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As
crianças índigo
existem? |
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Psicóloga clínica formada pela
Pontifícia Universidade Católica
(PUC) e pós-graduada em Administração do
Terceiro Setor pela Fundação Getúlio Vargas
(FGV), Ercília Zilli é presidente da Associação
Brasileira dos Psicólogos Espíritas (ABRAP),
mestre em Ciências da Religião. Participa dos
programas “Novos Rumos” e “Abrindo a Bíblia”, da
Rádio Boa Nova de Guarulhos, Estado de São
Paulo, dos quais é apresentadora. Autora do
livro “O Espírito em terapia, hereditariedade,
destino e fé”, escreve para jornais, revistas e
sites espíritas. Nesta entrevista,
analisa o comportamento das crianças índigo, as
dificuldades da família e da sociedade em
entendê-las e relacionar-se com elas, destacando
a importância do diálogo e da fraternidade.
O livro “Crianças índigo” de Lee Carroll e
Jan Tober foi publicado pela primeira vez nos
Estados Unidos em 1999. Desde essa época, o
número de casos naquele país aumentou muito.
Existem registros dessa ocorrência entre nós?
O termo “crianças índigo” é relativamente novo.
Embora haja uma constatação de que estão
nascendo, cada vez mais, crianças
“inteligentes”, não conheço nenhuma pesquisa que
constate essa incidência no Brasil. No entanto,
é evidente e alvo de comentários, bem como
propagada pela mídia, a certeza de que as
crianças já nascem praticamente sabendo como
usar, por exemplo, os computadores, que dão
tanto trabalho aos seus pais...
Na sua opinião, essas crianças são realmente o
expoente de uma nova geração, à qual se
destinaria o orbe terrestre nessa fase de
transição para um mundo de regeneração, como
prevê o Espiritismo?
Como espírita, acredito que estejamos no limiar
de uma nova era, a qual chamamos de regeneração.
Para que haja regeneração, é necessário que a
evolução dos espíritos que ainda aqui estagiam
aconteça e que outros, mais preparados,
reencarnem na Terra. Creio que é nessa premissa
onde se encaixam os espíritos que estão
reencarnando e sendo denominados de “índigos”.
Para que haja renovação, é fundamental que as
coisas sejam feitas de uma maneira nova.
Foi criada alguma categoria para enquadrar os
índigos?
Tendo em conta o que a psicologia postula, e que
é regulamentada pelo Conselho Regional de
Psicologia (CRP), nenhuma categoria foi
oficialmente criada para enquadrar tais
crianças. Existe uma realidade sendo observada,
mas a criação de uma classificação na
psicologia, ou mesmo na medicina, requer ainda
pesquisa e fundamentação.
Na sua opinião, qual é a característica
predominante nas crianças índigo?
Penso que a inteligência, a capacidade de se
manter “autêntica” em situações diferentes, a
consciência da necessidade de ser respeitada,
além de sua sensibilidade, extremamente aguçada.
A aura azulada dessas crianças tem alguma
significação especial?
Não estou absolutamente convencida de que a aura
tenha uma cor estática e, sim, que talvez passe
por alterações, de acordo com os estados
emocionais. Mas é possível que haja uma cor
predominante, de acordo com as conquistas do
espírito. Essa aura azulada pode indicar,
também, uma habilidade predominante.
Existem índigos adultos entre nós, buscando
terapias que os ajudem a vencer suas
dificuldades de convívio?
Sim, vários. Quase sempre são pessoas muito
sensíveis e inteligentes, porém que não tiveram
a educação familiar e escolar adequadas.
Como explicar a ocorrência do Distúrbio do
Déficit de Atenção (DDA) e do Transtorno do
Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH)
nessas crianças tão especiais? Os desajustes
familiares causam esses transtornos? O uso de
drogas, como a Ritalina, deve ser evitado?
Estamos lidando com novos padrões mentais e,
portanto, de comportamento. Nosso cérebro, que é
reducionista em relação ao potencial da mente,
vibra numa freqüência média, que tem servido de
padrão para mensuração e comparação. Mas, se
estamos falando em novas crianças ou novas
formas de existência, talvez tenhamos que rever
as nossas normas de medição para adaptação às
novas necessidades. Observo que muitas crianças,
extremamente inteligentes e sensíveis, são
portadoras de disritmia cerebral. Suas
características são semelhantes às descritas no
livro “Crianças índigo”. Os desajustes
familiares são prejudiciais tanto a essas
crianças como a outras, incluindo o casal. Se a
criança for muito sensível, poderá reagir
negativamente a esse tipo de pressão, também de
uma vibração negativa constante. Mas acredito
que essas crianças precisem mesmo é de uma
educação e de uma escola que as estimule ao
crescimento, à autoconfiança e à preservação de
sua independência em situações adversas. Criar
filhos é tarefa difícil e requer muita atenção
e dedicação. É muito freqüente que as pessoas
queiram ter filhos para “se completarem”.
Acredito que deveriam se candidatar a pais
somente quando se sentissem habilitados e com
prontidão para esse tipo de tarefa. A medicação
só deve ser usada quando absolutamente
necessária, sendo importante a indicação de um
médico consciente, que busque conhecer o
histórico familiar e a realidade escolar.
Em busca da cura, os pais dessas crianças
recorrem a terapias alternativas, consideradas
holísticas. Qual é o risco a que expõem seus
filhos? Esse é um mal menor que a Ritalina
causa?
Muitas vezes os pais falam que buscam a cura,
mas qual é a doença? O que é doença? O problema
não é tanto o tratamento, mas o conceito. O
tratamento poderá ser até medicamentoso, mas não
prescinde de atenção, carinho e limites. Tenho
escutado mães pedindo que os médicos receitem
Ritalina, pois não agüentam mais a agitação e as
queixas escolares; no entanto, nesses casos
também percebi a dificuldade de colocar limites
claramente e mensagens ambivalentes no
relacionamento com a criança. Por exemplo, um
adolescente que via vultos, andava pela sala de
aula sem dar atenção ao professor e que já havia
sido “convidado” a se retirar de algumas escolas
tinha permissão, aos 15 anos, para dirigir o
carro da mãe... Quando o desajuste é muito
sério, as várias causas devem ser analisadas e o
tratamento terá que contemplar as prioridades.
Se for Ritalina, Rivotril ou mesmo terapias
alternativas, uma solução deve ser buscada e
experimentada, mas os pais, separados ou vivendo
juntos, devem, sempre que possível, atuar em
conjunto para evitar a manipulação, tanto de um
em relação ao outro, como da criança em relação
a cada um deles.
O que o centro espírita pode oferecer para
ajudar as crianças índigo?
Os centros espíritas podem oferecer, em
primeiro lugar, esclarecimento. O Espiritismo,
por seu aspecto religioso, filosófico e
científico, tem por premissa esclarecer através
da fé raciocinada. Ou seja, tem uma lógica. A
Associação Brasileira de Psicólogos Espíritas (ABRAPE)
tem recebido solicitações de temas relacionados
à saúde mental e temos falado sobre Transtorno
Bipolar, Depressão, DDA, TDAH, Síndrome do
Pânico, entre outros. Considero de extrema
importância que os colaboradores dos centros
espíritas estejam informados, para que possam
orientar os freqüentadores e assistidos de forma
correta e objetiva, cumprindo a integração
proposta pela Doutrina Espírita, no seu aspecto
tríplice. É preciso buscar o profissional da
área de conhecimento desejada para a formação de
grupos de estudos, palestras e treinamento.
Sou favorável a tratamentos combinados quando
necessário. Os passes, aplicados nos centros
espíritas são eficazes na estabilização das
ondas mentais citadas pelo Espírito André Luiz
no livro “Libertação”. As ondas mentais
estabelecem faixas de sintonia mais ou menos
favoráveis, e os passes, aliados ao
esclarecimento e, quando necessário, ao
medicamento adequado e na dosagem correta,
produzem efeitos libertadores. Não estou me
referindo a ajustar espíritos com grande
potencial de transformação – moral e espiritual
– a uma sociedade desajustada, mas
oferecer o equilíbrio e o alimento de que
necessitam para a tarefa de renovação a que
vieram.
Quanto aos educadores, como conscientizá-los
dessa realidade que explica, ao menos em parte,
o comportamento incontrolável de muitos alunos,
a indisciplina na sala de aula?
Para um mundo de regeneração precisamos de uma
nova pedagogia. Creio que aqui iniciamos uma
discussão muito mais profunda, que envolve o
sistema de ensino, as premissas pedagógicas e a
motivação ou falta de motivação e de valorização
de uma classe fundamental na área de formação da
criança, futuro adulto. Esse é um capítulo à
parte, carente em todos os sentidos. Como exigir
disciplina sem dispor de uma pedagogia que
motive, respeite e conscientize o aluno? Como
exigir mais dos professores?
Os psicólogos espíritas estão preparados para
atender a essa demanda que, ao que tudo indica,
vai aumentar?
Os psicólogos espíritas que atuam junto à ABRAPE
aplicam, exclusivamente, as abordagens
acadêmicas aceitas pelo Conselho Regional de
Psicologia (CRP). Nosso diferencial é a própria
formação, que vê e respeita o ser humano de
forma integral. Assim, sem fazer proselitismo,
mas usando a mesma linguagem das pessoas que nos
procuram, sem preconceito, conseguimos estar
atentos a essas diferenças, independente de
haver uma classificação formal para elas.
Esperamos que essas diferenças continuem para
que a regeneração se processe, porém de forma
mais harmônica. A ABRAPE tem como propósito não
só o estudo integrado da psicologia ao
Espiritismo, mas também viabilizar o seu alcance
a pessoas que, de outra forma, não teriam acesso
à psicoterapia. No momento um dos nossos
projetos, o “Terapia Social”, oferece mais de
1.500 consultas mensais gratuitas.
O tema “crianças índigo” não merece um debate
aberto para a sociedade?
O tema “crianças índigo” bem como outros de
interesse que ajudem a compreensão integral do
homem, incluindo seu aspecto espiritual, merecem
um debate aberto e sem preconceito de todas as
áreas de estudo. É fundamental que as áreas do
saber permutem informações, que se completem
para uma melhor compreensão do espírito
encarnado e possam cooperar, em conjunto, na sua
evolução.
Qual é sua opinião sobre o livro de Lee Carroll
e Jan Tober?
Como uma grande reportagem, acho “Crianças
índigo” muito interessante. Cada leitor poderá
fazer as adequações às suas próprias
informações. O livro também levanta a
necessidade de maior atenção e contato com as
crianças, ressaltando espiritualidade as
informações que nos dão, muitas vezes sem
perceber. Aponta ainda a necessidade de novas
formas de relacionamentos interpessoais,
principalmente entre pais e filhos, e nos exorta
a aprender com as crianças.
Que mensagem gostaria de endereçar aos pais
dessas crianças?
Como espírita, não acredito no acaso. As tarefas
que enfrentamos hoje são aquelas já assumidas
durante a elaboração do nosso projeto
reencarnatório. Então, naquele momento, nos
achamos suficientemente fortes para realizarmos
ações que hoje nos parecem tão difíceis. Seria
bom retomarmos essa força e olharmos para nossos
filhos como dádivas de Deus; como adoções que
fizemos de filhos Dele, aos nossos cuidados. Por
vezes nos cansamos, mas Ele não se cansa nunca.
Se você faz parte do grupo de pais que receberam
a incumbência de acolher esses espíritos que
renovarão o planeta, coragem, pois você também é
especial!

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Ler faz
bem à alma |
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Jornalista por ofício e gosto, Donizeti Costa há tempos fazia um
trabalho de formiguinha, na base do boca-a-boca, para divulgar
os efeitos que uma leitura sadia pode ter na vida e na carreira
de um indivíduo. A proposta para amplificar esta “campanha”
particular, claro que no formato de um livro, feita por Flávio
Machado, diretor e editor da Butterfly, juntou, por assim dizer,
o agradável ao útil. Falamos um pouco com o autor sobre sua obra
de estréia na literatura, "Ler faz bem à alma", e a
missão que já abraçava antes por puro prazer.
No livro Ler faz bem à alma, você recorda sua infância. Essas
lembranças são boas?
No livro, o propósito é o de destacar que a leitura pode fazer a
diferença na vida de uma pessoa. Tanto no seu foro íntimo,
abrindo novos horizontes de reflexão como no coletivo, tornando
mais bem-sucedidos seus objetivos na escola e no trabalho, por
exemplo. Por questão de foco e de espaço, deixei de lado a
questão das dificuldades financeiras para minha mãe sustentar
sozinha a família (eu, minha irmã e avó materna) e a falta de
condições até para suprir minha vontade de ler. Mas sempre há
uma biblioteca aberta para matar este tipo específico de fome.
Quem foi, nessa época, o livro ou o autor que mais o
influenciou? Além dos gibis, é claro...
O escritor que mais fez minha cabeça, na meninice, foi Monteiro
Lobato. Era um tempo em que minha família nem televisão tinha, o
que me possibilitava imaginar as aventuras de Emília, Narizinho
e companhia com cores até mais intensas do que hoje a telinha
mostra.
Falando em quadrinhos, qual de seus personagens você gostaria de
encarnar agora mesmo?
Quando moleque, cheguei a me ver no uniforme cinza (era essa a
cor) do Batman, no azul-e-vermelho do Super-Homem e até sob a
cartola do Mandrake. Mas hoje, se fosse possível escolher,
gostaria de cruzar o cosmo sobre a prancha do Surfista Prateado.
Você aprendeu muito na faculdade de jornalismo ou na prática a
teoria é outra? Qual é a maior escola de jornalismo?
O gostar de ler é condição fundamental para quem almeja a
carreira de jornalismo ou outras, como direito e letras. Mas,
também no jornalismo, a gente só aprende a voar voando. Ou seja,
na redação.
Como foi sua vida de “foca”, um iniciante na carreira do
jornalismo? Alguém em especial o ajudou ou o influenciou nessa
época? Passou pela sua cabeça desistir, um desânimo, uma
desilusão ou coisa parecida?
Minha iniciação foi a melhor de todas: em meados dos anos 1980,
no departamento de revisão do jornal DCI-Shopping News,
considerado o melhor da imprensa na época. Lá aprendi com
revisores tarimbados, por décadas de experiência, a pôr a teoria
na prática. Creio que meu grande “padrinho” na carreira foi o
professor Edvaldo Pereira Lima, da Cásper, o primeiro a enxergar
que eu tinha futuro na carreira. Quando me formei já era casado
e tinha dois filhos. Foi difícil trabalhar e estudar, dependendo
de ônibus entre casa-trabalho-faculdade. Nem tive chance de
fazer estágio não-remunerado como boa parte dos meus colegas.
Mas sem estudar minhas perspectivas de vida por certo seriam bem
menos promissoras.
Mencione um grande jornalista, vale um in memorian.
Aloysio Biondi, meu primeiro “chefe” no Shopping News. Ele sabia
trocar em miúdos a política e a economia do Brasil.
Sua amizade com o Roniwalter Jatobá – o jornalista e escritor
que prefaciou Ler faz bem à alma – vem de onde?
Dos tempos do Grupo Abril, onde trabalhei por sete anos e meio
entre os anos 1970 e 1980. Na época ele era redator da divisão
de publicações culturais e eu analista contábil. Depois nos
encontramos novamente no Diário Popular (atual Diário
de S.Paulo). Ele como cronista e eu como editor assistente.
Sou seu tiete de carteirinha desde que li Sabor de Química.
Por necessidade profissional, você já viajou bastante. O que
aprendeu nessas viagens? Deu para fazer um sightseing
literário na Europa?
Nas viagens por cadernos de turismo, os roteiros são bem
rígidos, em tempo exíguo, não permitindo escapadas solitárias.
Pela Alemanha, por exemplo, foram oito cidades em oito dias. Mas
todas as experiências, incluindo essa, valeram.
Por que você escreveu Ler faz bem à alma? Foi amor à
primeira vista? Quem o incentivou?
Como já disse, sempre gostei de estimular os outros a lerem. A
ponto de comprar dois livros de um mesmo título, um para manter
comigo e outro para perder para leitores “esquecidos”. A
proposta, irrecusável, para escrever "Ler faz bem à alma" veio
do Flávio Machado, da Butterfly Editora.
Quanto tempo você dedica para a atividade literária? Qual é sua
rotina, se é que você tem alguma?
Bem menos do que eu gostaria de dedicar. Por estar sempre tendo
de ler algo para o jornal, não é raro eu estar às voltas com
dois ou três livros por vez. Gosto de ler à noite e, como não
dirijo, também aproveito o tempo a bordo de ônibus e metrôs.
O estilo de Ler faz bem à alma é bem coloquial, uma
conversa com o leitor. Você gosta mesmo de conversar ou é só por
escrito, assim à distância?
A forma que escolhi para escrever é a mesma das conversas
informais que tenho no dia-a-dia. Sim, sou um conversador por
natureza.
Fale sobre suas pesquisas, a coleta de material de referência
para os seus livros. Para um jornalista isso é mais fácil?
Fica mais fácil ser escritor numa cidade como São Paulo, com o
número de bibliotecas, centros culturais e demais núcleos de
pesquisa que temos. A internet também é grande aliada, desde que
se cheque os dados coletados com duas, três fontes. Isso também
se aplica a jornais e revistas, mas em menor grau. No meu caso,
isso foi fundamental, por exemplo, para se confirmar a exatidão
de fatos, o ano de publicação de livros e a idade de
personagens. Imagine então o trabalho que têm autores com obras
de conteúdo menos pessoal e mais denso.
Quando você rende mais: escrevendo para o jornal ou garimpando
idéias para seus livros?
O livro "Ler faz bem à alma" me provou que é possível
conciliar os dois trabalhos. Pretendo continuar nesta área de
obras de referência estudantis, explorando outros assuntos e
iniciar pesquisas para uma biografia de um personagem ligado à
música, outro assunto a que me dedico no jornal. O nome prefiro
não revelar por enquanto.
Em Ler faz bem à alma são mencionadas 50 boas razões para
ler. No seu caso, entre tantos motivos, qual foi o mais forte, o
que o introduziu de verdade no mundo dos livros?
Difícil precisar um motivo assim. Mas com uma avó velhinha para
cuidar de mim e minha mãe trabalhando em dois, três empregos, eu
tive uma infância de menino de rua na Vila Formosa. Ler me fazia
diferente dos outros que eram como eu. E me permitia sonhar com
a vida melhor que eu via nas histórias.
Seu trabalho jornalístico o aproxima de artistas, escritores e
de outras personalidades. Como você se sente convivendo com
esses mitos, como é esse corpo a corpo?
Com o tempo tudo vira rotina. Mas a gente tem que segurar a
barra para não recair numa tietagem explícita diante de seus
grandes ídolos. Dois, aliás, ainda faltam na minha galeria de
entrevistados: Chico Buarque e Roberto Carlos.
Em
geral, o jornalista é cético, para não dizer avesso às questões
religiosas. Parece até que o ofício induz à descrença. É assim
mesmo?
Eu não generalizaria a coisa nesse ponto. A maioria tem sim uma
crença, acredita em um ser superior, a maioria em Deus. O duro é
provar ou manter essa fé nas coisas do próprio ofício. É o caso
de muitos colegas que, mesmo a contragosto, têm de aplicar seu
talento jornalístico a matérias de fofoca ou de apelo erótico.
Além da literatura, a música é seu outro deleite. Você é um
músico ou compositor em potencial? Quem são seus favoritos?
Quando começou essa devoção?
Meu pai era pedreiro por profissão e violeiro por gosto.
Infelizmente não herdei dele o dom. Mas o prazer pela música me
fez tentar conhecer mais que um ouvinte médio, em diversos
gêneros. Meus ídolos vão de Tião Carreiro e Pardinho, passando
por Roberto Carlos e Ney Matogrosso, a Chico Buarque. Dizem que
jornalista especializado em música costuma ser um músico
frustrado. Acho que há um fundo de verdade nisso...
O que você está lendo? Quais são seus livros de cabeceira?
Minha cabeceira é pequena demais para caber todos os títulos que
gosto. Acho que precisaria de uma cama maior. Mas só citando
alguns, num leque amplo de estilos: Terra dos Homens
(Antoine de Saint-Exupéry), Dom Quixote (Miguel de
Cervantes), O Crime do Padre Amaro (Eça de Queirós),
Sidarta (Hermann Hesse), O Homem da Máscara de Ferro
(Alexandre Dumas), Germinal (Émile Zola).
Sua vida familiar é um livro aberto? Seus filhos gostam de ler?
Essa paixão pela literatura é um bem de família?
Minha mãe, durante certo tempo de sua vida, até que lia um
pouco. Meu pai, não. Já meus filhos estão inclinados a dar
continuidade ao hábito: o Dennis e o Danilo, de 30 e 27 anos,
são jornalistas. A Amarílis está cursando teatro, que também
exige bastante leitura de obras clássicas e contemporâneas. Mas,
como já disse a escritora Tatiana Belinky, o melhor jeito para
formar um leitor é fazer com que ele cresça envolvido por
livros. Algum dia, até por não ter mais nada o que fazer, ele
vai abrir um e ler. E depois virão outros, outros, outros...
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