fazer sexo, ganhar dinheiro ou consumir drogas.
A pesquisa publicada na revista PNAS, foi feita com 19 voluntários submetidos à ressonância magnética funcional enquanto tinham de decidir o que fazer com os US$ 128 que haviam acabado de receber: se guardavam para si ou doavam para alguma instituição filantrópica.
A ressonância mostrou que a simples doação ativava tanto o sistema de recompensa como uma outra parte do cérebro conhecida como córtex subgenual, relacionado às ligações duradouras entre as pessoas.
Quando fazemos uma doação, nosso sistema de recompensa (mesolímbico dopaminérgico) é ativado, assim como o córtex subgenual, que é a região envolvida com o apego social, com a formação de laços afetivos de longo prazo, como o que ocorre entre mãe e filho, entre casais e entre amigos.
Segundo Moll em entrevista a um grande jornal paulistano, descobrimos que temos em nossa biologia uma predisposição a valorizarmos a doação. Mas é claro que existem diferenças entre as pessoas, que só podem ser explicadas pela variabilidade genética: uns são mais capazes de sentir empatia que outros. Em um extremo, temos os psicopatas, incapazes de se ligar tanto a pessoas quanto a normas sociais. Do outro lado, temos os exemplares morais, como aquelas pessoas que enfrentavam riscos enormes para salvar os judeus na Segunda Guerra. Mas se olharmos uma sociedade como um todo, é claro que a cultura faz diferença. O sistema de valores de um povo é capaz de encorajar as pessoas a terem atos mais altruístas ou mais agressivos.
Dependendo da cultura, ela vai estimular representações cerebrais que podem promover comportamentos socialmente mais louváveis. Quando o contrário ocorre, há muita injustiça, as pessoas se voltam para princípios muito mais elementares de sobrevivência individual.
No entanto, o importante desse estudo é que ele mostra um princípio: que temos mecanismos cerebrais que explicam emocionalmente porque uma pessoa faz coisas altruístas mesmo sem nenhum ganho pessoal, nem mesmo de visibilidade social. O problema é quando a estrutura social não oferece nem oportunidade de a pessoa tentar fazer alguma coisa. E aí não importa que o cérebro diga que fazer o bem é bom, porque não vai adiantar.
A sociedade sempre criticou a famosa "corrente do bem", com ressalvas e preconceitos. Muitos cientistas sempre foram incrédulos a ela, mas, no estágio atual, os exemplos motivam mesmo. Na pesquisa coordenada por Moll, só de pensar em fazer o bem os voluntários já ativavam o sistema de recompensa e liberavam uma carga de dopamina (neurotransmissor envolvido na sensação de bem-estar).
Uma vez que a neurociência compreende os mecanismos por trás disso, percebemos que é fato, que temos um sistema cerebral que estimula o altruísmo. Então passa a ser uma verdade biológica, embora sem intenções reducionistas.
É claro que o meio familiar e a cultura na qual o indivíduo está inserido também têm papel relevante, podendo torná-lo altruísta ou egoísta. As religiões têm o poder de agregar e organizar as pessoas em atividades de grupo, e é isso que buscamos nos hospitais e até em comunidades terapêuticas, durante o processo de reabilitação dos nossos pacientes com transtornos mentais. Por isso, os psiquiatras em geral gostam tanto de estimular as famílias e a sociedade a se engajarem na reabilitação deles.
A cada dia que se passa, em minha experiência profissional, sinto a necessidade de uma visão cada vez mais integrativa, aberta e holística do significado de qualquer transtorno mental e melhor compreensão da história do indivíduo, dentro é claro de parâmetros médicos sérios, éticos e embasados cientificamente” (disse o doutor Joel Rennó Jr. – eminente colega psiquiatra).
Amiga leitora – minhas recomendações como simples  médico de família e espírita são tão simples como o que nos recomenda o espírito Emmanuel sob a psicografia do inesquecível Francisco Cândido Xavier: trabalha, espera confia – arrematamos: em prol do bem minha amiga – faz o bem mais do que tuas obrigações como mulher, esposa, mãe, filha, cidadã, etc. – arregaça as mangas que não terás tempo para depressão nem angústia ou coisas parecidas...
Fica na Paz.


Relação de artigos de Américo Canhoto...

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Américo Canhoto responderá as dúvidas dos leitores do Jornal dos Espíritos encaminhadas por e-mail para redacao@jornaldosespiritos.com com nome completo e cidade (não serão divulgados os dados pessoais). Casado, pai de quatro filhos. Nasceu em Castelo de Mação, distrito de Santarém, em Portugal. Médico da família, clinica desde o ano de 1978. Hoje, atende em São Bernardo do Campo e São José do Rio Preto, Estado de São Paulo. Conheceu o Espiritismo em 1988. Recebia pacientes indicados pelo doutor Eduardo Monteiro. Depois descobriu que esse médico era um espírito. É autor de: “Quem ama cuida” (São Paulo: Petit Editora), “Saúde ou doença: a escolha é sua” (São Paulo: Petit Editora); “Chegando à casa espírita“ (São Paulo: Petit Editora); “Educar para um Mundo novo” (São José do Rio Preto: Editora Ativa) e “A reforma íntima começa no berço” (Santo André: Editora EBM), colunista do Jornal dos Espíritos – www.jornaldosespiritos.com e do Diário da Região de São José do Rio Preto.


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